quarta-feira, 18 de junho de 2008

A pujança do Euro

O Euro acaba de ultrapassar a barreira de 1,5 US$.
Assim, o Banco Central Europeu resolveu, para comemorar o facto, cunhar uma moeda especial de 2 euros, que assinala a pujança da moeda europeia ;)

Os irlandeses ainda não repararam que estão a estorvar o caminho?

Em 1999 (*), o Euro iniciou a sua caminhada abaixo de 1,2 US$.

Fonte: BCE.

Se comprimirmos a escala do gráfico até dá ideia que a evolução do Euro face ao Dólar tem sido suave. Ampliando a representação, sobressaem os momentos tumultuosos.

O não irlandês ao Tratado de Lisboa é o obstáculo do momento ao processo de integração europeia, mas não passa pela cabeça de ninguém, incluindo os irlandeses, colocar o processo de integração em causa,
nem isolar-se dele. Quando a Constituição Europeia levou o não em referendo da França e da Holanda creio que o choque foi muito maior. A Europa parou para pensar, e o que fez?

1 – Reformulou a Constituição Europeia e apresentou-a agora simplesmente como Tratado de Lisboa;

2 – Deitou fora a linguagem da proximidade relativamente aos cidadãos que conduzia à exigência de referendos. A Europa “lembrou-se” que nas democracias representativas compete aos políticos decidir em nome da população, exactamente o motivo porque são eleitos.

O que é que falhou? A grande falha foi não ter ocorrido a ninguém que a Irlanda realizaria o referendo por imperativos constitucionais, que deveriam ter sido revistos.

Recordo que em 1986, quando Portugal aderiu à CEE, éramos “uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na sua transformação numa sociedade sem classes”, de acordo com o art. 1º da Constituição da República Portuguesa (CRP) de 1976, após a revisão de 1982. Evidentemente que as referências à “transformação numa sociedade sem classes” ou à “construção de uma sociedade socialista”, abundantes na nossa CRP nunca passaram de música, dita programática pelos constitucionalistas. Ficámos melhor quando a CRP foi limpa dessas expressões patéticas, na revisão de 1989. Agora o art. 1º da CRP diz simplesmente o seguinte:

Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.


Ficou melhor. Talvez os irlandeses precisem de rever a sua ;)

Diplomaticamente, Bruxelas reafirmou que haverá oportunidade de "ouvir com muita atenção" o que o primeiro-ministro irlandês Brian Cowen tem para dizer, para de seguida "trabalhar de perto com o governo irlandês".
Para bom entendedor meia palavra basta.

NOTA: (*) A moeda única europeia – o euro – surgiu em 1 de Janeiro de 1999. Porém, nos primeiros três anos, permaneceu uma moeda “virtual”, utilizada sobretudo por bancos e mercados financeiros. Para a maioria das pessoas, só se tornou uma moeda “real”, visível e tangível, em 1 de Janeiro de 2002, data em que entraram em circulação as notas e moedas de euro, que agora são uma realidade para mais de 300 milhões de pessoas na Europa. Ler mais

sábado, 14 de junho de 2008

"Até seria vantajoso para o Executivo ir a votos numa consulta sobre a União Europeia"

Quem disse isto? CONFERIR


Os irlandeses tiveram coragem para referendar o Tratado de Lisboa, em vez de presumir arrogantemente o seu resultado. Sócrates certamente preferiria mudar a Constituição, e neste momento deve estar a ensinar esse truque aos seus colegas da Uelândia.

Entretanto fica registada neste post mais uma cambalhota.

Um dia depois de ter afirmado no Parlamento que a vitória do “sim” era “fundamental” para a sua carreira política, o primeiro-ministro português admitiu que o chumbo do tratado que elegeu como prioridade da sua presidência representa “uma derrota pessoal”. “É uma derrota para mim e para todos aqueles que se empenharam no Tratado de Lisboa e no projecto europeu. Todos [os líderes europeus] estarão tão desapontados quanto eu estou neste momento", acrescentou.

Fundamental para Sócrates é mesmo ir continuando como primeiro-ministro, porque pelos projectos conhecidos, há muitos "engenheiros" como ele por aí.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

O cancro não se trata com Ben-U-Ron’s

Todos os contribuintes irão pagar os Ben-U-Ron’s com que Sócrates anestesiou os camionistas, mas o preço do petróleo contínua a subir e o cancro mantém-se enquanto os combustíveis forem mais caros em Portugal do que Espanha, exclusivamente porque Sócrates nos obriga a pagar mais impostos. Isso nunca ele conseguirá explicar a ninguém, e se persistir em impor esta estupidez à lei da bastonada será o seu fim.

Não se pode crer convergir com a Europa numas áreas e não noutras. Sócrates só invoca a necessidade de convergência com a União Europeia quando lhe interessa! O ISP dá-lhe um jeitão para reduzir o défice orçamental, é certo. Mas Sócrates não pode ignorar que mesmo os analfabetos não estão dispostos a votar num Primeiro-Ministro que os faz atravessar a fronteira para atestar o depósito.

Com esta política dos Ben-U-Ron’s foi agora a vez dos transportadores e o caso não ficou resolvido. Virão os taxistas, os agricultores, os pescadores, e muitos mais com problemas específicos tentar sacar o seu quinhão. É uma política insustentável.

Entretanto as petrolíferas continuam a brincar connosco! A Galp sobe o preço da gasolina quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional, e também sobe o preço da gasolina quando o preço do petróleo no mercado internacional desce! E ainda nos querem convencer que há concorrência no sector!

É inadmissível que não se procure a convergência de preços com Espanha nos combustíveis

O poder caiu na rua, já que o conteúdo das medidas que estão em cima da mesa e que serão agora apresentadas aos piquetes de greve.

O Governo ganhou este round visto que os camionistas desmobilizaram, mas Sócrates não pode continuar a afirmar que “não poremos em causa o interesse geral por qualquer interesse específico” porque a lei dos camiões permitiu ganhos relevantes para os manifestantes.

Numa economia de mercado os preços estabelecem-se na concorrência, e não resultam de nenhum conjunto complexo de regras como as estabelecidas. Por exemplo, não é por terem acordado que "o preço do transporte de mercadorias vai passar a estar indexado ao combustível" que isso sucederá. Se houver excesso de oferta dos transportadores, o mais provável é que estes não consigam fazer repercutir na totalidade o acréscimo dos custos sobre os clientes.

Se é verdade que a lei do camião rendeu as benesses descritas na imprensa económica, não é menos verdade que alguém irá suportar os seus custos.

Para já Sócrates livrou-se deste aperto, mas o cancro continua. O cancro continua porque é inadmissível que não se procure a convergência de preços com Espanha nos combustíveis, particularmente depois do estudo oficial que revela que o diferencial de preços da gasolina entre Portugal e Espanha é nulo, se forem considerados os preços sem os impostos. Chegar a esta convergência é que seria governar para os portugueses. Assim, Sócrates ofereceu uns doces aos transportadores à custa dos portugueses.

terça-feira, 10 de junho de 2008

A raça está a crescer

  • NÃO SEI SE SÓCRATES É FASCISTA. Não me parece, mas, sinceramente, não sei. De qualquer modo, o importante não está aí. O que ele não suporta é a independência dos outros, das pessoas, das organizações, das empresas ou das instituições. Não tolera ser contrariado, nem admite que se pense de modo diferente daquele que organizou com as suas poderosas agências de intoxicação a que chama de comunicação. No seu ideal de vida, todos seriam submetidos ao Regime Disciplinar da Função Pública, revisto e reforçado pelo seu governo. O Primeiro-ministro José Sócrates é a mais séria ameaça contra a liberdade, contra autonomia das iniciativas privadas e contra a independência pessoal que Portugal conheceu nas últimas três décadas.
    António Barreto, Público, 06/JAN/2008


A comunidade científica trata a Sociologia como se fosse uma religião porque os "sociólogos" com maior visibilidade nos meios de comunicação não se acanham de dizer os maiores disparates. Para quê induzir os leitores no erro de que se acusa a populaça se podemos afirmar com segurança que Sócrates é autoritário?

Enfim, quando se escreve para os jornais, apimentam-se os artigos com umas expressões
que deixam à margem o rigor sociológico. Eis mais um exemplo para o rol das anedotas:

  • A Miss Portugal 1990 tem 1,81 metros. Repito, um metro e oitenta e um centímetros! Outro feito do cavaquismo ocidental: a raça está a crescer...
    António Barreto, Público, 13 de Maio de 1990



Esta brilhante conclusão de que a raça está a crescer, partindo da altura da Miss Portugal é elucidativa do tipo da "Sociologia" de algibeira que se pratica em Portugal. Quanto à expressão "raça" no léxico de um sociólogo, diria que o erro é 1.000 vezes mais grave que no caso de Cavaco.

A Raça de Cavaco

Se um aluno do secundário escrever alguma coisa sobre a raça portuguesa, a questão é anulada. É um conceito que não existe!





O Doutor Cavaco Silva diz exactamente o mesmo, com o sorrisinho de ignorante, e a plebe bate palmas.



Muito bem Senhor Doutor. Mas comece por ser exigente consigo mesmo, estudando a História de Portugal, para evitar palermices deste calibre.

Uma explicação para esta anedota é que estará a pensar nas centenas de milhar de imigrantes como causa do desemprego, esquecendo os milhões de emigrantes espalhados por esse Mundo fora, as Comunidades Portuguesas.

O Presidente da República recuperou "terminologia racista e segregadora do Estado Novo", porque se conformou com os valores do Estado Novo e nem sequer se insurgiu contra a Guerra Colonial.

  • "Sou o único político vítima do fascismo em Portugal. Nenhum outro líder político esteve na Guerra Colonial". Cavaco Silva, Primeiro-Ministro, Notícias Magazine, 10 de Setembro de 1995.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

O diferencial de preços da gasolina entre Portugal e Espanha é nulo, se forem considerados os preços sem os impostos



Decomposição dos custos associados ao preço retalhista na gasolina IO95

Fonte: Relatório da AdC, 02/06/2008

Backup

"[A Autoridade da Concorrência] identificou indícios de correspondência razoável entre os preços praticados [nos combustíveis] e os custos da actividade".
Manuel Sebastião, presidente da AdC, no Parlamento, 03-06-2008


Troquemos por miúdos.

As duas refinarias existentes no país - Porto e Sines - são partilhadas pelas marcas no interesse exclusivo de servirem os consumidores. Nestas não há qualquer ineficiência, portanto o preço à saída das refinarias é determinado pelo mercado internacional, segundo a AdC.

A margem de armazenagem e transporte é a mínima necessária ao desenvolvimento da actividade. Idem relativamente à margem de venda do combustível a retalho.

Quase 60% da despesa que fazemos no abastecimento da gasolina vai directamente para os cofres do Estado, através do IVA e do ISP, mas dessa parte não podem culpar-se as empresas. O diferencial de preços da gasolina entre Portugal e Espanha é nulo, se forem considerados os preços sem os impostos. Isto é, a encomenda do Ministro da Economia caiu no colo do Primeiro-Ministro!

Os painéis nas auto-estradas com informação dos preços dos combustíveis e do gás de botija praticados pelos diferentes operadores, bem como a criação de um site institucional que irá permitir comparar preços dos combustíveis,
são um exemplo do melhor folclore Socratino (derivação de Sócrates sem tino, em desatino, sem destino...).

Saliente-se que o relatório se encontra orientado para defender os interesses das petrolíferas. Designadamente, quando afirma não ter identificado qualquer infracção à lei da concorrência, mas dá conta de um "paralelismo" nos aumentos simultâneos praticados pelas gasolineiras, e por não esclarecer como é que as marcas brancas conseguem ter preços mais baixos.

Enfim! A Galp aumenta o preço da gasolina, e logo no mesmo dia a BP e a Repsol aumentam os preços na mesma quantia... Mas temos que acreditar que não existe cartel, porque uns senhores, audesignados Autoridade da Concorrência estudaram o assunto... e concluíram que nós andamos todos enganados quando imaginamos que os preços são "combinados" entre os maiores players do mercado.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Pela Boca Morre o Peixe

Eis algumas frases extraídas do livro de João Pombeiro, para abrir o apetite. Trata-se da mais divertida viagem pela História recente (post 25/4/74) que li.
O livro é editado por A Esfera dos Livros.




Portugal é um oásis”. Jorge Braga de Macedo, Ministro das Finanças, Diário de Notícias, 28 de Setembro de 1992.

“Nunca esteve, de certeza absoluta, no espírito dos fundadores, a ideia de que, na Comunidade, os preservativos teriam de ter a mesma dimensão”. João de Deus Pinheiro, Ministro dos Negócios Estrangeiros, Expresso, 4 de Julho de 1992

"É preciso continuar a sacar dinheiro à Europa". Mário Soares, Público, 18 de Maio de 1999.

Não tenho as qualidades que um primeiro-ministro deve ter. (…) Ministro é o meu limite”. José Sócrates, Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território, DNA, 16 de Setembro de 2000.

“O problema dos políticos é que não têm projecto para o país. Eu em 48 horas acabava com este estado de coisas”. Luís Filipe Menezes, Presidente da Câmara Municipal de Gaia, Sábado, 25 de Janeiro de 2007.

“A posição que aqui defendi […] é exactamente a da Igreja Católica. A Igreja Católica proíbe o aborto porque entende que quando se pratica o acto sexual é para se ver o nascimento de um filho”. João Morgado, Deputado do CDS, Expresso, 13 de Março de 1992.

sábado, 31 de maio de 2008

O automóvel eléctrico está aí!

Chego a casa, estaciono o carro na garagem, e ligo-o ao carregador como se fosse um telemóvel! Quando sair, desligo-o, e nunca preciso de ir ao posto de abastecimento!

A tecnologia já existe!
A Tesla Motors é uma associada da General Motors, portanto quanto a garantias está tudo dito.
Se virem o vídeo abaixo correm o risco de ficar a sonhar com a máquina ;)


99.000 € não está ao alcance de todos, mas já há propostas mais acessíveis como os Green Vehicles.


O rápido crescimento dos preços do petróleo que sofremos na pele, veio obrigar a repensar mais seriamente esta alternativa, começando a tornar-se frequentes notícias sobre veículos eléctricos.

  • O deputado socialista Jorge Seguro defendeu hoje incentivos para a instalação de fábricas e projectos de automóveis eléctricos, bem como para os consumidores que optem por este tipo de veículos, porque "há mais vida para além do petróleo". Lusa, 30 de Maio de 2008


  • Apesar das anunciadas intenções da Nissan de vender veículos eléctricos nos EUA e no Japão, no final de 2010, a marca já passou às experiências em campo. Recorde-se que em Fevereiro de 2007 a Nissan Motor Co. Ltd. entregou à empresa de rent-a-car Kanagawa Toshi Kotsu Ltd. a sua, então, mais recente versão do X-Trail FCV com pilha de combustível, para ser utilizado como parte da sua frota de aluguer com condutor. Foi a primeira vez que esta modalidade de rent-a-car foi disponibilizada. Saliente-se que a aliança Renault/Nissan irá, numa primeira fase, comercializar de forma massiva automóveis eléctricos na Dinamarca e em Israel, em 2011. LusoMotores, 29 de Maio de 2008


A mudança não se faz sem resistência. Fica aqui o link para um ficheiro recebido por mail, em denúncia dos obstáculos impostos pelos interesses económicos.
Tem sido "inteligente" a estratégia dos produtores, não vendendo, mas simplesmente alugando os automóveis eléctricos. Isso permite-lhes recuperar toda a frota pela simples não renovação dos contratos de aluguer, com a vantagem de então poderem destruir todos os carros de uma só só vez.
O site Don't Crush mostra a consciência dos indivíduos na Web, contra este estado das coisas.

Será possível repetir a "façanha"?

Quem matou o automóvel eléctrico? Eis a 1ª parte de 11 de um excelente documentário no YouTube.



Para aprofundamento do tema convém ler o relatório da WWF.




  • Os sectores petrolífero e dos transportes encontram-se inextricavelmente ligados. Para sustermos qualquer mudança das alterações climáticas reversíveis, da destruição dos ecossistemas essenciais e das tensões geopolíticas, esta ligação tem de ser desfeita pela transição para um paradigma de transporte que é extremamente eficiente e simultaneamente compatível com a renovação sustentada da energia do futuro.
    PLLUGED IN – The End Of The Oil Age


Backup



Em português, podem ler-se notícias interessantes no site da ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DO VEÍCULO ELÉCTRICO.

Eis um veículo eléctrico português, desenvolvido pela Escola Superior de Tecnologia, de Viseu. Com 1 € faz 100 kms. Fantástico!



PS - Volkswagen reconhece que o futuro pertence ao automóvel eléctrico

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A construção estatística das crises económicas

Em grande parte a referência quotidiana às crises económicas resulta da afirmação do jornalismo como novo produto de consumo. O ardina que vendia jornais no meu bairro apregoava sempre “Olha o desastre!”, mesmo que os jornais nesse dia não fizessem referência nenhum. Era a sua técnica de marketing. Os jornalistas de economia precisam de anunciar, descrever, falar de crises, porque a sua profissão vive delas.

Trata-se de um trabalho que pode ser feito com maior ou menor seriedade, mas o mundo dos blogues obriga também o círculo relativamente fechado dos especialistas a abrirem-se a outros olhares. Vêm isto a propósito de um post que chama a atenção para um aspecto – o 4º trimestre de 2008 teve mais 3 dias úteis que em 2007 - que terá passado despercebido entre a generalidade dos analistas, tornando as estatísticas portuguesas incomparáveis com as da União Europeia, só porque o INE não adopta a mesma metodologia dos seus congéneres, invocando a complexidade do processo.

Fonte: Síntese Económica de Conjuntura - Mensal - Abril de 2008

"Não haverão países "pobres" - só países ignorantes. E o mesmo será verdade para os indivíduos, as empresas, as indústrias e todos os tipos de organizações", disse Peter Drucker.

O que confere validade às estatísticas não é cada indicador calculado isoladamente, mas a rede de equivalência que se estabelece entre os diversos indicadores da rede estatística. Descoberta uma falha, os autores do post colocam naturalmente em causa todo o sistema: o INE, os jornais, designadamente os especializados, os economistas profissionais, a oposição, o Governo...

Concluem que...




Concordo.

7 anos depois, José Sócrates foi condenado

Fica registado.

  • O primeiro-ministro José Sócrates foi condenado, na semana passada, pelo Tribunal da Relação de Lisboa, a pagar 10 mil euros por danos não patrimoniais causados ao jornalista do "Público" José António Cerejo.
    Em Março de 2001, José Sócrates, então ministro do Ambiente, escreveu uma carta publicada no Público em que acusava o jornalista de ser "leviano e incompetente" e acusando-o de servir "propósitos estranhos à actividade de jornalista".
    EXPRESSO, 21/MAIO/2008

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Ridículo: Prédio no valor de 38 mil euros penhorado por divida de 75,43 euros

A eficácia da máquina fiscal é exemplar.

  • A Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) penhorou e colocou à venda dois imóveis, cujo valor patrimonial é superior a 38 mil euros, a um contribuinte com uma dívida de 235,88 euros. Deste montante, no entanto, apenas 75,43 euros correspondem ao não pagamento da contribuição autárquica e o restante diz respeito a acréscimos legais, como juros de mora e custas do processo.
    Jornal de Negócios, 21/Maio/2008


Que justiça é esta? É o cumprimento da lei para quem não conhece nenhum politicu daqueles que se atropelam pelos corredores do poder para nos sacar os cobres.

Este episódio é ainda mais anedótico se tivermos em consideração que a antiga Contribuição Autárquica (CA) chegava até nós em facturas do SMAS, que não se distinguiam daquelas que pagamos regularmente pelo consumo de água. Estou a imaginar a situação de um indivíduo prático e distraído. Como é prático tem tudo a pagamento por transferência bancária, porque pode dar-se ao luxo de não se preocupar com as contas. O problema é que a CA não foi “cair” na sua conta bancária, era necessário fazer o pagamento por MultiBanco. Como é distraído alguns papéis podem ir para o lixo mais rapidamente do que deviam ;) Um ano não pagou a CA e saiu-lhe o jackpot acumulado!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Futebol, Fados e Fátima

Tudo vai bem no país dos 3 F's.
O futebol é o desporto nacional de bancada. Se fosse uma indústria seria certamente o sector de actividade mais importante em termos do seu contributo para o PIB, em razão dos salários milionários pagos aos jogadores.
O fado é a canção nacional, melancólica, que representa o estado de espírito típico dos portugueses.
Fátima representa a desistência de lutar - trabalhando - por uma vida melhor. Os portugueses preferem esperar pelos milagres da Nossa Senhora, porque é mais cómodo que definir e tentar atingir objectivos realistas.

Num país adormecido os indivíduos até acham "natural" que o autor da lei de perseguição aos fumadores possa fumar! E ele tem justificações para tudo.
  • «Estava convencido que não estava a violar nenhuma lei nem nenhum regulamento. Infelizmente há essa polémica em Portugal e eu quero lamentar essa polémica. Se por algum motivo violei algum regulamento, alguma lei, lamento e peço desculpa, não voltará acontecer», declarou o primeiro-ministro, que anunciou também que iria deixar de fumar em definitivo. Diário Digital / Lusa, 14-05-2008


Sócrates lança grandes obras públicas que frequentemente revelam não servir para nada, a não ser para alimentar o lobby da construção civil, como os estádios do Euro 2004, que agora não têm utilização, no país do futebol de bancada.

No fado não se tem dado pelo florescimento de muitas estrelas, mas contando com outros géneros musicais certamente que nunca terá sido tão fácil gravar um CD. Os artistas do futebol e da música são utilizados em campanhas publicitárias para promover a imagem do país, como na criada por Pedro Bidarra, da BBDO, Portugal - Europe's West Coast.
Backup de Portugal - Europe's West Coast


Fátima ofereceu a Licenciatura ao especialista em Marketing. A trapalhada foi de tal calibre que não encontrou outra solução que poupasse o encerramento da Universidade. Uma vez que conseguiu resistir a essa fraude, adquiriu imunidade para outras palhaçadas, como esta, que vão dando para a malta se divertir.

Sabem porque é que não se pode fumar nos aviões?

- Porque o exemplo tem de vir de cima.

China: Um exemplo da pluralidade de justificações que apresentamos em função das situações

Texto 1
A China ocupa o segundo lugar na lista dos maiores exportadores do mundo, e arrecada o terceiro quando se fala em países importadores. Só em 2007, o volume de exportações da União Europeia para o gigante asiático chegou aos 48 mil milhões de euros. Em Portugal, a Associação Comercial e Industrial Luso-Chinesa assegura que há 20 mil chineses legalizados, 5 mil estabelecimentos comerciais e 400 restaurantes. Imparável, a China conquista o Mundo debaixo de um coro de protestos - pelas metrópoles por onde passou a tocha olímpica, não faltaram palavras de ordem contra os alegados crimes praticados por Pequim contra os Direitos Humanos...
http://clix.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/315577

Texto 2
Quando acordei quis saber que horas seriam. Não que tivesse alguma coisa importante marcada, mas é aquele hábito humano quase irresistível do «ter de saber as horas». Foi quando me lembrei que no dia anterior tinha banido todos os relógios do meu quarto, por serem fabricados na China. O primeiro desafio desta aventura foi, pois, saber a que horas andava - e eu já tinha posto de lado telemóvel e computador. Embora o telemóvel tenha sido fabricado na Finlândia, a bateria e respectivo carregador foram feitos na China, o que constituiu, aliás, o grande problema para o substituir por outro. O mesmo se passou em relação ao computador e respectivo rato. Liguei a televisão, estava a dar um dos noticiários das 10h, o problema de saber as horas estava resolvido. Escolher o que vestir hoje foi frustrante, pouca coisa no meu roupeiro escapou à invasão chinesa. Da minha roupa interior quase nada resta, o blusão para o frio foi banido, casacos de malha igual a zero, camisas o mesmo, algumas calças de ganga escaparam... acabei por me vestir «made in India», o que incluiu uma camisola da minha mãe. A melhor notícia do dia foi… todos os meus sapatos são de países diferentes e nenhum é chinês. A pior notícia: tenho urgentemente de ir às compras.
Fonte: Diário de uma Estudante, que resistiu aos produtos chineses durante um mês, EXPRESSO/Assinatura, 10/MAIO/2008

Admitindo a complexidade da realidade, e a facilidade das pessoas em justificarem as suas acções em função de cada situação, compreendem-se situações aparentemente contraditórias. A oposição política à China a propósito da violação dos Direitos Humanos, convive muito bem as “oportunidades de negócio” com a China e os seus produtos baratos. Não há racionalidade económica que explique a pluralidade de justificações que mobilizam os seres humanos nos mais variados contextos.

O "eu-que-vai-às-compras" não suportaria sistematicamente a tirania do "eu-político"...
Escrevi pluralidade no título porque de facto nem sei quantos "eus" cada um de nós tem: depende da situação... Pelo menos quando decidimos divertir-nos deixamos num plano secundário a vertente política e a económica, emergindo uma espécie de "eu-divirto-me" ;) Também não me divirto lá grande coisa se der muita atenção ao "eu-ecologista", que me pede para deixar o carro na garagem...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Multado por não consumir gasolina/gasóleo

Neste país tudo é possível.

  • "A Direcção-Geral das Alfândegas e Impostos fez um cálculo aos combustíveis fósseis que deixei de consumir por ter tornado a junta auto-suficiente através da produção de bio-combustível", disse Joaquim Casado. "Irei até aos últimos trâmites para não pagar um imposto que considero injusto".PÚBLICO, 09.05.2008


Pensavam que reciclar os óleos era uma atitude exemplar?
Ainda não perceberam que o Sol, quando nasce, não é para todos? A lógica das finanças é deixar instalar painéis solares agora, para multar depois ;)
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