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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Motivos para os professores fazerem GREVE


MODELO DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DE PROFESSORES AVALIADORES



Presidente do Conselho Executivo avalia:
- Assiduidade
- Grau de cumprimento do serviço distribuído
- Progresso dos resultados escolares dos alunos e redução das taxas de abandono tendo em conta o contexto socio-educativo
- Participação nas actividades da escola
- Acções de formação realizadas
- Exercício de outros cargos de natureza pedagógica
- Dinamização de projectos de investigação
- Apreciação dos encarregados de educação, desde que haja concordância do docente e nos termos a definir no regulamento da escola

Coordenador do Departamento Curricular avalia a qualidade científico-pedagógica do docente com base nos seguintes parâmetros:
- Preparação e organização das actividades lectivas
- Realização das actividades lectivas
- Relação Pedagógica com os alunos
- Processo de avaliação das aprendizagens dos alunos

FASES DA AVALIAÇÃO:
1.ª fase: Objectivos e indicadores
- O Conselho Pedagógico da escola define os seus objectivos quanto ao progresso dos resultados escolares e redução das taxas de abandono, que são elementos de referência para a avaliação dos docentes.
- O Conselho Pedagógico da escola elabora os instrumentos de registo de informação e indicadores de medida que considere relevantes para a avaliação de desempenho.
2.ª fase: Objectivos individuais
- No início de cada ciclo de avaliação de dois anos, o professor avaliado fixa os seus objectivos individuais, por acordo com os avaliadores, tendo por referência os seguintes itens:
- Melhoria dos resultados escolares dos alunos
- Redução do abandono escolar
- Prestação de apoio à aprendizagem dos alunos incluindo aqueles com dificuldades de aprendizagem
- Participação nas estruturas de orientação educativa e dos órgãos de gestão da escola
- Relação com a comunidade;
- Formação contínua adequada ao cumprimento de um plano individual de desenvolvimento profissional do docente.
- Participação e dinamização de projectos
Nota: Na falta de acordo quanto aos objectivos prevalece a posição dos avaliadores
3.ª fase: Aulas observadas
- O coordenador de departamento curricular observa, pelo menos, três aulas do docente avaliado em cada ano escolar.
- O avaliado tem de entregar um plano de cada aula e um portfólio ou dossiê com as actividades desenvolvidas
4.ª fase: Auto-avaliação
- O professor avaliado preenche uma ficha de auto-avaliação, onde explicita o seu contributo para o cumprimento dos objectivos individuais fixados, em particular os relativos à melhoria das notas dos alunos
- Os professores têm de responder nas fichas de auto-avaliação a 13 questões (pré-escolar) e 14 questões (restantes ciclos de ensino)
5.ª fase: Fichas de Avaliação
- O Presidente do Conselho Executivo e o Coordenador do Departamento curricular preenchem fichas próprias definidas pelo Ministério da Educação, nas quais são ponderados os parâmetros classificativos.
- Os avaliadores têm de preencher uma ficha com 20 itens cada, por cada professor avaliado
- O coordenador do departamento curricular preenche uma ficha com 20 itens, por cada professor avaliado
- O presidente do conselho executivo tem de preencher uma ficha com 20 itens, por cada professor avaliado
- As pontuações de cada ficha são expressas numa escala de 1 a 10.
6.ª fase: Aplicação das quotas máximas
- Em cada escola há uma comissão de coordenação da avaliação de desempenho formada pelo presidente do Conselho Pedagógico e quatro professores titulares do mesmo órgão, ao qual cabe validar as propostas de avaliação de Excelente e Muito Bom, aplicando as quotas máximas disponíveis.
7.ª fase: Entrevista individual
- Os avaliadores dão conhecimento ao avaliado da sua proposta de avaliação,a qual é apreciada de forma conjunta.
8.ª fase: Reunião Conjunta dos Avaliadores
- Os avaliadores reúnem-se para atribuição da avaliação final após análise conjunta dos factores considerados para a avaliação e auto-avaliação. Seguidamente é dado conhecimento ao avaliado da sua avaliação.

SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO:
- Excelente, de 9 a 10 valores
- Muito Bom, de 8 a 8,9
- Bom, de 6,5 a 7,9
- Regular, de 5 a 6,4
- Insuficiente, de 1 a 4,9

EFEITOS DAS CLASSIFICAÇÕES:
- Excelente durante dois períodos seguidos de avaliação reduz em quatro anos tempo de serviço para ser professor titular
- Excelente e Muito bom reduz em três anos tempo de serviço para ser professor titular
- Dois Muito bom reduz em dois anos tempo de serviço para ser professor titular
- Bom não altera a normal progressão na carreira
- Regular ou Insuficiente implica a não contagem do período para progressão na carreira
- Dois Insuficiente seguidos ou três intercalados implica afastamento da docência e reclassificação profissional.

CONHECEM QUALQUER OUTRO SECTOR PROFISSIONAL QUE PASSE POR ESTE "HORROR"?

Adaptado de pt.soc.ensino

Outros motivos para fazer greve
  • Aumento da idade da aposentação. Ora aí está uma forma simples - mas desumana - que resolver a crise financeira da Segurança Social;
  • Congelamento ad eternum da carreira. Com o estabelecimento de quotas para professor titular, 70% dos professores terminarão a sua carreira no 5º escalão, independentemente das classificações de avaliação que tiverem ao longo da carreira, mesmo que Excelentes. As consequências da continuação durante décadas no mesmo escalão no cálculo da pensão de reforma serão catastróficas...
  • Perda de tempo de serviço e congelamento salarial (com a alteração na estrutura da carreira e adicionando o tempo de congelamento, muitos docentes vão ficar no mesmo escalão, em média, 8 anos. Desde de 1998 que não existem aumentos reais do salário, com a correspondente perda de poder de compra)
  • Uma falsa divisão da carreira em duas categorias, porque (o professor titular tem a mesma competência funcional que o professor suplente: tem turmas, muitas vezes do mesmo nível de ensino do avaliado, executa as mesmas tarefas lectivas e não lectivas (exceptuando avaliar outros professores), trabalham nos mesmos órgãos escolares. A analogia do general e soldados é uma falácia; só pode haver um general porque executa funções diferentes dos soldados...
    Sendo o conteúdo funcional o mesmo, a legitimidade dificilmente será reconhecida pelo avaliado; esta legitimidade moral está posta em causa desde o início porque os actuais titulares nunca se sujeitaram a um modelo de avaliação idêntico para atingir o lugar que ocupam, tendo lá chegado por via administrativa. Além disso, o concurso de titulares apenas considerou os últimos 7 anos de carreira, castrando toda uma vida de trabalho...
    Curiosamente, um avaliado que preencha alguns requisitos, pode candidatar-se ao cargo de Director ou ser nomeado Subdirector, mas não pode ser titular por imposição de quotas; ou seja, como o Director é avaliador do titular, então existe a hipótese de um avaliado poder ser avaliador do seu avaliador...)
  • Regime de faltas. Penalização dos casos de doença, maternidade, paternidade, etc., com a inclusão de um indicador de avaliação denominado A2, atropelando em muitos casos o regime jurídico que regulamenta as faltas.
  • A assiduidade como o indicador principal da avaliação de desempenho. Para se obter o Excelente é necessário 100% de cumprimento do serviço lectivo e para se obter o Bom é necessário 95%. Isto significa que um professor com 94,5% de assiduidade, mesmo que tenha Muito Bom ou Excelente nos trinta e tal indicadores de avaliação a que foi sujeito, terá automaticamente Regular só por causa da assiduidade...
    O absurdo é tal que basta a um professor durante o ano todo SÓ chegar atrasado 5 minutos ou faltar a 45 minutos por motivos inimputáveis á sua vontade - um acidente, um imprevisto, etc.- que perde o direito a ser avaliado com Excelente!...
    Fazendo uma analogia, seria o mesmo que dizer aos alunos que bastava chegarem uma única vez atrasados a uma aula durante o ano todo, que perdiam o acesso à classificação 20 valores, independentemente do trabalho que fizessem...
  • Resultados escolares dos alunos. A perigosa perversão resultante deste parâmetro é evidente: a autoridade do professor fica debilitada pelo aluno que tenha consciência que um seu mau resultado afecta pessoalmente o professor; a compreensível inflação das classificações com o estabelecimento de metas de percentagens de positivas; o trabalho individual do aluno bem como o contexto sócio-económico, influenciam os resultados; segundo um estudo da Universidade de Bristol, a qualidade do professor só afecta em 30% a qualidade do aluno; a qualidade da avaliação externa (vulgo, exames) não é resultante do desempenho individual do docente, bem como os respectivos critérios de correcção;
  • Abandono escolar. Disfuncionalidade familiar e individual, mau contexto sócio-económico, não é resultante do desempenho individual do docente.
  • Relação com a comunidade. Nem sempre existe contextualização curricular para estabelecer relações com a comunidade não educativa.
  • Objectivos individuais. Como é possível existirem objectivos individuais num sistema que funciona maioritariamente com trabalho de equipa e com órgãos colectivos - conselho de turma, conselho pedagógico, área disciplinar, departamento curricular, etc.? Este modelo potencia a competição individualista criando uma entropia perigosa num sistema educativo construído para trabalhar num contexto colectivo...
  • Subjectividade elevada dos indicadores de avaliação. A distinção entre as diferentes classificações é muito ténue; a diferença entre um Bom e Muito Bom ou entre este e Excelente, baseiam-se em minudências que dependem exclusivamente da arbitrariedade e discricionariedade do avaliador, existindo o perigo de instintos persecutórios, desavenças pessoais ou humores emotivos, influenciarem a classificação;
  • Instrumentos de registo da avaliação com 33 indicadores 16 a cargo do avaliador e 17 a cargo do Director. Considerando que cada indicador de avaliação tem de possuir 5 descritores, as grelhas de avaliação apresentam um total de 165 descritores que podem ser utilizados...
  • Aumento do horário semanal de trabalho. De forma encapotada, o horário semanal aumentou porque muitas das actividades não lectivas são realizadas em horário pós-laboral. As substituições de docentes são actividades realizadas em contexto de sala de aula, com um plano, e portanto, são lectivas; por decreto, convenientemente retira-se o estatuto de lectiva para não se pagarem horas extraordinárias. Quando um docente substitui outro por ausência prolongada, fica em cada semana com mais turmas e portanto, com mais horas lectivas semanais sem qualquer retribuição;
  • Avaliador ser opositor ao mesmo concurso que o seu avaliado e as quotas das classificações. No caso do projecto de considerar a avaliação de desempenho para efeitos de concurso nacional de professores, o avaliador que quiser concorrer terá isenção na avaliação dos seus avaliados que também concorrem sabendo que as classificações dão bónus na graduação? Com quotas para Excelente e Muito Bom a que também concorre, também terá isenção?
  • Número de aulas avaliadas. Como é que observando 2 ou 3 aulas, numa média de 150 aulas por ano em cada disciplina, determinam a qualidade do professor? Como aceitar a avaliação de alguém que sabemos que não é melhor do que nós na mesma função?
  • Carreira única e níveis de ensino diferentes. Não existe distinção entre os diferentes níveis de ensino, de acordo com as suas especificidades. Leccionar ao 1º Ciclo/2º Ciclo não é igual a leccionar ao 3º ciclo ou Secundário. Tal como leccionar Matemática não é igual a leccionar Biologia ou Português ou Inglês ou Educação Física ou etc...
  • Gestão escolar. Actualmente, os gestores das escolas são nomeados, enquanto antes eram eleitos mediante a apresentação de um programa eleitoral. A nomeação é feita por um orgão chamado Conselho Geral, onde o corpo docente está em minoria, sendo, em várias escolas, a maioria composta por políticos autárquicos (câmara e juntas de freguesia).
    NOTA - Esta lista de situações injustas foram impostas nos últimos anos aos professores, no reinado de Milu, e foi adaptada de um dos muitos mails em circulação na Internet.







Justificação aos meus alunos:

Inventaram uns cursos em que têm que ser leccionadas necessariamente X horas para terminar os módulos ou unidades (Profissionais e EFA's). Isto é, se eu quiser faltar no dia da greve, terei de compensar as aulas mais tarde, o que constitui uma negação do próprio direito à greve!

Uma vez que não faltei a nenhuma aula, tenho legitimidade para esquecer a contabilidade das horas! A verdade é que não ficaria bem comigo próprio que não fizesse greve no próximo dia 3, porque não posso ser um a escrever o blogue, e outro a dar aulas.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Temos soluções para os problemas...


"Temos soluções para os problemas...", para prosseguir a avaliação de desempenho mantendo o essencial do modelo. E o essencial é que 2/3 dos professores aceitem uma classificação inferior a Muito Bom ou Excelente, mantendo-se as quotas fixadas administrativamente e as respeitando as restrições orçamentais.

Qual é a turma que aceita ser avaliada partindo do princípio que dois em cada três alunos só poderão ter 10?

Ver Video

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Marketing Directo de Intimidação - 1


Milu poderá ficar para a história como a precursora do Marketing Directo de Intimidação. A DGRHE deverá ter utilizado as bases de dados dos Concursos de Professores para fazer SPAM. Sem dúvida que se trata de um acto de desespero, porque habitualmente somos forçados a surfar pelas páginas até encontrarmos o que queremos, e agora oferecem-nos logo num mail o link directo para a bendita aplicação ;)


from noreply@dgrhe.min-edu.pt
to
date 18 November 2008 18:31
subject Avaliação de desempenho
mailed-by dgrhe.min-edu.pt


Exmo(a) Sr(a). Professor.

Com o objectivo de apoiar as escolas na implementação do processo de Avaliação do Desempenho dos docentes, a Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação disponibiliza a presente aplicação informática a qual irá sendo preenchida à medida que os agrupamentos e escolas não agrupadas vão estruturando o processo.

Nesta fase está já disponível a possibilidade de cada docente apresentar os seus objectivos. Uma vez submetidos e tendo em conta o calendário definido em cada Agrupamento/escola, o avaliador do órgão de administração e gestão acede aos mesmos para efeito de validação.

A aplicação está disponível no seguinte endereço: https://concurso.dgrhe.min.edu.pt/DefinicaoObjectivos2008.
Qualquer dúvida de funcionamento deverá ser colocada ao órgão de gestão, o qual terá apoio através do seguinte endereço:
https://concurso.dgrhe.min-edu.pt/PerguntaResposta2

DGRHE

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Milu reprovada pelo seu Conselho Consultivo


  • A maioria dos professores presentes ontem na reunião do Conselho de Escolas com a ministra da Educação aprovou um documento pedindo à tutela que suspenda o processo de avaliação de desempenho, soube o PÚBLICO junto de várias fontes.
    O documento será entregue hoje a Maria de Lurdes Rodrigues, e, apesar de a decisão não ter sido de todo unânime (30 votos a favor e 23 contra), promete agudizar o braço-de-ferro entre o Governo e os docentes.
    O Conselho das Escolas é um órgão consultivo do Ministério da Educação (ME), criado pela actual equipa e onde têm assento dezenas de presidentes de conselhos executivos.
    PÚBLICO, 18.11.2008


Se não consegue explicar-se e ter o apoio de um órgão criado por si, em que Mundo vive esta Ministra?

Que pena ;) No preciso momento em a célebre Aplicação Informática para acompanhar
a Avaliação de Desempenho do Pessoal Docente
ficou online. Para os PCE's esta aplicação representa, sem dúvida, uma intromissão no seu trabalho.

A ministra ainda não entendeu que os PCE's precisam de ter poder nas Escolas, para gerir o seu quotidiano. Exige-se a descentralização, para que cada qual possa decidir em função do seu contexto, inclusivamente sobre a avaliação dos professores.

As aplicações informáticas ajustam-se perfeitamente às repartições de finanças, onde nenhum funcionário tem que tomar decisões sobre os impostos que devemos pagar, sendo simples extensões territoriais do Ministério das Finanças. Neste caso fazem sentido porque estamos perante um exemplo típico de desconcentração.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Avaliação de professores noutros países

Reportagem da RTP compara sistemas de avaliação de professores de diversos países europeus, e conclui que o ME estará a querer implementar o sistema de avaliação de desempenho mais monstruoso da Europa.



Milu quer deixar para a história, uma gigantesca Pirâmide...





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sábado, 15 de novembro de 2008

140.000 visitas a Lisboa em 8 dias - Assim se vê a força dos blogues


Pode ser escasso o número de 20.000 professores estimado pelos organizadores na manifestação de hoje. Porém importa lembrar que sem a iniciativa dos blogues nunca os sindicatos teriam denunciado o célebre memorando de entendimento, nem convocado a manifestação do passado sábado que contou com 120.000 docentes. A maioria dos que lá estiveram hoje reafirmaram as convicções que já tinham expresso no passado sábado, dia 8, pelo que em vez de contar 140.000 professores, prefiro fazer a anologia com os contadores de páginas na Internet, e falar de 140.000 visitantes ;)



Entretanto este movimento cresceu, e aprendeu a concorrer com os sindicatos na representação dos professores. Num comunicado conjunto do MUP e da APEDE distribuído durante a manifestação, estes movimentos apelam para um Encontro Nacional de Escolas em Luta, a realizar dia 6 de Dezembro. Portanto, foi a sua vez de se anteciparem aos sindicados, que têm uma greve marcada para dia 19 de Janeiro. Viva a concorrência!
Não percebi porque o PÚBLICO destaca que a Manifestação de professores terminou sem incidentes. Estavam à espera de molho com os professores?

Milu inventou a avaliação "simplex"


Li a sua referência a uma avaliação "simplex" na entrevista que hoje foi publicada no EXPRESSO. Obviamente não resisti à publicação do extracto que se segue.



  • P Está confiante que esta avaliação vai ser concretizada?

    R Sim. A minha convicção baseia-se no facto de haver escolas a fazer de uma forma «simplex». Precisamos de um «simplex» para a avaliação.

    P Mais valia uniformizar um modelo de fichas de avaliação.

    R Não quero chegar a essa conclusão. Há escolas a fazer um trabalho excelente, sem fichas iguais.

    P Quais escolas?

    R Não vou divulgar sem perguntar às escolas. O clima é de grande tensão, a pressão para que se não faça é imensa. Na segunda-feira a seguir à manifestação houve escolas que cumpriram o calendário de observação de aulas. Há escolas a trabalhar com naturalidade.
    EXPRESSO/Assinatura 15/Nov/2008



Em vez de tentar simplificar o modelo que agora reconhece excessivamente pesado, tenha coragem para revogar o DR 2/2008, e abertura para pensar num modelo humano.

Estou farto de invenções na Educação!

Se fosse verdade o que a Ministra disse, significaria que as escolas mais zelosas estariam a ser prejudicadas pelas que faziam a avaliação "às três pancadas", o que seria uma injustiça adicional. Mais, e pior ainda, é que ninguém conheceria esse modelo de avaliação "simplex", a não ser os seus beneficiários, o que seria ilegítimo. Os professores e as escolas estão habituados a cumprir as leis, não são aprendizes de feiticeiro como a Ministra sugere.

A Ministra já não sabe o que diz!



Hoje no Marquês às 14:00, é para arrasar!

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Carta Aberta do Sindicato dos Inspectores da Educação e do Ensino ao Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Educação


Senhor Secretário de Estado

Não pode deixar de nos preocupar – enquanto inspectores da carreira técnica superior de inspecção da educação – a notícia inserta na página 9 do “Público” de hoje, 11 de Novembro, com o título “Governo não avança para já com processos disciplinares a quem recusar avaliação” – a serem autênticas as declarações que a agência “Lusa” lhe atribui, Senhor Secretário de Estado, e que o jornal transcreve. “O ministério da Educação não fará nada para aplicar esses processos [disciplinares] neste momento”, terá dito o Senhor. Mesmo que tenha dito apenas isto, é óbvio que o Senhor Secretário de Estado já disse demais. Ao dizê-lo, faz recair sobre os docentes, ao mesmo tempo, uma ameaça e uma chantagem – e infecta com um acriterioso critério de oportunidade um eventual desencadeamento da acção disciplinar. Como se lhes dissesse: «”neste momento” ainda não vos posso apanhar, mas não esperam pela demora…». Por que é que “neste momento” o Ministério não fará nada?… Porque entende que “neste momento” a acção não é oportuna. E pode a tutela reger-se, nesta matéria, por critérios de oportunidade?… A resposta é: sim, pode. E quais são eles? Bem, as coisas aqui complicam-se, porque a resposta fica eivada de uma fortíssima carga subjectiva, uma vez que, nesta matéria, não estão taxativamente definidos limites que impeçam um elevado grau de discricionariedade. Digamos que, no essencial, mais do que por condicionantes legais, são as condicionantes éticas que devem filtrar a oportunidade do recurso a critérios de oportunidade. E é neste domínio que devem ser apreciadas as suas declarações, Senhor Secretário de Estado. Mesmo na hipótese de comportamentos de docentes poderem configurar infracção dolosa da lei – nada impede que, por critérios de oportunidade ou outros, se decida não agir disciplinarmente sobre eles, agora ou em qualquer altura. A própria lei consagra essa possibilidade. Mas para tal os critérios têm de ser transparentes e publicitáveis, sob pena de – no caso ora em apreço – a oportunidade servir de biombo ao oportunismo e a discricionariedade servir para esconder a arbitrariedade. Em rigor, não estando nós dentro da sua cabeça, não sabemos por que é que o Senhor Secretário de Estado entende que este não é “o momento”, mas algo nos diz que este seu juízo de valor se relaciona com o facto de no passado dia 8 terem estado na rua 120.000 professores em protesto contra o Ministério da Educação…Por outro lado, quando e se “o momento” surgir, quem vai fazer o quê? Vão os Senhores Presidentes dos Conselhos Executivos, ou os Senhores Directores Regionais da Educação, ou a Senhora Ministra da Educação, instaurar processos disciplinares às centenas ou aos milhares?… Vamos nós, os Inspectores da Inspecção-Geral da Educação, instruir processos disciplinares às centenas ou aos milhares?… Isto é: vamos tentar resolver(!) pela via da acção disciplinar problemas que possuem a sua raiz claramente fora dela – correndo o risco de instrumentalizar e governamentalizar a Inspecção, sem honra nem glória para nenhuma das partes implicadas e, no limite, com prejuízos para todas elas? Não se pode pedir aos Inspectores da Inspecção-Geral da Educação que retirem do lume as castanhas que outros lá colocaram. Basta de alimentar fantasmas que Professores e Inspectores, e mesmo algumas tutelas, há muito lutam para que desapareçam, particularmente desde o 25 de Abril de 1974! O Senhor Secretário de Estado provavelmente desconhece – e para que o conhecesse bastava que lesse Camões – que uma lei não é justa porque é lei, mas porque é justa, e que o que há de mais permanente na lei é a sua permanente mudança, e que mesmo esta já não muda como “soía”, e que, se assim não fosse, o Código do saudoso Hamurabi continuaria em vigor; o Senhor Secretário de Estado, se alguma vez o soube, esqueceu tudo o que leu do sempre presente Henry David Thoreau e da sua “desobediência civil” O que há de doloroso em tudo isto – e ainda mais num Ministério da Educação – é que, no fundo, estamos confrontados com um problema de cultura, ou de falta dela. Perante isto, os critérios de oportunidade, ou as suas declarações, Senhor Secretário de Estado, ou a potencial instrumentalização e governamentalização da Inspecção – tornam-se, a prazo, questões irrelevantes. Mas temos também a obrigação de, no imediato, sabermos lidar com a circunstância, e de compreendermos a gravidade que ela assume. Não questionando a legitimidade dos governos no quadro do Estado de direito democrático, a verdade é que, exactamente por esse quadro, as Inspecções da Educação são inspecções do Estado e não do governo, e não podem deixar de funcionar sob o registo de autonomia legalmente consagrado. Citando aquele que foi o primeiro Inspector-Geral (da então Inspecção-Geral do Ensino), “a Inspecção, isto é, cada Inspector, está condenada/o a ser a consciência crítica do sistema”. Entre nós, Inspectores de todas as inspecções da educação, costumamos dizer que, não raramente, andamos “de mal com os homens por amor d’el-rei e de mal com el-rei por amor dos homens”. Uma exigência, Senhor Secretário de Estado: os Inspectores da educação querem ser parte da solução, não querem ser parte do problema. O Senhor Secretário de Estado e o Ministério da Educação – o que é que querem?…

Pel’A Direcção do S.I.E.E.

José Calçada

(Presidente)

Porto, Novembro, 11, 2008



Esta carta aberta chegou-me por mail. É elucidativa do caos que ME criou. Na minha escola, em 184 professores, 175 subscreveram a moção com vista à suspensão do modelo de avaliação. Admitindo que nas outras escolas a adesão foi semelhante, será impossível a Inspecção instruir qualquer processo ;) Portanto, o tiro da Ministra acertou-lhe nos pés.

Adenda

Conferir Manuel Sanches

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

domingo, 26 de outubro de 2008

Avaliação de Desempenho – Lições do Mundo empresarial

  • A avaliação de desempenho procura um sentido de justiça na prestação do trabalho e na sua devida recompensa. Quando procuramos justiça pressupomos um julgamento, e um julgamento tem sempre uma certa subjectividade. Na prática a avaliação de desempenho vai depender das pessoas: do avaliado e do avaliador, e muitas vezes nessa interacção humana surgem muitos problemas.


  • A melhor avaliação de desempenho é aquela em que acreditamos e que tem bons resultados.





O Ministério da Educação tem uma dimensão grande demais para conhecer os seus funcionários, quanto mais para promover a sua avaliação. Por mais grelhas que inventem, deveriam saber que a avaliação será sempre subjectiva, e a melhor forma de a tratar é integrá-la no processo, em vez de a tentar ignorar. Mas o ME tem a obsessão industrial da objectividade, supondo possível medir professores com a mesma precisão dos parafusos, e então inventou uma embrulhada tão complexa que nem a consegue implementar.

sábado, 25 de outubro de 2008

Avaliação de Desempenho suspensa na Escola Secundária de Ferreira Dias, Cacém


ESCOLA SECUNDÁRIA DE FERREIRA DIAS
PEDIDO DE ESCLARECIMENTO AO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
O Conselho Pedagógico e a Comissão de Coordenação da Avaliação de Desempenho (CCAD) da Escola Secundária com 3º ciclo de Ferreira Dias estão conscientes, desde o início, das muitas dificuldades inerentes à implementação e desenvolvimento deste modelo de avaliação de professores.
Neste sentido, preocuparam-se em dar cumprimento às funções que lhes foram atribuídas de forma a ultrapassar as principais dificuldades com seriedade e com o mínimo de consequências adversas para todos.
Entendeu-se que um processo de avaliação entre pares só teria sentido numa perspectiva formativa, desenvolvida com base no trabalho colaborativo.
Apurou-se a necessidade de formação prévia necessária à correcta aplicação deste modelo de avaliação. Até hoje, não foi dada resposta suficiente a esta necessidade, quer pela quantidade, quer pelas vertentes abordadas nas acções de formação realizadas.
Reconheceu-se, de forma clara, pela leitura e análise do Decreto Regulamentar nº 4/2008 de 5 de Fevereiro e do Decreto Regulamentar nº 2/2008 de 10 de Janeiro a importância de seguir as recomendações do CCAP: «Os instrumentos de registo referidos no número anterior são elaborados e aprovados pelo conselho pedagógico dos agrupamentos de escolas ou escolas não agrupadas tendo em conta as recomendações que forem formuladas pelo conselho científico para a avaliação de professores».
Todo o trabalho desenvolvido por estes órgãos teve em conta estas recomendações. Por exemplo, quando na Recomendação nº 2/CCAP/2008 de Julho de 2008, o CCAP recomenda que «o progresso dos resultados escolares dos alunos não seja objecto de aferição quantitativa», pensou-se, de imediato, suprimir os descritores referentes a este tema, na Dimensão B: «Melhoria dos resultados escolares dos alunos e redução das taxas de abandono escolar tendo em conta o contexto socioeducativo».
Averiguou-se a manifesta incompatibilidade entre as informações prestadas pelo Ministério da Educação e as orientações do CCAP.
Verificou-se, perante a reduzida informação da tutela, muito ruído na comunicação, não conseguindo estes órgãos perceber, na maior parte das vezes, o que é legal e o que não é, como por exemplo:
− a concretização legal da delegação de competências de avaliador;
− a negociação dos objectivos individuais entre avaliadores e avaliados;
− os procedimentos internos da escola versus a utilização uniforme de uma aplicação informática a todo o país.
Assim, pedem estes órgãos esclarecimento para as seguintes questões:
1. Qual é a legitimidade do CCAP?
2. Quais são as medidas que prevalecem? As recomendações do CCAP, como está referenciado no Decreto Regulamentar nº 2/2008 de 10 de Janeiro, as directrizes do Ministério da Educação ou ainda de outros órgãos existentes como o Conselho de Escolas, directrizes também elas contraditórias?
3. Deve retirar-se da Dimensão B o Domínio B1 «Melhoria dos resultados escolares dos alunos - contributo do docente e cumprimento dos respectivos objectivos individuais» com todas as implicações daí decorrentes?
4. Sendo os elementos dos órgãos acima citados docentes e não juristas, pedem a confirmação da data a ter em conta para a produção de efeito da alteração na Lei do Orçamento para 2009, no que concerne a não obrigatoriedade de publicação em Diário da República da delegação de competências de professor avaliador.
5. A existência de uma aplicação informática igual para todo o país não contraria algum trabalho já desenvolvido pela Comissão e pelo Conselho Pedagógico, quando definiram e aprovaram procedimentos próprios para a escola como, por exemplo, a calendarização do processo e os instrumentos de registo?
6. Como conduzir o processo de negociação dos objectivos individuais? Entrevista? Outros procedimentos?
7. Tendo surgido várias informações não oficiais referindo a hipótese de simplificar procedimentos como, por exemplo, alterações nas fichas/anexos do Ministério da Educação (permitindo a agregação de itens), como fica todo o trabalho já realizado na escola e que foi feito no sentido de estarem definidas as regras no início do processo?
Tendo em conta as implicações dos esclarecimentos no trabalho a desenvolver pela Comissão, bem como na aplicação do próprio modelo da avaliação de desempenho de professores, solicita-se resposta urgente.
O Conselho Pedagógico e a Comissão de Coordenação da Avaliação de Desempenho, até verem esclarecidas as questões efectuadas em resposta a este pedido, consideram mais prudente suspender todos os procedimentos referentes à avaliação de docentes. Seria uma actuação irresponsável avançar com este processo sem esclarecer os seus pressupostos e regras, condição necessária à clarificação dos procedimentos que devem presidir à avaliação.
Conselho Pedagógico reunido em 21 de Outubro de 2008



PS
Esta notícia chegou por mail a circular na Internet que solicitava a sua divulgação.

sábado, 11 de outubro de 2008

A descontextualização da avaliação do desempenho docente


Qual é a lógica que conduz o ME a pedir-me que defina objectivos individuais? Se o ensino não fosse entendido como um bem que deve ser provido pelo Estado, se estivesse sujeito às regras do mercado livre poucas famílias poderiam pagar os ordenados dos professores, e não se teria assistido à massificação do Ensino.

Felizmente o Estado providencia a escolaridade à população, pagando os respectivos vencimentos aos professores. Os professores são profissionais como os outros, isto é, exercem a sua profissão a troco do vencimento. Estão proletarizados. Precisam daquela importância para adquirem os bens que consomem. E quando o poder de compra é baixo, os seus objectivos aproximam-se da simples sobrevivência.

A esmagadora maioria dos docentes diz estar na profissão por “gostar de dar aulas”, mas como comprova a debandada maciça que agora se regista, até estão dispostos a perder algum dinheiro para não voltarem a colocar os pés na escola.

Quando ME pede para os docentes definirem objectivos individuais – quando o objectivo é receber o vencimento, mas não se pode dizer isso – entra-se no reino do faz de conta. Por exemplo, relativamente aos resultados escolares, é suposto que o professor fixe uma meta do tipo a média dos seus alunos aumentar 0,5 valores relativamente ao ano anterior. Bem pode cumprir porque é ele que “dá as notas”! Mas que interesse tem isso? Ao esforçar-se por cumprir os “seus” objectivos; o docente pode sentir necessidade de rever todas as notas anteriormente atribuídas, e de propor uma nova distribuição, eventualmente menos justa, porque enviesada pelos “seus” objectivos.

Mais, no meu caso, durante 10 anos em que fui responsável por níveis do 12º ano, com exame final (Sociologia e/ou IDES), só não levei a exame uma aluna que desatinou comigo (O Conselho de Turma votou o 10, mas em exame reprovou porque obteve o 6 que eu lhe tinha proposto). Este ano lectivo a esmagadora maioria dos alunos que tenho são “formandos” dos EFA’s que estão passados à partida. Que sentido faz ir agora definir objectivos de melhoria dos resultados escolares, quando os “formandos” nem têm classificações, se com os alunos do 12º ano tinha obtido 100% de sucesso?

A avaliação de desempenho tem como objectivo seleccionar os docentes que alcançarão o Muito Bom e o Excelente. Tal como os alunos tem classificações que dependem dos critérios estabelecidos e do humor do professor, os docentes aperceberam-se de que a avaliação não é uma ciência exacta quando visualizaram a sua carreira ameaçada pelo arbítrio dos parâmetros definidos ou de um qualquer avaliador. As grelhas são o elemento mais importante do processo de avaliação, porque agregando uma miríade absurda de parâmetros não mensuráveis, mas pontuáveis, realizam a magia de objectivar num número a classificação de cada professor.

À lógica da selecção acresce agora a necessidade de controlo à rédea curta, com receio que a avaliação de desempenho descambe novamente num procedimento simplificado. Não contesto que ME queira controlar o serviço dos professores, o que até lhe compete fazer, tarefa da qual se tem demitido. Mas como não tem profissionais para tornar efectiva a inspecção, nem irá ter tão cedo, inventou uma aplicação informática que lhe permitirá a completa descontextualização da avaliação de desempenho professores das próprias escolas. Com essa base de dados, o ME saberá exactamente em cada momento do tempo quem está a cumprir e o lugar exacto onde a escola se localiza.

A autonomia das escolas e as lideranças fortes ficam para uma próxima oportunidade.

Obrigar-me a preencher uma grelha padronizada será violentar a minha individualidade.

Eu ficarei satisfeito se conseguir:
  • Manter os alunos ocupados todas as aulas com tarefas novas, permitindo-me o exercício da autoridade sem necessidade de "dar chazadas";
  • Manter o nível de aprovação dos alunos nos 100%;
  • Promover a utilização educativa da Internet e o trabalho colaborativo.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

A Escada Social Tecnográfica


JOSH BERNOFF é um dos mais citados analistas americanos na área das tecnologias da informação. Josh tem sido analista de mercado e é actualmente vice-presidente da Forrester Research.

Criou a segmentação Tecnográfica, com a qual visa uma compreensão mais profunda das pessoas, como usam a tecnologia, e como esta afecta os negócios.

A sua classificação foi construída para analisar o consumo, mas não resisto a copia-la para aqui, e cada qual será responsável pelas suas extrapolações.





Na sua metáfora da escada descreve seis níveis de familiaridade com as tecnologias:

  • Criativos: publicam conteúdos sociais. Escrevem blogues, fazem o upload de vídeos, música ou textos.
  • Críticos: respondem aos conteúdos dos outros. Postam nas revistas, nos comentários dos blogues, participam nos fóruns e editam artigos wiki.
  • Coleccionadores: organizam conteúdos para si próprios ou outros utilizando feeds RSS, tags, e votando em sites como o Digg.com.
  • Membros: ligam-se a redes sociais como o MySpace e o FaceBook. Em Portugal tem maior expressão o Hi5.
  • Espectadores: consomem conteúdos sociais, incluindo blogues, vídeos, podcasts, fóruns ou revistas.
  • Inactivos: nem criam nem consomem conteúdos sociais de qualquer tipo.


JOSH BERNOFF explica a sua metáfora da escada numa apresentação, do blogue que escreve em parceria com CHARLENE LI.

Qual o peso relativo das categorias acima apresentadas? Como variam por grupos etários? Como variam por géneros? Para responder questões destas utilize o Profile Tool.

sábado, 9 de agosto de 2008

Rigor e avaliação de professores


O ME tem feito muita propaganda com o pretenso rigor do sistema de avaliação de professores que propôs. Serão as escolas ilhas de rigor numa sociedade submersa na economia informal?

Esta questão recordou-me um texto que tinha lido na Professorinha, e que tomo a liberdade de transcrever. O ambiente em que vivemos é propício a este tipo de opiniões.

  • Acho que há demasiada gente um pouco enganada sobre esta nova treta dos Bons, Muito Bons e Excelentes... Realmente há quem acredite que os Muito Bons e os Excelentes vão para os professores que o são?? Realmente há quem ache que isto das escolas verem as suas percentagens de Muito Bons e Excelentes aumentar se vai dever a um REAL melhoramento da qualidade de ensino?? Que os professores vão, de repente, passar a trabalhar melhor (como se andassem a trabalhar mal... enfim...)???

    Realmente... se acreditam nisso andam muito enganados. Primeiro os Muito Bons e os Excelentes estão destinados aos amigos de quem avalia. E MAIS NADA... nem vale a pena discutir mais sobre esse assunto porque é isso mesmo que vai acontecer. E, mesmo que sobre algum Muito Bom... de certeza que não o vão dar a um professor contratado ou a uma professora como eu, praticamente em início de carreira. Vão dar a quem estiver perto de subir de escalão, claro está!!...

    Não me venham com doutrinas ou teorias muito bonitas. Estamos em PORTUGAL, onde todos são experts em enganar o vizinho e onde a honestidade e o trabalho não são recompensados... A amizade e conluio... isso sim, é compensado... E infelizmente, não gosto de dar graxa... e por isso, bem me tenho lixado e vou continuar a lixar-me. Conforme um amigo me disse: "Tu vais chegar lá porque mereces lá chegar, apenas vais demorar mais tempo porque não vais usufruir das amizades e politiquices em que muita gente anda metida."

    E com isto se resume o que irá acontecer com a avaliação... quer de docentes, quer das escolas.



Este ano, com a invenção do procedimento simplificado, foram todos os professores classificados com Bom. Que rigor foi este?

Os amigos referidos pela Professorinha são um perigo real, mas numa escola onde as estruturas pedagógicas funcionem está relativamente controlado. Neste modelo os avaliadores continuarão nas escolas, e a sua função só será prestigiada se convencerem os colegas da legitimidade dos seus juízos.

Na mesma lógica, a alternativa seria uma avaliação externa, cujas apreciações, eventualmente injustas, seriam muito mais difíceis de impugnar.

Não quer dizer que não existam outras hipóteses de avaliação dos professores, do meu ponto de vista bem mais práticas e objectivas, como o modelo finlandês.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Rigor???

  • A treta educativa de que somos todos iguais e temos todos os mesmos direitos

    Bristol. Inglaterra, cidade de médias dimensões, chuva, uma escola cheia de miúdos, cerca de mil, e quatro escolas estrangeiras de visita: Espanha, Portugal, Noruega e Lituânia. Seria mais uma experiência profissional, uma das muitas que já integrei, e não mereceria lugar no jornal se não tivesse vivido momentos que me fazem pensar para além do profissional.
    Fiquei impressionada com o rigor, com a formalidade, da escola que visitei. Os alunos, miúdos entre os dez e os dezassete anos, usam uniforme, cumprem horário - não há campainha -, são castigados e premiados, cumprem regras e são educados para o reconhecimento da autoridade e o respeito pela hierarquia. aqueles miúdos não precisam de toques estridentes de campainha para saberem que devem dirigir-se para as aulas, não arrumam os seus materiais em algazarra, ao som irritante da dita cuja. Desde pequenos aprendem a regular-se pelos seus relógios e, para eles, é normal e correcto que assim seja. Estes miúdos e professores têm aulas apenas de 60 minutos, entram às 8h30m e saem sempre às 14h40m. Estes alunos e professores têm tempo para viver para além da escola: para ler, brincar, estudar, conviver, fazer desporto, etc. No entanto, estes miúdos não têm mais insucesso que os portugueses e, pelo contrário, de forma geral, mostram muito maior domínio das competências básicas! Então, parece-me, está provado que o sistema português, que abusa do tempo passado na sala de aula e minimiza o rigor, está completamente errado! Um professor inglês, surpreso face ao tempo que os nossos alunos passam na escola e face à duração das aulas, mostrou-se um artigo científico onde se prova que, para além dos 60 minutos, a capacidade de concentração e trabalho de qualquer criança e/ ou jovem é nula!! Perante esta situação, eu, que há muito desconfio do sistema português, fiquei angustiada. será que a equipa ministerial, as várias desde há muitos anos, não conhecem outras realidades, não fazem estudos, não comparam metodologias e sucessos, não lêem revistas científicas, não estudam as mais recentes filosofias e psicologias da aprendizagem?!! E, para além disso, como pode a UE, a tal União de proximidades, de objectivos comuns, aceitar regras tão profundamente diferentes entre os diferentes estados-membros? Porque dos cinco países presentes Portugal é o único com aulas de 90 minutos (e 135! BARBARIDADE!), o único em que os alunos passam tantas horas na escola, o único em que ainda vigora a treta educativa de que somos todos iguais e temos todos os mesmos direitos! Em Inglaterra, os miúdos crescem aprendendo e compreendendo que o Professor é detentor de sabedoria, de poder conferido por um estatuto profissional, que deve ser respeitado e obedecido. Os mais pequenos, miúdos de onze anos, com o seu uniforme de calças pretas e azul-turquesa, respeitam até o seu delegado de turma que, para se distinguir do todo da turma, usa... gravata! Quando me contaram, sorri. Achei que era mais uma loucura exagerada dos ingleses. Mas, agora, vivi a experiência, observei os miúdos e, sinceramente, lamentei a triste realidade do meu país...
    Um país sem regras, um lugar onde vale tudo, um espaço onde os limites são confusos, não pode funcionar! Mais uma vez, como já outras vezes me aconteceu, dei comigo a pensar o que é que, de facto e com efeitos visíveis, foi feito, em termos de educação cívica e cultural, desde 1974 até hoje. A resposta, para não ser pessimista e porque acabei de chegar cheia de esperanças, é que quase nada. Porque não se pode educar sem regras, sem impor limites, sem definir hierarquias e sem fomentar a autonomia!
    Bom, eu não queria viver nada em Inglaterra. Não gosto da chuva contínua, dos edifícios tristes nem da língua grosseira. Mas invejo o modelo educativo que eles praticam! Invejo um povo que não tem medo de dizer que é diferente ser-se professor ou aluno, que não receia ser apelidado de fascista, apenas por estabelecer e fazer cumprir regras. esta gente, os ingleses de hoje, descendem de quem viveu a guerra e reconstruiu um país. Será que a nós nos falta, ainda, a experiência da guerra? Terror, já nós conhecemos...

    Maria Luísa Moreira
    Professora


O texto foi publicado dia 24 de Janeiro de 2008. Chegou-me num .jpg por mail, mas não é possível identificar o respectivo Jornal, embora uma pesquisa na Internet tenha revelado que este artigo já esteve nos servidores da VEJA. Mantive os sublinhados da autora.
Agradeço o trabalho de digitação do Cantinho da Educação.

Nos países com sistemas educativos que funcionam bem, todos se vão rir do prémio dos 500 euros inventado pelo ME. Os bons estudantes consideram a sua educação como um investimento a longo prazo, mas um Ministério sem perspectivas de futuro só poderia criar jackpots anuais. Portugal deixou de ser o "bom aluno" da União Europeia, para se tornar a anedota da União.

sábado, 12 de julho de 2008

Para ensinar é necessário saber


Há coisas que me parecem tão simples, que nem perco tempo a pensar nelas. Para mim, é óbvio, que não se poderá ser um bom professor numa área disciplinar onde não se tenha formação académica de base.

O conhecimento encontra-se “arrumado” por ciências, que na escola dão lugar a disciplinas: Economia, Sociologia, Direito, etc. Não é por acaso que o conhecimento científico se encontra hoje compartimentado, fora da escola. O crescimento exponencial do conhecimento científico forçou à sua especialização em áreas bem definidas. Os autores são conhecidos na respectiva temática, as teorias e modelos explicativos dependem da abordagem científica. Os profissionais podem ser excelentes num ramo do saber, mas nulidades noutros aspectos. Por exemplo, nenhuma companhia seguradora se lembrará de contratar um excelente advogado para calcular o valor do prémios a solicitar aos segurados, pois isso seria a sua ruína.

Nas escolas temos um mundo à parte, onde todas as barbaridades são possíveis, porque as escolas não vão à falência. Eu próprio já dei aulas de Matemática e de Direito e de muito mais coisas que não devia ter dado. Estou farto de preparar programas, porque sou dos docentes relativamente mais jovens, isto é, pertenço ao grupo que fica com o que sobra depois dos colegas terem indicado as suas preferências por disciplinas, por anos, por turnos, etc. Até compreendo que o serviço docente seja distribuído exclusivamente tendo em consideração o tempo de serviço, apesar de dar origem a uma hierarquia acomodatícia em função da qual são escolhidas disciplinas. Tem a vantagem de ser um critério prático em termos administrativos, mas quando se pensa em avaliação do desempenho é de uma injustiça atroz.

A avaliação de desempenho deveria garantir a todos idênticas oportunidades para ser justa. Ora, um professor com muitos anos de serviço, que escolheu horário primeiro, e vai fazer o que sempre fez, teria obrigação de evidenciar um melhor desempenho que o seu colega mais novo, que fica com o que sobra, e por isso anda sempre a preparar níveis diferentes.

Especialmente para quem está for a do ensino, e não percebe tão bem as regras do “baile” a que me refiro acima, posso adiantar que até hoje, a Licenciatura em Economia já me permitiu leccionar o seguinte: Área Interdisciplinar, Comércio e Distribuição, Contabilidade, Direito, Economia Política, Introdução à Actividade Económica, Introdução à Economia, Introdução à Política, Introdução ao Desenvolvimento Económico e Social, Introdução ao Marketing, Introdução às Tecnologias da Informação, Matemática, Métodos Quantitativos, Noções de Administração Pública, Organização e Métodos, Psicossociologia, Relações Públicas e Sociologia.

Se eu pudesse teria leccionado sempre Economia. Nas outras disciplinas fico como que castrado, por não poder levar as últimas novidades, nem poder utilizar a linguagem que é própria da Economia, mas posso garantir que independentemente da disciplina, o quadro de referência e organização continua a ser o pensamento económico. O meu repertório de exemplos está centrado na Economia, portanto outras disciplinas nunca saem tão bem. Por maior que seja a preparação de uma disciplina em que não tenha formação, as aulas nunca têm o brilhantismo do improviso como nas de Economia.

Não caso único certamente. Estou absolutamente convencido desta regra geral: para ensinar é necessário saber. Ao longo da minha carreira tive várias vezes turmas do 11º ano de Economia. Quando as turmas tinham tido o 10º ano com colegas de Economia o meu trabalho prosseguia tranquilamente. Quando os alunos tinham apanhado alguém de Direito no 10º ano, era uma catástrofe: não sabiam Economia, tinham obtido classificações elevadíssimas e fazendo a média do 10º com 11º já estavam passados!

Entendo que criticar a falta de formação científica é fácil demais. E como entretanto comecei a leccionar Sociologia, entendi que deveria fazer um Mestrado em Sociologia para me justificar como professor da disciplina.

Escrevi este post porque não entendo como o ME quer implementar o modelo de avaliação do desempenho assim. O meu grupo disciplinar (antigo 7º grupo), incluía economistas e advogados quando comecei a dar aulas (1984/85). Posteriormente entraram alguns sociólogos. O ano passado foi alargado aos contabilistas. Certamente não foi feita nenhuma avaliação do impacto desta alteração sobre a qualidade do ensino, mas este ano o ME alargou novamente o grupo. Agora inclui economistas, advogados, sociólogos, contabilistas, historiadores, filósofos, geógrafos, técnicos de sectariado, professores de moral e religião.

Isto quer dizer que de acordo com a lei, eu poderei adicionalmente vir a dar aulas de história, filosofia, geografia, etc. e todos estes meus colegas poderão leccionar Economia!



Que avaliação do desempenho quer o Ministério se não cria condições para que cada qual possa mostrar o que sabe?
Pior, quando cria situações que colocam à partida os professores mais jovens em circunstâncias muito mais desvantajosas. A criação deste mega-grupo foi apenas um atentado contra a avaliação do desempenho a que ME não se cansa de fazer propaganda. E neste caso a culpa não foi dos professores, nem das escolas, nem dos sindicatos, nem de mais ninguém. Mas se o ME quer o caos completo, sugiro que para o ano alargue o grupo disciplinar a todos os departamentos, pois seria mais simples recrutar os docentes para um DEPARTAMENTO ÚNICO. Então, independentemente da formação académica, qualquer professor poderia leccionar português, francês, inglês, alemão, latim, grego, história, filosofia, geografia, matemática, economia, sociologia, direito, contabilidade, etc.

Entenda senhora Ministra que esta proposta é para ser levada a sério. Os alunos poderiam não aprender quase nada, mas teriam certamente classificações mais elevadas! Não é isso que se pretende?

Adenda
Faltei a esta reunião. Nunca falto durante o ano lectivo, mas durante o período de semi-férias... Afinal a reunião de distribuição de horários não foi tão confusa quanto tinha imaginado. Participei apenas na reunião do 430 (economia, contabilidade, sociologia, direito). O mega-grupo a que me refiro acima funcionou "apenas" para efeito de recrutamento de professores. Mas mantenho as críticas, porque se é indiferente recrutar docentes de grupos tão díspares, certamente se entende que o seu perfil se adequa às mesmas necessidades...

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Truque que dispensa as progressões e evita as quotas na carreira

A vida está difícil para todos, ouve-se todos os dias. Os funcionários públicos queixam-se de quotas que os impedem de progredir na carreira, e de um sistema de avaliação burocratizado.
Aqui fica a dica desta secretária: pediu para ser exonerada a 31 de Março, para ser nomeada a 1 de Abril ;) Cada qual revela o mérito à sua maneira!

Fonte: DR.

domingo, 4 de maio de 2008

Enquanto o pau vai e vem folgam as costas

Estratégia proposta no terrear:

  • "(...) A docente recusa igualmente o modelo de avaliação, um processo que considera "pesado" e "burocrático" que "vai parar as escolas" e propõe, como alternativa, uma "maior intervenção da Inspecção-Geral da Educação", a "identificação e acompanhamento dos professores com maiores dificuldades" e acções de formação, estas últimas previstas no decreto-regulamentar. (...)" Link directo


Se os alunos descobrem como eternizar a avaliação formativa, inviabilizando qualquer avaliação su(o)mativa...

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Os deputados do PS querem subir de escalão como se fossem professores titulares, mas sem porem os pés na escola

O 25 de Abril foi feito para devolver a democracia, o desenvolvimento... a transparência. Golpadas como a abaixo descrita mostram que vivemos com um Governo autoritário, que a transparência é inexistente, como em todos os países do terceiro Mundo...


  • Que VERGONHA!

    Retirado da Ordem Trabalhos hoje ME / Plataforma:


    Ponto 8.
    Acesso à categoria de Professor Titular para os Professores em exercício de funções ou actividades de interesse público, designadamente, enquanto Deputados à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu, Autarcas, Dirigentes da Administração Pública,
    Dirigentes de Associações Sindicais e Profissionais.


    Agora é que não percebo nada!Mas agora já se pode "atingir o topo"... mesmo estando "fora" da escola?
    Todas as mudanças que o ME quis fazer não foi para acabar com "isso"?
    Não ia ser titular apenas quem provasse, "no terreno", a sua excelência?
    Dizem uma coisa, fazem outra… a toda a hora!


    Depois de se terem "esquecido"dos que antes estiveram nessas funções, no primeiro concurso...: mais um concurso extraordinário? ou só conta daqui para a frente, e os «tristes» que ficaram para trás?
    Tem que ser o tribunal a dar-lhes razão?


    O novo 4º escalão será, provavelmente, para os "Professores-titulares-avaliadores".
    Deste modo, cria um "estatuto" diferente para quem é avaliador e foge às incompatibilidades de avaliador e avaliado concorrerem às mesmas cotas.


    Quantos chegaram a titular por haver uma vaga na escola e não ter mais ninguém a concorrer, no entanto escolas houve em que colegas com quase o dobro dos pontos não acederam a PT porque não havia vaga, e com isto só quero dizer e afirmar da injustiça desta peça, monstruosamente montada e maquiavelicamente posta em prática que é a dos professores titulares.


    Esta proposta do PM é inaceitável.


    Espero que professores e sindicatos estejam bem conscientes desta proposta que é verdadeiramente ofensiva, para não dizer outra coisa!


    Tenhamos dignidade e não nos deixemos vender.


    Esta é das respostas mais repugnantes jamais feitas por um governo.


    Oferecem tachos a sindicalistas, boys e girls das direcções gerais dos vários ministérios, há uma tentativa de oferecer aos professores avaliadores um "acesso" ao 4º escalão de titular.


    Chegamos ao limite da indecência e a resposta só pode ser uma:

    revisão do ECD, anulação da divisão da carreira e combate total a esta avaliação.


    DEVEMOS OBRIGAR OS SINDICATOS A REJEITAR LIMINARMENTE ESTAS PROPOSTAS!


    --
    Maria João Oliveira

domingo, 20 de abril de 2008

A escola para os animais


Havia uma vez uma escola para animais e as matérias da escola eram: correr, escalar, voar e nadar. Todos os animais estudavam todas as matérias. O pato era muito bom na natação, melhor inclusive que o seu professor, e era razoável a voar, mas um desastre em corrida. Por isso foi obrigado a deixar de lado as aulas de natação para ter aulas particulares de corrida depois da escola, o que fez com que ficasse “regular” em natação. Como “regular” é uma nota razoável ninguém se preocupou com isso a não ser o próprio pato.

O coelho era o primeiro da classe em corrida mas teve um esgotamento nervoso tendo que sair da escola por excesso de aulas de recuperação em natação.

O esquilo, por sua vez, era o líder em escaladas, mas nas aulas de voo tinha de começar do chão para cima em vez de voar do topo da árvore para baixo. Começou a ter dores musculares por excesso de esforço na descolagem e começou a ter notas regulares em escalada e insuficientes em corrida.

Os práticos cães de caça contrataram um professor particular quando as autoridades escolares se recusaram a incluir a escavação no currículo da escola.

No fim do ano, uma enguia anormal, que nadava razoavelmente bem, escalava e voava um pouco, foi a oradora da turma!

Qualquer semelhança com a escola pública não é pura coincidência.
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