Já é uma banalidade afirmar-se que os computadores mudaram a forma como aprendemos e trabalhamos, bem com os momentos de lazer. Observem este vídeo e imaginem e o que um computador portátil pode mudar nas nossas vidas. Eu escrevi um "computador portátil", o Classmate PC. Este coloca o Magalhães na caixote do lixo ;)
Se querem um computador portátil do primeiro Mundo, é melhor começarem a pensar num Governo igualmente do primeiro Mundo, sem as trafulhices de Sócrates.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
A melhor escola pública decidiu continuar a suspensão da avaliação

- Numa moção aprovada apenas com um voto contra e quatro abstenções, os professores da melhor escola pública do país declaram que não vão pôr em prática o modelo de avaliação defendido por Milu, por entenderem que este «não tem cariz formativo e não promove a melhoria das práticas, centrado que está na seriação dos professores para efeitos de gestão de carreira».
07 JAN 09, SOL
A censura está aí! Manuel Alegre teve mais espaço de antena ou papel que a Escola Secundária Infanta Dona Maria. Procurando esta escola no Google.News só encontrei a notícia no Correio da Manhã e no Sol. Procurando a mesma escola no Google os primeiros resultados da pesquisa apresentaram logo a notícia porque o PS não consegue controlar os blogues ;) Que chatice!
Update
MOÇÃO
unanimidade, a sua participação em todos os procedimentos relacionados com a
aplicação do Dec. Lei 2/2008, tal como sucedeu em mais de 450 Escolas ou
Agrupamentos de Escolas.
A necessidade sentida pelo Governo, na sequência das enormes manifestações de
descontentamento levadas a cabo pela quase totalidade da classe docente, de
alterações sucessivas do Modelo de Avaliação, mais não é que um reconhecimento
inequívoco da sua inadequação pedagógica e da inaplicabilidade do Modelo.
As alterações pontuais que foram introduzidas não alteraram a filosofia e os
princípios que lhe estão subjacentes. Apesar de designado por Modelo de
Avaliação, não o é efectivamente. Não tem cariz formativo, não promove a
melhoria das práticas, centrado que está na seriação dos professores para
efeitos de gestão de carreira.
As alterações produzidas pelo Governo mantêm o essencial do Modelo,
nomeadamente, alguns dos aspectos mais contestados como a existência de quotas
para Excelente e Muito Bom, desvirtuando assim qualquer perspectiva dos
docentes verem reconhecidos os seus efectivos méritos, conhecimentos,
capacidades e investimento na Carreira.
Outras alterações como as que têm a ver com as classificações dos alunos e
abandono escolar, são meramente conjunturais, tendo sido afirmado que esses
aspectos seriam posteriormente retomados para efeitos de avaliação.
A implementação do Modelo de Avaliação imposto pelo Governo significa a
aceitação tácita do ECD, que promove a divisão artificial da carreira em
categorias e que a esmagadora maioria dos docentes contesta.
Tendo em consideração o que foi referido anteriormente, os professores da
Escola Secundária Infanta D. Maria, coerentes com todas as tomadas de posição
que têm assumido ao longo deste processo, reafirmam a sua vontade em manter a
suspensão do mesmo.
Apelam ainda a que aconteça o mais rapidamente possível um processo sério de
revisão do ECD, eliminando a divisão da carreira em categorias, e que se
substitua o actual Modelo de Avaliação por um Modelo consensual e pacífico,
que se revele exequível, justo e transparente, visando a melhoria do serviço
educativo público, a dignificação do trabalho docente, promovendo assim uma
Escola Pública de qualidade.
Coimbra, 6 de Janeiro de 2009
Escola Secundária Infanta D. Maria
Etiquetas:
avaliação de desempenho
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Os políticos são todos a mesma m*

Manuel Alegre tem como profissão "políticu". Fala e faz birras, para o seu nome ir sendo conhecido e ir fazendo marketing aos seus poemas. Estando na Assembleia desde 1975, a ganhar uma reforma por cada 8 anos, já usufruirá de pelo menos 4 tachos sem que eu conheça um único projecto-de-lei que este senhor tenha apresentado! Devo ser ignorante.
- O PS chumbou hoje os projectos do PSD, Bloco de Esquerda e “Os Verdes” para suspender a avaliação dos professores, com os votos favoráveis de todos os partidos da oposição parlamentar. O documento social-democrata contou com a abstenção dos socialistas Manuel Alegre, Teresa Portugal, Júlia Caré, Eugénia Alho e da independente socialista Matilde Sousa Franco.
08.01.2009 PÚBLICO
Este senhor faz tanto barulho contra Sócrates, mas quando chega o momento da verdade mostra que acima de tudo terá de preservar o seu emprego! Até tem um site para escrever disparates, mas já percebemos quais são os serviços públicos de Manuel Alegre e qual é a sua "Democracia", sensível ao mau-estar das pessoas ;)
Manuel Alegre disse que "acha que é preciso suspender este modelo de avaliação", mas conseguiu enrolar as palavras para defender a sua abstenção, justificando-o como "uma questão de coerência". Palhaços!
O líder parlamentar do PSD criticou a ausência da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, no debate de hoje, que consta encontrar-se a PROZAC's. Será que já percebeu a sacanice de impor um modelo impraticável? Já só Sócrates aguenta continuar esta obra, verdadeiramente ao seu estilo.
Etiquetas:
Manuel Alegre,
Socratelândia
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Alerta: Acorda que tens de aprender a lição!

Limito-me a publicar um texto que me chegou por mail, sem indicação de autor. Já o descobri na Indignadamasnaocalada, mas como a sua formatação naquele blogue dificulta a leitura, justifica-se a sua republicação.
Após as tréguas do Natal, a blogoesfera recomeça a ser utilizada na mobilização dos docentes, agora contra o Simplex2 (Decreto Regulamentar 1-A/2009 de 5 de Janeiro).
Neste momento do campeonato, os professores já aprenderam que o seu poder está nas redes que construírem entre si. Só é lamentável que em escassos meses tenham sabido construir redes para defender os seus interesses profissionais, mas 10 anos após a banalização da Internet em Portugal sejam praticamente inexistentes as redes de docentes interessados nesta enquanto recurso educativo.
FW: Alerta: Acorda que tens de aprender a lição!
Quando este governo tomou posse, deram-lhe um estado de graça, que ele aproveitou para:
- Aumentar o IVA, mesmo depois de ter prometido que não aumentaria impostos;
- Aumentar a idade da reforma, apesar de ter prometido que o não faria;
- Congelar as carreiras de alguns sectores da Função Pública.
O povo continuou adormecido.
Depois, provou-se que o Primeiro-Ministro falsificou documentos da Assembleia da República para que o tratassem por Engenheiro, que tirou um curso de Engenharia sem ir às aulas, enviando trabalhos por fax, e que, enquanto recebia um subsídio de exclusividade, assinava projectos.
O povo mostrou-se indiferente, achando que, se ele queria que o tratassem por Engenheiro, era lá com ele.
De seguida, decidiu fechar escolas e urgências; a população começou a despertar e o ministro da saúde foi demitido, mas a política continuou.
Posteriormente, vieram as aulas de substituição gratuitas e a responsabilização dos professores pelo insucesso dos alunos.
Os professores acordaram e os tribunais deram-lhes razão na ilegalidade das aulas de substituição não remuneradas.
Depois veio o Estatuto da Carreira Docente, que dividia os professores em duas categorias, sem qualquer análise de mérito, e impedia que dois terços dos professores atingissem o topo da carreira.
Os professores ficaram atordoados e a Ministra aproveitou para esticar a corda ainda mais, tratando os docentes por "professorzecos" e criando um modelo de avaliação que ela própria considerou "burocrático, injusto e inexequível" e que prejudica os professores que faltassem por nojo, licença de paternidade, greve ou doença.
Aí os professores indignaram-se e vieram para a rua. O Governo e os sindicatos admiraram-se com a revolta dos professores e apressaram-se a firmar um entendimento que adiava a avaliação.
No ano lectivo seguinte, os professores foram torturados com o suplício de pôr a andar um monstro, cavando a sua própria sepultura. Em todas as escolas, começou a verificar-se que esse monstro não tinha pernas para andar. Os professores começaram a pedir a suspensão do processo e marcaram uma manifestação para o dia 15 de Novembro. Os sindicatos viram o descontentamento geral e marcaram outra manifestação para o dia 8 de Novembro.
Os professores mobilizaram-se e a Ministra tremeu... Os alunos aprenderam com os professores o direito à indignação e aperceberam-se de que o seu estatuto também era injusto, porque penalizava as faltas por doença, e começaram a manifestar-se. A Ministra percebeu que tinha de aliar-se aos alunos e cedeu nas faltas, culpando os professores pela interpretação da lei. Conseguiu mesmo alterar sozinha uma lei aprovada pela Assembleia da República perante os mudos parlamentares.
O ambiente na Escola tornou-se tão insustentável que a Ministra deixou de ter coragem de visitar escolas. Então, decidiu alterar novamente o seu modelo, sem o acordo de ninguém, pois só ela não entende que está a mais no Governo, defendendo um modelo que sabe que é errado, só para não dar o braço a torcer (lembrando a teimosia de Paulo Bento que, para afirmar o seu poder, prefere perder). Se fizesse uma auto-avaliação, percebia que está tão isolada que até o representante das associações de pais, aliado de outras batalhas, tomou consciência do que estava em causa.
Agora, o Secretário de Estado Adjunto vem dizer que a Lei é para cumprir. Mas qual Lei? A da Ministra que não respeita os tribunais, que altera as leis da Assembleia da República a seu belo prazer, que manda repetir exames, mesmo sabendo que é inconstitucional, que penaliza os professores pelo direito à greve e às faltas por nojo, por doença ou por licença de paternidade?
Quem deixou de cumprir a Lei foi a Ministra e o Governo. Lembram-se de alguém que fumou ilegalmente num avião, afirmando que desconhecia uma Lei imposta por si? É o mesmo que vem dizer que nem ele está acima da Lei.
Já que a Comunicação Social está instrumentalizada e não há oposição firme, o povo devia seguir a lição dos professores e manifestar-se:
- Contra o elevado preço dos combustíveis, uma vez que o preço do petróleo desceu para um terço do que custava há meses e em Portugal os combustíveis ainda só desceram cerca de 20%;
- Contra os elevados salários de gestores de empresas públicas que dão prejuízo;
- Contra a entrega de computadores "Magalhães" que depois têm de ser devolvidos, como quem tira doces a crianças;
- Contra o financiamento público de bancos que exploram os clientes com elevados juros;
- Contra as listas de espera na saúde;
- Contra as portagens nas SCUT;
- Contra a criminalidade e a insegurança que se vive em Portugal;
- Contra as elevadas taxas de desemprego;
- Contra o desvio do dinheiro de impostos para o TGV;
- Contra as mentiras.
Se os Portugueses acordarem e seguirem o exemplo dos professores, os governantes deixarão de se "governar" e passarão a defender o interesse das pessoas.
"Ao emendar aquilo que precisa de correcção, o bom professor não está a ser rude."
Etiquetas:
avaliação de desempenho,
Internet,
Socratelândia
domingo, 4 de janeiro de 2009
sábado, 3 de janeiro de 2009
MST: Os valores políticos e éticos nunca se podem esquecer!

Elogiei o artigo de sábado passado em que Miguel Sousa Tavares destacava a relevância dos princípios políticos e éticos. Hoje, meu caro MST, escrevo-lhe para lhe dizer que me traiu. Os valores políticos e éticos nunca se podem esquecer!
E MST esqueceu-os, oferecendo a Sócrates e a Milu excelentes epitáfios:
- Sócrates
Teve o mérito de ter tentado,
Sozinho e contra todos,
Reformar o que precisava de ser reformado.
Assim, não podia vencer e não venceu. - Milu
Vencida não por não ter razão,
mas precisamente por a ter.
Quanto a Milu a única coisa certa é o princípio da avaliação, mas no processo de implementação do modelo de avaliação não acertou uma para amostra. Inventou um modelo impossível de adoptar, e persiste com o mesmo apesar dos simplexes. Usa o “mérito” dos professores no seu vocabulário, mas não consta que tenha sido uma docente brilhante para compreender o significado da expressão. Já demonstrou a inutilidade do seu modelo de avaliação, e simultaneamente a sua falta de carácter.
Deus me desculpe pela frontalidade, mas devia rebentar uma granada na boca de quem tem lata para elogiar o mérito de Sócrates, pouco tempo depois de ter colocado em causa a sua seriedade:
- Nenhum aluno que tenha feito um curso ‘a sério’ numa Universidade ‘a sério’ teve, no ano de licenciatura, cinco cadeiras, das quais quatro dadas pelo mesmo professor; nenhum aluno se esqueceria do nome dos professores, para mais se só teve dois; nenhum aluno acreditaria que era possível ser membro do Governo e simultaneamente concluir uma licenciatura com aulas nocturnas e fazendo o ano com média de 17; nenhum aluno viu um professor dar-lhe as notas durante as férias de Agosto, e logo quatro no mesmo dia; nenhum aluno tem um certificado de curso passado durante as férias, num domingo, e assinado pelo reitor e pela filha, na qualidade de directora administrativa (típico de Universidade de vão de escada). A isto, basicamente, José Sócrates respondeu que são questões a que é alheio e cuja responsabilidade só pode ser imputada à Universidade. Mas há uma coisa a que ele não foi alheio, que foi a escolha desta Universidade para se licenciar. (Não posso referenciar por causa da política do EXPRESSO relativamente à descontinuação dos seus produtos)
MST, lembra-se de quem escreveu isto? O mérito de Sócrates é aplicar regras diferentes quando pensa em si ;) Este homem alguma vez terá legitimidade para propor e implementar alguma das reformas que a economia portuguesa exige?
Só fica uma dívida. Já terá sido MST contratado pelo Governo como assessor de imagem, ou outra coisa qualquer?
O Governo não tem legitimidade democrática para impor a sua política nas escolas, nem em sector de actividade nenhum, porque pulou a cerca. Não lhe basta a maioria absoluta no Parlamento, e ainda tem o Banco de Portugal liderado por um ex-Secretário-Geral do PS; o Tribunal de Contas é comandado por um homem do PS; a Autoridade para a Concorrência é dirigida por um parceiro de negócios do ministro da Economia; o ministro da Administração Interna é um ex-juiz do Tribunal Constitucional. Não é normal num regime democrático um só partido controlar a generalidade das instituições. Somos definitivamente um país terceiro-mundista, que aprecia as aldrabices de Sócrates, gosta de viver o farrabadó dos campeonatos quase ganhos, valoriza mais uns cêntimos antes das eleições. Simultaneamente adoramos exercitar a má língua observando as barracas de Sócrates, nem nos ralamos quando observamos os outros países a ultrapassarem Portugal em termos do PIB per capita, e já estamos habituados a apertar o cinto com as mais diversas justificações.
Integridade, carácter, exemplaridade... Tudo isto são palavrões a anos-luz de Sócrates e do país que temos.
Bem vistas as coisas, José Sócrates é simplesmente o político melhor adaptado às vigarices do país.
Adenda
Perante os esses de MST naturalmente que que compreendo todos os colegas que amavelmente me enviaram uma cópia do Equador.
Etiquetas:
José Sócrates,
Milu,
MST,
Socratelândia
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
A crise financeira de 2008
Segundo a Newsletter do ActivoBank7 a crise financeira iniciada no Verão de 2007 nos EUA, com origem no mercado de crédito imobiliário de alto risco (subprime), transformou-se em 2008 na maior crise económica mundial das últimas décadas, colocando um ponto final numa era pautada por excessos na concessão de crédito e pela reduzida intervenção dos Governos nos mercados financeiros.
As cotações nos mercados accionistas não pareciam caras no início do ano, tendo presente que nos 5 anos anteriores se haviam limitado a acompanhar a subida dos resultados das empresas, não se verificando a euforia habitualmente associada a “picos” de mercado, como a do final dos anos 90 com as acções tecnológicas do Nasdaq.
Depois de dois “sustos” no início de 2008, em Janeiro e em Março, o último dos quais associado à possível falência do banco de investimento Bear Stearns, a qual foi evitada pela intervenção da Reserva Federal norte-americana (Fed), os investidores interiorizaram que as instituições mais importantes para o sistema financeiro internacional seriam “demasiado grandes para falir”, e essa confiança renovada foi suficiente para que, em meados de Maio de 2008, os principais mercados accionistas estivessem muito próximos dos valores do início do ano.
Ainda que durante o Verão tivessem surgido crescentes preocupações quanto à sustentabilidade do crescimento económico global (o que implicou o início da quebra do preço da generalidade das matérias-primas), o momento chave do ano foi vivido no dia 15 de Setembro, data da falência do banco de investimento Lehman Brothers, a qual foi decisiva para eliminar por completo a confiança que os agentes económicos ainda tinham, com efeitos negativos imediatos nos níveis de consumo, investimento e produção.
O aumento exponencial da aversão ao risco levou a um processo sem precedentes de desalavancagem (venda de activos para liquidação de operações de crédito), tendo os mercados accionistas perdido cerca de um terço do seu valor em apenas 2 meses, com níveis de volatilidade sem precedentes. Os mercados de obrigações de empresas foram ainda mais afectados: aos preços actuais, os investidores antecipam uma recessão económica com uma magnitude apenas comparável à da Grande Depressão de 1929 a 1933.

Fonte: Bloomberg; ActivoBank7; data mais recente: 26 de Dezembro de 2008
Nota: MSCI World (mercados desenvolvidos), MSCI Emerging Markets (mercados emergentes)
Observando o gráfico, ainda não é certo que se tenha atingido o ponto mais baixo da recessão, não havendo qualquer consenso entre os analistas quanto ao possível momento de início de retoma de um novo ciclo de crescimento.
Referimos igualmente no início do ano que se esperava uma maior resiliência dos mercados emergentes face a anteriores crises económicas, uma vez que os mesmos estão actualmente menos dependentes das exportações para os países desenvolvidos e apresentam mesmo reservas cambiais de valor superior ao daqueles países.
Como podemos ver no gráfico acima representado, a performance dos mercados accionistas emergentes mostrou-se resiliente até meados de Julho, face aos seus congéneres desenvolvidos, mas tornou-se mais frágil a partir de então, num contexto de forte quebra dos preços das matérias-primas (das quais muitos são exportadores), de agravamento da crise económica global e sobretudo de extrema aversão ao risco e de fuga dos investidores estrangeiros, penalizando todos os mercados, sem grandes diferenças.
Afirmámos também que «o principal obstáculo à acção dos Bancos Centrais, pressionados pela necessidade de adoptar uma política monetária mais expansionista (redução de taxas de juro) é o ressurgimento de pressões inflacionistas, em especial devido ao aumento significativo dos preços da energia e dos bens alimentares.». Com efeito, o aumento dos preços das matérias-primas até Julho (quando o petróleo atingiu um máximo histórico nos 147 dólares) condicionou a actuação das autoridades monetárias. O Banco Central Europeu (BCE) optou mesmo por subir a sua taxa de referência em 0,25% no dia 9 de Julho, num cenário de abrandamento económico.
Desde o início de Outubro de 2008, temos assistido a uma intervenção coordenada dos Governos a nível global, nomeadamente através de medidas de recapitalização de instituições bancárias, de injecções massivas de liquidez nos mercados monetários e de garantia de empréstimos interbancários que, acompanhada da redução das taxas de juro de referência, permitiu já uma significativa descida das taxas de juro no mercado interbancário: as taxas Euribor a 3 e a 6 meses (as mais utilizadas nos contratos de crédito à habitação) desceram já cerca de 2,40% em relação aos máximos de Outubro, o que permitirá aliviar de forma significativa as prestações a partir do início de 2009.
Outros sites sobre este assunto
Etiquetas:
crise financeira
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Os professores são delicados

01:00 da manhã, Docas de Alcântara. Quando eu procurava estacionar no único lugar vago, deparei com um último obstáculo. No carro do lado, os passageiros tinham deixado aberta a porta do pendura! Conduzia o carro uma jovem que servia de motorista a quatro rapazes já alcoolizados. Então saí do meu carro, pedi licença ao grupo de rapazes para lhes fechar a porta, e finalmente terminei a manobra.
Quando saí, um dos rapazes dirigiu-se para mim, perguntando-me se eu era professor.
- De onde me conheces? – Retorqui eu, tentando identificar algum ex-aluno.
- Não o conheço de lado nenhum. Só quero que me diga se é professor porque fiz uma aposta com eles.
- Sou professor, sim.
- Ganhei a aposta! Num lugar destes, a esta hora, nesta situação, para ter sido tão delicado tinha de ser professor. Qualquer outro nos teria mandado logo para o c*.
Etiquetas:
professores
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Recursos digitais e tecnologias na Educação: Propaganda e realidade
Os professores são inundados com produtos tecnológicos novos que disputam o mercado também na área da Educação. A Escola não poderá abster-se dos novos produtos, mas estes terão de ser avaliados criticamente. A oferta da nova tecnologia faz-nos crer que os nossos alunos já são “aprendentes digitais”, mas um incidente no final do último período alertou-me para o papel que compete à Escola
na perspectiva de Philippe Perrenoud: compete-lhe dotar os indivíduos com capacidade para entender as regras do jogo que lhes permita traçarem o seu próprio caminho, o que apenas poderão fazer com segurança se dominarem os recursos intelectuais clássicos que “fazem a diferença”: a lógica natural, o conhecimento da escrita e da leitura. Nas mensagens multimedia a escrita e a leitura continuam a ser importantes. O inglês é hoje língua franca, e de nada valerá a tradução do Google para ler o clipe abaixo.
Depois deste brainstorming, vamos lá ao incidente. Durante o 1º período estive a leccionar o Módulo 5 de Economia a uma turma do 11º ano dos Cursos Profissionais. Usaram o meu Blogue de Economia em todas as aulas desde que passaram a ter computadores disponíveis (1). Além de lhes ter dito, obviamente, na apresentação do Módulo, está escrito desde o início que se trata do Módulo 5. No final foi necessário fazer a avaliação, e apenas recorri ao papel porque não há computadores para todos os alunos. Quando lhes distribui umas folhas com a matéria da unidade como preparação para o teste é que eles repararam tratar-se do Módulo 5, dizendo-me que eu me tinha enganado, pois o ano passado só terão dado 2 módulos!
Sinto que relativamente aos meus posts também não os têm lido. Fazem-me perguntas, do género "o que é que isto quer dizer?", e aproveitam as minhas respostas para escreverem alguma coisa. As notas que tenho escrito a sugerir correcções aos seus posts também raramente têm sido consideradas. A forma de conseguir fazer mais trabalho é chegar a uma aula com postura dirigista e ditar-lhes as respostas. Mas que interesse tem esse tipo de "trabalho"? Se depois de explicada a matéria, são incapazes de fazer a síntese, que se pode fazer?
Concluindo, certamente que os nossos alunos são grandes consumidores de entretimento digital, mas isso não vêm só facilitar a utilização de recursos digitais nas aulas, mas também criar dificuldades. A primeira dificuldade que sinto é a de os convencer de que estão numa aula, pois a tentação de abrirem a janela do browser no hi5 ou no msn é enorme, e então ficam os blogues por fazer... e eu passo-me como me passaria BG! (2)
Resultados da avaliação: Se fosse exigente em função de critérios pré-estabelecidos, reprovaria a turma inteira. Tendo em consideração que este período terá sido uma fase de adaptação a uma nova metodologia o cenário melhora.
________________
(1) O atraso de mês e meio na utilização dos computadores relativamente ao início das aulas será um dos factores a ter em consideração na desculpabilização dos alunos. Aprendi que estes ficam desorientados quando têm pela frente muitos posts cuja matéria já foi dada ;) Preferem mesmo que lhes seja dada matéria nos primeiros 45 minutos, para escreverem no blogue enquanto está fresca, nos restantes 45 ;)
(2) BG significa Before Google, Antes do Google.
na perspectiva de Philippe Perrenoud: compete-lhe dotar os indivíduos com capacidade para entender as regras do jogo que lhes permita traçarem o seu próprio caminho, o que apenas poderão fazer com segurança se dominarem os recursos intelectuais clássicos que “fazem a diferença”: a lógica natural, o conhecimento da escrita e da leitura. Nas mensagens multimedia a escrita e a leitura continuam a ser importantes. O inglês é hoje língua franca, e de nada valerá a tradução do Google para ler o clipe abaixo.
Depois deste brainstorming, vamos lá ao incidente. Durante o 1º período estive a leccionar o Módulo 5 de Economia a uma turma do 11º ano dos Cursos Profissionais. Usaram o meu Blogue de Economia em todas as aulas desde que passaram a ter computadores disponíveis (1). Além de lhes ter dito, obviamente, na apresentação do Módulo, está escrito desde o início que se trata do Módulo 5. No final foi necessário fazer a avaliação, e apenas recorri ao papel porque não há computadores para todos os alunos. Quando lhes distribui umas folhas com a matéria da unidade como preparação para o teste é que eles repararam tratar-se do Módulo 5, dizendo-me que eu me tinha enganado, pois o ano passado só terão dado 2 módulos!
Sinto que relativamente aos meus posts também não os têm lido. Fazem-me perguntas, do género "o que é que isto quer dizer?", e aproveitam as minhas respostas para escreverem alguma coisa. As notas que tenho escrito a sugerir correcções aos seus posts também raramente têm sido consideradas. A forma de conseguir fazer mais trabalho é chegar a uma aula com postura dirigista e ditar-lhes as respostas. Mas que interesse tem esse tipo de "trabalho"? Se depois de explicada a matéria, são incapazes de fazer a síntese, que se pode fazer?
Concluindo, certamente que os nossos alunos são grandes consumidores de entretimento digital, mas isso não vêm só facilitar a utilização de recursos digitais nas aulas, mas também criar dificuldades. A primeira dificuldade que sinto é a de os convencer de que estão numa aula, pois a tentação de abrirem a janela do browser no hi5 ou no msn é enorme, e então ficam os blogues por fazer... e eu passo-me como me passaria BG! (2)
Resultados da avaliação: Se fosse exigente em função de critérios pré-estabelecidos, reprovaria a turma inteira. Tendo em consideração que este período terá sido uma fase de adaptação a uma nova metodologia o cenário melhora.
________________
(1) O atraso de mês e meio na utilização dos computadores relativamente ao início das aulas será um dos factores a ter em consideração na desculpabilização dos alunos. Aprendi que estes ficam desorientados quando têm pela frente muitos posts cuja matéria já foi dada ;) Preferem mesmo que lhes seja dada matéria nos primeiros 45 minutos, para escreverem no blogue enquanto está fresca, nos restantes 45 ;)
(2) BG significa Before Google, Antes do Google.
Etiquetas:
Escola do Futuro,
Philippe Perrenoud
Difamação na Internet

Este Natal já recebi mais de uma dezena de mails, iguais a este, a difamarem MST, atribuindo-lhe a expressão: "Os professores são os inúteis mais bem pagos deste país". Tenho respondido individualmente a cada um, solicitando-lhes a indicação da fonte. É o mínimo que qualquer professor exige de um aluno num trabalho de pesquisa. Porém, na Internet parece imperar a lei da selva, desresponsabilizando-se todos por fazerem simplesmente forward de mails de outros.
Como ninguém me indicou a fonte, digo-lhos eu a conclusão a que cheguei. Neste caso alguém inventou essa frase numa carta aberta dirigida a MST, e isso foi copiado por toda a Internet, sem que se tenha averiguado sequer se a dita Ana Maria Gomes existe ;)
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Capitalismo, dinheiro e ética

Gostava de ter a lucidez demonstrada por Miguel Sousa Tavares, sábado após sábado. Terminou 2008 com chave de ouro num artigo em que nem a Economia, enquanto "ciência", escapa às suas críticas pela crise financeira, porque se deixou vender ao espírito "laissez faire, laissez passer" sem necessidade de qualquer demonstração. Realmente, nunca se refere explicitamente à Ciência Económica, mas explicando a crise económica com recurso a valores políticos e éticos anula a validade da análise económica.
- Isto não é apenas uma crise económica, nem o resultado das aventuras criminosas de algumas ovelhas tresmalhadas do rebanho. Isto é, sobretudo, o resultado de uma crise de valores - políticos, sim, mas também éticos. É o resultado de o Estado se ter demitido do seu papel de vigilância e controlo dos poderosos e de a sociedade se ter dispensado de questionar a origem dessas súbitas e espantosas fortunas que cresceram debaixo dos nossos pés.
Dantes, era necessário justificar socialmente a origem do dinheiro e nem mesmo os novos-ricos legítimos eram bem aceites; hoje, é o dinheiro que, por si só, justifica tudo.
EXPRESSO, 27/DEZ/2007 - Continuar a ler...
Etiquetas:
MST
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Novamente o Natal!

Pode ser alegria e magia
Pode ser seca e esperança
Resta ir vivendo cada dia
Enquanto o Mundo pula e avança!
Que criança trocaria hoje o seu Pai Natal pelo meu antigo Menino Jesus?
Etiquetas:
Natal
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
O princípio do fim para Manuela Ferreira Leite

Sócrates bem pode agradecer a Manuela Ferreira Leite a "escolha" de Pedro Santana Lopes para a Câmara Municipal de Lisboa. Esta só conseguiu manter boa imagem enquanto se remeteu ao silêncio. Cada vez que falou disse asneira, agora suicidou-se. Recorda-se que MFL chegou à presidência do PSD em representação da "boa moeda" que tinha sido expulsa pela "má moeda" chefiada precisamente por PSL na teoria cavaquista criada por analogia com a Lei de Gresham. Assim, o crescimento de um significa necessariamente a morte de outro. Com MFL em campanha nas legislativas em simultâneo com PSL nas autárquicas, certamente que MFL será abafada a após a confirmação do mau resultado eleitoral do PSD será afastada da liderança, deixando vago o lugar para o barão seguinte.
Não deixará nenhumas saudades. Da sua formação em Economia e da sua experiência em contabilidade pública não surgiu nenhuma proposta interessante. Mantinha sobre Sócrates a vantagem da integridade ética, mas passou-se completamente vendendo a alma ao Demónio da demagogia para tentar ganhar Lisboa. Paz à sua alma! Muito obrigado pelo seu contributo para o anedotário nacional.
Etiquetas:
MFL
domingo, 21 de dezembro de 2008
A anedota que defende o modelo de avaliação imposto por Milu

A professora que defende o modelo de avaliação imposto pela Ministra, foi recebida com mais doze patetas, fazendo-se porta-voz de uma "minoria silenciosa", porque "era preciso dar espaço às pessoas submersas na onda". Segundo a publicidade do EXPRESSO (20/DEZ/2008) - encomendada por Milu (?) - Armandina Soares gostará tanto de ser professora que "aos 65 anos não há nela qualquer sinal de cansaço" e contrariando a onda "quer continuar a ser professora até aos 70".
Fica aqui o convite para Armandina Soares explicar porque é que se eternizou como Presidente do Conselho Executivo na sua escola, uma vez que exercendo essas funções deixou de ter o nobre privilégio de ser professora... Ou será que gosta mesmo é de ser professora sem alunos? ;)
Em termos de trabalho, a implementação da avaliação do desempenho na sua escola está a zero, porque tem tido outras prioridades ;) Se forçar a barra terá de abandonar a cadeira confortável onde se sentou como PCE, visto mais que quase todos os docentes terão subscrito uma moção a pedir a suspensão desde modelo de avaliação, e mais de 90% terão aderido à última greve.
Esta amiga de Milu defende que o modelo de avaliação do DR 2/2008 seja imposto aos seus colegas, o que faz parte das suas funções, mas não tem conseguido. Entretanto, pensando em si, mantêm-se livre deste "monstro" exercendo as funções de PCE...
Rabiscou o Manifesto pela Avaliação de Desempenho Docente. O Ministério da Educação diz que recebeu um grupo de professores e educadores, omitindo qualquer ordem de grandeza, certamente para que os incautos possam pensar que o grupo excedia a dúzia ;)
Etiquetas:
avaliação de desempenho,
Milu
sábado, 20 de dezembro de 2008
Manual de Ferramentas da Web 2.0

Toda a gente atribui aos utilizadores de hoje um papel mais activo na construção da rede, contrapondo-se a interacção entre os utilizadores da Web 2.0 à sua passividade perante o repositório da Web 1.0. A verdade porém é que a partir daqui não há consensos, e o número 2 permite avançar sem necessidade de problematizar o conceito, até porque certamente seria uma discussão inglória, visto que a Web 2.0 é uma realidade dinâmica em construção, a Internet a evoluir pela sua webização.
Neste contexto, merece ser destacado o Manual de Ferramentas da Web 2.0 para Professores Backup
Para abrir o apetite tomei a liberdade de copiar a Tabela 1 da obra, que recorre a sites conhecidos para distinguir a Web 2.0 da Web 1.0.

Já agora, os parágrafos seguintes.
- A Web passa a ser encarada como uma plataforma, na qual tudo está facilmente
acessível e em que publicar online deixa de exigir a criação de páginas Web
e de saber alojá-las num servidor. A facilidade em publicar conteúdos e em
comentar os “posts” fez com que as redes sociais se desenvolvessem online.
Postar e comentar passaram a ser duas realidades complementares, que muito
têm contribuído para desenvolver o espírito crítico e para aumentar o nível de
interacção social online. O Hi5, o MySpace, o Linkedin, o Facebook, o Ning,
entre outros, facilitam e, de certo modo, estimulam o processo de interacção
social e de aprendizagem.
Escrever online é estimulante para os professores e para os alunos. Além disso,
muitos dos alunos passam a ser muito mais empenhados e responsáveis pelas
suas publicações (Richardson, 2006). Neste momento, os agentes educativos
podem, com toda a facilidade, escrever online no blogue, gravar um assunto no
podcast ou disponibilizar um filme no YouTube. O ambiente de trabalho deixa
de estar no computador pessoal do professor e passa a estar online, sempre
acessível, a partir de qualquer lugar do planeta com acesso à Internet. Nunca
mais o professor corre o risco de se esquecer de trazer alguma coisa para a aula,
porque a um clique pode aceder aos seus favoritos no Delicious, aos seus textos,
gráficos ou apresentações no Google Docs, às suas imagens no Flickr ou no
Picasa, aos seus vídeos no YouTube.
Outras ferramentas
Assinar:
Postagens (Atom)