segunda-feira, 30 de junho de 2008

Partilha do automóvel

A partilha do automóvel será um fenómeno em expansão nas sociedades, agora com uma forte contributo dos sucessivos aumentos do preço da gasolina. É ecológico, é económico e pode ser divertido! Certamente a maioria das mulheres pensará que também pode ser perigoso, razão pela qual a generalidade dos utilizadores são homens. As utilizadoras aparecem sempre integradas em grupos...

Talvez esteja alguém à espera da sua boleia, ou da sua companhia ;) no site http://www.carpool.com.pt/.

Qual Geração Rasca?

Frequentemente dos comentários de facilitismo nos exames, os mais velhos saltam para comentários associados à "Geração Rasca", termo que convenientemente inventaram para darem a entender que no seu tempo é que era...

Com a massificação do ensino é verdade que o país tem hoje mais maus alunos, mas também tem mais alunos bons. Se nos anos 50 e 60 Portugal exportou trabalho indiferenciado, agora estamos a assistir a uma fuga de cérebros que a nossa economia se revela incapaz de aproveitar. Histórias para ler no site Mind this GAP.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Questões estúpidas em Economia?

Quanto à prova de Economia A (712),    (Backup) interrogo-me sobre a utilidade de questões como as que abaixo se mostram. Pretendem testar o quê? Não é estúpido fazer este tipo de perguntas?





Alguém precisa de estudar Economia para responder a estas questões?


Vale tudo para atingir o sucesso estatístico?


Querem mais sinais de facilitismo?

  • A ministra tinha prometido resultados e eles aí estão. Antes de abandonar o barco, e na iminência de naufrágio do "Titanic" das políticas educativas, o capitão manda lançar os botes à água gritando: "As estatísticas primeiro!".
    Jornal de Notícias, 25 de Junho de 2008

terça-feira, 24 de junho de 2008

Interesse puro, exactamente o que move o debate em Matemática

Matemática é frequentemente referida como uma “ciência exacta” ou até ou uma “ciência pura”. Tanto ouvimos estes termos que os aceitamos, e depois ficamos chocados quando observamos qualquer confronto entre “matemáticos”, porque entendemos que se são “cientistas” deveriam ter opiniões semelhantes.

Escrevo este post a propósito da prova de Matemática A (635), ontem realizada. A APM elogiou a prova considerando o nível de dificuldade adequado. Por seu lado, a SPM criticou-a severamente, insurgindo-se contra a excessiva facilidade da prova.

Parecer da APM Parecer da APM (Backup)


Parecer da SPM Parecer da SPM (Backup)


Não podia ser de outro modo. A APM representa os professores do ensino secundário, e para estes qualquer habilidade que os alunos façam é fruto do seu árduo trabalho. A SPM representa os carolas do ensino superior, que gostariam de receber os alunos melhor preparados para terem menos trabalho.

Aqui está um belo exemplo em que os interesses profissionais ditam as justificações da argumentação. Portanto, para o ano que vem a cena vai repetir-se ;)

É curioso como ninguém presta atenção ao lugar que os actores ocupam para compreender as suas posições.

domingo, 22 de junho de 2008

EDP abusa do poder monopolista


Segundo o Diário de Notícias, a entidade reguladora da concorrência no mercado da electricidade – ERSE - mudou de opinião. Até aqui sempre tinha considerado que o risco de (não) cobrança teria que ser assumido pela EDP, mas agora entende que uma parcela da factura pode destinar-se a compensar a empresa do volume de negócios inferior a 0,3% que não conseguem cobrar.

Esta justificação apenas poderia ser apresentada por um monopolista,
que está a abusar do seu poder no mercado. Não passa pela cabeça do Belmiro de Azevedo obrigar-nos a pagar nem mais um cêntimo, porque alguns clientes pagam com cheque sem cobertura ou furtam nas suas lojas (Continente/Modelo). Ele já fixa os preços a contar com os riscos da actividade. Qualquer acréscimo posterior ao preço seria um convite para nos deslocarmos ao Pingo Doce ou a outro concorrente.

No caso da EDP os consumidores não têm alternativa senão pagar e calar, porque não podem deixar de consumir electricidade e não têm outro fornecedor. Porém, a lógica seguida pela EDP é perigosa. Se me fazem pagar a conta daqueles que ficaram a dever, então eu posso presumir que se ficar a dever alguém pagará a minha conta! Creio que a generalização desta lógica poderá aumentar os incobráveis para um volume muito acima dos 0,3%.

Neste caso o óptimo é inimigo do bom. A administração da EDP deve aprender a conviver com as imperfeições do negócio, ou corrigi-las pelo lado certo. Agora resolvê-las atirando para baixo, só porque os clientes se encontram numa situação de maior fragilidade é imoral.

Este assunto está em discussão pública aqui.

Este post foi enviado para o e-mail consultapublica@erse.pt



Proposta para os incobráveis da EDP caiu por não ter “receptividade necessária”

Dívidas na electricidade afinal não vão ser pagas por todos os consumidores

quarta-feira, 18 de junho de 2008

A pujança do Euro

O Euro acaba de ultrapassar a barreira de 1,5 US$.
Assim, o Banco Central Europeu resolveu, para comemorar o facto, cunhar uma moeda especial de 2 euros, que assinala a pujança da moeda europeia ;)

Os irlandeses ainda não repararam que estão a estorvar o caminho?

Em 1999 (*), o Euro iniciou a sua caminhada abaixo de 1,2 US$.

Fonte: BCE.

Se comprimirmos a escala do gráfico até dá ideia que a evolução do Euro face ao Dólar tem sido suave. Ampliando a representação, sobressaem os momentos tumultuosos.

O não irlandês ao Tratado de Lisboa é o obstáculo do momento ao processo de integração europeia, mas não passa pela cabeça de ninguém, incluindo os irlandeses, colocar o processo de integração em causa,
nem isolar-se dele. Quando a Constituição Europeia levou o não em referendo da França e da Holanda creio que o choque foi muito maior. A Europa parou para pensar, e o que fez?

1 – Reformulou a Constituição Europeia e apresentou-a agora simplesmente como Tratado de Lisboa;

2 – Deitou fora a linguagem da proximidade relativamente aos cidadãos que conduzia à exigência de referendos. A Europa “lembrou-se” que nas democracias representativas compete aos políticos decidir em nome da população, exactamente o motivo porque são eleitos.

O que é que falhou? A grande falha foi não ter ocorrido a ninguém que a Irlanda realizaria o referendo por imperativos constitucionais, que deveriam ter sido revistos.

Recordo que em 1986, quando Portugal aderiu à CEE, éramos “uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na sua transformação numa sociedade sem classes”, de acordo com o art. 1º da Constituição da República Portuguesa (CRP) de 1976, após a revisão de 1982. Evidentemente que as referências à “transformação numa sociedade sem classes” ou à “construção de uma sociedade socialista”, abundantes na nossa CRP nunca passaram de música, dita programática pelos constitucionalistas. Ficámos melhor quando a CRP foi limpa dessas expressões patéticas, na revisão de 1989. Agora o art. 1º da CRP diz simplesmente o seguinte:

Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.


Ficou melhor. Talvez os irlandeses precisem de rever a sua ;)

Diplomaticamente, Bruxelas reafirmou que haverá oportunidade de "ouvir com muita atenção" o que o primeiro-ministro irlandês Brian Cowen tem para dizer, para de seguida "trabalhar de perto com o governo irlandês".
Para bom entendedor meia palavra basta.

NOTA: (*) A moeda única europeia – o euro – surgiu em 1 de Janeiro de 1999. Porém, nos primeiros três anos, permaneceu uma moeda “virtual”, utilizada sobretudo por bancos e mercados financeiros. Para a maioria das pessoas, só se tornou uma moeda “real”, visível e tangível, em 1 de Janeiro de 2002, data em que entraram em circulação as notas e moedas de euro, que agora são uma realidade para mais de 300 milhões de pessoas na Europa. Ler mais

sábado, 14 de junho de 2008

"Até seria vantajoso para o Executivo ir a votos numa consulta sobre a União Europeia"

Quem disse isto? CONFERIR


Os irlandeses tiveram coragem para referendar o Tratado de Lisboa, em vez de presumir arrogantemente o seu resultado. Sócrates certamente preferiria mudar a Constituição, e neste momento deve estar a ensinar esse truque aos seus colegas da Uelândia.

Entretanto fica registada neste post mais uma cambalhota.

Um dia depois de ter afirmado no Parlamento que a vitória do “sim” era “fundamental” para a sua carreira política, o primeiro-ministro português admitiu que o chumbo do tratado que elegeu como prioridade da sua presidência representa “uma derrota pessoal”. “É uma derrota para mim e para todos aqueles que se empenharam no Tratado de Lisboa e no projecto europeu. Todos [os líderes europeus] estarão tão desapontados quanto eu estou neste momento", acrescentou.

Fundamental para Sócrates é mesmo ir continuando como primeiro-ministro, porque pelos projectos conhecidos, há muitos "engenheiros" como ele por aí.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

O cancro não se trata com Ben-U-Ron’s

Todos os contribuintes irão pagar os Ben-U-Ron’s com que Sócrates anestesiou os camionistas, mas o preço do petróleo contínua a subir e o cancro mantém-se enquanto os combustíveis forem mais caros em Portugal do que Espanha, exclusivamente porque Sócrates nos obriga a pagar mais impostos. Isso nunca ele conseguirá explicar a ninguém, e se persistir em impor esta estupidez à lei da bastonada será o seu fim.

Não se pode crer convergir com a Europa numas áreas e não noutras. Sócrates só invoca a necessidade de convergência com a União Europeia quando lhe interessa! O ISP dá-lhe um jeitão para reduzir o défice orçamental, é certo. Mas Sócrates não pode ignorar que mesmo os analfabetos não estão dispostos a votar num Primeiro-Ministro que os faz atravessar a fronteira para atestar o depósito.

Com esta política dos Ben-U-Ron’s foi agora a vez dos transportadores e o caso não ficou resolvido. Virão os taxistas, os agricultores, os pescadores, e muitos mais com problemas específicos tentar sacar o seu quinhão. É uma política insustentável.

Entretanto as petrolíferas continuam a brincar connosco! A Galp sobe o preço da gasolina quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional, e também sobe o preço da gasolina quando o preço do petróleo no mercado internacional desce! E ainda nos querem convencer que há concorrência no sector!

É inadmissível que não se procure a convergência de preços com Espanha nos combustíveis

O poder caiu na rua, já que o conteúdo das medidas que estão em cima da mesa e que serão agora apresentadas aos piquetes de greve.

O Governo ganhou este round visto que os camionistas desmobilizaram, mas Sócrates não pode continuar a afirmar que “não poremos em causa o interesse geral por qualquer interesse específico” porque a lei dos camiões permitiu ganhos relevantes para os manifestantes.

Numa economia de mercado os preços estabelecem-se na concorrência, e não resultam de nenhum conjunto complexo de regras como as estabelecidas. Por exemplo, não é por terem acordado que "o preço do transporte de mercadorias vai passar a estar indexado ao combustível" que isso sucederá. Se houver excesso de oferta dos transportadores, o mais provável é que estes não consigam fazer repercutir na totalidade o acréscimo dos custos sobre os clientes.

Se é verdade que a lei do camião rendeu as benesses descritas na imprensa económica, não é menos verdade que alguém irá suportar os seus custos.

Para já Sócrates livrou-se deste aperto, mas o cancro continua. O cancro continua porque é inadmissível que não se procure a convergência de preços com Espanha nos combustíveis, particularmente depois do estudo oficial que revela que o diferencial de preços da gasolina entre Portugal e Espanha é nulo, se forem considerados os preços sem os impostos. Chegar a esta convergência é que seria governar para os portugueses. Assim, Sócrates ofereceu uns doces aos transportadores à custa dos portugueses.

terça-feira, 10 de junho de 2008

A raça está a crescer

  • NÃO SEI SE SÓCRATES É FASCISTA. Não me parece, mas, sinceramente, não sei. De qualquer modo, o importante não está aí. O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições. Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação. No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu governo. O Primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas.
    António Barreto, Público, 06/JAN/2008


A comunidade científica trata a Sociologia como se fosse uma religião porque os "sociólogos" com maior visibilidade nos meios de comunicação não se acanham de dizer os maiores disparates. Para quê induzir os leitores no erro de que se acusa a populaça se podemos afirmar com segurança que Sócrates é autoritário?

Enfim, quando se escreve para os jornais, apimentam-se os artigos com umas expressões
que deixam à margem o rigor sociológico. Eis mais um exemplo para o rol das anedotas:

  • A Miss Portugal 1990 tem 1,81 metros. Repito, um metro e oitenta e um centímetros! Outro feito do cavaquismo ocidental: a raça está a crescer...
    António Barreto, Público, 13 de Maio de 1990



Esta brilhante conclusão de que a raça está a crescer, partindo da altura da Miss Portugal é elucidativa do tipo da "Sociologia" de algibeira que se pratica em Portugal. Quanto à expressão "raça" no léxico de um sociólogo, diria que o erro é 1.000 vezes mais grave que no caso de Cavaco.

A Raça de Cavaco

Se um aluno do secundário escrever alguma coisa sobre a raça portuguesa, a questão é anulada. É um conceito que não existe!





O Doutor Cavaco Silva diz exactamente o mesmo, com o sorrisinho de ignorante, e a plebe bate palmas.



Muito bem Senhor Doutor. Mas comece por ser exigente consigo mesmo, estudando a História de Portugal, para evitar palermices deste calibre.

Uma explicação para esta anedota é que estará a pensar nas centenas de milhar de imigrantes como causa do desemprego, esquecendo os milhões de emigrantes espalhados por esse Mundo fora, as Comunidades Portuguesas.

O Presidente da República recuperou "terminologia racista e segregadora do Estado Novo", porque se conformou com os valores do Estado Novo e nem sequer se insurgiu contra a Guerra Colonial.

  • "Sou o único político vítima do fascismo em Portugal. Nenhum outro líder político esteve na Guerra Colonial". Cavaco Silva, Primeiro-Ministro, Notícias Magazine, 10 de Setembro de 1995.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

O diferencial de preços da gasolina entre Portugal e Espanha é nulo, se forem considerados os preços sem os impostos



Decomposição dos custos associados ao preço retalhista na gasolina IO95

Fonte: Relatório da AdC, 02/06/2008

Backup

"[A Autoridade da Concorrência] identificou indícios de correspondência razoável entre os preços praticados [nos combustíveis] e os custos da actividade".
Manuel Sebastião, presidente da AdC, no Parlamento, 03-06-2008


Troquemos por miúdos.

As duas refinarias existentes no país - Porto e Sines - são partilhadas pelas marcas no interesse exclusivo de servirem os consumidores. Nestas não há qualquer ineficiência, portanto o preço à saída das refinarias é determinado pelo mercado internacional, segundo a AdC.

A margem de armazenagem e transporte é a mínima necessária ao desenvolvimento da actividade. Idem relativamente à margem de venda do combustível a retalho.

Quase 60% da despesa que fazemos no abastecimento da gasolina vai directamente para os cofres do Estado, através do IVA e do ISP, mas dessa parte não podem culpar-se as empresas. O diferencial de preços da gasolina entre Portugal e Espanha é nulo, se forem considerados os preços sem os impostos. Isto é, a encomenda do Ministro da Economia caiu no colo do Primeiro-Ministro!

Os painéis nas auto-estradas com informação dos preços dos combustíveis e do gás de botija praticados pelos diferentes operadores, bem como a criação de um site institucional que irá permitir comparar preços dos combustíveis,
são um exemplo do melhor folclore Socratino (derivação de Sócrates sem tino, em desatino, sem destino...).

Saliente-se que o relatório se encontra orientado para defender os interesses das petrolíferas. Designadamente, quando afirma não ter identificado qualquer infracção à lei da concorrência, mas dá conta de um "paralelismo" nos aumentos simultâneos praticados pelas gasolineiras, e por não esclarecer como é que as marcas brancas conseguem ter preços mais baixos.

Enfim! A Galp aumenta o preço da gasolina, e logo no mesmo dia a BP e a Repsol aumentam os preços na mesma quantia... Mas temos que acreditar que não existe cartel, porque uns senhores, audesignados Autoridade da Concorrência estudaram o assunto... e concluíram que nós andamos todos enganados quando imaginamos que os preços são "combinados" entre os maiores players do mercado.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Pela Boca Morre o Peixe

Eis algumas frases extraídas do livro de João Pombeiro, para abrir o apetite. Trata-se da mais divertida viagem pela História recente (post 25/4/74) que li.
O livro é editado por A Esfera dos Livros.




Portugal é um oásis”. Jorge Braga de Macedo, Ministro das Finanças, Diário de Notícias, 28 de Setembro de 1992.

“Nunca esteve, de certeza absoluta, no espírito dos fundadores, a ideia de que, na Comunidade, os preservativos teriam de ter a mesma dimensão”. João de Deus Pinheiro, Ministro dos Negócios Estrangeiros, Expresso, 4 de Julho de 1992

"É preciso continuar a sacar dinheiro à Europa". Mário Soares, Público, 18 de Maio de 1999.

Não tenho as qualidades que um primeiro-ministro deve ter. (…) Ministro é o meu limite”. José Sócrates, Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, DNA, 16 de Setembro de 2000.

“O problema dos políticos é que não têm projecto para o país. Eu em 48 horas acabava com este estado de coisas”. Luís Filipe Menezes, Presidente da Câmara Municipal de Gaia, Sábado, 25 de Janeiro de 2007.

“A posição que aqui defendi […] é exactamente a da Igreja Católica. A Igreja Católica proíbe o aborto porque entende que quando se pratica o acto sexual é para se ver o nascimento de um filho”. João Morgado, Deputado do CDS, Expresso, 13 de Março de 1992.

sábado, 31 de maio de 2008

O automóvel eléctrico está aí!

Chego a casa, estaciono o carro na garagem, e ligo-o ao carregador como se fosse um telemóvel! Quando sair, desligo-o, e nunca preciso de ir ao posto de abastecimento!

A tecnologia já existe!
A Tesla Motors é uma associada da General Motors, portanto quanto a garantias está tudo dito.
Se virem o vídeo abaixo correm o risco de ficar a sonhar com a máquina ;)


99.000 € não está ao alcance de todos, mas já há propostas mais acessíveis como os Green Vehicles.


O rápido crescimento dos preços do petróleo que sofremos na pele, veio obrigar a repensar mais seriamente esta alternativa, começando a tornar-se frequentes notícias sobre veículos eléctricos.

  • O deputado socialista Jorge Seguro defendeu hoje incentivos para a instalação de fábricas e projectos de automóveis eléctricos, bem como para os consumidores que optem por este tipo de veículos, porque "há mais vida para além do petróleo". Lusa, 30 de Maio de 2008


  • Apesar das anunciadas intenções da Nissan de vender veículos eléctricos nos EUA e no Japão, no final de 2010, a marca já passou às experiências em campo. Recorde-se que em Fevereiro de 2007 a Nissan Motor Co. Ltd. entregou à empresa de rent-a-car Kanagawa Toshi Kotsu Ltd. a sua, então, mais recente versão do X-Trail FCV com pilha de combustível, para ser utilizado como parte da sua frota de aluguer com condutor. Foi a primeira vez que esta modalidade de rent-a-car foi disponibilizada. Saliente-se que a aliança Renault/Nissan irá, numa primeira fase, comercializar de forma massiva automóveis eléctricos na Dinamarca e em Israel, em 2011. LusoMotores, 29 de Maio de 2008


A mudança não se faz sem resistência. Fica aqui o link para um ficheiro recebido por mail, em denúncia dos obstáculos impostos pelos interesses económicos.
Tem sido "inteligente" a estratégia dos produtores, não vendendo, mas simplesmente alugando os automóveis eléctricos. Isso permite-lhes recuperar toda a frota pela simples não renovação dos contratos de aluguer, com a vantagem de então poderem destruir todos os carros de uma só só vez.
O site Don't Crush mostra a consciência dos indivíduos na Web, contra este estado das coisas.

Será possível repetir a "façanha"?

Quem matou o automóvel eléctrico? Eis a 1ª parte de 11 de um excelente documentário no YouTube.



Para aprofundamento do tema convém ler o relatório da WWF.




  • Os sectores petrolífero e dos transportes encontram-se inextricavelmente ligados. Para sustermos qualquer mudança das alterações climáticas reversíveis, da destruição dos ecossistemas essenciais e das tensões geopolíticas, esta ligação tem de ser desfeita pela transição para um paradigma de transporte que é extremamente eficiente e simultaneamente compatível com a renovação sustentada da energia do futuro.
    PLLUGED IN – The End Of The Oil Age


Backup



Em português, podem ler-se notícias interessantes no site da ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DO VEÍCULO ELÉCTRICO.

Eis um veículo eléctrico português, desenvolvido pela Escola Superior de Tecnologia, de Viseu. Com 1 € faz 100 kms. Fantástico!



PS - Volkswagen reconhece que o futuro pertence ao automóvel eléctrico

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A construção estatística das crises económicas

Em grande parte a referência quotidiana às crises económicas resulta da afirmação do jornalismo como novo produto de consumo. O ardina que vendia jornais no meu bairro apregoava sempre “Olha o desastre!”, mesmo que os jornais nesse dia não fizessem referência nenhum. Era a sua técnica de marketing. Os jornalistas de economia precisam de anunciar, descrever, falar de crises, porque a sua profissão vive delas.

Trata-se de um trabalho que pode ser feito com maior ou menor seriedade, mas o mundo dos blogues obriga também o círculo relativamente fechado dos especialistas a abrirem-se a outros olhares. Vêm isto a propósito de um post que chama a atenção para um aspecto – o 4º trimestre de 2008 teve mais 3 dias úteis que em 2007 - que terá passado despercebido entre a generalidade dos analistas, tornando as estatísticas portuguesas incomparáveis com as da União Europeia, só porque o INE não adopta a mesma metodologia dos seus congéneres, invocando a complexidade do processo.

Fonte: Síntese Económica de Conjuntura - Mensal - Abril de 2008

"Não haverão países "pobres" - só países ignorantes. E o mesmo será verdade para os indivíduos, as empresas, as indústrias e todos os tipos de organizações", disse Peter Drucker.

O que confere validade às estatísticas não é cada indicador calculado isoladamente, mas a rede de equivalência que se estabelece entre os diversos indicadores da rede estatística. Descoberta uma falha, os autores do post colocam naturalmente em causa todo o sistema: o INE, os jornais, designadamente os especializados, os economistas profissionais, a oposição, o Governo...

Concluem que...




Concordo.
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