terça-feira, 29 de março de 2011

A austeridade é uma política para impor uma repartição do rendimento (ainda) mais inequitativa

Para quem dúvidas tiver acerca dos efeitos da austeridade sobre a repartição do rendimento encontrei um excelente post.

Para onde foi o teu dinheiro no ano do sufoco (2010).

Os lucros da EDP sobem 5,4% para 1.079 milhões de euros,


Fonte: http://classepolitica.blogspot.com/

Nota: A ausência de título na mensagem não permite que se faça link directo.

sábado, 26 de março de 2011

Sócrates passou-se! Abriu alguma janela para o desenvolvimento?


Nunca pensei que a oposição fosse tão longe, sem o mínimo de consciência do interesse nacional... o mínimo de respeito pelo país, de forma a recusar qualquer negociação, qualquer conversa, qualquer compromisso. Isso não me ocorreu.

Até parece que com ele o país estava a ganhar posições nos ratings ;)


Depois de ouvir e ler políticos, comentadores profissionais e blogues só posso concluir que Sócrates se passou. Segundo Passos Coelho foi aberta uma “janela de oportunidade” para uma política de verdade. A sua vantagem é ser considerado mais sério, porque está a ser cauteloso nas suas afirmações. Mas Henrique Monteiro recordou que desde a sua eleição para a liderança do PSD que promete apresentar um programa detalhado para a governação, mais tarde… e até agora não apresentou nada de concreto, pois a agenda do PS tem-lhe servido bem. Daniel Bessa pensa que poderá ter sido inaugurado um novo ciclo se os políticos começarem a falar verdade. Nicolau Santos parece já ter saudades de Sócrates quando afirma que não foi derrubado por motivos racionais mas pelo ódio. Sousa Tavares reconhece que Sócrates foi fraco com os fortes, e forte contra os fracos, referindo o cúmulo da taxa reduzida de 6% de IVA para o golfe em contraste com o corte de pensões de 200 euros e vencimentos de 1500. Este episódio terá ditado para si a queda do Governo.

Quase todos os analistas apontam como cedência do PSD ao eleitoralismo o termo da avaliação de desempenho de professores segundo o modelo de Milu, porque “interrompeu um processo que estava em curso”. A Ministra Isabel Alçada repetiu a palavra “interrompeu” 10 vezes em dois minutos numa entrevista à RTP1. Quem terminou de vez com a avaliação foi Sócrates em Dezembro de 2010, quando por motivos estritamente orçamentais – sempre só esses – estabeleceu o congelamento dos vencimentos e das progressões. Neste aspecto todos os comentadores manifestam desconhecer o quotidiano escolar, preenchendo as suas lacunas informativas com uma carga ideológica que os transforma em “fala-barato” da educação.

Todos são unânimes em que o Estado deve honrar as dívidas que acumulou com a nacionalização de BPN’s. Desde modo podem os depositantes colocar o dinheiro em qualquer buraco, e os administradores dos bancos seguir políticas arriscadas, que no final os contribuintes e os funcionários pagam a conta.

Ninguém disse que se estão a exigir os esforços de austeridade sempre aos mesmos, nem que Portugal é o país da zona Euro onde:
- é maior o risco de pobreza e privação material;



- a repartição do rendimento é a mais desigual: podem observar o rácio de rendimentos entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres, ou outras medidas como o índice de Gini ou a parte do Rendimento Nacional que cabe ao Trabalho;
- exactamente por o rendimento estar mal distribuído, esse factor condiciona o desenvolvimento do país;
- para a insustentabilidade da segurança social estão a contribuir muitos reformados-activos milionários com menos de 65 anos de idade;
- a crise está a redistribuir o rendimento de modo cada ver mais inequitativo. Acho bem que o Socialismo tenha sido metido na gaveta, mas uma repartição mais justa do rendimento é precisamente um dos factores que distingue um país com uma social-democracia sólida de um país do Terceiro Mundo;
- a corrupção em Portugal apresenta níveis que nos aproximam de regimes ditatoriais;
- o sistema de justiça constitui a negação prática da mesma.

Nada disto seria suficientemente para a demissão do Governo. Sócrates estava a fazer todo o “trabalho” bem feito, garantem a UE, a Alemanha, a OCDE e o FMI. Mas passou-se… porque não informou a família dos seus esforços ;)

Passos Coelho agradeceu-lhe e propõe-se emagrecer o Estado. Cortar despesas. Acho que tem muito onde cortar começando pela frota do Governo, da AR, e outros privilégios de políticos e administradores públicos. Circulam listas enormes de institutos e fundações que não têm funções produtivas. Haverá coragem?

Veremos se quando Sócrates se passou com Passos, abriu ao país alguma janela de oportunidade para o desenvolvimento.

sexta-feira, 25 de março de 2011

O esgotamento do modelo PS/PSD

Nenhum Governo pode perpetuar-se aprovando trimestralmente um novo PEC. A multiplicação dos PEC's deriva das estimativas irrealistas do crescimento e das receitas públicas. Com medidas recessivas, como o corte das despesas públicas e aumento de impostos, num período de crise na actividade económica, o resultado só pode ser agravamento da recessão. Logo, os impostos não aumentam conforme o previsto, porque a economia também não cresce... Como o Governo se encontra obcecado com o défice orçamental, depois de verificar que as metas não foram atingidas sente necessidade de apresentar um novo PEC. Cada novo PEC significa mais cortes nas despesas sociais e de investimento e um nível mais elevado da carga fiscal. Por este caminho apenas se podem esperar mais falências, mais desemprego, uma recessão cada vez mais profunda.

Escrevi modelo PS/PSD porque apesar do PSD ter reprovado o PEC4 a 23 de Março, sempre tem agradecido ao PS a política que tem sido seguida. São partidos que não se distinguem ideologicamente. Preconizam as mesmas soluções, embora possam apresentar uma cor diferente, como o vinho pode ser branco ou tinto ;)

Veja-se coo o PS e o PSD são iguais.



Se o PSD ganhar as eleições, Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo, já obteve de Passos Coelho a garantia de este iria cumprir as metas do PEC de Sócrates... Em entrevista à SIC confirmou ter as mesmas metas (défice), mas afirmou ter um caminho diferente, para se distinguir do PS. Gostaria de poder acreditar nisso.

Finalmente!

Depois de chumbarem o PEC4 os partidos da oposição decidiram agendar a revogação da avaliação de desempenho dos professores, única causa em que este Governo se tinha mantido determinado... Sorry! Obstinado por motivos orçamentais ;)



A campanha eleitoral começou.



É de aceitação voluntária pelos interessados, em vez de se impor a todos;

Só se fazem as continhas no ano em se muda de escalão;

Deixou de pedir a farsa dos "objectivos individuais", perguntando a cada um qual o seu contributo para os objectivos da escola;

Envolve na avaliação a IGE e as associações científicas, credibilizando o processo e apagando focos de tensão entre pares.

Sem dúvida que será mais facilmente aceite.

Política, um jogo de rapazolas movidos por interesses mesquinhos



  • Gostava de poder acreditar que as próximas eleições fazem uma limpeza dos rapazolas. Mas não vão limpar muita coisa porque as pessoas são as mesmas, e não creio que tenham aprendido. A maneira como se anunciam firmes para a lide, parece que estão a entrar numa Praça de Touros....

quinta-feira, 24 de março de 2011

Finalmente Sócrates despediu-se!



Culpou toda a gente pela sua saída. Vai-se vitimizar para tentar regressar com legitimidade redobrada. Não sei se conseguirá. Ou ele ou Passos Coelho sairão de cena após as próximas eleições.

O FMI é dramatizado para passar as culpas ao adversário, porque é muito difícil que sob a batuta do FMI se siga uma política pior que os PEC's trimestrais apresentados em Bruxelas e Frankfurt. E ninguém acredita no aval europeu das políticas sem a aprovação do FMI. Basta de hipocrisia porque o FMI já dita as regras para a nossa economia ao tempo...  numa crise em  que os principais bancos têm lucros anormalmente confortáveis.

Recordam-se as melhores de Sócrates, e deixa-se link para o seu dossiê.




Uma ajudinha de Angela Merkel:

  • "Portugal apresentou um programa muito corajoso para os anos 2011, 2012, 2013. Era apropriado. Lamento profundamente que não tenha sido aprovado pelo parlamento [português]". (vídeo)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Roménia, Portugal e Islândia são os países com mais reformados no mercado de trabalho

Observando as taxas de actividade por grupo etário, conclui-se que em Portugal, na Roménia e na Islândia o grupo dos 65+ anos tem uma actividade muito superior à dos restantes países.


Os números da Roménia poderão explicar-lhe como reminiscência de uma ditadura comunista.

A Islãndia é o paraíso dos reformados na Europa ocidental, por algum motivo que de momento não consigo explicar.

Em Portugal são os boys a governarem-se à custa do povo.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Miguel Sousa Tavares fala do que não sabe

Miguel Sousa Tavares fala do que não sabe, e no último sábado (no EXPRESSO) atribui aos correctores de exames o quíntuplo do que têm recebido. O assunto pode ter sido referido com maldade porque o ME inventou novas regras para remuneração deste serviço, utilizando a gratuitidade do trabalho da componente não lectiva do ECD como nova modalidade de "não pagamento"... para corrigir o défice orçamental mais uma vez à custa dos professores!

Esteve bem Paulo Guinote, quando lhe respondeu:

  • (...) vejam lá a minha ingenuidade, estava convencido de que isso [verificar factos que se usam para acusar terceiros] fazia parte das tarefas de um articulista, as quais ele desempenharia com o brio de quem quer saber que o resultado do seu trabalho ao longo de umas horas não passa de uma deturpação da verdade.

Alterações climáticas


via chartsbin.com

Já não restam dúvidas entre a comunidade científica de que as alterações climáticas da Terra se devem ao padrão consumista da sociedade pós-industrial. As catástrofes climáticas são cada vez mais frequentes e afectam um número cada vez maior de pessoas.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento dedicou-lhe o Relatório de 2007/08, mas com a urgência da crise financeira de 2008 os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio foram esquecidos e todas as hipóteses de compromisso a nível global tem falhado: Rio de Janeiro, Quioto, Copenhaga...

A expressão Tsunami entrou para o vocabulário dos media em 2004, com a tragédia da Indonésia...


Em 2011 é apenas mais um vídeo sobre o Japão...


Alguém aprendeu alguma coisa?

Ligações

domingo, 20 de março de 2011

Proposta indecente do GAVE

Trabalhem sem receber - propõe o GAVE/ME. Os professores evidentemente que se recusam a aceitar propostas indecentes.

sábado, 19 de março de 2011

A crise política é o jogo da culpa


A democracia deveria ser repensada urgentemente, porque se suportamos os custos do seu funcionamento deveria ter algum valor acrescentado. Lendo o artigo de Helena Garrido ficamos com a sensação que a política é um jogo que só serve para os actores se culparem uns aos outros, agravando mais ainda os custos da crise económica.

  • Numa forma dura e crua, pode dizer-se que Portugal está já a ser governado a partir de Bruxelas e Frankfurt. E que já está tudo preparado para o Governo fazer o pedido formal de ajuda financeira à Europa e ao FMI.

    Factos são factos. O resto, a dita crise política, é o jogo da culpa. O Governo, pelo que disse ou pelo que não fez, quer tirar de cima de si a culpa do pedido de ajuda financeira. Um jogo que nos vai sair caro, que vai exigir ainda mais medidas de austeridade.
    Helena Garrido / Jornal de Negócios / 18/MAR/2011

Infelizmente, se lhe perguntasse quem deveria dar a cara pela administração do país, imagino que HG me responderia Sócrates. Realmente este é tão "brilhante" que não rivaliza com ele qualquer adversário credível, e segue uma política tão "consensual" que parecem não existir alternativas.

sábado, 12 de março de 2011

Sócrates ignora toda a sociedade

Sócrates ignora toda a sociedade, os sinais das manifestações de professores e da "geração à rasca", o discurso de tomada de posse do Presidente da República, os líderes dos restantes partidos, os parceiros sociais... e do alto da sua cadeira diz a toda a malta: tomem lá o PEC4 e vão-se...

O FMI não veio, mas que mais poderia o FMI inventar?

Vale cortar em tudo, menos nos gabinetes de Sócrates e amigos politicus que chupam este país.








Mas irão continuar a votar em Sócrates porque o problema de fundo da sociedade portuguesa é reduzida produtividade e o correspondente subdesenvolvimento. É evidente que Sócrates também tem culpa nestes problemas, quando cria em seu redor um exército de boys e promove políticas pouco transparentes na afectação de obras públicas, delapida as finanças públicas em brinquedos de guerra e num sistema judicial que só serve aos juízes...

Só que até aos anos 90 os licenciados iam encontrando lugares nas escolas, e agora já não encontram vaga porque os quadros estão preenchidos...

Os bons emigraram... os restantes manifestaram-se, porque invejamos os padrões de consumo dos países desenvolvidos, mas continuamos com a estrutura económica de um país que nunca se industrializou.

Valeu o dia pela catarse colectiva, como prova a diversidade de slogans:

- "Senhor Presidente, em nome dos pobres, dos jovens, dos idosos e da nação, dissolva o Parlamento!";
- "Sócrates cabrão, aceita a demissão";
- "Nunca pagámos tanto por tão pouco";
- "Economia é a tua tia";
- "Com a precaridade não há liberdade";
- "Revolução dos (es)cravos";
- "Deixa passar, deixa passar, que o mundo vai mudar";
- "Todos à rasca homens e animais";
- "Eu não votei na Merkel". (Jornal de Negócios)

Criticar é simples. Que soluções terão? Não vi nada de novo no seu Facebook!

terça-feira, 8 de março de 2011

É proibido expressar opinião contra a avaliação do desempenho


Ser honesto dá direito a despedimento.

Parece evidente a todos que tem apenas uma turma, hora e meia por semana, "só enganando a administração pode corresponder a um modelo que avalia quatro dimensões da actividade dos professores segundo 39 indicadores e 72 descritores. Por isso, apelei a uma reflexão sobre o sistema de avaliação - era isso que se pedia no abaixo-assinado".

Neste país, onde os políticos assumem as "qualidades" (papéis) que lhes apetece em função do que querem dizer, a sinceridade do coordenador da DREC valeu-lhe o despedimento.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Kadafi fala aos Portugueses



A crítica social em multimédia. Brilhante!

quarta-feira, 2 de março de 2011

O trabalho de casa do Pato Donald


  • (...) primeiros dados da execução orçamental referentes a Fevereiro, mês em que, pela primeira vez em quinze anos, a despesa pública primária (sem juros) terá descido, 3,6%.

    Estes números serão esta tarde levados em primeira mão por José Sócrates a Ângela Merkel para demonstrar à chanceler alemã que Portugal está a fazer o “trabalho de casa”.
    Negócios, 02/MAR/2011

Reduzindo os vencimentos dos funcionários que trabalham no Estado e aumentando os impostos a pagar por todos é fácil reduzir o défice, mas o trabalho de casa não foi feito, foi aldrabado.

Dicas para o trabalho de casa:

- colocar a percentagem de generais e almeirantes em linha com países de dimensão semelhante. O último número do EXPRESSO revela que somos o país do Mundo com mais comandantes por soldado, a gastarem dinheiro em "brinquedos" caros (aviões, submarinos,...);

- controlar o endividamento das autarquias (ver Alandroal);

- eliminar os institutos e fundações públicas inúteis (servem para empregar a clientela);

- rever as remunerações dos gestores públicos, absolutamente escandalosas;

- rever as parcerias público-privadas, pois estas são a prazo desastrosas para o Estado, quer nas estradas, nos hospitais ou nas escolas;

- enterrar de vez a discussão sobre investimentos megalómanos, como o TGV ou um novo Aeroporto.

Não vou continuar a lista porque só estes items já constituíram um trabalho de casa EXCELENTE.

Resultado do encontro: Ângela Merkel elogiou os «corajosos» esforços portugueses, no que toca a medidas de austeridade e lembrou que «nunca disse que Portugal precisava de recorrer ao Fundo» Europeu, (Agência Financeira, 02/MAR/2011) Assim ficou Sócrates com a taça de ter "salvo" o país do FMI... mas já estamos a pagar a sua política, com a ameaça de esta prosseguir numa dosagem ainda mais forte, a confirmarem-se as previsões da Agência Financeira, pois:


  • Mas, em troca da cedência, a Alemanha deverá impor condições: mais austeridade e mais reformas estruturais, as mesmas que constam do seu Pacote para a Competitividade. E José Sócrates já percebeu que «não há almoços grátis» e já começou a preparar a opinião pública para a inevitabilidade de serem precisas mais medidas.
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