Source: Unemployment rate by ethnic group * ONS * Backup
If not born white will probably have less easy access to goods, and more easily will be unemployed. In Portugal it is said that "Black stopped is a suspect and running is a thief." In England the blacks have more lucky than the Portuguese, but unemployment rates are invariably higher for non-white, showing that opportunities for access to the labor market are very different. However, the youth unemployment rate rose to 23%, the situation was explosive, literally just a short fuse.
More, the UK has a proportion of its children living in workless households than any other EU country.
Europe must listen to these warnings!
Already in France was similar.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Incoerência de Santos Pereira
Santos Pereira tem como missão contribuir para a a redução do défice orçamental e relançar a economia portuguesa na via do crescimento económico, tarefa difícil partindo da herança que tão bem caracterizou no seu blogue.
Afirmou que se "deparou com um clima e ambiente de ostentação no Ministério que é uma afronta para ele e para os portugueses". Muitos de nós ficámos satisfeitos com a observação, dizendo para com os nossos botões que tínhamos Ministro.
Pouco depois ficamos a saber que segue uma política inflacionista, para não empregar um adjectivo pior.
Não é lícito comparar o seu ministério com os "dois ministérios e meio" que veio substituir para justificar a taluda que cabe mensalmente à sua chefe de gabinete. Seguindo a mesma lógica ele também deveria ter o vencimento de "dois ministros e meio", e naturalmente que desta forma não serviria de nada Passos Coelho ter reduzido o número de ministros.
Etiquetas:
Santos Pereira
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
uwall.tv
http://uwall.tv/ é um dos melhores sites para ouvir música e criar as suas próprias listas, como esta.
Etiquetas:
baú-musical
A coerência de Passos Coelho: Menos 5 Ministros no Governo, mais 4 Administradores na Caixa (CGD)
O discurso é pedir mais e mais sacrifícios, apresentando medidas simbólicas para justificar a austeridade, que não se questiona, e cujos efeitos sobre redistribuição do rendimento se distorcem.
Uma das medidas simbólicas mais propaladas na campanha eleitoral foi a redução do número de Ministros para 10, que por força da coligação com o CDS ficou em 11. Mesmo assim, resultou numa "poupança" de 5 Ministros relativamente ao Governo se Sócrates que tinha 16!
O que não se compreende é por que motivos a Caixa (CGD) passou agora a necessitar de 11 Administradores, quando até aqui lhe tinham bastado 7! Mais 4 que ganham bastante melhor que os Ministros!
Uma interpretação é que os amigos de Passos Coelho preferem ser Administradores da Caixa (CGD) a serem Ministros por razões óbvias ;) Para continuar a assegurar bons tachos é que a Caixa (CGD) não pode ser privatizada. RTP idem.
Etiquetas:
Passos Coelho
terça-feira, 26 de julho de 2011
Mota Amaral com gabinete, secretária, BMW, motorista e telemóvel à pala do Estado
A austeridade não é para todos e estes exemplos descredibilizam qualquer "esforço colossal"... que depressa passa a mentira colossal.
- PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Despacho n.º 1/XII - Relativo à atribuição ao ex-Presidente da Assembleia da República Mota Amaral de um gabinete próprio, com a afectação de uma secretária e de um motorista do quadro de pessoal da Assembleia da República.
Ao abrigo do disposto no artigo 13.º da Lei de Organização e Funcionamento dos Serviços da Assembleia da República (LOFAR), publicada em anexo à Lei n.º 28/2003, de 30 de Julho, e do n.º 8, alínea a), do artigo 1.º da Resolução da Assembleia da República n.º 57/2004, de 6 de Agosto, alterada pela Resolução da Assembleia da República n.º 12/2007, de 20 de Março,
determino o seguinte:
a) Atribuir ao Sr. Deputado João Bosco Mota Amaral, que foi Presidente da Assembleia da República na IX Legislatura, gabinete próprio no andar nobre do Palácio de São Bento;
b) Afectar a tal gabinete as salas n.º 5001, para o ex-Presidente da Assembleia da República, e n.º 5003, para a sua secretária;
c) Destacar para o desempenho desta função a funcionária do quadro da Assembleia da República, com a categoria de assessora parlamentar, Dra. Anabela Fernandes Simão;
d) Atribuir a viatura BMW, modelo 320, com a matrícula 86-GU-77, para uso pessoal do ex-Presidente da Assembleia da República;
e) Encarregar da mesma viatura o funcionário do quadro de pessoal da Assembleia da República, com a qualificação de motorista, Sr. João Jorge Lopes Gueidão;
f) Atribuir ao ex-Presidente da Assembleia da República telemóvel de serviço, em termos equiparados aos Vice-Presidentes da Mesa.
Palácio de São Bento, 21 de Junho de 2011
A Presidente da Assembleia da República, Maria da Assunção Esteves.
Publicado
DAR II Série-E - Número 1 ****** Backup
24 de Junho de 2011
Etiquetas:
mentira colossal
terça-feira, 12 de julho de 2011
Os ratings da Moodys, Fitch e da Standard & Poor's
Sobre o episódio da Moodys fica para registo:
- Os ratings são meras opiniões, não são nenhum resultado científico.
- O que dá credibilidade às agências de rating é a referenciação pelos investidores e pelas autoridades. Se preferem as opiniões da Moodys às da Companhia Portuguesa de Rating é porque provavelmente a Moodys acerta mais vezes.
- A onda popular de indignação contra as agências de rating – via mail e Facebook – compreende-se porque a decisão de descer em 4 níveis a notação da dívida soberana portuguesa foi tomada após a assinatura de um programa de resgate e antes que sejam visíveis quaisquer desvios.
- Os ratings da Moodys, Fitch e da Standard & Poor's favorecem os Estados Unidos relativamente ao resto do Mundo.
- Quando olham para os países europeus, observam os anglo-saxónicos numa primeira divisão e os PIIGS numa segunda categoria.
- As agências de rating têm alguma razão porque ninguém aproveita esta oportunidade de negócio.
- As agências de rating têm uma evidente dualidade de critérios aqui exposta com bom humor.
Etiquetas:
ratings
segunda-feira, 11 de julho de 2011
O Imposto Extraordinário é um imposto sobre o rendimento com taxa constante
Diz-se em Economia que o IRS é mais equitativo que o IVA porque como tem taxas progressivas, que vão subindo à medida que o rendimento aumenta, distribui o esforço fiscal de modo a que aqueles que mais ganham, mais paguem. Eis a tabela das taxas marginais de IRS referentes a 2010:
O Imposto Extraordinário será o equivalente a a 50% da parte do subsídio de Natal acima do salário mínimo nacional, que está fixado em 485 euros mensais. Isto, quer dizer que quem aufere 500,00 € por mês, isto é, 7.000,00 € por ano (500x14), pagará 7,50 € de imposto, que corresponde a uma taxa anual de 0,11%. Quem ganhar 2.500,00 € pagará 1.007,50 € de imposto, a que corresponde uma taxa anual de 2,88%.
Para rendimentos superiores a 2,500,00 € a taxa média anual continua próxima dos 3%, mostrando-se praticamente constante, em vez de progressiva, como num imposto sobre o rendimento deveria ser.
Porque é que o Imposto Extraordinário é um imposto sobre o rendimento com taxa praticamente constante?
Afinal qual é a lógica do PSD? Poupem os ricos?
O Pedro Lains admite que estavam apressados e/ou se enganaram no desenho deste imposto.
O Imposto Extraordinário será o equivalente a a 50% da parte do subsídio de Natal acima do salário mínimo nacional, que está fixado em 485 euros mensais. Isto, quer dizer que quem aufere 500,00 € por mês, isto é, 7.000,00 € por ano (500x14), pagará 7,50 € de imposto, que corresponde a uma taxa anual de 0,11%. Quem ganhar 2.500,00 € pagará 1.007,50 € de imposto, a que corresponde uma taxa anual de 2,88%.
Para rendimentos superiores a 2,500,00 € a taxa média anual continua próxima dos 3%, mostrando-se praticamente constante, em vez de progressiva, como num imposto sobre o rendimento deveria ser.
Porque é que o Imposto Extraordinário é um imposto sobre o rendimento com taxa praticamente constante?
Afinal qual é a lógica do PSD? Poupem os ricos?
O Pedro Lains admite que estavam apressados e/ou se enganaram no desenho deste imposto.
Etiquetas:
Passos Coelho
Criminalizar o enriquecimento ilícito é uma urgência da democracia
A austeridade é selectiva.
É a forma de impor uma redistribuição do rendimento cada vez mais injusta.
Etiquetas:
repartição do rendimento
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Santana Castilho acusa Pedro Passos Coelho de desonestidade política
Mega-agrupamentos. Mantêm-se uma política desastrosa de desertificação do país.
Nuno Crato ao dizer que a avaliação de professores não é um problema fundamental do sistema revela a uma ignorância total do sistema. Ele próprio disse que tem poucas ideias sobre educação.
Quer atribuir os exames a uma empresa privada, como se não fosse suficiente atribuir autonomia técnica aos quadros do GAVE e libertá-los da "porca política". O outsousing só serve para pagar a mesma coisa duas vezes!
Um modelo de avaliação que introduziu as maiores injustiças que se conhecem na democracia portuguesa, adulterou as relações de trabalho, criou mau clima nas escolas e condiciona qualquer política.
Tudo aquilo que Passos Coelho disse que ia suspender, logo que foi Governo desdisse, e desdisse de uma maneira que não é séria.
Passos Coelho assume que os professores são estúpidos? Pensa que pode dizer uma coisa antes das eleições e outra depois de chegar ao Governo?
1 - Com os impostos também disse que não subiriam...
2 - Nunca subiria o imposto sobre o rendimento...
3 - Era um disparate cortar o subsídio de Natal...
4 - Tinha feito passar a farsa que não lhe tinham dito nada relativamente ao PEC4...
Isto é suficiente para avaliar a credibilidade de um político.
Etiquetas:
Nuno Crato,
Passos Coelho,
Santana Castilho
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Interpretando Passos Coelho para desenhar o Modelo de Avaliação do Desempenho do PSD
Diz Passos Coelho que temos que distinguir avaliação de desempenho de avaliação na classificação para mudança de escalão. Depois explica que a avaliação de desempenho é sempre importante porque os professores trabalham todos os dias. A avaliação na classificação para mudança de escalão bastará realizá-la nos anos previstos para mudança de escalão.
Esta retórica faz lembrar o “eduquês” da avaliação contínua dos alunos que são remetidos no final do ano para um exame. O sistema de ensino precisa dos exames para minimizar o impacto de avaliações contínuas segundo padrões muito distintos. Os professores precisam da avaliação contínua para fazerem os alunos trabalhar.
No caso dos professores, Passos Coelho deverá querer entregar a avaliação contínua dos professores (dita avaliação de desempenho) aos Directores, que vigiarão quotidianamente as questões disciplinares, a assiduidade, a simpatia,… mas quando chegar a hora de mudar de escalão deverá formar-se um júri parra avaliar o docente no seu trabalho pedagógico.
Esta retórica faz lembrar o “eduquês” da avaliação contínua dos alunos que são remetidos no final do ano para um exame. O sistema de ensino precisa dos exames para minimizar o impacto de avaliações contínuas segundo padrões muito distintos. Os professores precisam da avaliação contínua para fazerem os alunos trabalhar.
No caso dos professores, Passos Coelho deverá querer entregar a avaliação contínua dos professores (dita avaliação de desempenho) aos Directores, que vigiarão quotidianamente as questões disciplinares, a assiduidade, a simpatia,… mas quando chegar a hora de mudar de escalão deverá formar-se um júri parra avaliar o docente no seu trabalho pedagógico.
Etiquetas:
avaliação de desempenho,
Passos Coelho
quinta-feira, 23 de junho de 2011
domingo, 19 de junho de 2011
90% dos estudantes que tiram negativa, atiram o barro à parede
A Lei de Ouro do Trabalho Escolar propõe outra explicação: Os estudantes que obtêm negativa, preferem afirmar que não estudaram, subtraindo-se ao juízo professoral que os classificaria como estúpidos.
Etiquetas:
Nuno Crato
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Um país que não funciona
Procurando conhecer os resultados das legislativas de 2011, do passado Domingo, apenas para registo no blogue, o melhor que encontrei foi isto:
Até fizeram um Portal do Eleitor, mas de nada me serve, porque não consigo entrar em lado nenhum, nem vejo nenhum possibilidade de registo. deve ser um site muito à frente ;) Tanto que não funciona, à imagem do país.
Fica aqui uma observação de como o sistema eleitoral favorece os partidos maiores, pois o:
PSD - com apenas 38.63% dos sufrágios obteve 46.46% dos mandatos
PS - com apenas 28.05% dos sufrágios obteve 32,30% dos mandatos
CDS/PP - com 11.74% dos sufrágios obteve 10.62% dos mandatos
CDU/PEV - com 7.94% dos sufrágios obteve 7.08% dos mandatos
BE - com 5.19% dos sufrágios obteve apenas 3.54% dos mandatos
Os partidos grandes que desenharam a Lei Eleitoral foram "espertos" ;)
- O PSD venceu em todos os círculos eleitorais do país, exceto em Setúbal, Évora e Beja, onde venceu o PS.
Portugal passa assim a ser liderado por um partido de direita.
Resultados das Eleições Legislativas 2011
PSD - 38.63%
PS - 28.05%
CDS/PP - 11.74%
CDU/PEV - 7.94%
BE - 5.19%
Outros dados
Abstenção - 41.1%
Brancos - 2.67%
Nulos - 1.36%
Deputados eleitos
PSD - 105
PS - 73
CDS/PP - 24
CDU/PEV - 16
BE - 8
Fonte: http://www.online24.pt/resultados-das-eleicoes-legislativas-2011/
Até fizeram um Portal do Eleitor, mas de nada me serve, porque não consigo entrar em lado nenhum, nem vejo nenhum possibilidade de registo. deve ser um site muito à frente ;) Tanto que não funciona, à imagem do país.
Fica aqui uma observação de como o sistema eleitoral favorece os partidos maiores, pois o:
PSD - com apenas 38.63% dos sufrágios obteve 46.46% dos mandatos
PS - com apenas 28.05% dos sufrágios obteve 32,30% dos mandatos
CDS/PP - com 11.74% dos sufrágios obteve 10.62% dos mandatos
CDU/PEV - com 7.94% dos sufrágios obteve 7.08% dos mandatos
BE - com 5.19% dos sufrágios obteve apenas 3.54% dos mandatos
Os partidos grandes que desenharam a Lei Eleitoral foram "espertos" ;)
Etiquetas:
Socratelândia
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Retrato cruel de um país dual
- Entre os 426 administradores, pouco menos de um em cada quatro desempenhava funções de administração em apenas uma empresa. Constatou-se, porém, que cerca de 20 administradores acumulavam funções em 30 ou mais empresas distintas, ocupando, em conjunto, mais de 1000 lugares de administração, entre eles os das sociedades cotadas. A acumulação de funções patente nestes números poderá ser um motivo de reflexão para os accionistas destas empresas.
(...)
Quanto às remunerações dos membros do órgão de administração apurou-se que a remuneração média por administrador, incluindo componentes de remuneração variável com impacto plurianual, foi de EUR 297 mil (EUR 513 mil para os administradores executivos). (Introdução)
RELATÓRIO ANUAL SOBRE O GOVERNO DAS SOCIEDADES COTADAS EM PORTUGAL - 2009 - CMVM
Imaginemos que estes 20 senhores distribuem equitativamente entre si os 1.000 empregos. Então a cada um caberão 50 (1000/20). Se em cada emprego receberem a média, no final do ano os administradores executivos receberão 25.650.000.000 € (EUR 513 mil x 50)!!!
O salário mínimo nacional é actualmente de 485 €. Para ficarmos com valores comparáveis calcule-se o ordenado mensal do administrador executivo pagando-lhe 14 meses: 25.650.000.000 € / 14 = 1.832.142.857 €. Isto é, não pagar um mês a qualquer um destes senhores seria quase suficiente para pagar salários mínimos a 4 milhões de pessoas (1.832.142.857 € / 485 € = 3.777.614) mas conhecendo o mundo dual em vivemos, sei é mais fácil o Governo propor a redução ou não aumento do salário mínimo, para "estimular a competitividade" do que pensar noutros factores que a penalizam, como a estrutura organizacional tribalista que os números da CMVM evidencia.
Etiquetas:
Socratelândia
terça-feira, 17 de maio de 2011
MoU: ondas de choque
- Antes de mais quero avisar: vou citar-me: uma atitude pedante. Mas não resisto, apesar de considerar que o acordo internacional é (infelizmente) o melhor que nos poderia ter acontecido, neste momento.
Primeiro, o acordo - o MoU(*) - com a troika - UE, BCE e FMI - foi o certificado internacional da nossa incompetência. Não nos soubemos governar, ou melhor, Sócrates levou-nos à bancarrota. Disse-o em tempo oportuno e repito-o.
Depois, como este Governo não nos soube governar, passámos a protectorado da troika. Ver o controlo sobre o Governo português previsto no acordo é penoso para qualquer português com o mínimo de brio nacional. Mas já não havia alternativa.
Como eu também já tinha dito e escrito, em terceiro lugar, quando o indígena se porta mal, uma dose de colonialismo é sempre bem-vinda: o MoU é um bom acto colonial. E foi bem-vindo, em particular pelos culpados da desgovernação, ou seja, por Sócrates, que até pode ganhar as eleições. Também já não havia alternativas, neste momento, ao protectorado.
Mas, em quarto lugar, tudo isto é uma vergonha internacional para qualquer português que leia a imprensa estrangeira. Por exemplo, (agora não me vou citar) Wolfgang Munchau colunista regular do Financial Times, dizia na segunda-feira passada "... mas a gestão da crise por Portugal tem sido, e continua a ser, estarrecedora. José Sócrates, primeiro-ministro, escolheu atrasar o pedido de um pacote de salvação financeira até ao último minuto. O seu anúncio na semana passada foi um momento trágico-cómico da crise. Com o País no limiar da extinção financeira, ele exultou na televisão nacional que tinha assegurado um acordo melhor que o dos irlandeses e dos gregos. Adicionalmente, ele reclamou que o acordo não causaria grande dor. Quando os detalhes emergiram uns dias mais tarde, podíamos ver que nada disto era verdade. O pacote contém cortes selvagens nas despesas, congela os salários da função pública e pensões, aumenta impostos e prevê uma profunda recessão por dois anos." E acrescenta ainda: "Não podemos governar uma união monetária com gente como o Sr. Sócrates..." Para vergonha nacional, chega.
Mas tudo isto era previsível há muito e, portanto, evitável. Em quinto lugar, vou citar o ministro das Finanças português a 9 Junho de 2005. Para não dizerem que são frases fora do contexto, sou forçado a fazer citações mais extensas. Foi aquando da apresentação do PEC 2005-09 (para cinco anos) na Assembleia da República.
"A sustentabilidade das finanças públicas apenas significa que o que o Estado gasta tem de ser pago e, em última instância, com impostos. Isto é verdade em qualquer país, em qualquer momento e em qualquer regime. Por isso, acabou o tempo das hesitações e dos truques contabilísticos. (...)
Quanto mais adiarmos a redução do défice, mais violenta e inevitável esta será. E estaríamos apenas a comprometer seriamente o futuro da economia e do Estado Social. (...)
Com este Programa [PEC 2005-09] conseguiremos: Ganhar a credibilidade hoje em dúvida e esta ganha-se mostrando a todos que temos coragem para iniciar desde já a redução do défice, não concentrando o esforço no final da legislatura.
Pelo contrário, o esforço de redução do défice deve ser centrado nos primeiros anos por três ordens de razões:
- porque os compromissos internacionais assim o exigem;
- porque as reformas estruturais do lado da despesa levam algum tempo a implementar e a produzir efeitos significativos;
- e porque é preciso travar a dinâmica insustentável da dívida pública. (...)
De facto, a dívida pública subiu de um mínimo de 53% do PIB em 2000 para um valor estimado de 67% em 2005.
Se nada fosse feito para travar este crescimento, os mercados financeiros exigiriam um prémio de risco crescente para financiarem a República, o que agravaria ainda mais a dívida e os juros pagos pelas famílias e pelas empresas portuguesas."
Resumindo, o então ministro -para quem não se lembre, era eu mesmo- avisou que adiar o ajustamento orçamental, como veio a acontecer, implicaria que o ajustamento seria necessariamente mais penoso; que o Estado social e a economia estariam em sério risco; que a sustentabilidade da dívida pública não seria assegurada e que os nossos credores iriam cobrar juros mais altos ao Estado e a todos nós. Se nada fosse feito. E foi muito pouco e a profecia confirmou-se.
O PEC 2005-09 não foi finalizado, pois logo em 2008 começou a festa orçamental e em 2009 e 2010 foi o colapso anunciado. Estamos a viver as consequências da dinâmica insustentável da dívida pública, que passou dos tais 67% do PIB para ultrapassar os 90%.
Neste contexto, o acordo - MoU - com a troika, dada a situação, é (infelizmente) o melhor que nos podia ter acontecido, porque toca muitas áreas da governação que, sem este choque externo, nunca seriam reformadas. Mas, obviamente, em três semanas apoiaram algumas opções que lhes venderam como milagreiras e confiam numa capacidade técnica da administração pública, que quase não existe. O exemplo da justiça é gritante: que os processos judiciais em atraso podem acabar em dois anos só eles é que podem acreditar, mas quem assinou, e se comprometeu com tal, devia saber mais e melhor. A não ser que não tenham intenção de cumprir. Não vai ser possível, pelo menos na justiça, nem que a vaca tussa. Contudo, acabaram as eólicas que estragaram a paisagem e encareceram a nossa electricidade, para citar um aspecto muito positivo. Globalmente estou mais optimista, mas também triste (e envergonhado).
Luís Campos e Cunha, primeiro Ministro das Finanças (2005-03-12 a 2005-07-21) de José Sócrates
Público, 13/05/2011
Também tenho vergonha de viver no meio de tantos ignorantes, que constroem o pântano por onde Sócrates faz slalom.
(*) MoU, de Memorandum of Understanding, Memorando de Entendimento com a troika.
Etiquetas:
Socratelândia
Assinar:
Postagens (Atom)








