terça-feira, 29 de julho de 2008

Império sem Lei


Os dois senhores que se seguem não representam o Bloco Central. Representam o Sistema. José Miguel Júdice escreveu e Vital Moreira subscreveu:

  • Portugal é um país onde, pelo contrário, há a arreigada convicção de que a liberdade é não pagar impostos, não respeitar limites de velocidade, não obedecer a regras sobre condução com álcool no sangue, não cumprir as regras sobre estacionamento, não cumprir as normas urbanísticas, não cumprir as regras sobre ambiente e paisagem, não respeitar as leis e os regulamentos. No fundo, para os portugueses, a Liberdade é o oposto da Rule of Law [império da lei]. Causa Nossa


Por deformação profissional entendem que todos problemas resultam do incumprimento da lei, e evidentemente a solução seria a sua observância, mas fazem uma salada russa com aspectos completamente díspares, e seleccionando estes estão a omitir outros, na minha opinião mais relevantes.

1. Vamos por partes: não pagar impostos não é nenhuma convicção dos trabalhadores por conta de outrem, que recebem o salário deduzido da retenção na fonte para efeitos de IRS. Deviam estar a pensar nos advogados, contabilistas e outros profissionais liberais que fazem das simulações do IRS um jogo e da fuga ao fisco uma arte.

2. Não respeitar limites de velocidade e não obedecer a regras de condução. O maior obstáculo ao cumprimento do código é a desadequação dos limites de velocidade e a profusão de sinais desnecessários.
Estabelecer como velocidade máxima em auto-estrada 120 Km/hora tem o efeito perverso de ninguém se sentir constrangido a respeitar essa velocidade, porque os carros permitem uma viagem segura muito acima desse limite. Outra coisa irritante são os semáforos que ficam vermelhos em plena via, sem nenhum cruzamento e sem ninguém para atravessar a estrada… Que fazer? Ficar ali feito palerma à espera que a lâmpada mude para verde? Evidentemente que se passam os sinais vermelhos, quando são daqueles que estão ali só para irritar.
Apontei duas “falhas” que me parecem generalizadas, mas seria preferível que a regra fosse mudada e que esses sinais “estúpidos” desaparecessem. As regras só se justificam se servirem a população.

3. Condução com álcool no sangue é crime. É um perigo para todos os condutores, começando pelo próprio.

4. Não cumprir as regras sobre estacionamento, resulta do crescimento desordenado das periferias. Construíram-se blocos de cimento sem imaginar o crescimento explosivo dos automóveis. É um problema que deve equacionado ao nível do reordenamento do território.

5. Não cumprir as normas urbanísticas, não cumprir as regras sobre ambiente e paisagem... Entramos no reino da máfia. Quem aprova os projectos de construção? As Câmaras. Quem recebe a Contribuição Autárquica? As Câmaras. E se o prédio tiver mais uns andares do que devia? Nesse caso maior será a Contribuição Autárquica para as Câmaras. Se os senhores doutores quisessem fazer regras para serem cumpridas, a entidade que aprova os projectos teria de ser diferente da que irá beneficiar das contribuições fiscais.

Para os portugueses, a Liberdade não é o oposto da lei. Há realmente muitos a abusar da Liberdade porque o país está a tornar-se uma selva em termos económicos, visto que as disparidades ao nível da repartição de rendimentos são crescentes. Liberdade têm os movimentos de capital que se fazem à velocidade de um clique. O “sigilo bancário” é uma excelente protecção para aqueles que fogem ao pagamento de impostos, e para a corrupção em geral. Também é chocante a falta de ética que permite aos Ministros saltarem para as Administrações dos grupos económicos, os deputados reformarem-se com 8 anos de serviço...

A lei regulamenta excessivamente muitos aspectos do nosso quotidiano facilmente observáveis... outros ultrapassam a populaça, são menos visíveis, mas não deixam por isso de provocar maiores danos, vivendo num Império sem Lei.

domingo, 27 de julho de 2008

2001 - Rock Club - A Catedral do Rock

Comecei a ir lá em 1976... continuo a ir em 2008! Mostrei a Catedral a todas as namoradas. Todas adoraram, mas elas estão de passagem, e "o 2" está ali! A Catedral é sem dúvida a minha "Igreja". Chamem-lhe Rock Club, 2001, ou apenas "o 2", boîte ou discoteca, a verdade é que a diversão é garantida. O melhor período é entre as 02:00 e as 04:00. Aí é que é bombar!

Onde fica?







 

 




Os 10 euros melhores empregues num fim-de-semana: três cervejas na Catedral.
Aqui em baixo podem ouvir música do género da que passa por lá!

free music



Outros

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Aprendam com os Estados Unidos!


Num post anterior escrevi que há mais vida para além dos défices, mas não o justifiquei. É o que faço aqui olhando para o debate político nos Estados Unidos. Lá os democratas propõem um pacote de estímulos económicos com aumento da despesa em estradas, pontes, escolas, e outras estruturas públicas. (Ver New York Times). Aumentando a despesa pública, o Estado vai criar mais postos de trabalho, dinamizando a economia, numa fase em que o perigo de a deixar entregue aos mecanismos de mercado parece muito maior que qualquer excesso de intervenção económica.

Qualquer comparação com o que o se passa por cá é anedótica. Portugal tem que cumprir os critérios de convergência impostos pela pertença à zona Euro. Apesar de passarmos todo o tempo a seguir políticas restritivas, desde 2000 que estamos a divergir da União Europeia – isto é, a crescer abaixo da média, ficando mais afastados desta – e mesmo seguindo escrupulosamente as directrizes do BCE ainda temos visitas do FMI. No entanto a dívida pública americana é maior que a portuguesa, tal como o défice orçamental americano é muito maior que o nosso...


Fonte: World Economic and Financial Surveys, FMI.

A Portugal são impostas políticas restritivas enquanto os Estados Unidos seguirão políticas expansionistas. Ora se os EUA estivessem coagidos pelos limites do BCE não poderiam escolher esta opção, porque de acordo com os números do FMI o seu défice público em percentagem do PIB é de 4,5% em 2008 e a dívida pública em percentagem do PIB é de 63,2%. Ambos os valores estão acima dos valores míticos impostos pelo BCE, que são respectivamente 3% e 60%. E os Estados Unidos nunca recearão subir estes indicadores porque o FMI existe para impor a ordem americana!

A dimensão e a produtividade contam. A economia americana produz 60 vezes mais que nós, enquanto a sua população corresponde apenas a 28 “portuguais”.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Enquanto há língua, há esperança


Segue-se uma lista de algumas das anedotas que pretendem impingir-nos com o Acordo Ortográfico:

  • COR-DE-ROSA escreve-se com hífen, por causa da consagração pelo uso, diz o AO, mas COR DE LARANJA escreve-se sem hífen, porque não.


  • PÁRA (verbo) deixa OBRIGATORIAMENTE de ter acento e escrever-se-á PARA, não se distinguindo da preposição PARA.

    Mas PÔR (verbo) mantém OBRIGATORIAMENTE acento para se distinguir da preposição POR.

    PODE (pretérito perfeito) tem FACULTATIVAMENTE acento (PÔDE) para se distinguir de PODE (presente do indicativo).

    FORMA (substantivo) tem FACULTATIVAMENTE acento (FÔRMA) para se distinguir de FORMA (verbo e substantivo).

    Mas ACORDO, ACERTO, CERCA, etc. (substantivos) OBRIGATORIAMENTE não têm acento e não se distinguem de ACORDO, ACERTO, CERCA, etc. (verbos).

    DEMOS (presente do conjuntivo) tem FACULTATIVAMENTE acento (DÊMOS) para se distinguir de DEMOS (pretérito perfeito).

    Mas PODEMOS (presente do indicativo) OBRIGATORIAMENTE não tem acento e não se distingue da forma PUDEMOS (pretérito perfeito).

  • E as formas com acentuação facultativa que o AO contempla AVERÍGUO, AVERÍGUAS, AVERÍGUA, ENXÁGUO, ENXÁGUAS, ENXÁGUA, DELÍNQUO, DELÍNQUES, DELÍNQUE, etc. dos verbos AVERIGUAR, ENXAGUAR, DELINQUIR? De que língua são? O que as distingue de certas formas incorrectas, muito correntes em Portugal, como FÁÇAMOS, PÓSSAMOS, TÊNHAMOS e SUPÔNHAMOS? E por que é que estas últimas não são então formas consagradas pelo uso?



  • Por exemplo, formas verbais como ‘fraccionámos’ e ‘decepcionámos’ passarão a ter, não duas, mas quatro grafias correctas na “ortografia unificada” do português, assim:

    fraccionámos, fraccionamos, fracionámos, fracionámos;

    decepcionámos, decepcionamos, dececionámos, dececionamos.

  • O adjectivo ‘electrónico’ passa a ter quatro:

    electrónico, eletrónico, electrônico, eletrônico.

  • "Rua de Santo António" terá oito formas correctas na “ortografia unificada”:

    Rua de Santo António, Rua de Santo Antônio,
    Rua de santo António, Rua de santo Antônio,
    rua de Santo António, rua de Santo António,
    rua de santo António, rua de santo Antônio.

  • Um termo como ‘perspectiva cónica’ passa a ter quatro formas correctas,

    perspectiva cónica, perspectiva cônica,
    perspetiva cónica, perspetiva cônica.

  • Mas um termo como ‘dactiloscopia electrónica’ terá oito:

    dactiloscopia electrónica, dactiloscopia electrônica,
    dactiloscopia eletrónica, dactiloscopia eletrônica,
    datiloscopia electrónica, datiloscopia electrônica,
    datiloscopia eletrónica, datiloscopia eletrônica.
    Fonte: Em Defesa da Língua Portuguesa Contra o Acordo Ortográfico


Escreveu Vasco Graça Moura no último post:

  • Da sua análise implacável resulta que se está perante um verdadeiro crime contra a língua portuguesa.

    Ante todo este escândalo, a sociedade civil não pode cruzar os braços. Tem de insistir no seu protesto. Tem de engrossar o caudal das suas tomadas de posição. Tem de assinar maciçamente a petição/manifesto que corre na Internet. Tem de começar a enviar sms para todos os lados, dizendo que o Acordo Ortográfico é uma vergonha nacional. Tem de provocar a revisão dessa enormidade. Tem de afirmar em todas as ocasiões que não o aceita e se recusa a dar-lhe cumprimento.


Subscrevo. É a resistência cívica a que me tinha referido num post anterior.

A petição continua online aqui.


  • O Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Portugal já ratificaram o acordo e todos os seus protocolos modificativos, falta ainda a regularização por parte de Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste.
    PÚBLICO, 24.07.2008


Oxalá Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor-Leste não ratifiquem o AO nunca...

OHHHHASAAAAEEEEEE!!!! OHHHHH AAAAAAAASSSSSAAAAAAEEEEEEEE!!!!! OHHHHHH


A ASAE descobriu a sua vocação apreendendo pornochanxada. Segundo refere o EXPRESSO:

  • As principais infracções prendem-se com ausência de licenciamento, falta de rotulagem em português, de cadastro, de livro de reclamações e de indicação dos preços.


Não vejo o problema que possa surgir da falta de instruções em português num vibrador ou noutros produtos do ramo.

Imaginem-se os problemas de rotulagem dos vídeos. Bem podiam indicar nº 1, nº 2, nº 3, etc. Mas até são simpáticos, e inventam títulos sugestivos. A notícia não se refere a problemas com a língua, mas é com esses que estou preocupado, porque não sei até onde a ASAE poderá ir... Os vídeos são mesmo para ver sem legendas. Têm sido os únicos filmes que se tem vendido por cá dobrados em castelhano, e estão muito bem assim ;) Se forem falados em brasileiro já são familiares demais, e aí deixam de cumprir a sua função. Em português nem pensar!

Se a ASAE quiser trabalhar há dois mercados que resistem a todas as reclamações dos consumidores e que apresentam lucros anormalmente elevados: a banca e as gasolineiras. Estes sectores estão fora da vossa competência? Claro! O roubo organizado que faz parte do sistema é intocável.

terça-feira, 22 de julho de 2008

90.000 assinaturas ignoradas


O PR ratificou o Acordo Ortográfico que a AR tinha aprovado, ignorando as cerca de 90.000 assinaturas da petição online.

Anunciando o caos que se avizinha, o PÚBLICO escreve umas vezes que o Parlamento ratificou, outras que aprovou... e ainda o AO não entrou em vigor ;) Daqui em diante a falta de formação jurídica terá mais uma desculpa.

  • O Presidente da República, Cavaco Silva, já promulgou o Acordo Ortográfico, ratificado no Parlamento a 16 de Maio deste ano, disse hoje fonte oficial da presidência.

    O Segundo Protocolo do Acordo Ortográfico, cuja ratificação era essencial para a entrada em vigor do acordo, foi aprovado no Parlamento a 16 de Maio com os votos favoráveis do PS, PSD, Bloco de Esquerda e sete deputados do CDS. Três deputados do PSD, Henrique Freitas, Regina Bastos e Zita Seabra - que invocou "conflito de interesses" por ser editora - além de Matilde Sousa Franco, do PS, abandonaram o hemiciclo antes da votação.

    O acordo contou ainda com a abstenção das bancadas do PCP, PEV e dos deputados Paulo Portas, José Paulo Carvalho e Abel Baptista (CDS-PP). Contra votaram Manuel Alegre, PS, Nuno Melo e António Carlos Monteiro (CDS) e a deputada não inscrita Luísa Mesquita (ex-PCP). Paulo Portas e o deputado João Oliveira anunciaram declarações de voto. PÚBLICO


Resta a resistência cívica.

Há mais vida para além dos défices

Esta imagem é para descontrair. Não se deixem abater pelas projecções do FMI, e pensem em alternativas a Sócrates!


Esta imagem é de Hat Lamai Beach, Tailândia. Mas conheço paraísos mais próximos!
Há mais vida para além dos défices!

Sócrates, podes seguir em frente!


Apesar de Portugal se estar submetido à disciplina da zona Euro, o FMI voltou a pronunciar-se recentemente sobre a economia portuguesa. No seu entendimento:

  • Estão a ser tomadas medidas decisivas, centradas no sector público, para corrigir os desequilíbrios acumulados durante os anos 90, e os resultados estão a ser visíveis. As condições mundiais mais frágeis tornam mais difícil e urgente fazer face aos desafios económicos de Portugal. As políticas deverão tirar partido dos progressos recentes e evitar pôr em causa os objectivos de longo prazo para obter ganhos a curto prazo. Isto significa que se deverá prosseguir a consolidação e as reformas orçamentais, mantendo a solidez do sistema financeiro e prosseguindo a implementação de reformas do lado da oferta, para tornar a economia mais produtiva e flexível e reactivar o processo de convergência.
    Relatório do FMI   Backup




Apesar de o país se estar a afastar dos padrões europeus, como “em média” continua viver acima das suas possibilidades, a receita é continuar a apertar o cinto daqueles que a quem é possível apertar mais. A crise não é sentida por todos, porque por exemplo, as vendas de automóveis, certamente de alta cilindrada, até estão a aumentar. Sobre a crescente inequidade na repartição do rendimento o relatório não diz uma palavra. Chama a atenção para a necessidade de evitar que os custos do trabalho degradem a competitividade da economia, e elogia “a solidez do sistema financeiro e bem supervisionado”(?). As famílias portuguesas estão muito endividadas porque compraram a sua habitação quando mal podiam adquirir uma bicicleta, mas “o Banco de Portugal está ciente destas vulnerabilidades, que não são novas, e tem adoptado uma abordagem pró-activa”, exigindo aos bancos o reforço dos amortecedores de liquidez, para fazer face a potenciais faltas de liquidez...

Pelo caminho que o FMI aconselha, cada passo em frente já sabe onde vamos dar.

Analise-se o percurso que temos feito utilizando os próprios números do FMI. Em 1995 o Produto Interno Bruto per capita português não se afastava tanto do espanhol nem do grego. Em 2006 fomos passados pela Eslovénia. A distância relativamente aos outros países aumenta se perspectivarmos 2013.

Fonte: World Economic Outlook Database, FMI

Belo caminho!




Post
relacionado
Programa de Estabilização Económica, 1978-79, também conhecido como primeiro pacote do FMI. Numa imagem sintetizam-se as políticas então propostas.

domingo, 20 de julho de 2008

Relógio Mundial



As estatísticas também podem ser divertidas.

sábado, 19 de julho de 2008

O teste da banheira


Durante a visita a um hospital psiquiátrico, um dos visitantes perguntou ao director:
- Qual é o critério pelo qual vocês decidem quem precisa ser hospitalizado aqui?

Respondeu o director:
- Nós enchemos uma banheira com água e oferecemos ao doente uma colher, um copo e um balde e pedimos que a esvazie. De acordo com a forma que ele decida realizar a missão, nós decidimos se o hospitalizamos ou não.

- Entendi - disse o visitante - uma pessoa normal usaria o balde, que é maior que o copo e a colher.






- Não - respondeu o director - uma pessoa normal tiraria a tampa do ralo.
O que o senhor prefere? Quarto particular ou enfermaria?

[Dedicado a todos que escolheram o balde.]


Zona escrita a tinta invisível. Seleccione-a com o rato para a ler ;)

quarta-feira, 16 de julho de 2008

A Internet e a redefinição das regras do jogo


A Heinz retirou duma sua campanha publicitária um vídeo, que estava a causar polémica, por ir contra os valores morais da maioria dos seus consumidores. A empresa redigiu um comunicado a pedir desculpa aos seus clientes e retirou o vídeo da campanha.

Fonte: Portal da Heinz

Só que sendo divulgado como "o clip banido", teve exactamente a melhor propaganda que poderia ser feita para divulgar o vídeo na Internet.



  • Nunca tinha acontecido em Portugal: um tribunal mandou fechar um blogue. Em causa estão os posts do Povoa Online, onde eram criticados os autarcas da Póvoa de Varzim.
    "Actualmente (a Póvoa de Varzim) apenas oferece lixo, areia da praia contaminada e um mar poluído, tudo supervisionado por autarcas agarrados ao poder e sustentados por uma teia de corrupção que corrói toda a gestão municipal. Vingou a lei do cimento". São frases como esta que levaram o presidente do município, Macedo Vieira, e o vice-presidente, Aires Pereira, a pedir aos tribunais o encerramento do blogue.

    Fonte: Expresso.

No lugar onde estava o blogue que foi encerrado, o browser indicou-me que o blogue foi removido.

Mas como na Internet é fácil transferir conteúdos, certamente que esta decisão do tribunal fez a melhor publicidade com que um blogue poderia sonhar e não foi difícil encontrá-lo. Recuso-me a deixar o link mas mostro-vos a única imagem decente do blogue.


O resto são anúncios de meninas e links para outros blogues.

Que fazer?
Para abrir um blogue ou copiar um vídeo não é necessária nenhuma formalidade. Basta ter acesso à Internet e saber como se faz. Qualquer miúdo sabe quando o seu nick é banido de um canal de IRC, pode voltar a entrar com outro nickname! A verdade é que para alguém conseguir prestígio junto dos amigos, estes têm de o reconhecer, e portanto não poderá andar a mudar de nome. E para ganharmos prestígio junto dos amigos precisamos de mostrar que temos ideias válidas. Sinceramente, não vejo como uma Câmara Municipal pode sentir-se incomodada com um blogue como este. E os Tribunais não têm mais nada para fazer?

Quando se diz que na Internet não há regulação, isso não é inteiramente verdade. O prestígio encontra-se repartido de forma muito diferente entre a comunidade cibernauta, portanto há pelo menos uma regulação social, além das normas técnicas definidas pela W3C. Cada vez que os Governos têm intervindo nesta matéria, isso só tem servido para limitar as liberdades individuais, sem benefício algum, além do imaginado pelos regimes ditatoriais.

Os ideais socialistas em Portugal


Depois de Mário Soares ter metido o socialismo na gaveta, os socialistas nem se entendem com o vocabulário, e continuam a dizer coisas patéticas.

As políticas de redistribuição do rendimento apenas se justificam para a sociedade chegar a uma distribuição do rendimento mais equitativa. Caso contrário não valeria a pena o Estado estar com o trabalho de cobrar impostos e atribuir subsídios.

Vem isto a propósito das declarações de Victor Constâncio, nas quais


Tradução. Os gestores e todos aqueles que já ganham bem acima da média podem continuar a aumentar-se. Quem vive dos salários deve continuar a assistir à degradação do poder de poder de compra, a bem da "Nação"!

Para chegar a este resultado não é necessário qualquer Governador no Banco de Portugal, nem qualquer Governo. Este é precisamente o resultado de uma relegação sistemática de qualquer política de "redistribuição dos rendimentos" para um plano muito secundário. Realmente a política de "redistribuição dos rendimentos" só aparece ao nível da retórica.

Definitivamente, o PS já deveria ter mudado de nome ao tempo.

Adenda
Aqui ao lado,
  • O Primeiro-Ministro espanhol, Rodrigues Zapatero, anunciou o congelamento de todos os altos cargos da administração do Estado.
    Fonte: Rádio Renascença.


Começando por limitar o seu próprio vencimento, Zapatero dá uma lição aos "socialistas" portugueses.

domingo, 13 de julho de 2008

Declaração


Sócrates não disse, mas poderia ter dito: ;)






Confesso que começo a ter pena do Primeiro-Ministro. Ele bem nos queria oferecer alguma coisa... o problema é que nunca imaginou chegar a esta fase do ciclo eleitoral com as mãos vazias.

sábado, 12 de julho de 2008

Para ensinar é necessário saber


Há coisas que me parecem tão simples, que nem perco tempo a pensar nelas. Para mim, é óbvio, que não se poderá ser um bom professor numa área disciplinar onde não se tenha formação académica de base.

O conhecimento encontra-se “arrumado” por ciências, que na escola dão lugar a disciplinas: Economia, Sociologia, Direito, etc. Não é por acaso que o conhecimento científico se encontra hoje compartimentado, fora da escola. O crescimento exponencial do conhecimento científico forçou à sua especialização em áreas bem definidas. Os autores são conhecidos na respectiva temática, as teorias e modelos explicativos dependem da abordagem científica. Os profissionais podem ser excelentes num ramo do saber, mas nulidades noutros aspectos. Por exemplo, nenhuma companhia seguradora se lembrará de contratar um excelente advogado para calcular o valor do prémios a solicitar aos segurados, pois isso seria a sua ruína.

Nas escolas temos um mundo à parte, onde todas as barbaridades são possíveis, porque as escolas não vão à falência. Eu próprio já dei aulas de Matemática e de Direito e de muito mais coisas que não devia ter dado. Estou farto de preparar programas, porque sou dos docentes relativamente mais jovens, isto é, pertenço ao grupo que fica com o que sobra depois dos colegas terem indicado as suas preferências por disciplinas, por anos, por turnos, etc. Até compreendo que o serviço docente seja distribuído exclusivamente tendo em consideração o tempo de serviço, apesar de dar origem a uma hierarquia acomodatícia em função da qual são escolhidas disciplinas. Tem a vantagem de ser um critério prático em termos administrativos, mas quando se pensa em avaliação do desempenho é de uma injustiça atroz.

A avaliação de desempenho deveria garantir a todos idênticas oportunidades para ser justa. Ora, um professor com muitos anos de serviço, que escolheu horário primeiro, e vai fazer o que sempre fez, teria obrigação de evidenciar um melhor desempenho que o seu colega mais novo, que fica com o que sobra, e por isso anda sempre a preparar níveis diferentes.

Especialmente para quem está for a do ensino, e não percebe tão bem as regras do “baile” a que me refiro acima, posso adiantar que até hoje, a Licenciatura em Economia já me permitiu leccionar o seguinte: Área Interdisciplinar, Comércio e Distribuição, Contabilidade, Direito, Economia Política, Introdução à Actividade Económica, Introdução à Economia, Introdução à Política, Introdução ao Desenvolvimento Económico e Social, Introdução ao Marketing, Introdução às Tecnologias da Informação, Matemática, Métodos Quantitativos, Noções de Administração Pública, Organização e Métodos, Psicossociologia, Relações Públicas e Sociologia.

Se eu pudesse teria leccionado sempre Economia. Nas outras disciplinas fico como que castrado, por não poder levar as últimas novidades, nem poder utilizar a linguagem que é própria da Economia, mas posso garantir que independentemente da disciplina, o quadro de referência e organização continua a ser o pensamento económico. O meu repertório de exemplos está centrado na Economia, portanto outras disciplinas nunca saem tão bem. Por maior que seja a preparação de uma disciplina em que não tenha formação, as aulas nunca têm o brilhantismo do improviso como nas de Economia.

Não caso único certamente. Estou absolutamente convencido desta regra geral: para ensinar é necessário saber. Ao longo da minha carreira tive várias vezes turmas do 11º ano de Economia. Quando as turmas tinham tido o 10º ano com colegas de Economia o meu trabalho prosseguia tranquilamente. Quando os alunos tinham apanhado alguém de Direito no 10º ano, era uma catástrofe: não sabiam Economia, tinham obtido classificações elevadíssimas e fazendo a média do 10º com 11º já estavam passados!

Entendo que criticar a falta de formação científica é fácil demais. E como entretanto comecei a leccionar Sociologia, entendi que deveria fazer um Mestrado em Sociologia para me justificar como professor da disciplina.

Escrevi este post porque não entendo como o ME quer implementar o modelo de avaliação do desempenho assim. O meu grupo disciplinar (antigo 7º grupo), incluía economistas e advogados quando comecei a dar aulas (1984/85). Posteriormente entraram alguns sociólogos. O ano passado foi alargado aos contabilistas. Certamente não foi feita nenhuma avaliação do impacto desta alteração sobre a qualidade do ensino, mas este ano o ME alargou novamente o grupo. Agora inclui economistas, advogados, sociólogos, contabilistas, historiadores, filósofos, geógrafos, técnicos de sectariado, professores de moral e religião.

Isto quer dizer que de acordo com a lei, eu poderei adicionalmente vir a dar aulas de história, filosofia, geografia, etc. e todos estes meus colegas poderão leccionar Economia!



Que avaliação do desempenho quer o Ministério se não cria condições para que cada qual possa mostrar o que sabe?
Pior, quando cria situações que colocam à partida os professores mais jovens em circunstâncias muito mais desvantajosas. A criação deste mega-grupo foi apenas um atentado contra a avaliação do desempenho a que ME não se cansa de fazer propaganda. E neste caso a culpa não foi dos professores, nem das escolas, nem dos sindicatos, nem de mais ninguém. Mas se o ME quer o caos completo, sugiro que para o ano alargue o grupo disciplinar a todos os departamentos, pois seria mais simples recrutar os docentes para um DEPARTAMENTO ÚNICO. Então, independentemente da formação académica, qualquer professor poderia leccionar português, francês, inglês, alemão, latim, grego, história, filosofia, geografia, matemática, economia, sociologia, direito, contabilidade, etc.

Entenda senhora Ministra que esta proposta é para ser levada a sério. Os alunos poderiam não aprender quase nada, mas teriam certamente classificações mais elevadas! Não é isso que se pretende?

Adenda
Faltei a esta reunião. Nunca falto durante o ano lectivo, mas durante o período de semi-férias... Afinal a reunião de distribuição de horários não foi tão confusa quanto tinha imaginado. Participei apenas na reunião do 430 (economia, contabilidade, sociologia, direito). O mega-grupo a que me refiro acima funcionou "apenas" para efeito de recrutamento de professores. Mas mantenho as críticas, porque se é indiferente recrutar docentes de grupos tão díspares, certamente se entende que o seu perfil se adequa às mesmas necessidades...

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Novo conceito da OCDE integra a necessidade de segurança, amor/relacionamento, auto-estima e auto-realização


Não estou a inventar. A proposta vem na última newsletter da OCDE. Propõe um novo indicador: o Realização Nacional Bruta apresentando um modelo próximo da pirâmide de Maslow. Os autores propõem coeficientes mais baixos para as necessidades mais básicas, e mais elevados para as superiores.



Curiosa também a barra amor/relacionamento. As relações amorosas são cada vez mais diversificadas, e é preciso reconhecer que independentemente do seu padrão o que importa é o resultado: a satisfação dos indivíduos.

Mas perguntarão por que razão vem a seríssima OCDE propor um indicador sobre o qual os valores sempre serão muito discutíveis? É que a lógica da OCDE é oposta à portuga. Lança indicadores para estimular o debate. Em Portugal quem calcula números, pretende defendê-los como se fossem realidades.
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