segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A hipocrisia dos moralistas num sistema podre


Escrevem muito bem e dão sempre grandes lições de moral, até que se descobre que o telhado era de vidro: Baptista-Bastos, mais um artista português.

Gostei de ler o seu ARGUMENTO DA HONRA a propósito da reforma de Eanes, mas a seguindo a mesma lógica, como não acredito que um escritor e jornalista viva propriamente em circunstâncias miseráveis, que justifiquem o apoio estatal, considero que deveria repor o dinheiro que indevidamente arrecadou, pela renda que não pagou. Pelo que disse ao EXPRESSO não será esta a sua intenção.

  • Baptista-Bastos e o mistério da Estrada da Luz
    Há 14 anos a CML atribuiu ao escritor e jornalista Baptista-Bastos um andar em Benfica, na Estrada da Luz, era Jorge Sampaio presidente da autarquia e João Soares vereador da Cultura. “Não há aqui prendas. A casa que alugava há 32 anos em Alfama estava a cair, eu tinha três filhos e não tinha meios. Escrevi à presidência a pedir uma casa”. Garante que a sua situação económica foi avaliada e que foi celebrado um contrato de arrendamento, que se mantém. “Quanto pago é privado”. E conta como sempre fora prática comum a atribuição de casas a jornalistas e artistas. Nos anos 80, foi chamado à CML por Abecassis. “Tinha uma casa para mim. Disse-lhe que não. Quando precisei pedi”. Na altura em que se mudou para Benfica, comprou casa em Constância.
    E-EXPRESSO (Assinatura) 27.09.2008


Se sempre foi prática atribuir uma casa a jornalistas e artistas, privilégio que como simples contribuinte desconhecia, então a CML deve publicar uma lista completa com o nome de todos os bobos da corte. É injusto o Baptista-Bastos ficar com o “azar” da denúncia, mas pior ainda é saber que há mais 3.200...

O argumento da honra exige que o passo seguinte seja o fim dessa prática terceiro-mundista. Se quisermos construir um país moderno, temos de nos relacionar de modo transparente. É preciso que o Estado institua regras conhecidas e respeitadas por todos.

  • Há mais de 30 anos que o esquema existe e, normalmente, tem sido o vereador da Habitação, ou os seus serviços - quando não o próprio presidente da Câmara -, a conceder aquelas habitações de forma directa. A gente pobre, mas também a amigos, a artistas, a familiares, a correligionários.
    A média das rendas cobradas é de 35,48 euros,
    mas ninguém sabe ao certo qual a percentagem das que são pagas.
    Estas casas - palácios, moradias, apartamentos, lojas - fazem parte do chamado Património Disperso e, segundo um estudo da Universidade Lusófona, “a CML não sabia, nem sabe, do que é dona”.
    EXPRESSO (Assinatura) 27.09.2008


Se a situação perdura à 30 anos, isso significa que já todos os partidos com possibilidades de chegar ao poder partilharam este bolo. Não posso deixar de perguntar porque é que só agora surge a denúncia. É uma clara demonstração de que o sistema político está podre.

A mão-invisível do mecanismo dos preços foi substituída pela teoria do "olhamento", curiosa expressão para referir o arbítrio nas regras:

  • Os abusos na atribuição de casas pela autarquia eram, afinal, justificados pelas melhores razões: do Presidente da República à esposa do primeiro-ministro, todos metiam cunhas e pediam casas, mas sempre a favor do pobrezinho desamparado. A cunha, boa parte das vezes, não beneficia directamente o próprio e é feita com o argumento de reparar uma injustiça. O problema é que, sem a existência de regras claras e justas, passa a haver uma espécie de fotogenia da pobreza: beneficiam aqueles que melhor comoverem os poderosos. Claro que atrás do pobre vem o motorista do Presidente que mora longe, coitado, e atrás do motorista vem a funcionária que se divorciou e não tem para onde ir, e atrás da funcionária vem o filho da funcionária, que também é filho de Deus.
    O CASO 'LISBOAGATE' E A CULTURA DA CUNHA, Diário de Notícias, 30.09.2008



Haverão regras mais claras e justas que cada qual pagar a casa que habita?

sábado, 13 de setembro de 2008

Fantasias estatísticas da educação e do sucesso escolar


O que medem os números? Querem impor-me realidades com as séries estatísticas? Escrevo este post para registar que o que sinto no terreno difere muito do mundo maravilhoso que os números do ME sugerem.

  • Os resultados escolares de 2007/2008 apresentam uma melhoria acentuada em todos os ciclos de ensino, consolidando o patamar já alcançado no ano lectivo anterior, indicam os dados provisórios apurados pelo Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação relativos às taxas de retenção e de desistência. Os valores divulgados são os mais baixos dos últimos 12 anos. www.mim-edu.pt


Se houvesse uma melhoria acentuada do nível cognitivo em todos os ciclos de ensino, eu não poderia contar historietas, como a que decorreu esta semana numa turma do ensino secundário:

- Quanto dá 500 a dividir por 1.000?
- ... 100
- ... 500
- ... 1.000
- Na máquina dá 0,5!
- OK. A máquina está certa!

Naturalmente, todos os alunos desta turma contribuíram para o sucesso estatístico que o ME contabilizou!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Médicos chegam a receber 2500 euros por dia


  • Há médicos que ganham 2500 euros numa urgência de 24 horas num hospital público, quando contratados por empresas privadas. Alguns pertencem ao quadro da unidade de saúde, onde fazem o “banco” através da empresa.


Com a alteração do Estatuto da Carreira Docente o Governo reduziu o vencimento dos professores, visto que estes até passaram a dar aulas gratuitamente, absurdamente integradas na componente não lectiva. Como já pouparam uns trocos, podem pagar num dia a um médico, mais do que a um professor num mês...

A subcontratação é o caminho indicado para um Estado pequeno ficar mais caro e menos eficiente que um maior, maior barato e mais produtivo.

sábado, 6 de setembro de 2008

Gramática das Novas Oportunidades


Esta gramática é um guia para descodificação do vocabulário associado aos cursos EFA do Ensino Secundário, na perspectiva de quem vai leccionar STC, Sociedade, Tecnologia e Ciência. Uma espécie de cábula de um novato que agora entra nestas lides, e que não deverá ser tomada como referência por ninguém.

O mais importante para descodificar a retórica das Novas Oportunidades é ter presente os seus princípios orientadores, a sua filosofia. Os formandos – foi suprimida a expressão alunos do seu léxico - dirigem-se à escola porque "aprender compensa"... Presume-se que as pessoas já têm competências que a escola não lhes reconheceu, e cabe aos formadores – também é interdita a expressão professores - organizarem o ensino de modo a que o adulto revele as competências que se encontram ocultas em si.

“As situações de vida do adulto constituem o ponto de partida e motor da desocultação, evidenciação e validação das competências; elas constituem igualmente motor do desenvolvimento dos percursos formativos assentes em competências chave” (RCC, p. 25). Para conseguir este desiderato os formadores/facilitadores/organizadores jamais deverão pensar sequer na realização de qualquer teste. Esta técnica está interdita porque é incompatível com a estratégia de desocultação dos conhecimentos. Em alternativa serão utilizadas “abordagens auto-biográficas a trabalhar com os candidatos, a realização de exercícios de balanço de competências, a construção de portefólios reflexivos de aprendizagens, e o recurso a outras técnicas e estratégias de aproximação aos adultos e de desocultação das competências a evidenciar” (GO, p. 13).

O objectivo do programa Novas Oportunidades é certificar até 2010 um milhão de pessoas com o 9º ano de escolaridade, e 650.000 em cursos de dupla certificação ao nível do 12º ano (Relatório da OCDE, Junho de 2008, p. 136).


A distância social medida pela diferenciação dos saberes académicos é muito maior que aquela a que se chegará se medirem as diferentes tarefas que são capazes de executar, ou competências-chave.


Domínios de Referência para a acção:
DR1 – Contexto privado
DR2 – Contexto profissional
DR3 – Contexto institucional
DR4 – Contexto macro-estrutural


Dimensões das competências:
Social (sociedade)
Tecnológica ( tecnologia)
Científica (ciência)


Núcleos Geradores: 7 áreas transversais às diversas disciplinas:
1. Equipamentos - princípios de funcionamento
2. Sistemas ambientais
3. Saúde – comportamentos e instituições
4. Relações económicas
5. Redes de informação e comunicação
6. Modelos de urbanismo e mobilidade
7. Sociedade, tecnologia e ciência – fundamentos



Critérios de Evidência: Do cruzamento das três Dimensões das Competências (Sociedade, Tecnologia e Ciência) pelos quatro Domínios de Referência (Contexto privado, Contexto profissional, Contexto institucional e Contexto macro-estututal) resultam os Temas. Para cada Tema são propostos ao formando três objectivos com dificuldade crescente: Tipo I, II e III, que se designam Elementos de Complexidade.

Elementos de Complexidade:
· Tipo I... - Identificação
· Tipo II.. - Compreensão
· Tipo III. - Intervenção


Se identificou e compreendeu e já evidenciou aquisição de competências... Pode não lhe ter apetecido intervir ;)

Sendo a avaliação qualitativa, o formando pode obter o máximo de 84 “certos” quando conquistam um DR, por verificação dos critérios de evidência. Chega-se ao 84 no conjunto dos 7 Núcleos Geradores, desdobrados em 3 dimensões e 4 DR’s. 7 x 3 x 4 = 84. Para concluir o curso precisa de validar metade destes, ou seja, 42.

Não há programas. O mais próximo desse conceito é o Referencial de Competências-Chave.   Backup

Eis os Temas de STC:


No Ensino Secundário todas as UFCD são de 50 horas. Devem ficar completas após 67 tempos de 45 minutos (33 com um professor, 34 com outro).

terça-feira, 2 de setembro de 2008

A Escada Social Tecnográfica


JOSH BERNOFF é um dos mais citados analistas americanos na área das tecnologias da informação. Josh tem sido analista de mercado e é actualmente vice-presidente da Forrester Research.

Criou a segmentação Tecnográfica, com a qual visa uma compreensão mais profunda das pessoas, como usam a tecnologia, e como esta afecta os negócios.

A sua classificação foi construída para analisar o consumo, mas não resisto a copia-la para aqui, e cada qual será responsável pelas suas extrapolações.





Na sua metáfora da escada descreve seis níveis de familiaridade com as tecnologias:

  • Criativos: publicam conteúdos sociais. Escrevem blogues, fazem o upload de vídeos, música ou textos.
  • Críticos: respondem aos conteúdos dos outros. Postam nas revistas, nos comentários dos blogues, participam nos fóruns e editam artigos wiki.
  • Coleccionadores: organizam conteúdos para si próprios ou outros utilizando feeds RSS, tags, e votando em sites como o Digg.com.
  • Membros: ligam-se a redes sociais como o MySpace e o FaceBook. Em Portugal tem maior expressão o Hi5.
  • Espectadores: consomem conteúdos sociais, incluindo blogues, vídeos, podcasts, fóruns ou revistas.
  • Inactivos: nem criam nem consomem conteúdos sociais de qualquer tipo.


JOSH BERNOFF explica a sua metáfora da escada numa apresentação, do blogue que escreve em parceria com CHARLENE LI.

Qual o peso relativo das categorias acima apresentadas? Como variam por grupos etários? Como variam por géneros? Para responder questões destas utilize o Profile Tool.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

PIB per capita na UE-27

Possivelmente o aprofundamento da integração europeia está a desenvolver-se à custa das três grandes potências fundadoras: França, Alemanha e Itália. Observem-se os valores referentes ao Produto Interno Bruto per capita na União Europeia a 27 em 2008 comparativamente a 1997. Pouco mais de uma década foi suficiente para estes três países passarem do 4º quintil para o 3º quintil.


Fonte: EUROSTAT. Opções.

Portugal está colorido da mesma cor que Estónia, Lituânia, República Checa, Eslováquia e Hungria. Pior que nós estão Letónia, Polónia, Roménia, Bulgária, a antiga república jugoslava da Macedónia e a Turquia.


Fonte: EUROSTAT.

A estrutura de 2008 assemelha-se à de 1997 caracterizando-se pela relativa estabilidade. Neste período, a Irlanda melhorou a sua posição relativa.

sábado, 23 de agosto de 2008

Basta ficar aprovado a Educação Física para passar de ano!


Não estou a inventar. Vou copiar o início do artigo do EXPRESSO.

  • Luís, 15 anos, já mudou várias vezes de escola e chumbou a oito das nove disciplinas curriculares do 6º ano de escolaridade. Só passou a educação física. Apesar deste resultado, passou para o 7º ano e está inscrito noutra escola vizinha. Aconteceu na EBI 2,3 Vasco Santana, em Odivelas, e não é caso único no país.
    EXPRESSO/Assinatura


Este aluno só ficou aprovado em Educação Física e mesmo assim transitou de ano. Que excelente exemplo!

Há justificações para tudo! Naturalmente que não são consensuais.


Como se compatibilizam exemplos destes com o discurso do trabalho?

Recordo a lei de ouro do trabalho escolar: MAIS TRABALHO deverá traduzir-se sempre por uma MAIOR CLASSIFICAÇÃO.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Magalhães! O computador português :)


Foi com um grande alarido mediático que os três canais de TV anunciaram o grande investimento de Sócrates na Educação, através do "Magalhães", apresentado como computador português.

Para os menos atentos ficou o efeito imediato da propaganda.

Entretanto essas notícias já foram apagadas dos respectivos sites online, e o que podemos continuar a ler é a clara demonstração de que o jornalismo online, fazendo o trabalho de investigação necessário, deu uma brilhante lição ao tradicional.

  • Foi anunciado como o primeiro computador português, mas não é bem assim. O Magalhães é originalmente o Classmate PC, produto concebido pela Intel no sector dos NetBooks, que surge em reacção ao OLPC XO-1, que foi idealizado por Nicholas Negroponte.

    Será, no fundo, um computador montado em Portugal, mais propriamente pela empresa JP Sá Couto, em Matosinhos. Tirando o nome, o logótipo e a capa exterior, tudo o resto é idêntico ao produto que a Intel tem estado a vender em várias partes do mundo desde 2006. Aliás, esta é já a segunda versão do produto. IOL/Diário


Afinal trata-se apenas da concorrência da Intel ao PC de 100 dólares de Nicholas Negroponte.



A Igreja queixou-se deste sketch, sem sucesso, à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).

domingo, 17 de agosto de 2008

A Escola do Futuro

A escola tem sido a instituição mais resistente à mudança. Os alunos não sabem tocar piano nem falar francês, mas já se sentem mais familiarizados com as ferramentas digitais que muitos professores. Porque é que não são utilizadas estas ferramentas, e prevalecem sempre os manuais e os testes escritos?


Atenção! Não adianta mudar as tecnologias de ensino, sem adoptar metodologias de aprendizagem que as rentabilizem.

PhotoShop: A perfeição do Mundo digital


A fotografia revolucionou a nossa forma de observarmos o mundo, fazendo da imagem um documento. Observando a fotografia estávamos indirectamente a observar as “coisas”. O PhotoShop veio popularizar a manipulação das imagens, hoje particularmente significativa nas fotografias profissionais das mulheres, que assim ficam sem nenhuma celulite, nenhuma ruga, etc. É a perfeição do Mundo digital ao alcance dos humanos… Um dos sites onde podem ser observados os efeitos da manipulação de imagens é o photoshopbeforeandafter.








Um vídeo que ilustra o efeito PhotoShop foi visto mais de um milhão de vezes em dois meses!

As lições de PhotoShop no YouTube são abundantes.

sábado, 9 de agosto de 2008

Rigor e avaliação de professores


O ME tem feito muita propaganda com o pretenso rigor do sistema de avaliação de professores que propôs. Serão as escolas ilhas de rigor numa sociedade submersa na economia informal?

Esta questão recordou-me um texto que tinha lido na Professorinha, e que tomo a liberdade de transcrever. O ambiente em que vivemos é propício a este tipo de opiniões.

  • Acho que há demasiada gente um pouco enganada sobre esta nova treta dos Bons, Muito Bons e Excelentes... Realmente há quem acredite que os Muito Bons e os Excelentes vão para os professores que o são?? Realmente há quem ache que isto das escolas verem as suas percentagens de Muito Bons e Excelentes aumentar se vai dever a um REAL melhoramento da qualidade de ensino?? Que os professores vão, de repente, passar a trabalhar melhor (como se andassem a trabalhar mal... enfim...)???

    Realmente... se acreditam nisso andam muito enganados. Primeiro os Muito Bons e os Excelentes estão destinados aos amigos de quem avalia. E MAIS NADA... nem vale a pena discutir mais sobre esse assunto porque é isso mesmo que vai acontecer. E, mesmo que sobre algum Muito Bom... de certeza que não o vão dar a um professor contratado ou a uma professora como eu, praticamente em início de carreira. Vão dar a quem estiver perto de subir de escalão, claro está!!...

    Não me venham com doutrinas ou teorias muito bonitas. Estamos em PORTUGAL, onde todos são experts em enganar o vizinho e onde a honestidade e o trabalho não são recompensados... A amizade e conluio... isso sim, é compensado... E infelizmente, não gosto de dar graxa... e por isso, bem me tenho lixado e vou continuar a lixar-me. Conforme um amigo me disse: "Tu vais chegar lá porque mereces lá chegar, apenas vais demorar mais tempo porque não vais usufruir das amizades e politiquices em que muita gente anda metida."

    E com isto se resume o que irá acontecer com a avaliação... quer de docentes, quer das escolas.



Este ano, com a invenção do procedimento simplificado, foram todos os professores classificados com Bom. Que rigor foi este?

Os amigos referidos pela Professorinha são um perigo real, mas numa escola onde as estruturas pedagógicas funcionem está relativamente controlado. Neste modelo os avaliadores continuarão nas escolas, e a sua função só será prestigiada se convencerem os colegas da legitimidade dos seus juízos.

Na mesma lógica, a alternativa seria uma avaliação externa, cujas apreciações, eventualmente injustas, seriam muito mais difíceis de impugnar.

Não quer dizer que não existam outras hipóteses de avaliação dos professores, do meu ponto de vista bem mais práticas e objectivas, como o modelo finlandês.

Mais de 20% da produção não é contabilizada no PIB


A ausência de rigor não é um problema da educação. É um problema estrutural que afecta a sociedade portuguesa, cujo desenvolvimento se encontra comprometido pelo amplo peso da economia informal.

Para quem tivesse dúvidas, se Portugal é um país europeu ou do terceiro mundo, os dados sobre a importância da economia informal estão aí. A fonte não poderia ser mais segura: o Banco de Portugal. O estudo (Julho de 2008) foi realizado pela COTEC PORTUGAL, Associação Empresarial para a Inovação.

Sugerem a dinamização da factura electrónica, para atingir três objectivos: o combate à evasão fiscal, o aumento da produtividade das empresas e das entidades públicas e privadas, e a geração de novos mercados. Para o efeito o Estado deveria tornar obrigatório o depósito de documentos legais numa plataforma online central, bem como promover a obrigatoriedade da factura electrónica entre todas as empresas e/ou os organismos públicos.

Para continuar a ler mais clique aqui.

Da apresentação retirei o gráfico referente ao peso da informalidade nas economias, que nos deixa de rastos em comparação com os países "civilizados". Não quero discutir esta expressão, mas não considero Espanha e Itália como paradigmas. Como poderão prosperar os mais eficientes num ambiente dominado pelos chicos espertos?

Cada vez que você contrata um canalizador que lhe presta o serviço sem passar factura, está a preterir um trabalhador honesto que apenas poderá ficar menos competitivo por cumprir as suas obrigações fiscais. Fazendo essa escolha, não só estará a sacanear o Estado, mas a comprometer o desenvolvimento dos que não precisam de subterfúgios para se afirmarem no mercado. Lembre-se disto!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Rigor???

  • A treta educativa de que somos todos iguais e temos todos os mesmos direitos

    Bristol. Inglaterra, cidade de médias dimensões, chuva, uma escola cheia de miúdos, cerca de mil, e quatro escolas estrangeiras de visita: Espanha, Portugal, Noruega e Lituânia. Seria mais uma experiência profissional, uma das muitas que já integrei, e não mereceria lugar no jornal se não tivesse vivido momentos que me fazem pensar para além do profissional.
    Fiquei impressionada com o rigor, com a formalidade, da escola que visitei. Os alunos, miúdos entre os dez e os dezassete anos, usam uniforme, cumprem horário - não há campainha -, são castigados e premiados, cumprem regras e são educados para o reconhecimento da autoridade e o respeito pela hierarquia. aqueles miúdos não precisam de toques estridentes de campainha para saberem que devem dirigir-se para as aulas, não arrumam os seus materiais em algazarra, ao som irritante da dita cuja. Desde pequenos aprendem a regular-se pelos seus relógios e, para eles, é normal e correcto que assim seja. Estes miúdos e professores têm aulas apenas de 60 minutos, entram às 8h30m e saem sempre às 14h40m. Estes alunos e professores têm tempo para viver para além da escola: para ler, brincar, estudar, conviver, fazer desporto, etc. No entanto, estes miúdos não têm mais insucesso que os portugueses e, pelo contrário, de forma geral, mostram muito maior domínio das competências básicas! Então, parece-me, está provado que o sistema português, que abusa do tempo passado na sala de aula e minimiza o rigor, está completamente errado! Um professor inglês, surpreso face ao tempo que os nossos alunos passam na escola e face à duração das aulas, mostrou-se um artigo científico onde se prova que, para além dos 60 minutos, a capacidade de concentração e trabalho de qualquer criança e/ ou jovem é nula!! Perante esta situação, eu, que há muito desconfio do sistema português, fiquei angustiada. será que a equipa ministerial, as várias desde há muitos anos, não conhecem outras realidades, não fazem estudos, não comparam metodologias e sucessos, não lêem revistas científicas, não estudam as mais recentes filosofias e psicologias da aprendizagem?!! E, para além disso, como pode a UE, a tal União de proximidades, de objectivos comuns, aceitar regras tão profundamente diferentes entre os diferentes estados-membros? Porque dos cinco países presentes Portugal é o único com aulas de 90 minutos (e 135! BARBARIDADE!), o único em que os alunos passam tantas horas na escola, o único em que ainda vigora a treta educativa de que somos todos iguais e temos todos os mesmos direitos! Em Inglaterra, os miúdos crescem aprendendo e compreendendo que o Professor é detentor de sabedoria, de poder conferido por um estatuto profissional, que deve ser respeitado e obedecido. Os mais pequenos, miúdos de onze anos, com o seu uniforme de calças pretas e azul-turquesa, respeitam até o seu delegado de turma que, para se distinguir do todo da turma, usa... gravata! Quando me contaram, sorri. Achei que era mais uma loucura exagerada dos ingleses. Mas, agora, vivi a experiência, observei os miúdos e, sinceramente, lamentei a triste realidade do meu país...
    Um país sem regras, um lugar onde vale tudo, um espaço onde os limites são confusos, não pode funcionar! Mais uma vez, como já outras vezes me aconteceu, dei comigo a pensar o que é que, de facto e com efeitos visíveis, foi feito, em termos de educação cívica e cultural, desde 1974 até hoje. A resposta, para não ser pessimista e porque acabei de chegar cheia de esperanças, é que quase nada. Porque não se pode educar sem regras, sem impor limites, sem definir hierarquias e sem fomentar a autonomia!
    Bom, eu não queria viver nada em Inglaterra. Não gosto da chuva contínua, dos edifícios tristes nem da língua grosseira. Mas invejo o modelo educativo que eles praticam! Invejo um povo que não tem medo de dizer que é diferente ser-se professor ou aluno, que não receia ser apelidado de fascista, apenas por estabelecer e fazer cumprir regras. esta gente, os ingleses de hoje, descendem de quem viveu a guerra e reconstruiu um país. Será que a nós nos falta, ainda, a experiência da guerra? Terror, já nós conhecemos...

    Maria Luísa Moreira
    Professora


O texto foi publicado dia 24 de Janeiro de 2008. Chegou-me num .jpg por mail, mas não é possível identificar o respectivo Jornal, embora uma pesquisa na Internet tenha revelado que este artigo já esteve nos servidores da VEJA. Mantive os sublinhados da autora.
Agradeço o trabalho de digitação do Cantinho da Educação.

Nos países com sistemas educativos que funcionam bem, todos se vão rir do prémio dos 500 euros inventado pelo ME. Os bons estudantes consideram a sua educação como um investimento a longo prazo, mas um Ministério sem perspectivas de futuro só poderia criar jackpots anuais. Portugal deixou de ser o "bom aluno" da União Europeia, para se tornar a anedota da União.

Prémio de mérito socrático: 5.000 euros


Depois de ler a notícia do Público, fiquei com vontade de instituir também um prémio de mérito escolar socrático. Para o efeito já constitui uma reserva no montante do prémio, de 5.000 euros, que será atribuído ao aluno do ensino secundário que comprove ter terminado o 12º ano cumulativamente nas seguintes circunstâncias:

  • 1 - Iniciou todos os exames 10 minutos depois da hora;
  • 2 - Abandonou sempre a sala 10 minutos antes do toque de saída;
  • 3 - Não conhece os colegas;
  • 4 - Não conhece os professores;
  • 5 - Tem certificado de habitações passado num domingo;
  • 6 - Encerrou a escola.

Caso se apresentem vários candidatos, o desempate realizar-se-á por entrevista, que avaliará a verosimilhança da encenação.



As escolas secundárias já têm instituídos mecanismos para destacar os alunos com melhores resultados escolares,
através dos Quadros de Honra. Ao nível do ensino superior, diversas instituições reconhecem o mérito escolar através de bolsas de estudo. Os trabalhadores-estudantes sabem como o êxito escolar é importante para continuarem a usufruir das mesmas regalias. O reconhecimento pela família e pelos amigos também tem um valor incalculável. Mesmo assim a investigação tem mostrado que a fonte de motivação mais consistente com o investimento a longo prazo é o puro interesse intelectual.

O prémio proposto pelo ME é uma medida errada porque:
1. Privilegia a componente instrumental em detrimento da intelectual;
2. Nem ao nível da componente instrumental chega a ter efeito, porque numa escola com 1.000 alunos só dois serão premiados;
3. Socialmente é injusta, porque provavelmente premiará quem menos necessita;
4. O dinheiro que não custa a ganhar, também não custa a gastar, abrindo aos jovens as janelas dos vícios... Seria muito mais inteligente conceder-lhes uma bolsa de estudo que lhes fosse pagando propinas, livros, etc. no curso superior.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Os preços das telecomunicações em Portugal são dos mais elevados no seio da OCDE


No último relatório da OCDE sobre Portugal (2008), a figura 3.15 mostra dois rankings das tarifas telefónicas: um para os telefones fixos; outro para os telemóveis. Indicam a despesa nestes, expressa em dólares, distinguindo três níveis de consumo: baixo, médio e elevado.
Nos 31 países seleccionados pela OCDE, só 4 apresentam preços mais elevados que Portugal nos telefones fixos, e 5 nos telefones móveis.




Fonte: OCDE, http://dx.doi.org/10.1787/343224218077

O nosso país tem das chamadas mais caras da OCDE. Se se pretende incrementar a produtividade, devia-se fomentar a concorrência nas telecomunicações. A separação do negócio do cabo do negócio do cobre foi insuficiente para alterar a posição dominante da PT. A OCDE também considera excessiva a presença da PT Multimédia, que se eclipsou na ZON! Mudou o nome, mas o que o país precisa é de preços mais baixos.
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