segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A mentira tem perna curta


  • Lamentamos que os sindicatos de professores se mantenham com aquele radicalismo e aquela intransigência que têm tido sempre, mas a verdade é que o processo (de avaliação) está a decorrer com normalidade.
    Valter Lemos, 19.01.2009, PÚBLICO


Então por que razão nos Açores bastará apresentar um relatório? (Sindicato dos Professores da Região dos Açores) E a Madeira vai pelo mesmo caminho, visto que "há alguma coincidência de opinião relativamente à importância da auto-avaliação". (Jornal da Madeira)

Passou a ser normal ter dois sistemas de avaliação no país?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Maldade Feminina

O post anterior recordou-me o vídeo da Maldade Feminina. Associações ;)
Milu já perdeu a sua época de ser "maldosa", mas utiliza a pasta da Educação em substituição de outros atributos ;)

Que lógica tem um professor atribuir classificações superiores às que pode obter?


Milu tem defendido a transposição do modelo chileno fazendo sempre o discurso de premiar o mérito. No próximo dia 19 terá certamente a maior Greve de Professores de sempre, que baterá mesmo a recentemente realizada, a 14 de Dezembro. Como entender o crescendo das críticas quando aparentemente a Ministra já simplificou todo o processo?

Para os Presidentes dos Conselhos Executivos, tudo ficou mais complicado, porque a simplificação anunciada traduziu-se na responsabilização dos PCE’s pela implementação do processo. Sentiram na pele a injustiça que é irem mudando as regras enquanto é suposto que o jogo está a ser jogado, e facilmente se entende que tenham solicitado à Ministra a suspensão deste modelo de avaliação, em representação da esmagadora maioria dos seus colegas.

Entre as medidas simplificadoras da avaliação de professores, uma tem passado despercebida, mas não é menos importante que as restantes. Refiro-me à dispensa da avaliação dos professores avaliadores, com uma consequência a saber: ficarão todos com BOM. Ironias do destino, pede a Ministra que estes professores apenas BONS tenham como tarefa, exactamente a avaliação de colegas que serão seus correntes, e lhes darão o trabalho de observação das suas aulas, apenas porque desejarão ser classificados como MUITO BONS ou EXCELENTES. Que lógica tem um professor atribuir classificações superiores às que pode obter?

  • Olha coleguinha, a tua aula foi MUITO BOA, mas faltou-te “um bocadinho assim” para chegares ao meu nível... e como eu só vou ter BOM, desculpa lá mas não podes ter melhor!


Esta estupidez adicional é apenas mais um forte motivo para justificar a luta dos professores, que desta vez estão em massa na Internet. Prova disso é que o Educação do meu Umbigo está muito próximo do Há Vida em Markl, observando as médias das visitas diárias.



Adquiriam a consciência de que o seu poder está na rede.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Pérolas da blogoesfera


O pragmatismo em confronto com a moralidade ou uma moralidade prática? Discutam os filósofos a crise identitária da modernidade.


  • Podemos sair com rapazes mais novos e com homens mais velhos e, uma vez mais, nunca estaremos mal servidas.
    Educating Rita Rapariga, 23 anos

sábado, 10 de janeiro de 2009

A propaganda do Ministério através do Expresso


Milu disse através do Expresso que já mudou o modelo de Avaliação do Desempenho, deixando para os PCE's o recado:

  • Não me passa pela cabeça que quem obrigação de fazer avançar a avaliação não o faça, mas concretizou as ameaças de processos e despedimentos.
    10 JAN 2009, EXPRESSO


A infografia faz propaganda ao Ministério, porque para quem esteja fora do assunto, é transmitida a ideia de que Milu já terá revisto o modelo de Avaliação, mas os professores não aceitam nada exequível, quando já está demonstrado que modelo em que Milu insiste é impossível de implementar.


Os PCEs irão apresentar a sua demissão hoje?


  • Podem os PCEs apresentar a demissão? Podem e devem, mas não vão. Porquê? Porque a maioria dos PCEs vão concorrer a directores e não querem incluir no "portefólio" e "curriculum vitae" um pedido de demissão. Porque a maioria dos PCEs não quer deixar as funções de gestão. Estão nos cargos por vocação ou/e interesse e têm legitimidade para querer continuar.
    Ramiro Marques


Nas actuais circunstâncias, a apresentação do pedido de demissão seria a medida que tornaria os PCE's mais populares junto dos seus colegas, e que os deixaria mais tranquilos com a sua consciência. Eu apostaria que vão demitir-se mesmo, colocando a verticalidade dos princípios acima do reles carreirismo. Se todos seguirem o mesmo caminho, o Ministério não pode utilizar as sanções previstas contra todos! A união faz a força!

Acredito quer não tenham ido a Santarém só para almoçar e para se socializarem. Têm uma oportunidade soberana de colocar um ponto final ao caos nas escolas, neste modelo de avaliação, nesta Ministra... e inscreverem o nome na história.



Update 1
Não se demitiram, mas a ameaça mantém-se porque aprovaram um manifesto, a entregar "pessoalmente" à ministra da Educação, contendo a sua posição sobre o modelo de avaliação dos professores. Esta posição mais ponderada até terá sido mais inteligente, porque passaram a bola para a Ministra, que posteriormente poderão responsabilizar de nem ter ouvido os PCE's. Além disso, “facilmente” o Governo os “substituiria por dirigentes não eleitos e menos capazes de apoiar os professores na luta contra este modelo de avaliação”. Bem visto.

Update 2
Documento aprovado em Santarém por 139 presidentes de Conselhos Executivos

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Livros Digitais


Já não precisa de ler histórias aos seus filhos! ;) Ligue o computador e indique-hes um site de livros digitais ;) O nome e-livros.clube-de-leituras.pt deve ter sido inventado para nos convencer que os autores pretendiam colocar livros online. Porém, na Internet, ganham outra vida, transformando-se em algo diferente, recordando uma afirmação célebre de Marshall McLuan: "O futuro do livro é a sinopse".

Um computador portátil do primeiro Mundo - Classmate PC

Já é uma banalidade afirmar-se que os computadores mudaram a forma como aprendemos e trabalhamos, bem com os momentos de lazer. Observem este vídeo e imaginem e o que um computador portátil pode mudar nas nossas vidas. Eu escrevi um "computador portátil", o Classmate PC. Este coloca o Magalhães na caixote do lixo ;)




Se querem um computador portátil do primeiro Mundo, é melhor começarem a pensar num Governo igualmente do primeiro Mundo, sem as trafulhices de Sócrates.

A melhor escola pública decidiu continuar a suspensão da avaliação


  • Numa moção aprovada apenas com um voto contra e quatro abstenções, os professores da melhor escola pública do país declaram que não vão pôr em prática o modelo de avaliação defendido por Milu, por entenderem que este «não tem cariz formativo e não promove a melhoria das práticas, centrado que está na seriação dos professores para efeitos de gestão de carreira».
    07 JAN 09, SOL


A censura está aí! Manuel Alegre teve mais espaço de antena ou papel que a Escola Secundária Infanta Dona Maria. Procurando esta escola no Google.News só encontrei a notícia no Correio da Manhã e no Sol. Procurando a mesma escola no Google os primeiros resultados da pesquisa apresentaram logo a notícia porque o PS não consegue controlar os blogues ;) Que chatice!



Update
MOÇÃO

Os professores da Escola Secundária Infanta D. Maria suspenderam, por
unanimidade, a sua participação em todos os procedimentos relacionados com a
aplicação do Dec. Lei 2/2008, tal como sucedeu em mais de 450 Escolas ou
Agrupamentos de Escolas.

A necessidade sentida pelo Governo, na sequência das enormes manifestações de
descontentamento levadas a cabo pela quase totalidade da classe docente, de
alterações sucessivas do Modelo de Avaliação, mais não é que um reconhecimento
inequívoco da sua inadequação pedagógica e da inaplicabilidade do Modelo.

As alterações pontuais que foram introduzidas não alteraram a filosofia e os
princípios que lhe estão subjacentes. Apesar de designado por Modelo de
Avaliação, não o é efectivamente. Não tem cariz formativo, não promove a
melhoria das práticas, centrado que está na seriação dos professores para
efeitos de gestão de carreira.

As alterações produzidas pelo Governo mantêm o essencial do Modelo,
nomeadamente, alguns dos aspectos mais contestados como a existência de quotas
para Excelente e Muito Bom, desvirtuando assim qualquer perspectiva dos
docentes verem reconhecidos os seus efectivos méritos, conhecimentos,
capacidades e investimento na Carreira.

Outras alterações como as que têm a ver com as classificações dos alunos e
abandono escolar, são meramente conjunturais, tendo sido afirmado que esses
aspectos seriam posteriormente retomados para efeitos de avaliação.

A implementação do Modelo de Avaliação imposto pelo Governo significa a
aceitação tácita do ECD, que promove a divisão artificial da carreira em
categorias e que a esmagadora maioria dos docentes contesta.

Tendo em consideração o que foi referido anteriormente, os professores da
Escola Secundária Infanta D. Maria, coerentes com todas as tomadas de posição
que têm assumido ao longo deste processo, reafirmam a sua vontade em manter a
suspensão do mesmo.

Apelam ainda a que aconteça o mais rapidamente possível um processo sério de
revisão do ECD, eliminando a divisão da carreira em categorias, e que se
substitua o actual Modelo de Avaliação por um Modelo consensual e pacífico,
que se revele exequível, justo e transparente, visando a melhoria do serviço
educativo público, a dignificação do trabalho docente, promovendo assim uma
Escola Pública de qualidade.

Coimbra, 6 de Janeiro de 2009
Escola Secundária Infanta D. Maria

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Os políticos são todos a mesma m*


Manuel Alegre tem como profissão "políticu". Fala e faz birras, para o seu nome ir sendo conhecido e ir fazendo marketing aos seus poemas. Estando na Assembleia desde 1975, a ganhar uma reforma por cada 8 anos, já usufruirá de pelo menos 4 tachos sem que eu conheça um único projecto-de-lei que este senhor tenha apresentado! Devo ser ignorante.

  • O PS chumbou hoje os projectos do PSD, Bloco de Esquerda e “Os Verdes” para suspender a avaliação dos professores, com os votos favoráveis de todos os partidos da oposição parlamentar. O documento social-democrata contou com a abstenção dos socialistas Manuel Alegre, Teresa Portugal, Júlia Caré, Eugénia Alho e da independente socialista Matilde Sousa Franco.
    08.01.2009 PÚBLICO



Este senhor faz tanto barulho contra Sócrates, mas quando chega o momento da verdade mostra que acima de tudo terá de preservar o seu emprego! Até tem um site para escrever disparates, mas já percebemos quais são os serviços públicos de Manuel Alegre e qual é a sua "Democracia", sensível ao mau-estar das pessoas ;)

Manuel Alegre disse que "acha que é preciso suspender este modelo de avaliação", mas conseguiu enrolar as palavras para defender a sua abstenção, justificando-o como "uma questão de coerência". Palhaços!



O líder parlamentar do PSD criticou a ausência da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, no debate de hoje, que consta encontrar-se a PROZAC's. Será que já percebeu a sacanice de impor um modelo impraticável? Já só Sócrates aguenta continuar esta obra, verdadeiramente ao seu estilo.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Alerta: Acorda que tens de aprender a lição!


Limito-me a publicar um texto que me chegou por mail, sem indicação de autor. Já o descobri na Indignadamasnaocalada, mas como a sua formatação naquele blogue dificulta a leitura, justifica-se a sua republicação.

Após as tréguas do Natal, a blogoesfera recomeça a ser utilizada na mobilização dos docentes, agora contra o Simplex2 (Decreto Regulamentar 1-A/2009 de 5 de Janeiro).

Neste momento do campeonato, os professores já aprenderam que o seu poder está nas redes que construírem entre si. Só é lamentável que em escassos meses tenham sabido construir redes para defender os seus interesses profissionais, mas 10 anos após a banalização da Internet em Portugal sejam praticamente inexistentes as redes de docentes interessados nesta enquanto recurso educativo.



FW: Alerta: Acorda que tens de aprender a lição!



Quando este governo tomou posse, deram-lhe um estado de graça, que ele aproveitou para:

- Aumentar o IVA, mesmo depois de ter prometido que não aumentaria impostos;
- Aumentar a idade da reforma, apesar de ter prometido que o não faria;
- Congelar as carreiras de alguns sectores da Função Pública.

O povo continuou adormecido.

Depois, provou-se que o Primeiro-Ministro falsificou documentos da Assembleia da República para que o tratassem por Engenheiro, que tirou um curso de Engenharia sem ir às aulas, enviando trabalhos por fax, e que, enquanto recebia um subsídio de exclusividade, assinava projectos.

O povo mostrou-se indiferente, achando que, se ele queria que o tratassem por Engenheiro, era lá com ele.

De seguida, decidiu fechar escolas e urgências; a população começou a despertar e o ministro da saúde foi demitido, mas a política continuou.

Posteriormente, vieram as aulas de substituição gratuitas e a responsabilização dos professores pelo insucesso dos alunos.

Os professores acordaram e os tribunais deram-lhes razão na ilegalidade das aulas de substituição não remuneradas.

Depois veio o Estatuto da Carreira Docente, que dividia os professores em duas categorias, sem qualquer análise de mérito, e impedia que dois terços dos professores atingissem o topo da carreira.

Os professores ficaram atordoados e a Ministra aproveitou para esticar a corda ainda mais, tratando os docentes por "professorzecos" e criando um modelo de avaliação que ela própria considerou "burocrático, injusto e inexequível" e que prejudica os professores que faltassem por nojo, licença de paternidade, greve ou doença.

Aí os professores indignaram-se e vieram para a rua. O Governo e os sindicatos admiraram-se com a revolta dos professores e apressaram-se a firmar um entendimento que adiava a avaliação.

No ano lectivo seguinte, os professores foram torturados com o suplício de pôr a andar um monstro, cavando a sua própria sepultura. Em todas as escolas, começou a verificar-se que esse monstro não tinha pernas para andar. Os professores começaram a pedir a suspensão do processo e marcaram uma manifestação para o dia 15 de Novembro. Os sindicatos viram o descontentamento geral e marcaram outra manifestação para o dia 8 de Novembro.

Os professores mobilizaram-se e a Ministra tremeu... Os alunos aprenderam com os professores o direito à indignação e aperceberam-se de que o seu estatuto também era injusto, porque penalizava as faltas por doença, e começaram a manifestar-se. A Ministra percebeu que tinha de aliar-se aos alunos e cedeu nas faltas, culpando os professores pela interpretação da lei. Conseguiu mesmo alterar sozinha uma lei aprovada pela Assembleia da República perante os mudos parlamentares.

O ambiente na Escola tornou-se tão insustentável que a Ministra deixou de ter coragem de visitar escolas. Então, decidiu alterar novamente o seu modelo, sem o acordo de ninguém, pois só ela não entende que está a mais no Governo, defendendo um modelo que sabe que é errado, só para não dar o braço a torcer (lembrando a teimosia de Paulo Bento que, para afirmar o seu poder, prefere perder). Se fizesse uma auto-avaliação, percebia que está tão isolada que até o representante das associações de pais, aliado de outras batalhas, tomou consciência do que estava em causa.

Agora, o Secretário de Estado Adjunto vem dizer que a Lei é para cumprir. Mas qual Lei? A da Ministra que não respeita os tribunais, que altera as leis da Assembleia da República a seu belo prazer, que manda repetir exames, mesmo sabendo que é inconstitucional, que penaliza os professores pelo direito à greve e às faltas por nojo, por doença ou por licença de paternidade?

Quem deixou de cumprir a Lei foi a Ministra e o Governo. Lembram-se de alguém que fumou ilegalmente num avião, afirmando que desconhecia uma Lei imposta por si? É o mesmo que vem dizer que nem ele está acima da Lei.

Já que a Comunicação Social está instrumentalizada e não há oposição firme, o povo devia seguir a lição dos professores e manifestar-se:

- Contra o elevado preço dos combustíveis, uma vez que o preço do petróleo desceu para um terço do que custava há meses e em Portugal os combustíveis ainda só desceram cerca de 20%;

- Contra os elevados salários de gestores de empresas públicas que dão prejuízo;

- Contra a entrega de computadores "Magalhães" que depois têm de ser devolvidos, como quem tira doces a crianças;

- Contra o financiamento público de bancos que exploram os clientes com elevados juros;

- Contra as listas de espera na saúde;

- Contra as portagens nas SCUT;

- Contra a criminalidade e a insegurança que se vive em Portugal;

- Contra as elevadas taxas de desemprego;

- Contra o desvio do dinheiro de impostos para o TGV;

- Contra as mentiras.

Se os Portugueses acordarem e seguirem o exemplo dos professores, os governantes deixarão de se "governar" e passarão a defender o interesse das pessoas.

"Ao emendar aquilo que precisa de correcção, o bom professor não está a ser rude."

domingo, 4 de janeiro de 2009

sábado, 3 de janeiro de 2009

MST: Os valores políticos e éticos nunca se podem esquecer!


Elogiei o artigo de sábado passado em que Miguel Sousa Tavares destacava a relevância dos princípios políticos e éticos. Hoje, meu caro MST, escrevo-lhe para lhe dizer que me traiu. Os valores políticos e éticos nunca se podem esquecer!

E MST esqueceu-os, oferecendo a Sócrates e a Milu excelentes epitáfios:

  • Sócrates
    Teve o mérito de ter tentado,
    Sozinho e contra todos,
    Reformar o que precisava de ser reformado.
    Assim, não podia vencer e não venceu.
  • Milu
    Vencida não por não ter razão,
    mas precisamente por a ter.


Quanto a Milu a única coisa certa é o princípio da avaliação, mas no processo de implementação do modelo de avaliação não acertou uma para amostra. Inventou um modelo impossível de adoptar, e persiste com o mesmo apesar dos simplexes. Usa o “mérito” dos professores no seu vocabulário, mas não consta que tenha sido uma docente brilhante para compreender o significado da expressão. Já demonstrou a inutilidade do seu modelo de avaliação, e simultaneamente a sua falta de carácter.

Deus me desculpe pela frontalidade, mas devia rebentar uma granada na boca de quem tem lata para elogiar o mérito de Sócrates, pouco tempo depois de ter colocado em causa a sua seriedade:

  • Nenhum aluno que tenha feito um curso ‘a sério’ numa Universidade ‘a sério’ teve, no ano de licenciatura, cinco cadeiras, das quais quatro dadas pelo mesmo professor; nenhum aluno se esqueceria do nome dos professores, para mais se só teve dois; nenhum aluno acreditaria que era possível ser membro do Governo e simultaneamente concluir uma licenciatura com aulas nocturnas e fazendo o ano com média de 17; nenhum aluno viu um professor dar-lhe as notas durante as férias de Agosto, e logo quatro no mesmo dia; nenhum aluno tem um certificado de curso passado durante as férias, num domingo, e assinado pelo reitor e pela filha, na qualidade de directora administrativa (típico de Universidade de vão de escada). A isto, basicamente, José Sócrates respondeu que são questões a que é alheio e cuja responsabilidade só pode ser imputada à Universidade. Mas há uma coisa a que ele não foi alheio, que foi a escolha desta Universidade para se licenciar. (Não posso referenciar por causa da política do EXPRESSO relativamente à descontinuação dos seus produtos)


MST, lembra-se de quem escreveu isto? O mérito de Sócrates é aplicar regras diferentes quando pensa em si ;) Este homem alguma vez terá legitimidade para propor e implementar alguma das reformas que a economia portuguesa exige?

Só fica uma dívida. Já terá sido MST contratado pelo Governo como assessor de imagem, ou outra coisa qualquer?

O Governo não tem legitimidade democrática para impor a sua política nas escolas, nem em sector de actividade nenhum, porque pulou a cerca. Não lhe basta a maioria absoluta no Parlamento, e ainda tem o Banco de Portugal liderado por um ex-Secretário-Geral do PS; o Tribunal de Contas é comandado por um homem do PS; a Autoridade para a Concorrência é dirigida por um parceiro de negócios do ministro da Economia; o ministro da Administração Interna é um ex-juiz do Tribunal Constitucional. Não é normal num regime democrático um só partido controlar a generalidade das instituições. Somos definitivamente um país terceiro-mundista, que aprecia as aldrabices de Sócrates, gosta de viver o farrabadó dos campeonatos quase ganhos, valoriza mais uns cêntimos antes das eleições. Simultaneamente adoramos exercitar a má língua observando as barracas de Sócrates, nem nos ralamos quando observamos os outros países a ultrapassarem Portugal em termos do PIB per capita, e já estamos habituados a apertar o cinto com as mais diversas justificações.

Integridade, carácter, exemplaridade... Tudo isto são palavrões a anos-luz de Sócrates e do país que temos.
Bem vistas as coisas, José Sócrates é simplesmente o político melhor adaptado às vigarices do país.



Adenda
Perante os esses de MST naturalmente que que compreendo todos os colegas que amavelmente me enviaram uma cópia do Equador.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A crise financeira de 2008



Segundo a Newsletter do ActivoBank7 a crise financeira iniciada no Verão de 2007 nos EUA, com origem no mercado de crédito imobiliário de alto risco (subprime), transformou-se em 2008 na maior crise económica mundial das últimas décadas, colocando um ponto final numa era pautada por excessos na concessão de crédito e pela reduzida intervenção dos Governos nos mercados financeiros.

As cotações nos mercados accionistas não pareciam caras no início do ano, tendo presente que nos 5 anos anteriores se haviam limitado a acompanhar a subida dos resultados das empresas, não se verificando a euforia habitualmente associada a “picos” de mercado, como a do final dos anos 90 com as acções tecnológicas do Nasdaq.

Depois de dois “sustos” no início de 2008, em Janeiro e em Março, o último dos quais associado à possível falência do banco de investimento Bear Stearns, a qual foi evitada pela intervenção da Reserva Federal norte-americana (Fed), os investidores interiorizaram que as instituições mais importantes para o sistema financeiro internacional seriam “demasiado grandes para falir”, e essa confiança renovada foi suficiente para que, em meados de Maio de 2008, os principais mercados accionistas estivessem muito próximos dos valores do início do ano.

Ainda que durante o Verão tivessem surgido crescentes preocupações quanto à sustentabilidade do crescimento económico global (o que implicou o início da quebra do preço da generalidade das matérias-primas), o momento chave do ano foi vivido no dia 15 de Setembro, data da falência do banco de investimento Lehman Brothers, a qual foi decisiva para eliminar por completo a confiança que os agentes económicos ainda tinham, com efeitos negativos imediatos nos níveis de consumo, investimento e produção.

O aumento exponencial da aversão ao risco levou a um processo sem precedentes de desalavancagem (venda de activos para liquidação de operações de crédito), tendo os mercados accionistas perdido cerca de um terço do seu valor em apenas 2 meses, com níveis de volatilidade sem precedentes. Os mercados de obrigações de empresas foram ainda mais afectados: aos preços actuais, os investidores antecipam uma recessão económica com uma magnitude apenas comparável à da Grande Depressão de 1929 a 1933.


Fonte: Bloomberg; ActivoBank7; data mais recente: 26 de Dezembro de 2008
Nota: MSCI World (mercados desenvolvidos), MSCI Emerging Markets (mercados emergentes)

Observando o gráfico, ainda não é certo que se tenha atingido o ponto mais baixo da recessão, não havendo qualquer consenso entre os analistas quanto ao possível momento de início de retoma de um novo ciclo de crescimento.


Referimos igualmente no início do ano que se esperava uma maior resiliência dos mercados emergentes face a anteriores crises económicas, uma vez que os mesmos estão actualmente menos dependentes das exportações para os países desenvolvidos e apresentam mesmo reservas cambiais de valor superior ao daqueles países.

Como podemos ver no gráfico acima representado, a performance dos mercados accionistas emergentes mostrou-se resiliente até meados de Julho, face aos seus congéneres desenvolvidos, mas tornou-se mais frágil a partir de então, num contexto de forte quebra dos preços das matérias-primas (das quais muitos são exportadores), de agravamento da crise económica global e sobretudo de extrema aversão ao risco e de fuga dos investidores estrangeiros, penalizando todos os mercados, sem grandes diferenças.

Afirmámos também que «o principal obstáculo à acção dos Bancos Centrais, pressionados pela necessidade de adoptar uma política monetária mais expansionista (redução de taxas de juro) é o ressurgimento de pressões inflacionistas, em especial devido ao aumento significativo dos preços da energia e dos bens alimentares.». Com efeito, o aumento dos preços das matérias-primas até Julho (quando o petróleo atingiu um máximo histórico nos 147 dólares) condicionou a actuação das autoridades monetárias. O Banco Central Europeu (BCE) optou mesmo por subir a sua taxa de referência em 0,25% no dia 9 de Julho, num cenário de abrandamento económico.

Desde o início de Outubro de 2008, temos assistido a uma intervenção coordenada dos Governos a nível global, nomeadamente através de medidas de recapitalização de instituições bancárias, de injecções massivas de liquidez nos mercados monetários e de garantia de empréstimos interbancários que, acompanhada da redução das taxas de juro de referência, permitiu já uma significativa descida das taxas de juro no mercado interbancário: as taxas Euribor a 3 e a 6 meses (as mais utilizadas nos contratos de crédito à habitação) desceram já cerca de 2,40% em relação aos máximos de Outubro, o que permitirá aliviar de forma significativa as prestações a partir do início de 2009.



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quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Os professores são delicados


01:00 da manhã, Docas de Alcântara. Quando eu procurava estacionar no único lugar vago, deparei com um último obstáculo. No carro do lado, os passageiros tinham deixado aberta a porta do pendura! Conduzia o carro uma jovem que servia de motorista a quatro rapazes já alcoolizados. Então saí do meu carro, pedi licença ao grupo de rapazes para lhes fechar a porta, e finalmente terminei a manobra.

Quando saí, um dos rapazes dirigiu-se para mim, perguntando-me se eu era professor.
- De onde me conheces? – Retorqui eu, tentando identificar algum ex-aluno.
- Não o conheço de lado nenhum. Só quero que me diga se é professor porque fiz uma aposta com eles.
- Sou professor, sim.
- Ganhei a aposta! Num lugar destes, a esta hora, nesta situação, para ter sido tão delicado tinha de ser professor. Qualquer outro nos teria mandado logo para o c*.
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