sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

29/Fev - Balanço da luta dos professores, in PÚBLICO

Já saíram à rua mais de 10 mil professores

Isabel Leiria

Acesso à categoria de titular, avaliação e alterações à gestão escolar são alguns dos motivos na origem dos protestos desta semana

Ao longo de três anos de governo, a actual equipa do Ministério da Educação já enfrentou greves em época de exames nacionais, a maior manifestação de professores dos últimos 25 anos, vigílias à porta da 5 de Outubro, semanas de luta. Mas nunca como agora a contestação às políticas educativas foi tão intensa.
Numa semana, desde o protesto de sábado passado no Porto até ontem em Aveiro, mais de dez mil docentes saíram às ruas, em diferentes cidades, de acordo com as contas dos sindicatos, movimentos e polícia. E continuarão, a um ritmo quase diário, até 8 de Março, data da "marcha de indignação dos professores".
Inicialmente promovidos por sindicatos afectos à Fenprof (à excepção da concentração no Porto, convocada por SMS, mails e blogues, sem que se tenha tornado pública a sua origem), os protestos têm ganho dimensão com ajuda da promoção feita em páginas na Internet dedicadas à educação e ao "passa SMS" entre milhares de colegas que se sentem "atacados" como nunca. Vários manifestam-se pela primeira vez e muitos têm-se juntado em torno de movimentos cívicos que, em um mês, se transformaram em novos protagonistas da contestação.
Os movimentos
Movimento dos Professores em Luta, Movimento dos Professores Revoltados, Defende a Profissão, Em Defesa da Escola Pública são apenas alguns exemplos de grupos docentes à margem das organizações sindicais e que se assumem como apartidários. "Há um mal-estar social que não atinge apenas os professores. E a tensão que se vive nas escolas levou as pessoas a procurar formas de expor os seus receios. Daí a criação de movimentos cívicos por todo o lado", diz o professor de História Vitorino Guerra, um dos fundadores do movimento Em Defesa da Escola Pública. Na sua primeira reunião, em Leiria, contou com 160 docentes. Semanas depois juntaram-se oito centenas.
"Parecia-nos que as organizações sindicais não estavam a mobilizar-se, em termos de acções de luta, de forma eficaz e que a sua ligação às escolas estava um pouco suspensa. Foi isso que nos levou a criar um movimento paralelo e complementar dos sindicatos", explica Mário Machaqueiro, promotor da Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino, que reúne vários movimentos cívicos.
Nas escolas têm sido vários os conselhos pedagógicos e executivos a aprovar declarações de repúdio, particularmente em relação à avaliação. Da esquerda à direita chovem críticas dos partidos a todos os diplomas que vão sendo aprovados. E nem as recentes palavras de elogio ao "esforço" da classe que se têm ouvido a José Sócrates e à ministra da Educação parecem já servir para apaziguar os ânimos.
Manuela Teixeira, a ex-dirigente que esteve 25 anos à frente da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação, diz mesmo não se recordar de nenhum momento de contestação como o que se está a viver por estes dias (ver texto nestas páginas).
"Processo viciado"
Na opinião de Vitorino Guerra, o agravamento do mal-estar aconteceu com o concurso para professor titular (a mais alta categoria prevista no novo estatuto). "Geraram-se injustiças terríveis e a partir daí o processo ficou viciado." "O discurso é o do mérito. Mas não houve avaliação da qualidade da prática pedagógica, nem dos conhecimentos técnico-científicos", justifica. Como o concurso só valorizou o percurso dos professores nos últimos sete anos, tudo o que foi feito para trás não contou. E, como se realizou ao nível da escola, houve professores de escalões mais elevados e com pontuações superiores ultrapassados por outros. Alguns ficaram excluídos por um ponto, exemplifica este professor.
O decreto regulamentar da avaliação dos professores e o novo modelo de gestão escolar, aprovados já este ano, acabaram por se tornar na gota de água. Sobre a avaliação disparam-se críticas em várias direcções. Desde o calendário escolhido pelo ME - as escolas foram chamadas, a meio do 2.º período, a elaborar os instrumentos de medida da avaliação, a adaptar os documentos internos e a definir com os professores os objectivos para este ano lectivo e o próximo - aos critérios previstos. "O professor surge como o único responsável pelo sucesso dos alunos, como se não houvesse outras variáveis sócio-culturais e económicas", exemplifica Vitorino Guerra.
Sobre a gestão questiona-se a "democraticidade" de um sistema em que muitos poderes são concentrados num director, que escolhe os coordenadores dos departamentos e avalia os professores.
Mário Machaqueiro pergunta, por seu turno, por que razão se invoca a necessidade de reforçar as lideranças com este modelo de gestão, quando, de acordo com a Inspecção-Geral da Educação, 83 por cento de 100 escolas avaliadas merecem uma classificação de bom ou muito bom e 90 por cento obtiveram a mesma nota na organização e gestão.
Álvaro dos Santos, presidente do Conselho das Escolas, admite que a contestação é "inelutável", mas, pessoalmente, considera que alguma está a ser "empolada". Como presidente deste órgão consultivo garante que vai continuar a "fazer tudo para que as escolas tenham condições efectivas para fazer bem o seu trabalho".
16 de Fevereiro
Dezenas de pessoas, convocadas por SMS, manifestam-se à porta da sede do PS em Lisboa, quando Sócrates se reunia com docentes socialistas

23 de Fevereiro
Mais de dois mil juntam-se no Porto, Leiria e Caldas da Rainha

26 de Fevereiro
Três mil professores desfilam em Coimbra. Nos dias seguintes protestos em Viseu, Guarda e Castelo Branco juntaram mais de cinco mil




Plataforma espera mais de 25 mil em Lisboa


Sindicatos recorrem a Cavaco Silva

Perante o que considera ser um "quadro de grande instabilidade nas escolas" e a "panela de pressão" em que se transformou o sistema educativo, a plataforma sindical que reúne as dez organizações representativas da classe considera que é "fundamental, urgente e inadiável" a intervenção do Presidente da República. "Vamos pedir uma audiência ao Presidente da República, para que fique na posse de todos dados sobre o que se passa na Educação. Respeitaremos a sua decisão, mas queremos prestar todos os esclarecimentos", anunciou ontem Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof.
Sobre a "marcha da indignação", marcada para dia 8 de Março e que contará com o apoio de todos os sindicatos, da Associação Nacional dos Professores, estando aberta a todos os docentes, sublinhou Mário Nogueira, as expectativas são grandes. "Esperamos, no mínimo, tantos como os que estiveram na última manifestação [25 mil, em Outubro de 2006]. O largo fronteiriço à Assembleia da República seria demasiado pequeno", explicou ainda Mário Nogueira, justificando assim a alteração de percurso, que se iniciará no Marquês de Pombal e terminará na Praça do Rossio. "O primeiro-ministro vai perceber que a contestação às políticas do ME não são uma invenção dos sindicatos", disse.
Por considerar o momento actual "politicamente gravíssimo", Mário Nogueira entende que esta seria também a altura de marcar a reunião "há muito pedida" com José Sócrates, de forma a discutir "cara a cara" a resolução da situação. I.L.




Ontem o protesto foi em Aveiro

Maria José Santana

"Maria de Lurdes dá-me a tua camisola." O pedido estava escrito num dos vários cartazes exibidos pelos mais de 2000 professores que ontem à noite se manifestaram nas ruas de Aveiro. "No futebol toda a gente quer a camisola do seu ídolo. Como admiro muito a ministra, quero a camisola dela", explicava Teixeira Homem, o autor da irónica mensagem. Com mais de 30 anos de serviço na docência, este professor da Escola Secundária Jaime Magalhães Lima, em Esgueira, no concelho de Aveiro, garante ter realizado ontem a sua estreia em manifestações de protesto. "Porquê agora? Porque nenhum outro governo havia tratado tão mal os professores", asseverou.
Maria José Tavares, professora do primeiro ciclo, na Gafanha da Nazaré, em Ílhavo, também garantiu ser uma estreante em acções de protesto, apesar de já contar com 30 anos de serviço. "Estou contra tudo. É muito injusto ter já todo este tempo de serviço, estar com 52 anos, e saber que só saio aos 65 anos", relatou. À medida que vai falando, Maria José não consegue parar a enunciação dos motivos do seu descontentamento. "Vou ser avaliada por colegas que têm muito menos anos de serviço do que eu, que não têm prática nenhuma", apontou. Logo a seguir deixa o desabafo: "Obrigam-nos, agora, a preencher uma série de papelada, burocracias, e ficamos sem tempo para preparar as aulas. Eu tirei um curso para ensinar crianças e não para preencher papéis."
A manifestação que ontem tomou conta da principal artéria de Aveiro, e que foi convocada pela Fenprof, aconteceu uma semana depois de uma marcha de protesto de professores ter percorrido as ruas da cidade da ria, no âmbito de um movimento espontâneo, nascido na Escola Básica Integrada (EBI) de Eixo, no concelho de Aveiro. Há um mês, os docentes começaram a ir para esta escola vestidos de negro, em sinal de luto, e, rapidamente, passaram a sua luta para as ruas. Primeiro, com uma pequena concentração à porta da EBI de Eixo, no dia 14. Uma semana depois, e já com a participação de mais de uma centena de colegas de outras escolas da região - convocados por e-mail e SMS -, desfilaram ao longo da Avenida Dr. Lourenço Peixinho rumo ao Governo Civil, no mais completo silêncio e à luz das velas.
António Morais, responsável pelo movimento de docentes de Eixo, e autor de um manifesto e uma carta aberta a todos os professores, declarou ao PÚBLICO que, ontem, já estava a assinalar o 31.º dia de luto. E fez questão de deixar um aviso a José Sócrates: "Estes professores não são todos comunistas, nem sindicalistas e muito menos professorzecos." Já para a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, dirigiu a acusação de que está a fazer com que a educação fique "em cacos". "É muito boa a decidir, mas muitas vezes decide mal. Mas é péssima a motivar e seria uma péssima professora", referiu António Morais - uma declaração que foi fortemente aplaudida pelos manifestantes.




"Será muito difícil travar este movimento"

Reuniões pela madrugada fora. Plenários cheios. Greves "daquelas que fechavam escolas". Manifestações - a 18 de Novembro de 1988, por exemplo, saíram 20 mil à rua em Lisboa, nas contas da Fenprof. Os anos de 1988, 89 e 90 marcam um dos períodos de maior contestação da classe docente nas duas últimas décadas. A ex-sindicalista Manuela Teixeira recorda esse tempo em que dirigia a Federação Nacional dos Sindicatos de Educação (FNE) e em que o Estatuto da Carreira Docente proposto pelo então ministro da Educação Roberto Carneiro (Cavaco Silva era primeiro-ministro) desencadeou uma irritação geral. Mas, ao contrário do que se tem passado por estes dias, nessa altura os sindicatos tinham o monopólio da organização dos protestos. Hoje não é bem assim. E "será muito mais difícil travar este movimento" de contestação que está em curso, acredita.
Manuela Teixeira - que durante 25 anos esteve à frente da FNE e hoje se dedica ao ensino - justifica esta afirmação não só pelo número de professores que estão a manifestar-se todos os dias, como sobretudo pelas características dos protestos.
As greves
É certo que não há greves sucessivas - como as que os professores fizeram em alguns momentos nos últimos 20 anos. Em 1991, por exemplo, os professores decidiram faltar alternadamente às reuniões de avaliação (num dia só paravam os de Inglês, noutro os de Matemática e assim sucessivamente), para exigir os aumentos salariais que o Governo tinha prometido. E, em 1995 (era ministra Manuela Ferreira Leite), várias greves de docentes do ensino superior impediram que milhares de alunos fizessem provas específicas. Agora, diz Teixeira, "os professores ponderam 20 vezes antes de fazer uma greve, porque as greves mexem muito no bolso, os seus salários não têm sido aumentados e muitos têm cônjuges no desemprego."
O que não significa um movimento menos forte. "Dantes sentíamos revolta", diz. "Hoje, os professores sentem-se desrespeitados, há um sentimento de desespero." Mas há ainda um outro factor que distingue o momento que se vive: "O Governo teve a preocupação de dispersar os sindicatos, que foram quem sempre mobilizou a luta dos docentes" e quem assumiu o papel de interlocutor do executivo. Se, no passado, após um período de contestação, havia acordos entre ministério e sindicatos, os sócios destes últimos aceitavam o acordado. Agora, quando são grupos de docentes a, espontaneamente, marcar vigílias e marchas, "será muito mais difícil travar este movimento, porque o Governo não tem interlocutores". Andreia Sanches
1988 e 1989: Os professores recusam passar a receber menos do que os técnicos superiores da função pública, contestam o Estatuto da Carreira Docente e exigem uma gestão democrática das escolas. Há manifestações e greve. Roberto Carneiro é o ministro da Educação

1990: A prova de acesso ao 8.º escalão, último grau da carreira docente, gera grande contestação

1998: Sindicatos unem-se para reclamar nas ruas a redução da carreira docente para 25 anos. Marçal Grilo é o ministro da Educação

2000: Várias acções de luta alertam para o desemprego dos professores. O ano começa com a ocupação de centros
de emprego. Guilherme
d"Oliveira Martins é o ministro da Educação

2005: Federação Nacional da Educação (FNE) e Fenprof convocam quatro dias de greve aos exames nacionais do 9.º e 12.º anos. Contestam o congelamento das progressões automáticas e o aumento da idade da reforma

2006: A manifestação de professores do dia 5 de Outubro junta um número considerado recorde de docentes - 25 mil. Mais uma revisão do Estatuto da Carreira Docente está no centro da polémica. A avaliação dos professores é dos pontos mais contestados.




PS - Eu não teria copiado os textos se a política do jornal PÚBLICO fosse manter os artigos online, caso em que apenas faria os respectivos links.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Mais uma injustiça: Aos professores da Madeira não se aplicam quotas nem a carreira conhece diferentes categorias!

Incrível!


  • De acordo com o Estatuto, não é exigida uma prova de avaliação de conhecimentos e competências para o ingresso na carreira, não há hierarquização da carreira em duas categorias (professor e professor titular) e não há quotas no escalão máximo (oitavo) da carreira docente (no Continente, foi estabelecido um limite de Professores Titulares por escola).
    Correio da Manhã


Que lógica tem isto? Alguém será capaz de explicar?

26/Fev - Manifestação em Coimbra

O número considerável de participantes, com mais gente do que a própria organização previa, veio demonstrar o descontentamento pelas políticas educativas. Diário de Coimbra



Do meu ponto de vista é pena que a FENPROF se entretenha agora com a exigência do pagamento de uns trocos [Minuta do Requerimento], como se estas "aulas" tivessem sido um serviço prestado digno desse nome. Creio que a denúncia das aulas de substituição deveria continuar, porque o "trabalho" do professor nessas aulas continua a ser mesmo: tal como o cão pastor evita que o rebanho tresmalhe, o professor mantêm os alunos fechados na sala de aula, em prejuízo do seu convívio e da subutilização dos centros de recursos, bibliotecas mais sofisticadas que as que seus pais conheceram, porque equipadas com computadores e outros recursos multimédia.

A posição dos professores é ambígua neste aspecto, porque apesar de terem consciência da inutilidade pedagógica da tarefa, sempre sonharam obter por via judicial um acréscimo do vencimento do qual se encontram dependentes. Mas porque razão esse pagamento só será feito até Janeiro de 2007? Só porque entrou em vigor Estatuto da Carreira Docente que ente outras aberrações integrou as aulas de substituição na componente não lectiva???? Acho que os professores se deixam socratear facilmente ;)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Os piores cegos são os que não querem ver

O processo de avaliação [de desempenho dos professores] "está em campo e continua dentro da normalidade", disse Maria de Lurdes Rodrigues. Ler mais?

Em que país vive esta sra?

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

23/Fev - Manifestação no Porto - Os motivos da indignação

A Manifestação no Porto foi convocada por sms's, e-mail's, blogues difundidos um pouco por toda a rede - uma originalidade - de modo que ninguém é capaz de identificar quem a convocou ;)
Como não foram respeitadas as formalidades previstas na lei, a manifestação foi ilegal. Iniciativas deste género deverão brevemente multiplicar-se noutras áreas devido à crescente penetração das tecnologias na vida das pessoas. Os legisladores devem ficar atentos ao fenómeno, para poderem adaptar a lei às novas circunstâncias.



Segundo o PÚBLICO, foram mais de 2.000 os professores que manifestaram no Porto contra a política educativa do Governo, à margem das suas estruturas representativas.

Para compreender os motivos da indignação, faça o download dos seguintes documentos:

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Decreto Regulamentar nº 2/2008

Segue-se um esquema com a indicação das fases e do que importa considerar na avaliação individual dos docentes, segundo o Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Nova palavra no dicionário - Socratear

Proposta de entrada para o dicionário que me chegou por mail:

*SOCRATEAR .* [Do analfabeto SÓCRATES]: Verbo totalmente irregular de estranha conjugação. 1. Ocultar ou encobrir com astúcia e safadeza; disfarçar com a maior cara de pau e cinismo. 2. Não dar a perceber, apesar de ululantes e genuínas evidências; calar. 3. Fingir, simular inocência angelical. 4. Usar a dissimulação; proceder com fingimento, hipocrisia. 5. Ocultar-se, esconder-se, fugir da responsabilidade e às perguntas incómodas. 6. Atingir sempre o amigo ou inimigo mais próximo, sem dó nem piedade (antes ele do que eu). 7. Encobrir, disfarçar, negar sem olhar para as câmaras e nos olhos das pessoas. 8. Fraudar, iludir 9. Afirmar coisa que sabe ser contrária à verdade, acreditar que os fins justificam os meios. 10. Viajar com dinheiro público.

Duas socratenices:
- A Licenciatura na farinha amparo




- As casinhas de estilo abarracado

SEDES - Uma referência

Quando a anomia reina, é importante poder contar com referências sólidas. Fica neste post um breve destaque para a última tomada de posição da SEDES:



A SEDES "escreve" bem à distância do debate político, mas convém não esquecer que se encontram lá reunidos quase todos os ex-Ministros das Finanças, talvez com alguma sede...

Vivemos numa democracia semi-parlamentar, com Presidente e Governo de cores diferentes, mas entendem-se tão bem que o seu relacionamento já entrou no anedotário nacional.

Quem diria que Cavaco Silva um dia extrapolou a Lei de Gresham da economia monetária para a política? Ele bem insinuou, agora está a explicar como os maus políticos expulsam os bons.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Uma pedra no sapato de Sócrates

Sócrates não tem legitimidade para impor a avaliação dos professores, porque qualquer um destes fez uma licenciatura a séria, enquanto a sua lhe saiu na farinha amparo. Atente-se na seguinte observação:


  • A avaliação do desempenho dos professores é a referência mais recente e persistente na demagogia do discurso de Sócrates. Com a arrogância que lhe conhecemos, tem falado dela com a mesma ligeireza com que projectou vivendas sobre estábulos ou prestou provas de licenciatura por fax.
    Santana Castilho,PÚBLICO, 20/Fev/2008


Explicando-me melhor. Tem legitimidade política porque o seu partido obteve o numero suficiente de votos. Não tem legitimidade moral porque o seu comportamento e as suas atitudes são largamente condenáveis e nada exemplares. Como as propostas do PS e do PSD dificilmente se distinguem, porque a política de fundo é a mesma, o carácter das pessoas tornou-se particularmente importante para avaliar as suas propostas. A sorte de Sócrates é que do lado da oposição também não se apresenta ninguém sem telhados de vidro.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

23/Fev - 10:30 Caldas da Rainha - Movimento de Professores Revoltados


  • No dia 23 DE FEVEREIRO (sábado) temos que ir todos às CALDAS DA RAINHA.
    Vai-se realizar a Assembleia-Geral onde se vão discutir e aprovar os estatutos, o programa de acção e os corpos dirigentes de uma organização nacional de professores �

    RESERVA JÁ O TEU LUGAR NO AUTOCARRO ENVIANDO UM E-MAIL COM OS TEUS DADOS ( NOME / EMAIL / ESCOLA / TELEMÓVEL) PARA O LOCAL DE SAÍDA (NORTE OU SUL).


Pelo que se pode ler no extracto o mail proveniente do Movimento de Professores Revoltados, este pretende criar uma "organização nacional de professores".

Irei ficar atento aos autocarros, porque se for criada uma nova estrutura nacional efectivamente representativa de muitos docentes, isso revelará o descrédito dos sindicatos e das actuais associações.

O local foi muito bem escolhido. As Caldas possuem exactamente o simbolismo necessário para a crítica do "eduquês" que nos deseduca.



Professores de Sintra...

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Sócrates apupado em manifestação de professores convocada por sms

Os tempos mudaram e os professores aprenderam com os hooligans as suas estratégias de mobilização, convocando de um dia para o outro, por sms...



e


Sócrates não decidiu ouvir as bases sobre a política da educação em curso, porque esse caminho seria demasiado perigoso. Preferiu seleccionar entre os militantes do seu partido, aqueles que estavam dispostos a ouvi-lo e a segui-lo como líder.. Outro truque de selecção está na dimensão da sala, pois com este tema seria possível encher uma sala de teatro ;) Aqueles mal comportados que dizem ter votado PS em Fevereiro de 2005 mas que não votariam PS agora não contam. Esta é a qualidade da nossa democracia. As avaliações pontuais que a caracterizam de quatro em quatro anos evidenciam as suas virtudes, mas simultaneamente, quando no ciclo político parece arrastar-se um "ditadorzeco" essa parece ser a sua maior limitação.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A Ministra da Educação pode ser avaliada pelo seu desempenho?

A Ministra da Educação pode ser avaliada pelo seu desempenho? Pelos vistos não. Atente-se na sua "brilhante" afirmação, com a qual começa a reconhecer o seu falhanço na implementação de um sistema de avaliação dos professores:


  • A avaliação será aquilo que os professores e as escolas quiserem que sejam. Ela é um mero instrumento indicativo para as escolas. Se o utilizarem bem, se o colocarem ao serviço da distinção e do reconhecimento do mérito poderá servir para isso. Se tiver reacções críticas, se as pessoas não quiserem ser avaliadas e não quiserem que os outros sejam avaliados não há nada a fazer: esta avaliação será igual à que anteriormente tínhamos. PÚBLICO, 12/FEV/08


Vale a pena ler a entrevista completa, porque está recheada de anedotas. Segundo a Ministra a exclusão dos professores da presidência do Conselho Geral "foi uma solicitação das escolas para que não haja duas caras e dois rostos a representar a escola na sua dimensão mais pedagógica".

Mais uma. Alguém entende o que é um despacho da tutela "que nem sequer tinha carácter vinculativo forte"?

Se a deixassem eternamente culpabilizar os outros pelos seus insucessos, e continuar a inventar explicações completamente lunáticas, esta senhora bem poderia continuar a ser Ministra até cair da cadeira... Felizmente vivemos num país democrático, e o PS tem de começar a pensar no seu eleitorado...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Desafio lançado a Sócrates

Até Paulo Portas consegue ter razão no debate sobre educação:


  • "O senhor primeiro-ministro imagine que é professor, tem uma turma de 30 alunos, uma parte não sabe a matéria e não tem conhecimentos para passar. O que é que faz o senhor primeiro-ministro? Dá notas artificialmente ou defende a verdade escolar e pode ficar prejudicado?" Paulo Portas


Pedir a Sócrates para dar uma resposta honesta foi evidentemente uma rasteira não inocente, mas tem mérito proporcional à incapacidade de resposta do primeiro-ministro.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Gandas Oportunidades

Paródia a uma célebre "medida educativa" da tia Milu. Porque será que é impossível vermos o vídeo sem nos lembrarmos do Sócrates?

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