segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sócrates vs Sócrates



É triste o anulamento da oposição.
Sem dúvida que seria necessário um Sócrates bom para combater o Sócrates que temos!

Até que apareça um novo D. Sebastião... porque:
  • "O país não tem dimensão para se roubar tanto".
    Ferraz da Costa, EXPRESSO, 15 de Agosto de 2009

Youtube.EDU


Faculdades e universidades dos Estados Unidos já vinham, isoladamente, oferecendo cursos gratuitos online incluindo a filmagem das palestras de seus mais ilustres professores.

Agora, além do MIT, são mais de 100 faculdades e universidades americanas que disponibilizaram as suas aulas gratuitamante na Internet, no site de compartilhamento de vídeos YouTube.EDU.

Podemos citar, a título de exemplo, várias universidades conhecidas mundialmente, como Berkeley, Columbia Business School, Cornell, Dartmouth, Duke, Harvard, Stanford, MIT, Yale, UCLA e Princeton.

São milhares de vídeos em praticamente todas as áreas imagináveis!

Todos os países do mundo já sabem que a educação, a investigação e a ciência são peças chave para o seu desenvolvimento. Compartilhar estas informações é ir rapidamente ao seu encontro. Os Estados Unidos já entraram na prática. Portugal é um país retardado, tecnologicamente, mas sobretudo culturalmente. Quando começarão os portugueses a seguir este exemplo? A mudança de mentalidades é sempre muito mais lenta que a revolução tecnológica. Porquê?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Ministra da Saloiice dá exemplo do estado da Educação



Na Av. de Roma, n.º 20, o 5.º andar, foi recentemente adquirido por uma quantia milionária por uma (i)responsável política deste (des)governo que nos caiu em sorte para mal dos nossos pecados.

Este "apartamentinho" está em obras de beneficiação há cerca de um ano e o resultado começa a estar à vista. Num prédio pintado de amarelo com todas as persianas das janelas em verde, a recente proprietária substituiu as mesmas por vermelho... Tudo isto à revelia do mais elementar bom gosto, bom senso, respeito pelos condóminos e até da própria lei (?), num atropelo visual inqualificável.

A autora desta atitude suburbana-pimba é nada menos do que a Senhora Ministra da Educação deste País...

E se cada um de nós começasse a seguir o mau exemplo desta senhora e desatasse a pintar das cores que nos agradam? Ou de acordo com as nossas preferências clubistas? Para os espíritos mais sensíveis... Apreciem a pinta desta SALOIICE...

Pedido de desculpas pela precipitação


Publiquei este post fazendo fé num mail dum vizinho. Acontece que segundo informação posterior, confirmada no local, a mudança para o vermelho terá sido decidida em reunião de condóminos, tendo sido a Ministra apenas a primeira a pintar as janelas. Não haveria portanto motivo algum para ter publicado este post. Lamento já não o poder apagar, porque entretanto a notícia já se espalhou pela Web. Certamente que será preferível ficar aqui o post com a devida correcção, do que fazer de conta que não tinha escrito nada.

Lamento, mas eu também fui enganado.


Na verdade não me surpreenderia se tivesse inventado uma teoria qualquer para o último andar poder ter uma cor diferente ;) Porquê? Se alguma alguma coisa caracteriza o seu mandato é atropelo das regras e a redefinição das mesmas.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Direitos de autor

Evidentemente que não faz hoje sentido a protecção da "propriedade intelectual" como se não se tivesse verificado uma revolução na plataforma de comunicação. Este vídeo explica porque é necessário alterar a legislação, permitindo aos consumidores que estes possam copiar os ficheiros em certos contextos, porque faz parte da utilização do bem.



Puxei o tema porque não podia perder esta pérola que me dirigiram ontem num fórum:

  • Ninguém tem o direito, seja em termos estritamente jurídicos ou mesmo moralmente falando, de reproduzir o produto do meu trabalho sem a minha autorização. E a questão de ser mais ou menos fácil fazê-lo é irrelevante: será que o facto de eu não trancar a porta do carro legitima que alguém possa entrar nele e usá-lo sem a minha permissão?!...


Respondi que se deixar o carro aberto e alguém o utilizar, isso é um roubo porque eu fico sem ele! Na área do conhecimento não é assim! O conhecimento não é um bem físico como o automóvel... se utilizarem as minhas dicas (propriedade intelectual) não perderei nada com isso! (INTERATIC)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

BlogConf-2


O encontro com bloggers de Francisco Louçã não teve na blogoesfera o impacto da BlogConf anterior porque já não era novidade. Os bloggers levaram as questões preparadas, e Louçã respondeu-lhes directamente, poupando-os aos largos sermões propagandísticos que tinham aguentado com Sócrates.

Destaco para este post duas afirmações de Francisco Louçã extraídas das questões do Paulo Guinote.

  • Hoje há uma sobre-escolarização do trabalho escolar. No tempo de trabalho escolar há mais que as 40 horas de trabalho normal que são referência em Portugal. Isto não tem nenhum sentido.


  • Queremos um processo de avaliação que anule o que o Governo levou a cabo. Aliás, não é segredo para ninguém que próprio Governo não acredita nele, e portanto sucedem-se simplexes por uma única questão, salvar a honra do Convento, ou seja, Milu e José Sócrates.


O Twitter é utilizado com fins lúdicos


O apagão do Twitter comprovou que este software é utilizado com fins lúdicos, sendo o trabalho associado a outras aplicações. É uma dicotomia simplista, com a qual não concordo, mas resulta da leitura dos tweets que ilustram este post de Paulo Querido.


Richard Black Ahhh. Peace. Now I can get some work done! :)


Thales Santos
trabalhar eh uma opção :)


Thiago R. S. Rosa Erros no facebook, twitter fora. E o que será de mim? Vou ter que voltar a usar mIRC e ICQ?

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Porque dá a avaliação de desempenho dos professores votos ao PS?


Merecendo a profissão docente mais confiança que as restantes, um conflito prolongado com os professores deveria traduzir-se num forte desaire eleitoral.

Porém, face aos números conhecidos, temos de concluir que a avaliação de desempenho dos docentes (ADD) dá votos ao PS. Perdem votos entre os professores, mas recuperam votos entre outros sectores da população.

Em resultado da popularidade da ADD, mais do mesmo é a proposta do PS para os professores, que estabeleceu como prioridade da política educativa a avaliação de desempenho dos docentes. Os professores bem que desejariam valorizar o trabalho e a profissão docente, mas quando lêem a propaganda do costume já sabem o que os espera:


  • Acompanhar e avaliar a aplicação do Estatuto da Carreira Docente, no quadro de processos negociais com as organizações representativas dos professores e educadores, valorizando princípios essenciais como a avaliação de desempenho, a valorização do mérito e a atribuição de maiores responsabilidades aos docentes mais qualificados.
    Programa do Partido Socialista



Isto é, o Governo está empenhado na cristalização da ADD. Os movimentos de professores já responderam unindo-se em torno do documento COMPROMISSO EDUCAÇÃO que deverá ser assinado com todas as forças políticas da oposição.

A avaliação de desempenho dos professores é apresentada como bandeira política no site do PS. Com a sobrecarga de trabalho que os docentes sentiram nestes últimos quatro anos, certamente nenhum votará no PS, mas terá de reconhecer-se que a escravidão destes é popular para os pais. A ADD faz parte do pacote onde também se inclui a escola a tempo inteiro, por exemplo. Esta medida é certamente a mais popular desta escola de "excelência" porque os professores cuidam dos rebentos até aos 18 anos, deixando aos papás mais tempo livre para se recriarem. Ora como a taxa de natalidade não aumentou, provavelmente terão aumentado as facadas no matrimónio ;) Eis a grande aspiração dos portugueses que o PS satisfaz: ignorantes, mas felizes.

sábado, 1 de agosto de 2009

HomeBanking - CaixaOnline


Utilizamos os serviços de HomeBanking por comodidade, e os bancos ganham com isso porque têm menores custos em pessoal. É mais cómodo porque podemos realizar as operações em pantufas, sem necessidade de ir para as filas dos balcões. Para aderirmos a qualquer serviço de HomeBanking temos que nos deslocar fisicamente a um balcão, mas essa demonstração de que somos "pessoas reais" nunca causou qualquer polémica.

Se já somos clientes, qual será a justificação para nos fazerem voltar ao balcão?



Se querem que se assine mais um contrato, poderiam enviar pelo correio, como fazem com outra papelada. Ainda por cima, a clausula 17ª indica que nos irão entregar na altura mais documentos que não teremos tempo para ler, mas a assinatura das Condições Gerais do Contrato de Intermediação Financeira significa que lemos e aceitámos tudo.

  • Cláusula 17ª – Informação prévia prestada ao Cliente
    O Cliente declara que, previamente à celebração do presente contrato, lhe foram entregues pela Caixa os documentos seguidamente identificados, com a indicação de que deveria proceder à sua leitura cuidadosa antes da celebração do contrato:
    a) Política de transmissão de ordens adoptada pela Caixa.
    b) Custos e encargos para o Cliente.
    c) Política de conflitos de interesses adoptada pela Caixa.
    d) Política da Caixa para a salvaguarda de instrumentos financeiros dos Clientes.
    e) Informação sobre o intermediário financeiro, serviços prestados e riscos de produtos.


Se somos clientes de HomeBanking deveríamos ter oportunidade de ler estes documentos no site do banco... tranquilamente.

terça-feira, 28 de julho de 2009

BlogConf


O Partido Socialista realizou uma ontem, dia 27, uma actividade propaganda inédita. Juntou José Sócrates com 20 bloggers para transmitir uma conferência em directo pela Internet, mas por alguns motivos técnicos essa parte falhou. Restou aos cibernautas irem acompanhando o que era dito pelo Twitter e irem vendo as fotografias que a Ana Martins ia tirando.

Paulo Querido construiu uma wiki como instrumento de organização do evento, que revela que este foi divulgado de dia 25 para dia 27. Aceitou a inscrição dos blogues por ordem de chegada, mas isso traduziu-se num claro predomínio dos blogues afectos ao PS, e no afastamento dos incómodos, apesar do blogue de campanha do PS destacar a pluralidade dos participantes. Sugiro ao Paulo Querido que numa próxima BlogConf preveja um mecanismo de quotas para abrir espaço à pluralidade de opiniões que temos na web. Com tantos bloggers especializados em desfazer Sócrates, choca que nenhum tivesse aproveitado esta oportunidade. Ou será que a estratégia dos processos já domesticou a blogoesfera? Contudo, a divulgação quase de um dia para o outro também foi curta, criando a ideia de que os 20 lugares terão sido preenchidos nuns mails enviados para os amigos.

O momento mais difícil para Sócrates terá sido a pergunta de Tiago Moreira Ramalho (PSD), em que este refere material recolhido no blogue de Paulo Guinote.



Eis o quadro utilizado pelo Tiago Ramalho:

Compreende-se o nervosismo de Sócrates porque estes números, apesar de serem oficiais, são falsos. Em 2008 só foram avaliados professores contratados, só se generalizando o sistema aos efectivos em 2009, conforme o andar da carruagem ;)


Foi uma BlogConf sem Blogue e sem Conferência, mas inaugurou uma nova modalidade de comunicação que interessa explorar não apenas com políticos, mas também com outras figuras públicas do meio artístico e cultural.

Adenda

Falando posteriormente com Paulo Querido, este esclareceu que divulgou a BlogConf simultaneamente por mail, no FaceBook e no Twitter. Este mecanismo terá conduzido os seus amigos a esgotarem rapidamente as 20 vagas previstas. Do ponto de vista de Paulo Querido a BlogConf "contava com críticos e até venenosos inimigos". Mas se o tema central das questões foi a Educação, como se compreende a ausência de algum professor no activo?


  • (...) a difusão em primeira mão pelos círculos próximos (distribuição viral, portanto) dava alguma garantia de não exclusão de blogs “emblemáticos”, ao mesmo tempo que não favorecia nenhum em particular e permitia aos mais interessados dos “não-emblemáticos” inscreverem-se.
    Blogue de Paulo Querido


Nesta passagem percebe-se que não terá sido simultaneamente por mail, no FaceBook e no Twitter. Na sua lógica justificou-se avisar primeiro por mail os denominados blogues emblemáticos. Não entendo é porque não terá incluído nesse grupo o blogue de Educação que está no Blogómetro ao lado do 31 da Armada, quando o assunto mais discutido na BlogConf, como era previsível, foi a Educação.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

"Na realidade, os professores não aceitam a avaliação", Milu dixit


Seguem-se alguns recortes da entrevista que Milu concedeu ontem ao DN.

  • Se fizer a contabilidade, tem 8 grandes greves, 7 grandes manifestações, 3 vigílias, 2 cordões humanos e 8 abaixo-assinados com 320 mil assinaturas. Bateu o recorde?

    Não fiz essas contas (...) São naturais estas reacções e podem-se explicar, mas não significa que aceitemos os pontos de vista. Creio que os conflitos são resultado da perplexidade e da incerteza de não se saber como vai ser.


A arrogância continua. Ela é que sabe o caminho, independentemente da quantidade de pessoas que manifeste a sua discordância.

(...)

  • O modelo de avaliação que quer implantar ainda não passou da versão simplificada?

    Sim, mas no essencial a sua estrutura de princípios não difere muito do modelo inicialmente proposto. Entendeu-se que há um caminho a percorrer mais lento do que inicialmente gostaria, mas não modifica a natureza do objectivo.


Isto quer dizer que o essencial são mesmo as quotas, porque entre os parâmetros do procedimento simplificado e o DR 2/2008 não há comparação possível em termos de trabalho exigido aos avaliados.

  • Mais lento porque os sindicatos dos professores não aceitam essas medidas?
    Sim. Na realidade, não aceitam a avaliação. Escudam-se por detrás dos argumentos de modelos deste ou daquele tipo de avaliação, mas o que acontece é mesmo a rejeição da avaliação.

  • Os professores recusam ser avaliados?
    Há uma rejeição que se pode exprimir através dos mais diversos argumentos. De que não é este o melhor modelo, que não é com estes professores, que não é na escola... É sempre assim porque, quando não estão de acordo, aí, todos os argumentos são válidos para contestar.

  • É da opinião que os sindicatos são contra porque os docentes evitam ser avaliados?
    Não diria isso, porque acho que muitos professores querem ser avaliados e a prova é que houve uma grande adesão mas também há muito receio neste processo. E aqui os bons professores podiam ser um motor de mudança, porque não há nenhuma razão para um bom professor ter medo da avaliação. Os bons professores não podem ter medo nem misturar-se no ruído que apela à indiferenciação e a considerar que todos são iguais. Houve cem mil professores sujeitos à avaliação este ano e é por aqui que o terreno tem de ser conquistado, a bem das escolas e dos próprios professores. Há uma parte significativa de professores que tem medo da consequência.


Preto no branco, na perspectiva de Milu, os professores não aceitam ser avaliados. Quem não sabe o que se passa pode ser levado. O que sucedeu foi que alguns dos professores prepararam duas ou três aulas diferentes das normais para o espectáculo da avaliação. A observação do desempenho dos docentes deveria ser representativa do seu trabalho, e só assim seria justa.

Agora os oportunistas que se valeram da chance proporcionada pelo procedimento simplificado são utilizados pelo ME para tentar legitimar o processo e amedrontar os docentes. Estes coleguinhas que andaram a brincar ao faz de conta com a sua avaliação são agora o melhor argumento que Milu tem para defender a cristalização da avaliação do desempenho.

Não interessa à propagando do ME, mas em abono da verdade deve dizer-se que a larga maioria dos docentes foi avaliada apenas administrativamente, não se distinguindo o procedimento simplificado do anterior DR 11/98, excepto no caso daqueles que pretendiam classificações acima de Bom.

O procedimento simplificado para a avaliação de professores, reduz-se aos seguintes elementos: (1) ficha de auto-avaliação; (2) assiduidade; (3) serviço distribuído; e (4) acções de formação. Este não decorre de qualquer concepção da educação ou da avaliação... É apenas o resultado da relação de forças entre os agentes.

sábado, 25 de julho de 2009

A web é para ler


O Magalhães é um brinquedo inútil. Não tem leitor de CD/DVD que permita instalar novo software e isso faz toda a diferença. Não é computador porque não podemos alterar as suas funções. Ponto final.

António Barreto toma o Magalhães para criticar a tecnologia.

  • Da maneira como o Governo aposta na informática, sem qualquer espécie de visão crítica das coisas, se gastasse um quinto do que gasta, em tempo e em recursos, coma leitura, talvez houvesse em Portugal um bocadinho mais de progresso. O Magalhães, nesse sentido, é o maior assassino da leitura em Portugal. Chegou-se ao ponto de criticar aquilo a que chamaram «cultura livresca». O que é terrível. É a condenação do livro. Quando o livro é a melhor maneira de transmitir cultura. Ainda é a melhor maneira. A coroa de todo este novo aparelho ideológico que está a governar a escola portuguesa – e noutras partes do mundo – é o Magalhães. Ele foi transformado numa espécie de bezerro de ouro da nova ciência e de uma nova cultura, que, em certo sentido, é a destruição da leitura.

    Entrevista de António Barreto


Sabe-se que a melhor maneira de fazermos alguma coisa é aquela como aprendemos! Posso garantir que é muito mais cómodo ler os "Retratos da Semana" na web que no jornal em papel. O texto em formato digital pode ser editado, cortamos o que não nos interessa e adicionamos o que faz falta. Levamos uma ideia daqui, colamos acolá, e recombinamos o trabalho n vezes, como nunca faria alguém condicionado pelos limites do papel. Não será isto "adaptar o tipo de livro à pessoa em causa"?

A web é para ler. Os estratos sociais letrados procuram informação diversa sobre dietas, viagens, saúde, parceiros e concorrrentes profissionais, software, finanças, pagamento de impostos, realizam aplicações financeiras, fazem compras e até trabalham... Quem não sabe ler vê os bonecos, e temos as crianças dos estratos sociais mais baixos a utilizarem predominantemente o Hi5 e o MSN, porque se encontram limitadas cognitivamente.

É errado colocar a web em oposição à leitura porque os seus conteúdos só têm utilidade ser forem lidos. Mesmo os sites que prestam serviços através da web não serão utilizados decentemente se os seus tutoriais e instruções (FAQ's) não forem lidos.

As crianças que têm aulas de Português utilizando livros de leitura geralmente exercitam pouco a escrita, e daí o descalabro nos testes a todas as disciplinas. As que editam um blogue têm de ler, compreender e expressar-se por escrito! Isto é muito mais que ler.

Os direitos de autor é que constituem um obstáculo ao desenvolvimento da leitura. Por exemplo, os docentes universitários têm acesso à B-ON, podendo ler milhares de obras de autores conceituados no mundo académico, mas os restantes professores e população em geral não têm acesso a este espólio. Porquê?

Felizmente já não precisamos de cansar a vista a ler as letras miudinhas da Análise Social, cujos artigos estão online. É muito mais simples mudar a fonte do texto no computador que ser forçado a mudar de óculos. Felizmente as outras revistas também já perceberam que têm de estar na web para ser lidas, e graças à Internet podemos usufruir de salas mais espaçosas.



Na hora do adeus a Sócrates e Milu

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Quem têm jeito para o Direito e para a política precisa de ter jeito para a Matemática?


Pode explicar-se a uma criança que 1/5 é maior que 1/6 facilmente. Basta perguntar-lhe se prefere 1/5 ou 1/6 da pizza...

Daí que se tenha transformado em anedota na Internet (ver documento) a decisão do 8º Juízo Cível da Comarca de Lisboa, que atendendo aos argumentos apresentados pelo executado, alegando ficar em situação de grave carência económica, determinou proceder à redução da penhora do vencimento executado, de 1/6 para 1/5. !!!!!

Este não foi um simples erro com fracções. O erro inviabilizou o cumprimento da própria decisão por óbvia falta de lógica. Como é os tribunais querem ser respeitados?

Igualmente anedóticas são as explicações de José Sócrates e de Milu cada vez que tropeçam nos números. Com licenciaturas da farinha amparo ou dos cursos nocturnos não há Plano para a Matemática que os salve.




  • O alargamento da oferta dos cursos profissionais é importante porque os alunos têm menores taxas de abandono e de insucesso escolar.

    Sócrates dixit.


Eu pensava que os cursos profissionais eram necessários para fornecer ao mercada mão-de-obra com formação intermédia. Abandonam menos a escola e têm maior sucesso escolar porque os professores repetem as provas dos módulos até os petizes obterem aprovação ;) Mas desde que descobriram que na auto-estrada dos EFA (isto é, Novas Oportunidades) nem têm que fazer testes, alguns já preferem esta opção. O problema dos alunos que "optam" pelos cursos profissionais também é a falta de jeito para a Matemática ;)

Devo ter escrito mesmo apenas para actualizar o blogue. Não será possível ter jeito para o Direito e para a política sem ter jeito para a Matemática? ;)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Luli Radfahrer - Para que serve uma monocotiledônea? (nerds, mídias sociais e a escola do século 21)



A ideia básica da educação é estabelecer critério. Pode parecer óbvio, mas não é.

Quem adora a tecnologia tem uma doença chamada tecnofilia. Quem odeia a tecnologia tem uma doença chamada tecnofobia. Os dois são umas bestas.

Classe AB utiliza a Internet para trabalho, classe CD utiliza a Internet para entretenimento (...) porque não têm conteúdos.

A ideia do mais ou menos desenvolve-se na web semântica, dando expressão à realidade prulicolorida, subvertendo a ditadura do pensamento booleano do SIM ou NÃO.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Cristalização da avaliação do desempenho docente


O ME publicou um post onde invoca várias razões para justificar o trabalho que fez no âmbito da avaliação do desempenho dos professores, e concluir que o que deve fazer agora é “prorrogar a vigência do actual regime transitório”, pois será necessário “um período transitório de consolidação da experiência em curso”.

O núcleo central do modelo economicista surge legitimado pela OCDE (1) e apresentado como temporário em duas linhas muito breves: “O estudo da OCDE apoia ainda expressamente a manutenção de quotas para as classificações superiores até à plena maturidade de uma cultura de avaliação”: Este aspecto que nunca poderá ser aceite pelos professores, será a alavanca da contestação.

Porém, outros aspectos são elucidativos da cristalização do modelo de avaliação, como os denominados “pontos fortes”, que já raramente são discutidos. Escolhi três desses aspectos para este post:

1. Retórica: É um sistema integral, que incide sobre a generalidade dos aspectos do trabalho dos docentes.

Na verdade os aspectos considerados são os mais fáceis de objectivar (observar, contar). O trabalho que faz a diferença entre os docentes, o trabalho criativo, não é observado sistematicamente.

2. Retórica: Inclui uma componente de avaliação por pares mais qualificados.

A partir de determinado momento, particularmente nos departamentos mais heterogéneos, os professores terão simplesmente qualificações diferentes, não sendo possível para os melhores a avaliação por pares mais qualificados.

3. Retórica: Estabelece a observação de aulas como factor fundamental para a avaliação da vertente pedagógica e do desenvolvimento profissional.

O que os avaliadores têm estado a observar em duas ou três aulas é a reacção das turmas e dos professores à sua presença. Uma observação séria exigiria a sua integração no grupo, e para contribuírem para o desenvolvimento profissional dos docentes deveriam ser capazes de lhes sugerir novas estratégias de inovação pedagógica.

A melhor fonte de cristalização é a prática. Daí que o maior brilharete do ME esteja neste parágrafo:

“A avaliação é hoje um dado adquirido em todas as escolas. Foi organizada por milhares de professores avaliadores que desenvolveram competências em procedimentos de avaliação. Participaram no processo de avaliação mais de 100.000 professores que entregaram os seus objectivos e que obterão a sua classificação até ao final do presente ano”.

Não temos elementos para confirmar os 100.000 professores, mas não há dúvida que se trata de propaganda porque se a referência contínua a ser o modelo “puro”, o DR 2/2008, que abortou sem nunca ter sido adoptado em qualquer escola, a estatística refere-se ao procedimento simplificado para a avaliação de professores, reduzido aos seguintes elementos: (1) ficha de auto-avaliação; (2) assiduidade; (3) serviço distribuído; e (4) acções de formação. Os elementos fáceis de contar ;)

A repetição da retórica, vezes sem conta, vai tornando aceitáveis uma série de coisas que anteriormente pareceriam estranhas. Este post foi escrito para que a retórica não torne indiscutível o que foi decidido arbitrariamente, discutindo racionalmente alguns aspectos que já pareciam aceitáveis a muitos.



Adenda




(1) O post do ME refere-se a estudos da OCDE e da Deloitte, mas curiosamente nunca apresenta links para os mesmos. Isto é, pede-nos simplesmente que acreditemos na sua interpretação. Precisavam de umas aulas minhas ;)
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