sábado, 16 de outubro de 2010

Portugal: O país mais pobre da Zona Euro, com o rendimento pior distribuído e os maiores gatunos

Fonte: EUROSTAT, Country Profiles.


Apenas até 1999 os fundos provenientes da CEE asseguraram a convergência da economia portuguesa com a média europeia, tomando como referência o PIB per capita. Em 2000 iniciou-se o actual processo de divergência.

Um aspecto que os políticos e a imprensa não referem é a gritante desigualdade na repartição do rendimento em Portugal. Somos o país com o rendimento pior distribuído da Zona Euro. Na Europa, pior repartição apenas se verifica na Roménia, Bulgária ou Letónia.


Fonte: EUROSTAT, Coeficiente de Gini.

NOTA: Quanto mais elevados se apresentam os valores do coeficiente de Gini, maior será a desigualdade. (Explicação)

Utilizando os dados da ONU, Portugal está ao nível do Irão ou do Benin em termos de repartição do rendimento. Estamos a 0.9 pontos da Indonésia!  (ver ficheiro *.pdf construído a partir do site da ONU).

Com o Orçamento de Estado aprovado para 2011 certamente que passaremos a viver num país de maior injustiça social, porque aumentaram os impostos indirectos, socialmente mais penalizadores dos menos favorecidos. Por exemplo, o IVA não toma em consideração a situação específica dos contribuintes. E o célebre corte das despesas foi a decapitação daquilo a que se chamava "Estado Social", pois todas as suas rubricas sofreram cortes superiores a 10%: Segurança Social, Saúde e Educação sofrem maiores cortes.

  • O Ministério da Educação é o segundo mais atingido com cortes no orçamento para 2011, que sofre um decréscimo de 11,2% face à estimativa para este ano, para os 6.391,1 milhões de euros.
    "A diminuição verificada no ME resulta do efeito conjugado da aplicação das medidas generalizadas de redução de despesa, da poupança que se pretende atingir pela aplicação das cativações previstas na lei, bem como das medidas de política sectorial implementadas e a implementar", esclarece o documento.
    Diário Económico

Somos governados por gente que se governa a si própria.


Muitos manifestam-se através da rede, e prova disso são os mails de protesto que têm invadido a minha Inbox. Como prova dessa resistência deixo aqui alguns anexos:

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Despesas estúpidas que nós pagamos aos deputados

Sabia que os deputados utilizam o Orçamento para adquirir produtos de higiene pessoal, ou comprar vestuário e artigos pessoais? Porque razão não o fazem com dinheiro do seu bolso?


Depois de ver estas rubricas orçamentadas  na Resolução da Assembleia da República n.º 11/2010, (Backup) fico sem saber onde os deputados poderão gastar os seus vencimentos.


Os combustíveis são utilizados nas deslocações de "serviço político". Depois dos banhos de multidão precisam de lavar-se do povo e vestir roupa lavada ;)      

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Querendo tirar a cadeira a Sócrates

  • (...) “inaceitável que quando se pedem sacrifícios aos portugueses, não sejam todos, em particular aqueles que mais têm, a dar esse exemplo e a fazer mais sacrifícios”.
  • (...) “os portugueses estão fartos de fazer sacrifícios sem ver resultados.”
  • António José Seguro

Definitivamente, no PS já perceberam que a substituição de Sócrates por outra imagem poderia ser vantajosa para o Partido, e a corrida começou.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

“O Povo tem que sofrer as crises como o Governo as sofre”!?

Disse um cromo da política portuguesa:



Ou disse a expressão por distracção, e então terá sido um lapso. Ou quis enfatizar a legitimidade do Governo para impor um pacote particularmente duro, mas foi infeliz, porque deixou escapar uma expressão estúpida.

20 valores para Marcelo Rebelo de Sousa quando observa que «Há uma formula que os portugueses, em tempo oportuno, poderão utilizar para que Almeida Santos e os seus amigos não sofram tanto», passando-os para a oposição.

domingo, 3 de outubro de 2010

Estamos socrateados!


O Engenheiro Técnico apresentou no dia 29/SET um pacote de austeridade que só se aplica aos habitualmente sacrificados.

O Governo pode continuar a adquirir viaturas de luxo.

Os bancos tem lata para reclamar da oportunidade da criação do novo imposto...

O TGV continua a ser considerado necessário.

Os boys que estão nas empresas e institutos públicos a torrar o dinheiro dos nossos impostos podem continuar tranquilos. Igualmente os deputados que acumulam várias reformas, adquiridas por cada 8 anos de serviço, apenas sofrerão o seu congelamento...

Esta austeridade foi imposta para resolver o problema do emprego de Sócrates e dos seus companheiros. Esta austeridade não tem fundamento em nenhuma estratégia de desenvolvimento, e como já se viu é profundamente imoral.

Ironicamente justifica o pacote pela necessidade de conquistar a confiança dos mercados. Mas que confiança lhes pode oferecer o Engenheiro Técnico que depois da bronca em que se tornou o caso da sua Licenciatura, resolveu o problema mandando encerrar a Universidade! Num país decente esta chico-espertice nunca teria sido aceite. A partir daí ganhou confiança para nos socratear de qualquer maneira.


  • O corte da despesa pública afunda a economia numa crise sem precedentes:  12% de desemprego em 2011, segundo as previsões do Banco de Portugal e do FMI.
    Se não morremos da doença, vamos com o tratamento!
    Ver ionline
  • Pelo que se ficou a saber, certo é apenas que os portugueses pagarão, em 2011 e nos anos seguintes, os erros, a imprevidência e a demagogia acumulada em cinco anos de mau Governo. É por isso que, nestas circunstâncias, falar da coragem do primeiro-ministro e do ministro das Finanças, como alguns têm feito, é um insulto de mau gosto a todos os portugueses que trabalham, pagam os seus impostos e vêem defraudadas as suas expectativas de uma vida melhor. As medidas propostas, sendo inevitáveis, dada a dimensão da dívida e a desconfiança criada pelo Governo junto dos credores internacionais, não tocam no essencial da gordura do aparelho do Estado e nos interesses da oligarquia dirigente. Mas o pior é que estas medidas, pela sua própria natureza, não são sustentáveis no futuro e não é expectável que, com este Governo, se consiga o crescimento sustentado da economia.
    (...)
    o maior problema resultante da imoralidade das classes dirigentes é a pedagogia de sinal negativo que isso comporta. Infelizmente, muitos portugueses têm a tentação de pensar que, se alguns enriquecem de forma fácil e rápida por via da sua actividade política, isso também lhes pode acontecer a eles no futuro. Fenómenos como o BPN e o BPP têm muito a ver com esta amoralidade geral reinante. Por outro lado, como pode o cidadão comum combater a corrupção, se o próprio Governo não fizer o que deve e pode para encabeçar esse combate, como ainda aconteceu recentemente?

    Henrique Neto - Empresário do PS


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

25 anos de MultiBanco

A Revolução MultiBanco está em curso. Em Setembro de 1985 entraram em funcionamento as primeiras máquinas MultiBanco (ATM's). Depressa entraram nas nossas rotinas os levantamentos, à medida que se foram multiplicando os ATM’s, inicialmente apenas disponíveis em Lisboa e na Amadora. Dois anos mais tarde instalaram terminais de pagamento automático nas bombas da gasolina! Então a rede alargou-se significativamente porque se podia pagar 1.000$00, mas metendo apenas 500$00 de gasolina ficava-se com direito receber uma nota 500$00. Era esta a contabilidade de muitos fins-de-semana em 87!

Ficou definitivamente mais simples pagar, não conseguimos conceber a sociedade de consumo sem a magia do verde, código, verde… Podemos viver sem computadores e sem telemóveis, mas é quase impossível viver sem cartão!

Quando os bancos precisaram de nos criar a necessidade do MultiBanco, investiram oferecendo-nos os cartões e dizendo que seriam gratuitos… Já não são, o produto já atingiu a maturidade, e pode ser rentabilizado transferindo os custos operacionais para os comerciantes ou os consumidores, que já pagam as taxas dos cartões de crédito sem reclamar.

Os postos de trabalho que deixaram de ser necessários para tratar resmas de papel são outro custo da modernidade.


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Não são 30 quilómetros, são 15 para cá e 15 para lá.

Isabel Alçada em entrevista ao PÚBLICO (14/SET/2010):

  • A questão dos 30 quilómetros que as crianças têm de percorrer é um mal menor?

    Não são 30 quilómetros, são 15 para cá e 15 para lá. Na maior parte dos casos, a distância é razoável. Foi visto caso a caso. O critério não é a quilometragem, há outros como a disponibilidade de ter uma escola melhor. Todo o trabalho que foi feito começou em Abril, em relação de proximidade com as direcções regionais que estiveram a trabalhar com agrupamentos e autarquias.
A Matemática dos objectivos é muito simples. Basta as escolas e os professores olharem para o  ano anterior e comprometerem-se a melhorar x%, como sugere neste vídeo.  Científico!

    sábado, 4 de setembro de 2010

    Carlos Cruz acusa sistema político e judicial pretenderem limpar a sua imagem inventando a sua condenação

    Diz que não se tratou do julgamento do caso Casa Pia, do qual muitos nomes foram inexplicavelmente afastados, mas da interrupção de uma vida e de uma carreira que constituem seu motivo de orgulho, porque para desviar as atenções da população do que realmente era importante seria necessário queimar alguma estrela.
    Continua a confessar-se inocente e lançou um site onde apresenta as “provas” que terão servido de base à sua condenação.

    • Estou INOCENTE!
      A acusação, a quem compete demonstrar a minha culpabilidade, não demonstrou nada e portou-se de forma incompetente e parcial.
      Mas a minha inocência não se prova apenas com os comportamentos da acusação. Prova-se com documentos indesmentíveis, com a denúncia das contradições insanáveis dos assistentes durante a investigação e, depois em Instrução e finalmente em julgamento, e com testemunhas várias que depuseram no julgamento e cimentaram as minhas provas. Qualquer pessoa, se não estiver com preconceitos nem com a cabeça cheia pelo que leu e ouviu na comunicação social, chega a essa conclusão sem muito esforço. Provas da Verdade (site de Carlos Cruz)

    Conta com inúmeros testemunhos de personalidades influentes a sociedade portuguesa que pensam que o seu perfil psicológico não se coaduna com o tipo de crimes de que é acusado e/ou consideram ridículas as “provas” que sustentaram a decisão do Tribunal.

    Carlos Cruz recorrerá da sentença para os Tribunais portugueses e para instâncias internacionais, encontrando-se determinado ao apuramento da verdade.

    Este caso poderia marcar um virar de página na Justiça em Portugal se terminasse com a impunidade de branqueamento do sistema... Mas aqui já sou eu a sonhar ;)


    Parece-me que Carlos Cruz e Pedro Namora deveriam desenvolver sinergias neste processo.

    quinta-feira, 2 de setembro de 2010

    Escolas matam a criatividade

    Inicialmente as crianças não têm receio de errar e podem ser criativas. A Escola "ensina-lhes" o pavor pelo erro e transforma-os em adultos "normais", bons para encher chouriços ;)

    quinta-feira, 19 de agosto de 2010

    PORTUGAL, UMA PRAÇA PARA O MUNDO


    Excelente videoclipe promocional da imagem de Portugal que está a passar no pavilhão Portugal da Expo Xangai 2010.

    É dos tais casos em a imagem supera o produto ;)

    terça-feira, 17 de agosto de 2010

    A China ultrapassou o Japão em termos reais

    A economia Chinesa tornou-se a segunda maior economia do mundo, segundo dados divulgados nesta segunda-feira 16 de Agosto.


    O The Economist publica esta notícia com um gráfico que ilustra a repartição do Produto Interno Bruto pelas principais potências nos últimos 2000 anos. O rápido crescimento previsto para a China e a Índia na actualidade corresponde para estes países  a uma “recuperação” das suas posições anteriores.

    sábado, 14 de agosto de 2010

    O passado e futuro dos jogos de computador

    Os jogos de computador têm interesse porque para os saber jogar bem é preciso compreender, definir e seguir a estratégia correcta. Para serem atractivos visualmente exigem geral,ente bastantes recursos gráficos, e só se podem jogar depois de instalados...  Bom, este tem sido assim, mas esta conversa está prestes a passar à história. Com o desenvolvimento da linguagem utilizada na Web, que vai na norma HTML5 - um HTML que permite incorporar objectos interactivos - é possível jogar directamente no browser sem necessidade fazer a instalação de qualquer plug-in/add-on. O site HTML5games destina-se a reunir toda a variedade de jogos que irá ficando disponível à medida que forem adaptados para a nova norma.

    Os primeiros jogos de computador, desenvolvidos para o ZX SPECTRUM já estão aqui.

    sexta-feira, 13 de agosto de 2010

    Geração de 1960

    A data de nascimento é um  elemento fundamental da nossa identificação  no Mundo. As experiências vividas têm um impacto bastante mais significativo que as lidas, e a constituição de uma  categoria como  Geração de 1960  permite descobrir alguns  traços comuns aos protagonistas. 

    • Atingiram o auge das capacidades. Estão mais concentrados na vida familiar e profissional. Saem menos à noite e fazem poucas noitadas. Têm cuidado com o que comem, preocupam-se com a saúde, não querem engordar. A sexualidade é para ir praticando, não para consumir e deitar fora. Pensam muito no futuro dos filhos e no estado do país. Instalaram-se na vida mesmo que sejam inconformados. Vivem bem com a emancipação das mulheres, mas isso, para eles, ainda é um tema. Já sabem que a vida é finita, foram rasteirados algumas vezes, ganharam serenidade e têm medo da velhice. O mundo está em crise, mas eles não cedem.  (PÚBLICO, 09.08.2010)
    Infelizmente nem fiquei surpreendido por nenhum dos depoimentos se referir em algum momento a alguma experiência significativa com computadores. Para esta Geração jogar no ZX SPECTRUM foi uma experiência que ficou limitada aos engenheiros ;)  Este computador ligava-se a uma televisão, o que não faz sentido para a malta de hoje, que joga enquanto vê televisão, mas constituiu uma revolução designadamente ao nível da qualidade da imagem dos "monitores". Aqueles que  aos 20 anos tiveram esta experiência,  nunca mais terão tido receio que um computador lhe mordesse.

    Explicar o percurso dos últimos 50 anos sem referência ao mundo digital, quando já nenhuma profissão se desenvolve sem recurso mais ou menos intensivo aos computadores, significará que estes são um elemento estranho para si. Isto é, já se sentem "imigrantes" no Mundo dos mais jovens.

      domingo, 18 de julho de 2010

      Os professores corrigiram as decisões absurdas do ME

      O ME criou um regime especial de exames para os alunos do 8º ano com mais de 15 anos, que lhes permitiria transitar directamente para o 10º ano, sem necessidade de fazerem o 9º.

      Confesso que da primeira vez que tomei conhecimento desta nova modalidade pensei tratar-se de uma piada. Só perante a violência dos protestos é que percebi que era uma norma nova "a sério".

      Li agora que nenhum dos alunos conseguiu saltar o 9º ano:

      • «Dos alunos do 8.º ano, maiores de 15 anos, que se auto-propuseram a exames do 9.º ano, informa-se que, apesar de se terem registado algumas notas positivas nos exames nacionais de Língua Portuguesa e Matemática, nenhum destes alunos concluiu o ensino básico por esta via», afirma a tutela, numa resposta a questões colocadas pela Lusa. TVI24, 16/JUL/2010

      Era de esperar que os alunos retidos no 8º ano não tivessem conhecimentos para transitar nestes exames. Mas não se pode esquecer o papel de um professor a ver uma prova destas: Meu malandro, não percebes patavina disto e queres saltar um ano!

      segunda-feira, 14 de junho de 2010

      Gramática dos Exames Nacionais – O mito dos dois valores

      Hoje o PÚBLICO começou a publicar artigos de professores sobre os "Exames". Abriram o Blogue Exames Nacionais 2010 com o seguinte artigo meu:

      • No caso dos exames, os jornais tiveram o mérito de tornar o tema “exames” objecto de conversas de café desde 2001, mas isso também teve o seu preço no rigor da análise. Utilizando apenas médias aritméticas habitualmente os primeiros lugares dos rankings são ocupados por escolas privadas aos quais estes servem de publicidade. Estas posições dos rankings são interiorizadas por muitos como uma ordenação dos “melhores” para os “piores” quando realmente representam uma confirmação das diferentes competências dos alunos que chegaram ao 12º ano.

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