sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Finlândia - Chile


  • Se o ministério aceitar uma recomendação do Conselho Nacional de Educação (CNE), os alunos deixarão de reprovar na escola até que completem os 12 anos. A proposta, revelada hoje no “Diário Económico” baseia-se nas recomendações da OCDE e nos resultados obtidos com uma política idêntica na Finlândia, onde ninguém reprova durante a escolaridade obrigatória. A Finlândia tem o melhor desempenho escolar do mundo.
    PÚBLICO, 29.10.2008


Observe-se que os alunos já não reprovam no ensino secundário a partir dos 18 anos, momento a partir do qual se podem inscrever nos cursos de Educação e Formação de Adultos, onde não há classificações numéricas nem testes.

O ME lembra-se da Finlândia quando pensa na avaliação nos alunos, independentemente do contexto sócio-económico distinto do português.

O mesmo ME toma o Chile como paradigma quando pensa na avaliação dos professores. Elucidativo!


Avaliação dos professores: O exemplo da Finlândia

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A falência da escola-depósito


  • O Conselho Executivo (CE) da Escola Básica 2, 3 de Santa Maria, em Beja, demitiu-se em bloco, «saturado» com vários casos de violência no estabelecimento de ensino, como agressões entre alunos e a funcionários, professores e pais.
    «Apresentámos a demissão, porque estamos cansados e saturados com vários casos de violência na escola, que deixaram de ser pontuais e passaram a ser frequentes», explicou hoje à agência Lusa a professora e presidente demissionária do CE da escola, Domingas Velez.
    Diário Digital, 27 de Outubro de 2008


Uma escola inclusiva não é um depósito de crianças!

Seria interessante estudar a relação entre a imposição de aulas de substituição sem sentido, violentas em si mesmas, e a generalização da violência nas escolas.

O governo dá novas oportunidades!


            
Queres ter relações sexuais,
Sem preocupações?
O governo dá preservativos!

Já tiveste relações,
Mas esqueceste o capacete ;)
O governo dá a pílula do dia seguinte!

Tiveste um azar do caraças,
Engravidaste?
O governo dá o aborto!

Não abortaste,
Tiveste um filho?
O governo dá o abono de família!

Não estás a trabalhar,
Estás desempregado?
O governo dá subsídio de desemprego!

Estás agarrado,
És viciado e não gostas de trabalhar?
O governo dá rendimento social de inserção!

Queres ser doutor?
Frequentas uma Universidade Pública?
O governo dá as propinas!

Não gostas de estudar?
Andas na Escola mas não aprendes nada?
O governo dá novas oportunidades!

És político?
Cumpriste dois mandatos (8 anos) na Assembleia da República?
O governo dá a reforma!

Trabalhas?
Estás tramado porque tens de pagar impostos por todos os outros,
E não te podes reformar, porque o teu trabalho é necessário à Nação!

Globalização da imoralidade


  • Trufas e caviar no jantar da cimeira do G8 sobre fome

    Os líderes das oito economias mais industrializadas do mundo (G8), reunidos numa cimeira no Japão, estão a causar espanto e repúdio na opinião pública internacional, após ter sido divulgada aos órgãos de comunicação social a ementa dos seus almoços de trabalho e jantares de gala.

    Reunidos sob o signo dos altos preços dos bens alimentares nos países desenvolvidos - e consequente apelo à poupança -, bem como da escassez de comida nos países mais pobres, os chefes de Estado e de Governo não se inibiram de experimentar 24 pratos, incluindo entradas e sobremesas, num jantar que terá custado, por cabeça, a módica quantia de 300 euros.
    Diário de Notícias, 10 de Julho de 2008



Algum destes senhores terá sido afectado pela crise financeira?

domingo, 26 de outubro de 2008

Avaliação de Desempenho – Lições do Mundo empresarial

  • A avaliação de desempenho procura um sentido de justiça na prestação do trabalho e na sua devida recompensa. Quando procuramos justiça pressupomos um julgamento, e um julgamento tem sempre uma certa subjectividade. Na prática a avaliação de desempenho vai depender das pessoas: do avaliado e do avaliador, e muitas vezes nessa interacção humana surgem muitos problemas.


  • A melhor avaliação de desempenho é aquela em que acreditamos e que tem bons resultados.





O Ministério da Educação tem uma dimensão grande demais para conhecer os seus funcionários, quanto mais para promover a sua avaliação. Por mais grelhas que inventem, deveriam saber que a avaliação será sempre subjectiva, e a melhor forma de a tratar é integrá-la no processo, em vez de a tentar ignorar. Mas o ME tem a obsessão industrial da objectividade, supondo possível medir professores com a mesma precisão dos parafusos, e então inventou uma embrulhada tão complexa que nem a consegue implementar.

sábado, 25 de outubro de 2008

Avaliação de Desempenho suspensa na Escola Secundária de Ferreira Dias, Cacém


ESCOLA SECUNDÁRIA DE FERREIRA DIAS
PEDIDO DE ESCLARECIMENTO AO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
O Conselho Pedagógico e a Comissão de Coordenação da Avaliação de Desempenho (CCAD) da Escola Secundária com 3º ciclo de Ferreira Dias estão conscientes, desde o início, das muitas dificuldades inerentes à implementação e desenvolvimento deste modelo de avaliação de professores.
Neste sentido, preocuparam-se em dar cumprimento às funções que lhes foram atribuídas de forma a ultrapassar as principais dificuldades com seriedade e com o mínimo de consequências adversas para todos.
Entendeu-se que um processo de avaliação entre pares só teria sentido numa perspectiva formativa, desenvolvida com base no trabalho colaborativo.
Apurou-se a necessidade de formação prévia necessária à correcta aplicação deste modelo de avaliação. Até hoje, não foi dada resposta suficiente a esta necessidade, quer pela quantidade, quer pelas vertentes abordadas nas acções de formação realizadas.
Reconheceu-se, de forma clara, pela leitura e análise do Decreto Regulamentar nº 4/2008 de 5 de Fevereiro e do Decreto Regulamentar nº 2/2008 de 10 de Janeiro a importância de seguir as recomendações do CCAP: «Os instrumentos de registo referidos no número anterior são elaborados e aprovados pelo conselho pedagógico dos agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas tendo em conta as recomendações que forem formuladas pelo conselho científico para a avaliação de professores».
Todo o trabalho desenvolvido por estes órgãos teve em conta estas recomendações. Por exemplo, quando na Recomendação nº 2/CCAP/2008 de Julho de 2008, o CCAP recomenda que «o progresso dos resultados escolares dos alunos não seja objecto de aferição quantitativa», pensou-se, de imediato, suprimir os descritores referentes a este tema, na Dimensão B: «Melhoria dos resultados escolares dos alunos e redução das taxas de abandono escolar tendo em conta o contexto socioeducativo».
Averiguou-se a manifesta incompatibilidade entre as informações prestadas pelo Ministério da Educação e as orientações do CCAP.
Verificou-se, perante a reduzida informação da tutela, muito ruído na comunicação, não conseguindo estes órgãos perceber, na maior parte das vezes, o que é legal e o que não é, como por exemplo:
− a concretização legal da delegação de competências de avaliador;
− a negociação dos objectivos individuais entre avaliadores e avaliados;
− os procedimentos internos da escola versus a utilização uniforme de uma aplicação informática a todo o país.
Assim, pedem estes órgãos esclarecimento para as seguintes questões:
1. Qual é a legitimidade do CCAP?
2. Quais são as medidas que prevalecem? As recomendações do CCAP, como está referenciado no Decreto Regulamentar nº 2/2008 de 10 de Janeiro, as directrizes do Ministério da Educação ou ainda de outros órgãos existentes como o Conselho de Escolas, directrizes também elas contraditórias?
3. Deve retirar-se da Dimensão B o Domínio B1 «Melhoria dos resultados escolares dos alunos - contributo do docente e cumprimento dos respectivos objectivos individuais» com todas as implicações daí decorrentes?
4. Sendo os elementos dos órgãos acima citados docentes e não juristas, pedem a confirmação da data a ter em conta para a produção de efeito da alteração na Lei do Orçamento para 2009, no que concerne a não obrigatoriedade de publicação em Diário da República da delegação de competências de professor avaliador.
5. A existência de uma aplicação informática igual para todo o país não contraria algum trabalho já desenvolvido pela Comissão e pelo Conselho Pedagógico, quando definiram e aprovaram procedimentos próprios para a escola como, por exemplo, a calendarização do processo e os instrumentos de registo?
6. Como conduzir o processo de negociação dos objectivos individuais? Entrevista? Outros procedimentos?
7. Tendo surgido várias informações não oficiais referindo a hipótese de simplificar procedimentos como, por exemplo, alterações nas fichas/anexos do Ministério da Educação (permitindo a agregação de itens), como fica todo o trabalho já realizado na escola e que foi feito no sentido de estarem definidas as regras no início do processo?
Tendo em conta as implicações dos esclarecimentos no trabalho a desenvolver pela Comissão, bem como na aplicação do próprio modelo da avaliação de desempenho de professores, solicita-se resposta urgente.
O Conselho Pedagógico e a Comissão de Coordenação da Avaliação de Desempenho, até verem esclarecidas as questões efectuadas em resposta a este pedido, consideram mais prudente suspender todos os procedimentos referentes à avaliação de docentes. Seria uma actuação irresponsável avançar com este processo sem esclarecer os seus pressupostos e regras, condição necessária à clarificação dos procedimentos que devem presidir à avaliação.
Conselho Pedagógico reunido em 21 de Outubro de 2008



PS
Esta notícia chegou por mail a circular na Internet que solicitava a sua divulgação.

Pais estúpidos




  • A exibição de um filme com conteúdos sexuais numa aula de Religião e Moral levou os pais de um aluno da escola Joaquim de Carvalho, na Figueira da Foz, a anular a inscrição na disciplina e a fazer uma participação à Direcção Regional de Educação Centro (DREC).
    EXPRESSO, 24 de Outubro de 2008


Agora que os papás até dispõem de um formulário na Internet para apresentar queixinhas ao Ministério deve estar a começar um novo festival.

Neste caso têm evidentemente nenhuma razão. Deveriam agradecer o trabalho que o professor teve a seleccionar um filme que alerta para comportamentos perigosos e descontrolados associados às práticas sexuais da juventude.

Depreende-se da notícia que os pais nem falaram com o docente, nem com nenhum órgão da Escola antes de apresentarem a participação ao ME. Se mantiverem com o seu filho uma atitude semelhante à que revelaram para com o professor - arrogante distanciamento frio - estarão a preparar muito bem o seu petiz para ser um dos contemplados a entrar nas estatísticas da SIDA. É incrível como no mundo de hoje ainda temos pais que pensam que a melhor forma de proteger as crianças é não as alertar para os perigos que correm.

Já que são tão puritanos, apaguem também a história do filme que está aqui! ;)

Outro aspecto "inovador" deste caso é descontextualização da participação. Se o problema era com aquela turma, naquela escola, porque é que não terão utilizado o Director de Turma que todas as semanas está lá precisamente para receber os encarregados de educação?
Devem estar tão seguros de si - ou sem nada para perder - que querem dar uma lição aos professores!

O formulário na Internet para os papás apresentarem queixinhas permitirá que estes casos se multipliquem futuramente. Quando no discurso o ME apela à participação dos pais nas escolas, este mecanismo afasta os encarregados de educação das escolas, porque promove a descontextualização da sua participação. Neste caso, acredito que se os pais tivessem conversado com o professor, este tê-los-ia convencido das vantagens da turma ter visto KIDS, e os papás ficariam-lhe-iam gratos em vez de participarem de si.

Acontece que no momento actual, o ME vive em confronto com os professores, e não pode desprezar nenhuma arma, nem mesmo os pais estúpidos!

sábado, 11 de outubro de 2008

A descontextualização da avaliação do desempenho docente


Qual é a lógica que conduz o ME a pedir-me que defina objectivos individuais? Se o ensino não fosse entendido como um bem que deve ser provido pelo Estado, se estivesse sujeito às regras do mercado livre poucas famílias poderiam pagar os ordenados dos professores, e não se teria assistido à massificação do Ensino.

Felizmente o Estado providencia a escolaridade à população, pagando os respectivos vencimentos aos professores. Os professores são profissionais como os outros, isto é, exercem a sua profissão a troco do vencimento. Estão proletarizados. Precisam daquela importância para adquirem os bens que consomem. E quando o poder de compra é baixo, os seus objectivos aproximam-se da simples sobrevivência.

A esmagadora maioria dos docentes diz estar na profissão por “gostar de dar aulas”, mas como comprova a debandada maciça que agora se regista, até estão dispostos a perder algum dinheiro para não voltarem a colocar os pés na escola.

Quando ME pede para os docentes definirem objectivos individuais – quando o objectivo é receber o vencimento, mas não se pode dizer isso – entra-se no reino do faz de conta. Por exemplo, relativamente aos resultados escolares, é suposto que o professor fixe uma meta do tipo a média dos seus alunos aumentar 0,5 valores relativamente ao ano anterior. Bem pode cumprir porque é ele que “dá as notas”! Mas que interesse tem isso? Ao esforçar-se por cumprir os “seus” objectivos; o docente pode sentir necessidade de rever todas as notas anteriormente atribuídas, e de propor uma nova distribuição, eventualmente menos justa, porque enviesada pelos “seus” objectivos.

Mais, no meu caso, durante 10 anos em que fui responsável por níveis do 12º ano, com exame final (Sociologia e/ou IDES), só não levei a exame uma aluna que desatinou comigo (O Conselho de Turma votou o 10, mas em exame reprovou porque obteve o 6 que eu lhe tinha proposto). Este ano lectivo a esmagadora maioria dos alunos que tenho são “formandos” dos EFA’s que estão passados à partida. Que sentido faz ir agora definir objectivos de melhoria dos resultados escolares, quando os “formandos” nem têm classificações, se com os alunos do 12º ano tinha obtido 100% de sucesso?

A avaliação de desempenho tem como objectivo seleccionar os docentes que alcançarão o Muito Bom e o Excelente. Tal como os alunos tem classificações que dependem dos critérios estabelecidos e do humor do professor, os docentes aperceberam-se de que a avaliação não é uma ciência exacta quando visualizaram a sua carreira ameaçada pelo arbítrio dos parâmetros definidos ou de um qualquer avaliador. As grelhas são o elemento mais importante do processo de avaliação, porque agregando uma miríade absurda de parâmetros não mensuráveis, mas pontuáveis, realizam a magia de objectivar num número a classificação de cada professor.

À lógica da selecção acresce agora a necessidade de controlo à rédea curta, com receio que a avaliação de desempenho descambe novamente num procedimento simplificado. Não contesto que ME queira controlar o serviço dos professores, o que até lhe compete fazer, tarefa da qual se tem demitido. Mas como não tem profissionais para tornar efectiva a inspecção, nem irá ter tão cedo, inventou uma aplicação informática que lhe permitirá a completa descontextualização da avaliação de desempenho professores das próprias escolas. Com essa base de dados, o ME saberá exactamente em cada momento do tempo quem está a cumprir e o lugar exacto onde a escola se localiza.

A autonomia das escolas e as lideranças fortes ficam para uma próxima oportunidade.

Obrigar-me a preencher uma grelha padronizada será violentar a minha individualidade.

Eu ficarei satisfeito se conseguir:
  • Manter os alunos ocupados todas as aulas com tarefas novas, permitindo-me o exercício da autoridade sem necessidade de "dar chazadas";
  • Manter o nível de aprovação dos alunos nos 100%;
  • Promover a utilização educativa da Internet e o trabalho colaborativo.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Um sistema político podre


Já passou uma semana desde que rebentou o Lisboagate (caso da distribuição arbitrária de casas em Lisboa pela CML) e nenhum dos líderes políticos se referiu ao assunto. PSD e CDS não podem tocar no assunto porque comem da mesma gamela que o PS. E o Partido Comunista? E o Bloco de Esquerda? Porque será que não aproveitam a oportunidade para darem um ar da sua graça? Todos têm receio que seja divulgada a lista dos beneficiários, ninguém luta pela transparência.

Ana Sara Brito,
sem vergonha, não vê qualquer incompatibilidade entre o exercício de funções públicas e o usufruto de uma casa por 146 euros mensais quando declara em sede de IRS 46.000 euros anuais. E ainda tem lata para falar em valores éticos...

Os partidos desapareceram, e onde estão as instituições democráticas?

Onde está o Presidente da República?

Onde está o Procurador?

O Governo continua fazer propaganda como se nada se passasse.

Este arbítrio não é crime para chegar aos Tribunais?



Chego a ter vergonha de viver neste país.



Para evitar que o caso seja esquecido, o blogue passará a exibir o Contador Lisboagate.



Há quem devesse ter vergonha dos sem-abrigo, mas tem abrigos sem vergonha.
Jornal de Negócios, 29 de Setembro de 2008

sábado, 4 de outubro de 2008

A domesticação dos professores


Manifestações como a de 8 de Março certamente não voltarão a repetir-se, mas isso não significa que os docentes tenham hoje menos motivos, apenas foram domesticados.

De educação a imagem que o Governo tem não pode dissociar-se do perfil académico do Primeiro-Ministro. Pi.

Milu observa a educação do ponto de vista da Sociologia barata interessando-se pelas estatísticas. Até concordo consigo quando à não obrigatoriedade do 12º ano, nas não devido ao sucesso das Novas Oportunidades criadas ao estilo socratiano. Como socióloga deveria levar em consideração os estudos sociológicos, designadamente de Basil Bernstein, que demonstram que o investimento do Estado seria mais produtivo se apostasse na entrada das crianças do ensino infantil antecipando a sua entrada na escolaridade obrigatória em dois anos. Nas nenhum político pega neste tema porque em termos de marketing político o 12º ano é muito mais vistoso para a generalidade dos eleitores.

Milu conseguiu domesticar os professores com uma espécie de sociologia orçamental assente em suas premissas fundamentais: (1) dar cada vez mais trabalho aos docentes independente da sua utilidade pedagógica, pois o objectivo é o massacre; (2) criar condições excepcionais de reforma aplicáveis a quem se encontra perto da meta.

Tenho que elogiar a Ministra da Educação que com a invenção do 11º escalão retirou argumentos a quem estava no 10º para não ser avaliado. Entretanto também lhes criou um quadro legal mais favorável à antecipação da reforma como escapatória de fuga. Esta via será a escolhida pela brigada do reumático, que já iniciou a sua contagem decrescente para abandonar as escolas e portanto não adianta manifestar-se porque o pior ficará para os colegas. Os mais novos até vão beneficiar dos lugares que assim irão ficar abertos… E os ensanduichados entre os que os saem e os que entram têm oportunidade para ficar relativamente melhor posicionados na escolha do seu horário. Bem vistas as coisas até foram distribuídos rebuçados a todos, e ME assegurará o mesmo serviço gastando menos dinheiro! Ganharam os contribuintes à custa da sobrecarga de trabalho dos professores, mas pelos motivos que expliquei a manifestação de 8 de Março não se repetirá.

Para a semana tenho marcada uma reunião para segunda-feira, outra para terça, outra para quarta... Não é nenhuma semana especial. Tem sido e vai continuar assim. Apetece-me gritar DEIXEM-ME TRABALHAR!

Quando é que começam a utilizar a Internet como ferramenta de trabalho colaborativo na escola? Já sei que os Velhos do Restelo ficaram a rir-se com esta pergunta, mas não desistirei.

Como contribuinte, até apreciaria as poupanças orçamentais de Milu com os professores, se não se desse o caso de o Governo ter desbaratado muito mais recursos com os políticos. Motivos de descontentamento não faltam ao aos professores.


Escrevi isto a propósito de um artigo publicado na Visão que vale a pena ler.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A hipocrisia dos moralistas num sistema podre


Escrevem muito bem e dão sempre grandes lições de moral, até que se descobre que o telhado era de vidro: Baptista-Bastos, mais um artista português.

Gostei de ler o seu ARGUMENTO DA HONRA a propósito da reforma de Eanes, mas a seguindo a mesma lógica, como não acredito que um escritor e jornalista viva propriamente em circunstâncias miseráveis, que justifiquem o apoio estatal, considero que deveria repor o dinheiro que indevidamente arrecadou, pela renda que não pagou. Pelo que disse ao EXPRESSO não será esta a sua intenção.

  • Baptista-Bastos e o mistério da Estrada da Luz
    Há 14 anos a CML atribuiu ao escritor e jornalista Baptista-Bastos um andar em Benfica, na Estrada da Luz, era Jorge Sampaio presidente da autarquia e João Soares vereador da Cultura. “Não há aqui prendas. A casa que alugava há 32 anos em Alfama estava a cair, eu tinha três filhos e não tinha meios. Escrevi à presidência a pedir uma casa”. Garante que a sua situação económica foi avaliada e que foi celebrado um contrato de arrendamento, que se mantém. “Quanto pago é privado”. E conta como sempre fora prática comum a atribuição de casas a jornalistas e artistas. Nos anos 80, foi chamado à CML por Abecassis. “Tinha uma casa para mim. Disse-lhe que não. Quando precisei pedi”. Na altura em que se mudou para Benfica, comprou casa em Constância.
    E-EXPRESSO (Assinatura) 27.09.2008


Se sempre foi prática atribuir uma casa a jornalistas e artistas, privilégio que como simples contribuinte desconhecia, então a CML deve publicar uma lista completa com o nome de todos os bobos da corte. É injusto o Baptista-Bastos ficar com o “azar” da denúncia, mas pior ainda é saber que há mais 3.200...

O argumento da honra exige que o passo seguinte seja o fim dessa prática terceiro-mundista. Se quisermos construir um país moderno, temos de nos relacionar de modo transparente. É preciso que o Estado institua regras conhecidas e respeitadas por todos.

  • Há mais de 30 anos que o esquema existe e, normalmente, tem sido o vereador da Habitação, ou os seus serviços - quando não o próprio presidente da Câmara -, a conceder aquelas habitações de forma directa. A gente pobre, mas também a amigos, a artistas, a familiares, a correligionários.
    A média das rendas cobradas é de 35,48 euros,
    mas ninguém sabe ao certo qual a percentagem das que são pagas.
    Estas casas - palácios, moradias, apartamentos, lojas - fazem parte do chamado Património Disperso e, segundo um estudo da Universidade Lusófona, “a CML não sabia, nem sabe, do que é dona”.
    EXPRESSO (Assinatura) 27.09.2008


Se a situação perdura à 30 anos, isso significa que já todos os partidos com possibilidades de chegar ao poder partilharam este bolo. Não posso deixar de perguntar porque é que só agora surge a denúncia. É uma clara demonstração de que o sistema político está podre.

A mão-invisível do mecanismo dos preços foi substituída pela teoria do "olhamento", curiosa expressão para referir o arbítrio nas regras:

  • Os abusos na atribuição de casas pela autarquia eram, afinal, justificados pelas melhores razões: do Presidente da República à esposa do primeiro-ministro, todos metiam cunhas e pediam casas, mas sempre a favor do pobrezinho desamparado. A cunha, boa parte das vezes, não beneficia directamente o próprio e é feita com o argumento de reparar uma injustiça. O problema é que, sem a existência de regras claras e justas, passa a haver uma espécie de fotogenia da pobreza: beneficiam aqueles que melhor comoverem os poderosos. Claro que atrás do pobre vem o motorista do Presidente que mora longe, coitado, e atrás do motorista vem a funcionária que se divorciou e não tem para onde ir, e atrás da funcionária vem o filho da funcionária, que também é filho de Deus.
    O CASO 'LISBOAGATE' E A CULTURA DA CUNHA, Diário de Notícias, 30.09.2008



Haverão regras mais claras e justas que cada qual pagar a casa que habita?

sábado, 13 de setembro de 2008

Fantasias estatísticas da educação e do sucesso escolar


O que medem os números? Querem impor-me realidades com as séries estatísticas? Escrevo este post para registar que o que sinto no terreno difere muito do mundo maravilhoso que os números do ME sugerem.

  • Os resultados escolares de 2007/2008 apresentam uma melhoria acentuada em todos os ciclos de ensino, consolidando o patamar já alcançado no ano lectivo anterior, indicam os dados provisórios apurados pelo Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação relativos às taxas de retenção e de desistência. Os valores divulgados são os mais baixos dos últimos 12 anos. www.mim-edu.pt


Se houvesse uma melhoria acentuada do nível cognitivo em todos os ciclos de ensino, eu não poderia contar historietas, como a que decorreu esta semana numa turma do ensino secundário:

- Quanto dá 500 a dividir por 1.000?
- ... 100
- ... 500
- ... 1.000
- Na máquina dá 0,5!
- OK. A máquina está certa!

Naturalmente, todos os alunos desta turma contribuíram para o sucesso estatístico que o ME contabilizou!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Médicos chegam a receber 2500 euros por dia


  • Há médicos que ganham 2500 euros numa urgência de 24 horas num hospital público, quando contratados por empresas privadas. Alguns pertencem ao quadro da unidade de saúde, onde fazem o “banco” através da empresa.


Com a alteração do Estatuto da Carreira Docente o Governo reduziu o vencimento dos professores, visto que estes até passaram a dar aulas gratuitamente, absurdamente integradas na componente não lectiva. Como já pouparam uns trocos, podem pagar num dia a um médico, mais do que a um professor num mês...

A subcontratação é o caminho indicado para um Estado pequeno ficar mais caro e menos eficiente que um maior, maior barato e mais produtivo.

sábado, 6 de setembro de 2008

Gramática das Novas Oportunidades


Esta gramática é um guia para descodificação do vocabulário associado aos cursos EFA do Ensino Secundário, na perspectiva de quem vai leccionar STC, Sociedade, Tecnologia e Ciência. Uma espécie de cábula de um novato que agora entra nestas lides, e que não deverá ser tomada como referência por ninguém.

O mais importante para descodificar a retórica das Novas Oportunidades é ter presente os seus princípios orientadores, a sua filosofia. Os formandos – foi suprimida a expressão alunos do seu léxico - dirigem-se à escola porque "aprender compensa"... Presume-se que as pessoas já têm competências que a escola não lhes reconheceu, e cabe aos formadores – também é interdita a expressão professores - organizarem o ensino de modo a que o adulto revele as competências que se encontram ocultas em si.

“As situações de vida do adulto constituem o ponto de partida e motor da desocultação, evidenciação e validação das competências; elas constituem igualmente motor do desenvolvimento dos percursos formativos assentes em competências chave” (RCC, p. 25). Para conseguir este desiderato os formadores/facilitadores/organizadores jamais deverão pensar sequer na realização de qualquer teste. Esta técnica está interdita porque é incompatível com a estratégia de desocultação dos conhecimentos. Em alternativa serão utilizadas “abordagens auto-biográficas a trabalhar com os candidatos, a realização de exercícios de balanço de competências, a construção de portefólios reflexivos de aprendizagens, e o recurso a outras técnicas e estratégias de aproximação aos adultos e de desocultação das competências a evidenciar” (GO, p. 13).

O objectivo do programa Novas Oportunidades é certificar até 2010 um milhão de pessoas com o 9º ano de escolaridade, e 650.000 em cursos de dupla certificação ao nível do 12º ano (Relatório da OCDE, Junho de 2008, p. 136).


A distância social medida pela diferenciação dos saberes académicos é muito maior que aquela a que se chegará se medirem as diferentes tarefas que são capazes de executar, ou competências-chave.


Domínios de Referência para a acção:
DR1 – Contexto privado
DR2 – Contexto profissional
DR3 – Contexto institucional
DR4 – Contexto macro-estrutural


Dimensões das competências:
Social (sociedade)
Tecnológica ( tecnologia)
Científica (ciência)


Núcleos Geradores: 7 áreas transversais às diversas disciplinas:
1. Equipamentos - princípios de funcionamento
2. Sistemas ambientais
3. Saúde – comportamentos e instituições
4. Relações económicas
5. Redes de informação e comunicação
6. Modelos de urbanismo e mobilidade
7. Sociedade, tecnologia e ciência – fundamentos



Critérios de Evidência: Do cruzamento das três Dimensões das Competências (Sociedade, Tecnologia e Ciência) pelos quatro Domínios de Referência (Contexto privado, Contexto profissional, Contexto institucional e Contexto macro-estututal) resultam os Temas. Para cada Tema são propostos ao formando três objectivos com dificuldade crescente: Tipo I, II e III, que se designam Elementos de Complexidade.

Elementos de Complexidade:
· Tipo I... - Identificação
· Tipo II.. - Compreensão
· Tipo III. - Intervenção


Se identificou e compreendeu e já evidenciou aquisição de competências... Pode não lhe ter apetecido intervir ;)

Sendo a avaliação qualitativa, o formando pode obter o máximo de 84 “certos” quando conquistam um DR, por verificação dos critérios de evidência. Chega-se ao 84 no conjunto dos 7 Núcleos Geradores, desdobrados em 3 dimensões e 4 DR’s. 7 x 3 x 4 = 84. Para concluir o curso precisa de validar metade destes, ou seja, 42.

Não há programas. O mais próximo desse conceito é o Referencial de Competências-Chave.   Backup

Eis os Temas de STC:


No Ensino Secundário todas as UFCD são de 50 horas. Devem ficar completas após 67 tempos de 45 minutos (33 com um professor, 34 com outro).

terça-feira, 2 de setembro de 2008

A Escada Social Tecnográfica


JOSH BERNOFF é um dos mais citados analistas americanos na área das tecnologias da informação. Josh tem sido analista de mercado e é actualmente vice-presidente da Forrester Research.

Criou a segmentação Tecnográfica, com a qual visa uma compreensão mais profunda das pessoas, como usam a tecnologia, e como esta afecta os negócios.

A sua classificação foi construída para analisar o consumo, mas não resisto a copia-la para aqui, e cada qual será responsável pelas suas extrapolações.





Na sua metáfora da escada descreve seis níveis de familiaridade com as tecnologias:

  • Criativos: publicam conteúdos sociais. Escrevem blogues, fazem o upload de vídeos, música ou textos.
  • Críticos: respondem aos conteúdos dos outros. Postam nas revistas, nos comentários dos blogues, participam nos fóruns e editam artigos wiki.
  • Coleccionadores: organizam conteúdos para si próprios ou outros utilizando feeds RSS, tags, e votando em sites como o Digg.com.
  • Membros: ligam-se a redes sociais como o MySpace e o FaceBook. Em Portugal tem maior expressão o Hi5.
  • Espectadores: consomem conteúdos sociais, incluindo blogues, vídeos, podcasts, fóruns ou revistas.
  • Inactivos: nem criam nem consomem conteúdos sociais de qualquer tipo.


JOSH BERNOFF explica a sua metáfora da escada numa apresentação, do blogue que escreve em parceria com CHARLENE LI.

Qual o peso relativo das categorias acima apresentadas? Como variam por grupos etários? Como variam por géneros? Para responder questões destas utilize o Profile Tool.
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