sábado, 1 de agosto de 2009

HomeBanking - CaixaOnline


Utilizamos os serviços de HomeBanking por comodidade, e os bancos ganham com isso porque têm menores custos em pessoal. É mais cómodo porque podemos realizar as operações em pantufas, sem necessidade de ir para as filas dos balcões. Para aderirmos a qualquer serviço de HomeBanking temos que nos deslocar fisicamente a um balcão, mas essa demonstração de que somos "pessoas reais" nunca causou qualquer polémica.

Se já somos clientes, qual será a justificação para nos fazerem voltar ao balcão?



Se querem que se assine mais um contrato, poderiam enviar pelo correio, como fazem com outra papelada. Ainda por cima, a clausula 17ª indica que nos irão entregar na altura mais documentos que não teremos tempo para ler, mas a assinatura das Condições Gerais do Contrato de Intermediação Financeira significa que lemos e aceitámos tudo.

  • Cláusula 17ª – Informação prévia prestada ao Cliente
    O Cliente declara que, previamente à celebração do presente contrato, lhe foram entregues pela Caixa os documentos seguidamente identificados, com a indicação de que deveria proceder à sua leitura cuidadosa antes da celebração do contrato:
    a) Política de transmissão de ordens adoptada pela Caixa.
    b) Custos e encargos para o Cliente.
    c) Política de conflitos de interesses adoptada pela Caixa.
    d) Política da Caixa para a salvaguarda de instrumentos financeiros dos Clientes.
    e) Informação sobre o intermediário financeiro, serviços prestados e riscos de produtos.


Se somos clientes de HomeBanking deveríamos ter oportunidade de ler estes documentos no site do banco... tranquilamente.

terça-feira, 28 de julho de 2009

BlogConf


O Partido Socialista realizou uma ontem, dia 27, uma actividade propaganda inédita. Juntou José Sócrates com 20 bloggers para transmitir uma conferência em directo pela Internet, mas por alguns motivos técnicos essa parte falhou. Restou aos cibernautas irem acompanhando o que era dito pelo Twitter e irem vendo as fotografias que a Ana Martins ia tirando.

Paulo Querido construiu uma wiki como instrumento de organização do evento, que revela que este foi divulgado de dia 25 para dia 27. Aceitou a inscrição dos blogues por ordem de chegada, mas isso traduziu-se num claro predomínio dos blogues afectos ao PS, e no afastamento dos incómodos, apesar do blogue de campanha do PS destacar a pluralidade dos participantes. Sugiro ao Paulo Querido que numa próxima BlogConf preveja um mecanismo de quotas para abrir espaço à pluralidade de opiniões que temos na web. Com tantos bloggers especializados em desfazer Sócrates, choca que nenhum tivesse aproveitado esta oportunidade. Ou será que a estratégia dos processos já domesticou a blogoesfera? Contudo, a divulgação quase de um dia para o outro também foi curta, criando a ideia de que os 20 lugares terão sido preenchidos nuns mails enviados para os amigos.

O momento mais difícil para Sócrates terá sido a pergunta de Tiago Moreira Ramalho (PSD), em que este refere material recolhido no blogue de Paulo Guinote.



Eis o quadro utilizado pelo Tiago Ramalho:

Compreende-se o nervosismo de Sócrates porque estes números, apesar de serem oficiais, são falsos. Em 2008 só foram avaliados professores contratados, só se generalizando o sistema aos efectivos em 2009, conforme o andar da carruagem ;)


Foi uma BlogConf sem Blogue e sem Conferência, mas inaugurou uma nova modalidade de comunicação que interessa explorar não apenas com políticos, mas também com outras figuras públicas do meio artístico e cultural.

Adenda

Falando posteriormente com Paulo Querido, este esclareceu que divulgou a BlogConf simultaneamente por mail, no FaceBook e no Twitter. Este mecanismo terá conduzido os seus amigos a esgotarem rapidamente as 20 vagas previstas. Do ponto de vista de Paulo Querido a BlogConf "contava com críticos e até venenosos inimigos". Mas se o tema central das questões foi a Educação, como se compreende a ausência de algum professor no activo?


  • (...) a difusão em primeira mão pelos círculos próximos (distribuição viral, portanto) dava alguma garantia de não exclusão de blogs “emblemáticos”, ao mesmo tempo que não favorecia nenhum em particular e permitia aos mais interessados dos “não-emblemáticos” inscreverem-se.
    Blogue de Paulo Querido


Nesta passagem percebe-se que não terá sido simultaneamente por mail, no FaceBook e no Twitter. Na sua lógica justificou-se avisar primeiro por mail os denominados blogues emblemáticos. Não entendo é porque não terá incluído nesse grupo o blogue de Educação que está no Blogómetro ao lado do 31 da Armada, quando o assunto mais discutido na BlogConf, como era previsível, foi a Educação.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

"Na realidade, os professores não aceitam a avaliação", Milu dixit


Seguem-se alguns recortes da entrevista que Milu concedeu ontem ao DN.

  • Se fizer a contabilidade, tem 8 grandes greves, 7 grandes manifestações, 3 vigílias, 2 cordões humanos e 8 abaixo-assinados com 320 mil assinaturas. Bateu o recorde?

    Não fiz essas contas (...) São naturais estas reacções e podem-se explicar, mas não significa que aceitemos os pontos de vista. Creio que os conflitos são resultado da perplexidade e da incerteza de não se saber como vai ser.


A arrogância continua. Ela é que sabe o caminho, independentemente da quantidade de pessoas que manifeste a sua discordância.

(...)

  • O modelo de avaliação que quer implantar ainda não passou da versão simplificada?

    Sim, mas no essencial a sua estrutura de princípios não difere muito do modelo inicialmente proposto. Entendeu-se que há um caminho a percorrer mais lento do que inicialmente gostaria, mas não modifica a natureza do objectivo.


Isto quer dizer que o essencial são mesmo as quotas, porque entre os parâmetros do procedimento simplificado e o DR 2/2008 não há comparação possível em termos de trabalho exigido aos avaliados.

  • Mais lento porque os sindicatos dos professores não aceitam essas medidas?
    Sim. Na realidade, não aceitam a avaliação. Escudam-se por detrás dos argumentos de modelos deste ou daquele tipo de avaliação, mas o que acontece é mesmo a rejeição da avaliação.

  • Os professores recusam ser avaliados?
    Há uma rejeição que se pode exprimir através dos mais diversos argumentos. De que não é este o melhor modelo, que não é com estes professores, que não é na escola... É sempre assim porque, quando não estão de acordo, aí, todos os argumentos são válidos para contestar.

  • É da opinião que os sindicatos são contra porque os docentes evitam ser avaliados?
    Não diria isso, porque acho que muitos professores querem ser avaliados e a prova é que houve uma grande adesão mas também há muito receio neste processo. E aqui os bons professores podiam ser um motor de mudança, porque não há nenhuma razão para um bom professor ter medo da avaliação. Os bons professores não podem ter medo nem misturar-se no ruído que apela à indiferenciação e a considerar que todos são iguais. Houve cem mil professores sujeitos à avaliação este ano e é por aqui que o terreno tem de ser conquistado, a bem das escolas e dos próprios professores. Há uma parte significativa de professores que tem medo da consequência.


Preto no branco, na perspectiva de Milu, os professores não aceitam ser avaliados. Quem não sabe o que se passa pode ser levado. O que sucedeu foi que alguns dos professores prepararam duas ou três aulas diferentes das normais para o espectáculo da avaliação. A observação do desempenho dos docentes deveria ser representativa do seu trabalho, e só assim seria justa.

Agora os oportunistas que se valeram da chance proporcionada pelo procedimento simplificado são utilizados pelo ME para tentar legitimar o processo e amedrontar os docentes. Estes coleguinhas que andaram a brincar ao faz de conta com a sua avaliação são agora o melhor argumento que Milu tem para defender a cristalização da avaliação do desempenho.

Não interessa à propagando do ME, mas em abono da verdade deve dizer-se que a larga maioria dos docentes foi avaliada apenas administrativamente, não se distinguindo o procedimento simplificado do anterior DR 11/98, excepto no caso daqueles que pretendiam classificações acima de Bom.

O procedimento simplificado para a avaliação de professores, reduz-se aos seguintes elementos: (1) ficha de auto-avaliação; (2) assiduidade; (3) serviço distribuído; e (4) acções de formação. Este não decorre de qualquer concepção da educação ou da avaliação... É apenas o resultado da relação de forças entre os agentes.

sábado, 25 de julho de 2009

A web é para ler


O Magalhães é um brinquedo inútil. Não tem leitor de CD/DVD que permita instalar novo software e isso faz toda a diferença. Não é computador porque não podemos alterar as suas funções. Ponto final.

António Barreto toma o Magalhães para criticar a tecnologia.

  • Da maneira como o Governo aposta na informática, sem qualquer espécie de visão crítica das coisas, se gastasse um quinto do que gasta, em tempo e em recursos, coma leitura, talvez houvesse em Portugal um bocadinho mais de progresso. O Magalhães, nesse sentido, é o maior assassino da leitura em Portugal. Chegou-se ao ponto de criticar aquilo a que chamaram «cultura livresca». O que é terrível. É a condenação do livro. Quando o livro é a melhor maneira de transmitir cultura. Ainda é a melhor maneira. A coroa de todo este novo aparelho ideológico que está a governar a escola portuguesa – e noutras partes do mundo – é o Magalhães. Ele foi transformado numa espécie de bezerro de ouro da nova ciência e de uma nova cultura, que, em certo sentido, é a destruição da leitura.

    Entrevista de António Barreto


Sabe-se que a melhor maneira de fazermos alguma coisa é aquela como aprendemos! Posso garantir que é muito mais cómodo ler os "Retratos da Semana" na web que no jornal em papel. O texto em formato digital pode ser editado, cortamos o que não nos interessa e adicionamos o que faz falta. Levamos uma ideia daqui, colamos acolá, e recombinamos o trabalho n vezes, como nunca faria alguém condicionado pelos limites do papel. Não será isto "adaptar o tipo de livro à pessoa em causa"?

A web é para ler. Os estratos sociais letrados procuram informação diversa sobre dietas, viagens, saúde, parceiros e concorrrentes profissionais, software, finanças, pagamento de impostos, realizam aplicações financeiras, fazem compras e até trabalham... Quem não sabe ler vê os bonecos, e temos as crianças dos estratos sociais mais baixos a utilizarem predominantemente o Hi5 e o MSN, porque se encontram limitadas cognitivamente.

É errado colocar a web em oposição à leitura porque os seus conteúdos só têm utilidade ser forem lidos. Mesmo os sites que prestam serviços através da web não serão utilizados decentemente se os seus tutoriais e instruções (FAQ's) não forem lidos.

As crianças que têm aulas de Português utilizando livros de leitura geralmente exercitam pouco a escrita, e daí o descalabro nos testes a todas as disciplinas. As que editam um blogue têm de ler, compreender e expressar-se por escrito! Isto é muito mais que ler.

Os direitos de autor é que constituem um obstáculo ao desenvolvimento da leitura. Por exemplo, os docentes universitários têm acesso à B-ON, podendo ler milhares de obras de autores conceituados no mundo académico, mas os restantes professores e população em geral não têm acesso a este espólio. Porquê?

Felizmente já não precisamos de cansar a vista a ler as letras miudinhas da Análise Social, cujos artigos estão online. É muito mais simples mudar a fonte do texto no computador que ser forçado a mudar de óculos. Felizmente as outras revistas também já perceberam que têm de estar na web para ser lidas, e graças à Internet podemos usufruir de salas mais espaçosas.



Na hora do adeus a Sócrates e Milu

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Quem têm jeito para o Direito e para a política precisa de ter jeito para a Matemática?


Pode explicar-se a uma criança que 1/5 é maior que 1/6 facilmente. Basta perguntar-lhe se prefere 1/5 ou 1/6 da pizza...

Daí que se tenha transformado em anedota na Internet (ver documento) a decisão do 8º Juízo Cível da Comarca de Lisboa, que atendendo aos argumentos apresentados pelo executado, alegando ficar em situação de grave carência económica, determinou proceder à redução da penhora do vencimento executado, de 1/6 para 1/5. !!!!!

Este não foi um simples erro com fracções. O erro inviabilizou o cumprimento da própria decisão por óbvia falta de lógica. Como é os tribunais querem ser respeitados?

Igualmente anedóticas são as explicações de José Sócrates e de Milu cada vez que tropeçam nos números. Com licenciaturas da farinha amparo ou dos cursos nocturnos não há Plano para a Matemática que os salve.




  • O alargamento da oferta dos cursos profissionais é importante porque os alunos têm menores taxas de abandono e de insucesso escolar.

    Sócrates dixit.


Eu pensava que os cursos profissionais eram necessários para fornecer ao mercada mão-de-obra com formação intermédia. Abandonam menos a escola e têm maior sucesso escolar porque os professores repetem as provas dos módulos até os petizes obterem aprovação ;) Mas desde que descobriram que na auto-estrada dos EFA (isto é, Novas Oportunidades) nem têm que fazer testes, alguns já preferem esta opção. O problema dos alunos que "optam" pelos cursos profissionais também é a falta de jeito para a Matemática ;)

Devo ter escrito mesmo apenas para actualizar o blogue. Não será possível ter jeito para o Direito e para a política sem ter jeito para a Matemática? ;)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Luli Radfahrer - Para que serve uma monocotiledônea? (nerds, mídias sociais e a escola do século 21)



A ideia básica da educação é estabelecer critério. Pode parecer óbvio, mas não é.

Quem adora a tecnologia tem uma doença chamada tecnofilia. Quem odeia a tecnologia tem uma doença chamada tecnofobia. Os dois são umas bestas.

Classe AB utiliza a Internet para trabalho, classe CD utiliza a Internet para entretenimento (...) porque não têm conteúdos.

A ideia do mais ou menos desenvolve-se na web semântica, dando expressão à realidade prulicolorida, subvertendo a ditadura do pensamento booleano do SIM ou NÃO.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Cristalização da avaliação do desempenho docente


O ME publicou um post onde invoca várias razões para justificar o trabalho que fez no âmbito da avaliação do desempenho dos professores, e concluir que o que deve fazer agora é “prorrogar a vigência do actual regime transitório”, pois será necessário “um período transitório de consolidação da experiência em curso”.

O núcleo central do modelo economicista surge legitimado pela OCDE (1) e apresentado como temporário em duas linhas muito breves: “O estudo da OCDE apoia ainda expressamente a manutenção de quotas para as classificações superiores até à plena maturidade de uma cultura de avaliação”: Este aspecto que nunca poderá ser aceite pelos professores, será a alavanca da contestação.

Porém, outros aspectos são elucidativos da cristalização do modelo de avaliação, como os denominados “pontos fortes”, que já raramente são discutidos. Escolhi três desses aspectos para este post:

1. Retórica: É um sistema integral, que incide sobre a generalidade dos aspectos do trabalho dos docentes.

Na verdade os aspectos considerados são os mais fáceis de objectivar (observar, contar). O trabalho que faz a diferença entre os docentes, o trabalho criativo, não é observado sistematicamente.

2. Retórica: Inclui uma componente de avaliação por pares mais qualificados.

A partir de determinado momento, particularmente nos departamentos mais heterogéneos, os professores terão simplesmente qualificações diferentes, não sendo possível para os melhores a avaliação por pares mais qualificados.

3. Retórica: Estabelece a observação de aulas como factor fundamental para a avaliação da vertente pedagógica e do desenvolvimento profissional.

O que os avaliadores têm estado a observar em duas ou três aulas é a reacção das turmas e dos professores à sua presença. Uma observação séria exigiria a sua integração no grupo, e para contribuírem para o desenvolvimento profissional dos docentes deveriam ser capazes de lhes sugerir novas estratégias de inovação pedagógica.

A melhor fonte de cristalização é a prática. Daí que o maior brilharete do ME esteja neste parágrafo:

“A avaliação é hoje um dado adquirido em todas as escolas. Foi organizada por milhares de professores avaliadores que desenvolveram competências em procedimentos de avaliação. Participaram no processo de avaliação mais de 100.000 professores que entregaram os seus objectivos e que obterão a sua classificação até ao final do presente ano”.

Não temos elementos para confirmar os 100.000 professores, mas não há dúvida que se trata de propaganda porque se a referência contínua a ser o modelo “puro”, o DR 2/2008, que abortou sem nunca ter sido adoptado em qualquer escola, a estatística refere-se ao procedimento simplificado para a avaliação de professores, reduzido aos seguintes elementos: (1) ficha de auto-avaliação; (2) assiduidade; (3) serviço distribuído; e (4) acções de formação. Os elementos fáceis de contar ;)

A repetição da retórica, vezes sem conta, vai tornando aceitáveis uma série de coisas que anteriormente pareceriam estranhas. Este post foi escrito para que a retórica não torne indiscutível o que foi decidido arbitrariamente, discutindo racionalmente alguns aspectos que já pareciam aceitáveis a muitos.



Adenda




(1) O post do ME refere-se a estudos da OCDE e da Deloitte, mas curiosamente nunca apresenta links para os mesmos. Isto é, pede-nos simplesmente que acreditemos na sua interpretação. Precisavam de umas aulas minhas ;)

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Registo de destaque no INTERATIC 2.0


O INTERATIC 2.0 é uma rede social que neste momento já ultrapassou os 1.000 professores interessados em aprender/partilhar o conhecimento com os colegas através da Internet. Este post destina-se a registar o destaque na página de abertura de um dos meus comentários:

  • Em destaque:
    "Não há mecanismos que permitam o reconhecimento do investimento na auto-formação. Mesmo quem tenha tido 18 créditos por equivalência de um Mestrado tem de continuar a frequentar as acções da tanga ao ritmo de 1 crédito por ano para o mercado continuar a funcionar. Eu nem exigiria ao ME um grande investimento, porque as ferramentas estão na Web, mas que abrissem os olhos aos trabalhos que também estão na Web." Prof. José Neto

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Google Chrome Operating System


Foi anunciado no Blogue Oficial do Google o Google Chrome OS, a designação do sistema operativo da Google que constitui a mais séria ameaça à hegemonia da MicroSoft.

O sistema começará por ficar disponível nos notebooks, mas a partir de 2010 devera ficar disponível para a generalidade dos consumidores, a tempo de rivalizar com o novo produto que a MicroSoft nos quer vender, o Windows 7.

Curioso o argumento da Google. Para as pessoas que vivem na web, o Google Chrome OS é uma tentativa de pensar como os sistemas operativos deveriam ser. Isto é, com o sistema operativo da Google funcionarão melhor as aplicações da Web ;) Este argumento faz lembrar o que o a MicroSoft utilizou para derrotar o Netscape. Então a MicroSoft disse-nos que o browser (navegador) deveria ser integrado no sistema operativo para funcionar melhor ;) O que nunca esperou foi que um motor de pesquisa se tornasse um browser concorrente, e agora quisesse fazer o seu próprio sistema operativo.

sábado, 4 de julho de 2009

Segundo o estudo da PJ o número de crianças vítimas de assédio sexual por ano é superior à população do país!


  • Se se falar “apenas” de assédio sexual de menores online – sem abuso físico, mas com referências explícitas a sexo, troca de fotos e vídeos com nudez, simulações de actos sexuais e exibições através de webcam - as cifras nacionais estimadas pela PJ sobem para 30 mil vítimas por dia, entre os 10 e os 15 anos. São 5% das crianças portuguesas nessa faixa etária.
    EXPRESSO


O título alarmista deste post baseia-se na operação de multiplicar:


30.000/dia x 365 = 10.950.000/ano
Maior que a População portuguesa (INE)


Contudo esta operação não é aplicável neste contexto, pois estaríamos a supor 30.000 novas vítimas por dia, o que não é o caso. Nesta área o mais frequente é a repetição dos abusos sobre a mesma vítima.

Independentemente da percentagem estimada, trata-se de um drama quando nos toca.



Acrescente-se que o EXPRESSO também revela dados do Crimes against Children Research Center (CCRC), segundo os quais apenas 1% dos adultos condenados por crimes contra crianças travaram conhecimento com a vítima on-line. Nada de alarmismos com a Internet, porque a maioria dos abusos provém dos familiares, vizinhos e "amigos"/conhecidos.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Mind this gap



Why don't look to Fins if they have better results?

Isto é um tweet ilustrado para Don Tapscott em resposta ao seu artigo Obama should look to Portugal on how to fix schools. Este gráfico está incluído no post Don Tapscott passou-se.

Fiquei muito ofendido com afirmações que foram feitas


  • "Excedi-me, pedi desculpa", afirmou Manuel Pinho, quando questionado pelos jornalistas sobre o que tinha acontecido minutos antes no plenário da Assembleia da República.

    O ministro explicou que o caso das minas de Aljustrel foi "muito difícil" e que se sentiu "ofendido" com as afirmações de ouviu.

    "Foi um caso muito difícil, foi um caso em que me envolvi muito, fiquei muito ofendido com afirmações que foram feitas", afirmou, salientando que o Governo "quer muito" resolver o caso das minas de Aljustrel.

    "Nós queremos muito resolver o caso das minas de Aljustrel, em Dezembro a situação era desesperada, foi resolvida. Felizmente, agora está lá o dobro do número de trabalhadores", enfatizou.
    SIC


É triste ver um ministro demitir-se por falta de comportamento. Supostamente são pagos para discutir política, mas o gesto evidencia falhas ao nível dos recursos verbais, e é sintomático do vazio político a que se chegou.



  • Eles não têm nada que fazer. Pelos vistos o Bernardino Soares insultou-o sobre a mulher ou sobre os mineiros de Aljustrel.

    Faz parte da cultura latina.

    É um gesto ordinário.

    Não têm stress nenhum. Têm um tédio enorme. São uns mongos que para ali estão eleitos através de uma lei eleitoral inadequada e não têm nada para fazer, de maneira que se insultam uns aos outros. Se se estivesse a debater o estado da Nação garanto-lhe que isto não acontecia.

    Há coisas muitíssimo mais graves, incluindo o primeiro-ministro.

    Maria Filomena Mónica



  • Por se encontrar num Parlamento, onde um deputado pode mandar outro "pró c...", Pinho deve ter pensado que um par de chifres não fazia importância nenhuma.

    Fernando Madrinha / EXPRESSO






@sirluso
Manuel Pinho ao pé do Tio Alberto João é um modelo de educação. Posso então concluir que o PS é mais educado que o PSD?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Don Tapscott passou-se


Lermos textos que sabemos não corresponderem à realidade não chega a ser novidade nenhuma. Entram directamente no grupo das anedotas e o assunto está arrumado.

O caso é diferente quando se trata de um autor que conhecemos e respeitamos. Se o vemos pintar um quadro que não corresponde minimamente à realidade, quando publica um artigo com aspectos falsos, outros muito mal esclarecidos, não adianta que a lógica seja boa e até concordemos com ela. Parece que o Mundo inteiro desabou sob a nossa cabeça. Sabes Don, o teu artigo era tão patético que na imprensa portuguesa só PÚBLICO o referiu. Obviamente o Jugular - o blogue onde escreve a namorada do Sócrates - já copiou o teu artigo. Não devem ter percebido nenhum coisa, mas copiaram.

Certamente que Don Tapscott, antes de aconselhar Obama a olhar para Portugal, deveria ter feito uma investigação mais cuidadosa, e deveria ter ouvido as pessoas que conhecem o tema, como o Prof. António Dias de Figueiredo. (VIDEO)

Don, espero que tenhas acordado com os comentários críticos que recebeste dos professores portugueses. É certo que também recebeste um ou outro comentário favorável, designadamente dos vendedores de software ;)

De nada serve a Internet e os computadores se os alunos não adquirirem competências para se movimentar nela. A utilização das redes faz apelo aos recursos intelectuais clássicos, aqueles que “fazem a diferença” em numerosas tarefas escolares:
  • A lógica natural, a capacidade de meter em relação, de deduzir, de inferir, de compreender as etapas de um processo, de representar o Mundo e as suas mediações, estabilizar os métodos e adaptá-los caso a caso, inovar e procurar ajuda cautelosamente, etc.;
  • O conhecimento da escrita e um mínimo de leitura: apesar da presença da imagem e de todos os tipos de gráficos ajudando a localizar-se no monitor, é necessário ler rápida e constantemente para navegar na rede e de um modo geral utilizar a informática, porque as informações tomam frequentemente a forma de textos. Hoje, podemos certamente pedir ao computador para ler em voz alta um texto digitalizado, mas demorará muito mais tempo, não permitindo a pesquisa selectiva, o copiar-colar, a pesquisa rápida; a curto prazo, a leitura não encontrará um verdadeiro substituto no audiovisual; Bentotila (1996) mostra que a iletracia condena a muitas exclusões, entre as quais a informática, a qual dá acesso às informações, aos empregos, às capacidades, à comunicação;
  • A capacidade de descodificar as informações audiovisuais, é fortemente solicitada pela multiplicação das mensagens multimédia.


Uma prática regular de informática e de redes pode contribuir para reforçar estas três competências, mas não pode criá-las, nem faze-las mudar de um modo impressionante. Do mesmo modo que elas são constituídas, elas funcionam como os activos principais ou os handicaps maiores em relação à informática e à telemática.
Um professor experiente em informática, com todos os seus alunos acedendo sem dificuldades técnicas à rede, observa, face aos recursos do cibermundo, desigualdades tão fortes como aquelas que constata frente às tarefas escolares mais tradicionais.

Poderão as tecnologias desenhar qualquer outra hierarquia? É pouco provável. Sem dúvida, a dimensão tecnológica pode atrair certos alunos desencorajados frente a um jornal ou a um livro e, inversamente, desencorajar certos alunos com facilidade no trabalho de papel e lápis. Exceptuando estas nuances, a Internet colocará em evidência as mesmas desigualdades que uma experiência científica para concluir, um texto a resumir ou comentar, uma argumentação a construir, uma pesquisa para um projecto a conduzir. Para encontrar uma informação sobre a soja transgénica, na biblioteca como na Internet, é necessário ter uma ideia da engenharia genética, saber onde procurar, depois compreender, seleccionar e condensar as informações encontradas.

A tecnologia não faz desaparecer as desigualdades frente às tarefas intelectuais. Algumas vezes, ela reforça-a, na razão da relativa abstracção das informações numéricas.

Se o problema é tirar os jovens das ruas e integrá-los no sistema escolar, deverão promover-se pedagogias diferenciadas adequadas, mas nunca deverão demitir-se os professores das suas responsabilidades a pretexto da sacrossanta Internet, para a qual o Don reivindica o papel central:

  • Teachers facing a classroom of kids with laptops need to learn that they are no longer the expert in their domain; the Internet is.
  • O professor face a uma turma com computadores portáteis precisa de aprender que já não é o perito nos seu domínio: é a Internet.


Don, sff. visita mais umas escolas e verás que fora do Hi5 e do MySpace os alunos nem sabem onde clicar! Este problema é particularmente grave com aqueles que queres tirar das ruas. São precisamente esses os que mais precisam do professor. Falaram 25 anos de experiência.

Sabes Don, não se pode ser perito em tudo! Para perceberes como funcionam as escolas, em vez de transpores os princípios da wikieconomia para educação, ainda por cima afectada pela paixão dos portáteis - as paixões são sempre irracionais - seria melhor que percebesses o entendimento professoral do quotidiano escolar, porque são os professores que definem as actividades a realizar nas escolas. O poder da Internet está no link ;)

  • A capacidade humana para gerar novas ideias e conhecimentos é a fonte da arte, da ciência, da inovação e do desenvolvimento económico. Sem ela, os indivíduos, as indústrias e as sociedades estagnam. (WIkinomics, 2006) Olá ;)




Se fosse eu a aconselhar Obama, dir-lhe-ia para consultar as estatísticas de PISA e ler o livro How Fins Learn Mathemathics and Science.



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