terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Recursos digitais e tecnologias na Educação: Propaganda e realidade

Os professores são inundados com produtos tecnológicos novos que disputam o mercado também na área da Educação. A Escola não poderá abster-se dos novos produtos, mas estes terão de ser avaliados criticamente. A oferta da nova tecnologia faz-nos crer que os nossos alunos já são “aprendentes digitais”, mas um incidente no final do último período alertou-me para o papel que compete à Escola
na perspectiva de Philippe Perrenoud: compete-lhe dotar os indivíduos com capacidade para entender as regras do jogo que lhes permita traçarem o seu próprio caminho, o que apenas poderão fazer com segurança se dominarem os recursos intelectuais clássicos que “fazem a diferença”: a lógica natural, o conhecimento da escrita e da leitura. Nas mensagens multimedia a escrita e a leitura continuam a ser importantes. O inglês é hoje língua franca, e de nada valerá a tradução do Google para ler o clipe abaixo.





Depois deste brainstorming, vamos lá ao incidente. Durante o 1º período estive a leccionar o Módulo 5 de Economia a uma turma do 11º ano dos Cursos Profissionais. Usaram o meu Blogue de Economia em todas as aulas desde que passaram a ter computadores disponíveis (1). Além de lhes ter dito, obviamente, na apresentação do Módulo, está escrito desde o início que se trata do Módulo 5. No final foi necessário fazer a avaliação, e apenas recorri ao papel porque não há computadores para todos os alunos. Quando lhes distribui umas folhas com a matéria da unidade como preparação para o teste é que eles repararam tratar-se do Módulo 5, dizendo-me que eu me tinha enganado, pois o ano passado só terão dado 2 módulos!

Sinto que relativamente aos meus posts também não os têm lido. Fazem-me perguntas, do género "o que é que isto quer dizer?", e aproveitam as minhas respostas para escreverem alguma coisa. As notas que tenho escrito a sugerir correcções aos seus posts também raramente têm sido consideradas. A forma de conseguir fazer mais trabalho é chegar a uma aula com postura dirigista e ditar-lhes as respostas. Mas que interesse tem esse tipo de "trabalho"? Se depois de explicada a matéria, são incapazes de fazer a síntese, que se pode fazer?


Concluindo, certamente que os nossos alunos são grandes consumidores de entretimento digital, mas isso não vêm só facilitar a utilização de recursos digitais nas aulas, mas também criar dificuldades. A primeira dificuldade que sinto é a de os convencer de que estão numa aula, pois a tentação de abrirem a janela do browser no hi5 ou no msn é enorme, e então ficam os blogues por fazer... e eu passo-me como me passaria BG! (2)

Resultados da avaliação: Se fosse exigente em função de critérios pré-estabelecidos, reprovaria a turma inteira. Tendo em consideração que este período terá sido uma fase de adaptação a uma nova metodologia o cenário melhora.

________________
(1) O atraso de mês e meio na utilização dos computadores relativamente ao início das aulas será um dos factores a ter em consideração na desculpabilização dos alunos. Aprendi que estes ficam desorientados quando têm pela frente muitos posts cuja matéria já foi dada ;) Preferem mesmo que lhes seja dada matéria nos primeiros 45 minutos, para escreverem no blogue enquanto está fresca, nos restantes 45 ;)
(2) BG significa Before Google, Antes do Google.

Difamação na Internet


Este Natal já recebi mais de uma dezena de mails, iguais a este, a difamarem MST, atribuindo-lhe a expressão: "Os professores são os inúteis mais bem pagos deste país". Tenho respondido individualmente a cada um, solicitando-lhes a indicação da fonte. É o mínimo que qualquer professor exige de um aluno num trabalho de pesquisa. Porém, na Internet parece imperar a lei da selva, desresponsabilizando-se todos por fazerem simplesmente forward de mails de outros.

Como ninguém me indicou a fonte, digo-lhos eu a conclusão a que cheguei. Neste caso alguém inventou essa frase numa carta aberta dirigida a MST, e isso foi copiado por toda a Internet, sem que se tenha averiguado sequer se a dita Ana Maria Gomes existe ;)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Capitalismo, dinheiro e ética


Gostava de ter a lucidez demonstrada por Miguel Sousa Tavares, sábado após sábado. Terminou 2008 com chave de ouro num artigo em que nem a Economia, enquanto "ciência", escapa às suas críticas pela crise financeira, porque se deixou vender ao espírito "laissez faire, laissez passer" sem necessidade de qualquer demonstração. Realmente, nunca se refere explicitamente à Ciência Económica, mas explicando a crise económica com recurso a valores políticos e éticos anula a validade da análise económica.

  • Isto não é apenas uma crise económica, nem o resultado das aventuras criminosas de algumas ovelhas tresmalhadas do rebanho. Isto é, sobretudo, o resultado de uma crise de valores - políticos, sim, mas também éticos. É o resultado de o Estado se ter demitido do seu papel de vigilância e controlo dos poderosos e de a sociedade se ter dispensado de questionar a origem dessas súbitas e espantosas fortunas que cresceram debaixo dos nossos pés.
    Dantes, era necessário justificar socialmente a origem do dinheiro e nem mesmo os novos-ricos legítimos eram bem aceites; hoje, é o dinheiro que, por si só, justifica tudo.
    EXPRESSO, 27/DEZ/2007 - Continuar a ler...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Novamente o Natal!


Pode ser alegria e magia
Pode ser seca e esperança
Resta ir vivendo cada dia
Enquanto o Mundo pula e avança!


Que criança trocaria hoje o seu Pai Natal pelo meu antigo Menino Jesus?

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O princípio do fim para Manuela Ferreira Leite


Sócrates bem pode agradecer a Manuela Ferreira Leite a "escolha" de Pedro Santana Lopes para a Câmara Municipal de Lisboa. Esta só conseguiu manter boa imagem enquanto se remeteu ao silêncio. Cada vez que falou disse asneira, agora suicidou-se. Recorda-se que MFL chegou à presidência do PSD em representação da "boa moeda" que tinha sido expulsa pela "má moeda" chefiada precisamente por PSL na teoria cavaquista criada por analogia com a Lei de Gresham. Assim, o crescimento de um significa necessariamente a morte de outro. Com MFL em campanha nas legislativas em simultâneo com PSL nas autárquicas, certamente que MFL será abafada a após a confirmação do mau resultado eleitoral do PSD será afastada da liderança, deixando vago o lugar para o barão seguinte.

Não deixará nenhumas saudades. Da sua formação em Economia e da sua experiência em contabilidade pública não surgiu nenhuma proposta interessante. Mantinha sobre Sócrates a vantagem da integridade ética, mas passou-se completamente vendendo a alma ao Demónio da demagogia para tentar ganhar Lisboa. Paz à sua alma! Muito obrigado pelo seu contributo para o anedotário nacional.

domingo, 21 de dezembro de 2008

A anedota que defende o modelo de avaliação imposto por Milu


A professora que defende o modelo de avaliação imposto pela Ministra, foi recebida com mais doze patetas, fazendo-se porta-voz de uma "minoria silenciosa", porque "era preciso dar espaço às pessoas submersas na onda". Segundo a publicidade do EXPRESSO (20/DEZ/2008) - encomendada por Milu (?) - Armandina Soares gostará tanto de ser professora que "aos 65 anos não há nela qualquer sinal de cansaço" e contrariando a onda "quer continuar a ser professora até aos 70".

Fica aqui o convite para Armandina Soares explicar porque é que se eternizou como Presidente do Conselho Executivo na sua escola, uma vez que exercendo essas funções deixou de ter o nobre privilégio de ser professora... Ou será que gosta mesmo é de ser professora sem alunos? ;)

Em termos de trabalho, a implementação da avaliação do desempenho na sua escola está a zero, porque tem tido outras prioridades ;) Se forçar a barra terá de abandonar a cadeira confortável onde se sentou como PCE, visto mais que quase todos os docentes terão subscrito uma moção a pedir a suspensão desde modelo de avaliação, e mais de 90% terão aderido à última greve.

Esta amiga de Milu defende que o modelo de avaliação do DR 2/2008 seja imposto aos seus colegas, o que faz parte das suas funções, mas não tem conseguido. Entretanto, pensando em si, mantêm-se livre deste "monstro" exercendo as funções de PCE...

Rabiscou o Manifesto pela Avaliação de Desempenho Docente. O Ministério da Educação diz que recebeu um grupo de professores e educadores, omitindo qualquer ordem de grandeza, certamente para que os incautos possam pensar que o grupo excedia a dúzia ;)

sábado, 20 de dezembro de 2008

Manual de Ferramentas da Web 2.0


Toda a gente atribui aos utilizadores de hoje um papel mais activo na construção da rede, contrapondo-se a interacção entre os utilizadores da Web 2.0 à sua passividade perante o repositório da Web 1.0. A verdade porém é que a partir daqui não há consensos, e o número 2 permite avançar sem necessidade de problematizar o conceito, até porque certamente seria uma discussão inglória, visto que a Web 2.0 é uma realidade dinâmica em construção, a Internet a evoluir pela sua webização.

Neste contexto, merece ser destacado o Manual de Ferramentas da Web 2.0 para Professores       Backup

Para abrir o apetite tomei a liberdade de copiar a Tabela 1 da obra, que recorre a sites conhecidos para distinguir a Web 2.0 da Web 1.0.



Já agora, os parágrafos seguintes.

  • A Web passa a ser encarada como uma plataforma, na qual tudo está facilmente
    acessível e em que publicar online deixa de exigir a criação de páginas Web
    e de saber alojá-las num servidor. A facilidade em publicar conteúdos e em
    comentar os “posts” fez com que as redes sociais se desenvolvessem online.
    Postar e comentar passaram a ser duas realidades complementares, que muito
    têm contribuído para desenvolver o espírito crítico e para aumentar o nível de
    interacção social online. O Hi5, o MySpace, o Linkedin, o Facebook, o Ning,
    entre outros, facilitam e, de certo modo, estimulam o processo de interacção
    social e de aprendizagem.

    Escrever online é estimulante para os professores e para os alunos. Além disso,
    muitos dos alunos passam a ser muito mais empenhados e responsáveis pelas
    suas publicações (Richardson, 2006). Neste momento, os agentes educativos
    podem, com toda a facilidade, escrever online no blogue, gravar um assunto no
    podcast ou disponibilizar um filme no YouTube. O ambiente de trabalho deixa
    de estar no computador pessoal do professor e passa a estar online, sempre
    acessível, a partir de qualquer lugar do planeta com acesso à Internet. Nunca
    mais o professor corre o risco de se esquecer de trazer alguma coisa para a aula,

    porque a um clique pode aceder aos seus favoritos no Delicious, aos seus textos,
    gráficos ou apresentações no Google Docs, às suas imagens no Flickr ou no
    Picasa, aos seus vídeos no YouTube.




Outras ferramentas

Diário vindo do futuro, de um aluno que hoje tem 11 anos e está a viver as reformas do nosso sistema de ensino


29 de Junho de 2009
paçei o 5º anuh. A p*ta da stora de mat, k é a nossa dt, n m kria deixar paçar pk eu tnh nega a td menus a ginástica, pk jogo bem há bola, e o crl... mas a gaija f*deu-se puke a ministra da idukaxão mandou dizer ao ppl k penxam q mandam aí nas xkolas masé pabaixarem os kornos k tds os socios com menos de 12 anus teiem de paçar... axu bem.

29 de Junho de 2010
passei o 6º anuh. ainda bem q ainda n fiz 13 anus, q ódpx podia n passar, qesta cena de passar com buéda negas é só até aos 12... f*da-se, fiquei buéda f*dido na m*rda deste ano, e ó c*ralho, o pan*leiro do stor d educassão física deu-me a m*rda do 2... assim tive nega a tudo... ainda bem q a ministra da iduqaxão é porreira, ela é q é uma sócia sbem: a xqola n serve pa nada, é uma seca. tive q aprender que os K's se escrevem Q, qomo em "xqola" e não "xkola", e que "passar" não é qom Ç... a xqola é porreira só pa qurtir qas damas qd gente se balda...

29 de Junho de 2011
Passei o 7º ano. Exte anuh ia chumbando pq tive nega a qase td menos a área de projetuh, mas aqela cena tb é facil, n se fax nd... Exte anuh a dt disse-me q eu passava pq tinha aprendido qas fraxex qomexam qom letra maiúscula e pq m abituei a exqrever qom Q em vez de K, tipuh agora ja xei xqrever "eu qomo qogumelos qom quentruhs" em vez de "eu komo kogumelos kom kuentruhs". É fixolas, pode xer qum dia venha a ser um gamela famôzo...

29 de Junho de 2013
Passei o 9º ano. Foi buéda fácil, pqu a prof paxou-me logo. Fui ao quadro xqurever uma sena em qu dezia tipuh "aquela janela", e eu exqurevi "aqela janela", pqu dixeram-me qu n se xkqureve "akela", é quom Q e não quom K. Mas a profs desatinou quomiguh e dixe qu eu tnh qu pôr o U à frente do Q... Pur ixu exte anuh aprendi qu o Q leva U à frente. No próximuh anuh é o 10º, vou pá sequndária...

29 de Junho de 2014
Aquabei o 10º ano. Não foi muituh difícil só tive que aprendermos a não exqureverem quom aberviaturas purque nem todas as palavras xe puderam aberviar mas ixtu foi uma bequa para o quompliquado purque quom esta sena do QU em vex de K e das aberviaturas exqueceram-me de quomo é que se faxião os verbuhs nos tempuhs e nas pexoas, ou lá o que é... Mas a prof disse tass bem que no prócimo anuh a gente vê ixu.

29 de Junho de 2015
Passou o 11º ano. Foi mais fácil que o 10º. Aprendi que as frases devem ser mais qurtax. E aprendi também que "ano" não esqureve "anuh". Axo que no prócimo ano vai ser mais difícil. Purque a xeguir é a faquldade.

29 de Junho de 2016
Acabou o 12º. Fiquei buéda confuso porque tive de aprender a diferenxa entre usar o QU e o C, tipo "esCrever" e não "esQUrever". Quando eu usava o K era buéda mais fácil... A prof de português é buéda religiosa e anda a ouvir vozes de deus, porque dixe-me que eu não merexia passar, mas "xão ordens lá de xima"...

29 de Junho de 2017
Já fiz o primeiro ano da faculdade. Estou em ingenharia cevil na universidade lusófona. Tive um stor buéda mal iducado que me disse que eu era um ignorante porque às vezes escrevia com X em vez de CH, S ou C. Mas o meu pai veio cá com uma moca de rio maior e chegou-lhe a rôpa ao pelo. E depois fomos fazer queixa do gajo e a ministra despediu-o porque o gajo, não sei quê, parece que quis vir estragar aqui um muro nosso. Mas não sei essas senas. O meu pai é que me explicou uma cena qualquer de "danos murais"... O que é bom é que a ministra da iducação continua a mandar aqui nestes sócios da faculdade para eles não levantarem a garimpa contra nós.

29 de Junho de 2019
Acabei a minha licenciatura porque a ministra da iducação disse que tinhamos que passar sempre mesmo que não tivessemos notas, para não ficarmos astigmatizados. Acho que é uma cena que dá nos olhos quando se estuda muito. Agora vou fazer um mestrado e disseram-me que, quando acabar, vou ficar mestre. Eu quero ser de Kung-Fu.

29 de Junho de 2021
Já sou mestre. Afinal não sou de Kung Fu, sou de engenharia cevil. Os meus profs disseram que eu não devia estar em mestrado porque ainda não estava preparado, mas eu disse que o meu pai tinha uma moca de rio maior e que era amigo da ministra e já tinha mandado um bacano da laia deles para a rua e eles calaram-se. Agora vou fazer um doutoramento, porque a ministra da iducação diz que se não deixarem um aluno fazer o doutoramento só por causa das notas, ele fica com a auto-estima em baixo e isso perjudica a aprendizajem.

29 de Junho de 2023
Sou doutor. O meu orientador da tese ficou muito satisfeito porque eu já não dou erros ortográficos: ao longo destes dois anos, aprendi a escrever "engenharia civil" em vez de "ingenharia cevil" e também porque aprendi que a ministra é da "educação" e não da "iducação", mas lê-se assim. Entretantos casei. A minha dama chama-se Sónia e os pais dela ficaram muito felizes por ela ir casar com um doutor em engenharia civil. Ela não sabe ler nem escrever: só fez até ao 2º ano da licenciatura e depois foi trabalhar para o Minipreço. Já tá grávida.

29 de Outubro de 2023
Nasceu o meu filho! Chamei-lhe Júnior porque ele é mais novo que eu.

29 de Agosto de 2029
O Júnior vai fazer 6 anos daqui a 2 meses. Devia entrar para a escola este ano, mas estive a pensar muito bem e não o vou pôr na escola. Ele não precisa daquilo para nada, aprende em casa. Eu ensino-lhe a ler, que sou doutor, e a mãe ensina-lhe a fazer contas, que é caixa no Minipreço. A escola não vale nada. Acho que o sistema de ensino hoje em dia é uma m*rda. No meu tempo é que era bom.


Recebido por mail.

A utilização da avaliação de professores na propaganda política


  • O primeiro-ministro, José Sócrates, lamentou hoje que o Executivo tivesse ficado sozinho a lutar pela aplicação do processo de avaliação dos professores. "O Governo tem sido deixado sozinho nesta batalha apenas por ter defendido que quer um melhor sistema de ensino público para o país", afirmou o primeiro-ministro na conferência do “Diário Económico” sobre "Como crescer em tempo de crise".
    PÚBLICO, 19.12.2008


Que tal tentar perceber por que razão o Governo ficou sozinho, e tirar daí as consequências?

Defender que "o êxito económico do país está ligado ao desempenho do sistema educativo", esquecendo o sistema económico e político é chantagem.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Happy Christmas - War Is Over - Duas versões do Natal

A célebre canção de John Lennon apresenta duas versões muito vistas no YouTube. Uma a condizer com as mensagens típicas da quadra...



... outra a chamar a atenção para as vítimas das guerras...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Abaixo-assinado a exigir a suspensão do DR 2/2008 e a revisão do Estatuto da Carreira Docente


O abaixo-assinado a exigir a suspensão do modelo de avaliação proposto pelo ME e a revisão do Estatuto da Carreira Docente, assinala o fim do diálogo em a Ministra da Educação e a Plataforma Sindical.

Apelo à desobediência civil dos professores


A blogoesfera está a constituir-se como veículo de mobilização dos professores pelos seus objectivos profissionais, independentemente dos sindicatos que tradicionalmente os representam. O apelo directo à resistência passiva é complementado pelo levantamento de questões referentes ao (à falta de) carácter de José Sócrates e pela associação da teimosia de Milu aos interesses estritamente eleitorais do Partido Socialista.


Remiro Marques sugere que todos os professores se recusem a ser avaliados, como receita para estoirar com a avaliação burocrática sem cometer ilegalidades.

Paulo Guinote toca na ferida de José Sócrates, retirando ao tema a sua carga política quando o transfere para as idiossincrasias pessoais, visto que se trata, neste momento, de um mero desforço pessoal, usando para isso o aparato do Estado. José Sócrates gosta de banqueiros, de empresários, do homo tecnologicus, mas arrepanha-se-lhe tudo se lhe falarem de um professor, daqueles normais, pessoa com qualificação superior que dedicou a sua vida profissional a transmitir conhecimentos aos mais jovens, de formas mais ou menos convencionais, que tem brio no seu trabalho, que quer que os seus alunos se esforcem, que gosta de ver esse trabalho retribuído com os resultados desses mesmos alunos, mas sem truques estatísticos, que não recebe trabalhos por fax tecnológico em papel timbrado. Um modelo de professor que parecerá anacrónico. Detestável mesmo. Que urge extinguir. Castigar. eliminar.

Matias Alves associa esta reforma do ensino aos interesses eleitorais do Partido Socialista. Observa em resposta à pergunta - Quem beneficia com a reforma? - que esta não será do interesse dos alunos, nem dos professores, nem dos pais, nem para a administração educativa, nem para a sociedade, nem mesmo para o ME.

O Ministério da Educação também responde na Internet, através do seu site. Destaco o esclarecimento mais fantástico, que de uma penada terminou com professores avaliadores, inventando a investidura de um estatuto específico:

Mito 6 - Os professores avaliam-se uns aos outros.
A avaliação de desempenho docente é feita no interior da cada escola, sendo avaliadores os membros do órgão executivo e os professores coordenadores de departamento, que exercem funções de chefias intermédias. Não se trata, pois, de pares que se avaliam uns aos outros, mas de professores mais experientes, investidos de um estatuto específico, que lhes foi conferido pelo exercício de um poder hierárquico ou pela nomeação na categoria de professor titular.

Evidentemente que está na rede a Proposta apresentada pela Plataforma Sindical ao ME rejeitada por Milu porque o tamanho conta ;) visto que “cabe, basicamente, numa folha A4”.

O que irá acontecer não sei. Mas pode-se afirmar desde já que este conflito laboral ficará para a história da blogoesfera como o primeiro onde teve uma importância determinante na formação da opinião pública.

O papel da blogoesfera neste conflito não pode ser menosprezado, uma vez que foram os blogues que forçaram os sindicatos a convocar apressadamente a manifestação de 8 de Novembro, como então expliquei.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Aprender línguas de forma divertida


LiveMocha (lê-se LaiveMoka) é uma rede social divertida como qualquer outra, mas útil como nenhuma outra. Está organizada de forma a facilitar a aprendizagem de línguas pela Internet. Por exemplo, como sou falante nativo de português e desejo praticar o inglês, posso procurar nativos ingleses enquanto aluno. Para quem quiser iniciar-se na língua de Camões, no LiveMocha sou professor de português ;) Apresento abaixo a imagem de uma pesquisa de amigos que têm o inglês como língua nativa e estão a aprender português.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A utilidade do ensino secundário


A utilidade do ensino secundário ficou demonstrada com os "patins" dos "maiores de 23". O Governo até inventou o acesso ao 1º ano das Universidades (com falta de alunos?) sem qualquer escolaridade! Basta completarem 23 anos de idade... O problema vem depois de entrarem, pois dificilmente alguém sem o secundário teve uma experiência de vida enriquecedora, que substitua as aquisições de conhecimentos que se realizam no ensino secundário.


Por exemplo, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa estavam inscritos, no ano passado, 6585 estudantes. Destes, 12 entraram ao abrigo do regime "maiores de 23". Nenhum deles passou de ano. (PÚBLICO, 09.12.2008)

Que esperavam?

A alegria é contagiosa nas redes sociais


Segundo a CNN as redes sociais transmitem a alegria por contágio. Poderemos mesmo ficar mesmo mais satisfeitos com algumas realizações (de amigos) de amigos virtuais. Isto é, apesar de não conhecermos as pessoas, a ideia de que estarão mais felizes contribui para a nossa felicidade ;) A tristeza também se propaga na rede, mas não tão rapidamente quanto a alegria.

Pode partilhar comigo a experiência das redes sociais adicionando o meu perfil no Hi5.
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