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quarta-feira, 16 de abril de 2008

Bardamerda para o entendimento!

Os professores não mudam de opinião de um dia para o outro. Os sindicalistas é que devem estar com vontade de ir passar as férias às Caraíbas, e por este ano querem dar o seu “trabalho” como cumprido.

É significativo que numa amostra tão pequena já se refiram tantas escolas a votar contra. Reparem que não estão a votar contra o procedimento simplificado adoptado este ano lectivo, mas contra o modelo chileno que o ME teima em impor em 2008/09. Portanto é abusivo afirmar que os



  • Professores aprovam por "esmagadora maioria" acordo com Ministério da Educação



Teve razão Ana Benavente quando classificou este entendimento de "chantagem". Efectivamente...


  • ...“quando escolas afirmam que não têm condições para fazer a avaliação este ano”, dizer aos professores contratados que “no próximo ano não serão colocados”, é “ameaçar com o desemprego”. “Isto é uma forma de chantagem”.



Posso mesmo afirmar que na minha escola, o sentimento generalizado entre os colegas com os quais falei era de espanto. Ninguém esperava que os Sindicatos chegassem a um compromisso com ME neste momento do calendário escolar. Aliviar a Milu da avaliação de 7.000 professores este ano, para recomeçar em Setembro com o modelo que parametriza todo o processo educativo, para tornar cada docente num valor comparável através de escalas de equivalência previamente concebidas para a redução despesa pública com a educação, só porque é considerado excessivo o défice orçamental, no quadro da União Europeia... bardamerda para o entendimento! Porque não uma Assembleia da República apenas com 100 deputados (como propôs António José Saraiva) e com menos mordomias?

domingo, 13 de abril de 2008

Memorando de Entendimento

Fica aqui arquivado o documento - Backup do Documento - assinado entre o ME e a FENPROF, que inventou o procedimento simplificado para a avaliação de professores, reduzido aos seguintes elementos: (1) ficha de auto-avaliação; (2) assiduidade; (3) serviço distribuído; e (4) acções de formação, quando obrigatória e desde que existisse oferta financiada nos termos legais.

ME e Sindicatos clamaram vitória, como se tivessem chegado a alguma coisa. Apenas compreendo que ambos os lados precisassem de salvar a face. O nome que deram ao documento indica bem que apenas se trata de uma declaração de princípios sobre banalidades.



Tendo em consideração esta "simplificação", o trabalho que eu tinha no tempo das "progressões automáticas" era estupidamente excessivo. Ver Relatório Crítico de Actividades - Julho de 1997.

É incrível como as pessoas mudam em função das situações e dos papéis que são chamados a desempenhar. Durão Barroso, passou de jovem maoísta eme-erre-pum-pum a servidor dos interesses americanos, e até descobriu a "utilidade" da Guerra contra o Iraque ;)



Milu, também passou pela escola eme-ele, tendo-se tornado recentemente o expoente máximo da defesa do neoliberalismo na educação. Ver testemunho do professor Raul Iturra e artigo sobre a agenda oculta para a educação.

O texto não representa nenhum acordo, porque o ME continua com a sua agenda, e os Sindicatos voltarão a exigir novas simplificações do DR nº 2/2008. Recorda-se que o Memorando o prevê a abertura de diversos "processos negociais". Neste sentido entenderam-se para uma breve trégua...

Portanto, neste caso, o título do PÚBLICO é enganador:



Paradoxalmente, a imagem transmitida para a opinião pública por ambas as partes é de satisfação com o "trabalho realizado". Só que as posições estavam (e continuam) extremadas... Seria a mesma coisa que no final de um jogo de futebol ganharam ambas as equipas ;)

Os Sindicatos já deixaram o aviso:

quarta-feira, 26 de março de 2008

O critério da avaliação de professores

O critério da avaliação de professores consiste na redução de despesa pública independentemente da forma como venha a ser realizada a dita "avaliação de desempenho".

  • Maria de Lurdes Rodrigues assegura que «tudo se resolverá» e que «a avaliação não está adiada e não está suspensa». A ministra admite, porém que haja uma «simplificação do processo», que pode passar, em algumas escolas, por não haver aulas observadas e por uma alteração dos prazos.
    SOL


Portanto cada escola poderá continuar à sua maneira, porque o que realmente interessa é justificar o congelamento da larga maioria que não progredirá, porque a convergência com a União Europeia obriga o Estado português a ser menos generoso para com os seus funcionários.

Fonte: http://www.portugal.gov.pt/NR/rdonlyres/3499C15E-A66E-4BE2-B7BD-326060082699/0/Produtividade_quadros.pdf

Os professores têm o azar de ser muitos, e daí o seu peso na factura do Estado. Os políticos não são tantos, mas têm um peso relativo muito maior. Será possível continuar a proletarizar os professores enquanto se garantem maiores privilégios aos políticos? (Ver assistentes individuais)

domingo, 23 de março de 2008

quinta-feira, 13 de março de 2008

Avaliação dos professores: O exemplo da Finlândia


Assistiu-se entre nós a um diálogo extremado entre duas posições antagónicas:

1 - Os sindicatos pretendem que se perpetue o modelo de “avaliação” anterior, que permite a cada professor passar confortavelmente toda a sua carreira sem dar cavaco a ninguém;

2 - O ME quer impor um modelo industrial que tem subjacente a distribuição normal, forçando os professores a distribuir entre si uma quota limitada de “excelentes” e de “muito bons”, situação geradora de conflitos no quotidiano das escolas.

O primeiro cenário é propício à pasmaceira e acomodação dos docentes ao doce fare niente, que desmotiva aqueles que tomem a dignidade da profissão a sério, isto é, para além das palavras de ordem, interiorizando-a no seu quotidiano escolar. Porém o segundo, é um conjunto de escalas semelhantes às que os professores utilizam para classificarem os seus alunos, e que a generalidade deles até pensa que são objectivas, apenas porque lhes permitem objectivar as notas. Ambas realizam a magia de medir o não mensurável, esquecendo frequentemente o que é importante.

Uma forma de nos afastarmos deste diálogo do Terceiro Mundo, é olharmos para um país que é sempre apresentado como referência quando se debatem os resultados escolares internacionais a Matemática. Na Finlândia os professores não andam enrolados em “objectivos individuais” em função do “plano educativo”, blá, blá, blá,... Respondem perante um “principal” que lhes estabelece os objectivos.



Fonte:
http://www.eurydice.org/ressources/eurydice/eurybase/pdf/0_integral/FI_EN.pdf

segunda-feira, 10 de março de 2008

A avaliação de professores e o ciclo político

As reformas em educação exigem tempo para produzirem resultados. A avaliação de professores é evidentemente necessária, mas para o processo ser implementado sem provocar situações injustas, seria necessário equacioná-lo a longo prazo, o que entra em colisão com o ciclo político. No passado dia 8, João Santos chamou a atenção para este aspecto evocando os princípios teóricos de João Freire, numa mensagem que dirigiu ao Director do PÙBLICO.
Os políticos têm outras preocupações. Daria imenso jeito a Sócrates que este dossier não se arrastasse até 2009, e que ficasse resolvido quanto antes. Em resultado dos limites impostos pelo ciclo político, as escolas têm sido alvo da diarreia legislativa do ME. O concurso extraordinário para professores titulares é apenas um exemplo de como se pode fazer depressa, desde que não se acautelem as mínimas garantias de justiça. A uns faltaram uns míseros pontos. A outros saiu-lhes a lotaria, mas não se reconhecem de modo nenhum mais competentes que os colegas.

Transcrevo abaixo o texto de João Santos.




Senhor Director,



Li, com muita atenção e interesse, o artigo do Prof. João Freire hoje publicado no jornal que dirige, sob o título A rua não tem sempre razão. A leitura do Estudo sobre a reorganização da carreira docente do Ministério da Educação, que conheço há cerca de um ano, levou-me a querer participar na sua discussão, o que fiz através de um texto a que tive a presunção de chamar, após o antetítulo com o nome do trabalho, Um exemplo de reconstrução normativa da ‘profissão docente’. Um título excessivamente distante da rua, por certo, posto que logo traduzido, pela pessoa com responsabilidade editorial, por um mais prosaico Mudança por decreto(1), ‘sindical’ e infiel ao meu respeito pelo império da lei e consideração democrática pelo governo legítimo.

Na altura, apesar das, penso que fundamentadas, críticas que lhe dirigi, quis reconhecer ao trabalho de João Freire a qualidade da prudência. Mas eis que hoje, depois de percorrido o artigo atrás citado, me ficou uma dúvida. Em que ponto é que o texto de João Freire ‘não cola’, na sua esforçada tentativa de esvaziar a rua ou, ao menos, o peso político dessa rua que por aí vai? O que é que nele é menos concordante com o pensamento expresso do próprio João Freire, homem que julgo saber prudente e meticuloso? Não, certamente, o modelo de uma carreira piramidal, com múltiplos momentos de avaliação. Não, certamente, o reconhecimento da escassez de evidências empíricas capazes de suportar, sem mais, as propostas que apresentou ao ME em 2005. Nem, também, a sua esboçada posição sobre o modelo de gestão das escolas, que seria de grande interesse reeditar neste momento. Na verdade, de nada disso se tratava, realmente, no artigo de João Freire, mas antes, e tão-só, de nos precaver contra a rua. Então, por que razão me deixou alerta? Não, como é evidente, pela originalidade do argumento. Foi então que descobri.

Em Dezembro de 2005, João Freire era um homem sem pressa. Permita que transcreva da minha própria prosa:

«A transição para a nova estrutura de carreira, e particularmente o acesso dos professores de 8º, 9º e 10º escalão ao estatuto de professor titular, é pensada por JF como um processo em dois momentos: equiparação e titularização efectiva, mediante provas públicas com debate de “port-folio documental e reflexivo” relativo aos últimos 10 anos de carreira, a realizar apenas quando todo o dispositivo de avaliação estivesse montado, i.e., em 2009/10. Ponto relevante, e repetidas vezes sustentado, a rápida obsolescência e irrelevância de juízos avaliativos transactos e, mesmo, de títulos académicos e profissionais» (itálicos meus).

E é precisamente aqui, no que diz respeito a carreiras e avaliação, que as coisas continuam a não bater certo. Ao extraordinário concurso para professor titular segue-se um dispositivo de avaliação digno de um deus enlouquecido, com prazos e modalidades de concretização absurdos, e nisto, justiça lhe seja, João Freire não tem qualquer responsabilidade. Porquê, então, ignorar, neste ‘texto de combate’, as suas próprias, e sábias, palavras, se elas vão direitas ao coração da rua, ao cerne da motivação - anómica, conceda-se - desta rua? Referindo-se ao processo de transposição e incorporação das medidas que propunha para as organizações educativas, João Freire dizia:

«Aqui apenas desejamos chamar a atenção dos responsáveis para dois ou três preceitos simples: − A grande escala dos dados em presença (números de docentes e de alunos) torna por vezes decisiva a fixação de um pormenor; − A responsabilidade dos “negociadores” deve estar menos ligada à sua capacidade de ameaça conjuntural presente (pressão ou retaliação) mas sobretudo aos efeitos de médio/longo prazo sobre a dinâmica dos sistemas em causa; − A representação colectiva de interesses e a assunção de determinados valores tem de ser escrutinada não apenas num “balanço económico” de custos e ganhos internos, mas também num conjunto sistémico que engloba todos os actores em presença (vide a conhecida imagem daqueles que serram o ramo em que estão assentes)» (Estudo, p. 105).

Por tudo isto – lição de João Freire – se torna particularmente incómoda a sugestão de que há uma categoria de trabalhadores que devem esconder de si próprios a sua, ainda não inteiramente delinquente, condição de assalariados, ao mesmo tempo que se vai brandindo aos quatro ventos as respectivas insuficiências e a absoluta necessidade de lhes corrigir os defeitos, praticando, sempre, o vício intelectual da amálgama: «os professores» (Vital Moreira, Público, 4.3.08). A rua não tem sempre razão. Nem o governo. Nem o secretário-geral do meu partido. E outras vezes têm. Mas há uma categoria de cidadãos que certamente nunca tem, por deformação moral e cívica incorrigível: os zelotas que por aí vão pululando e que o comentário frívolo, maniqueu e tauromáquico conforta. E esses, Senhor Director, não lêem João Freire, tanto o João Freire desta manhã como o intelectual tranquilo e humilde que, seguro da importância do que propunha (basta lê-lo), se esqueceu, há 3 anos, de que era preciso ‘pô-los na ordem’ até às eleições de 2009. Apenas porque isso é funcionalmente requerido pela disputa dos votos do centro, esse outro lado da rua de que ninguém quer falar. Ou por uma ilusão de reforma. Por quase mais nada.

Cordialmente,

João Santos

(1) Jornal de Letras nº 969, 21 de Novembro a 4 de Dezembro.

sábado, 8 de março de 2008

2/3 dos professores desceram hoje a Avenida da Liberdade, na "Marcha da Indignação"


  • Dezenas de milhares de professores convergiram em Lisboa para a "Marcha da Indignação".
    Foi um protesto de professores sem precedentes. Os sindicatos dizem que cerca de 100 mil estiverem em Lisboa. A PSP aponta para uma adesão de 85 mil pessoas.
    RTP






1ª Foto: RTP. 2ª Foto: EXPRESSO. 3ª Foto: PÚBLICO


Para a história ficam os números, porque é fácil contar cabeças, e como este indicador é mensurável, é exactamente isso que fica objectivado.

O que pensam os professores que se manifestaram, isso é muito mais importante e heterogéneo,
mas não cabe em poucas linhas, nem dá jeito para fazer notícias. Compreende-se bem. Sai tanta legislação sobre educação, que só a conhecessem os professores que a isso são obrigados, mas numa democracia toda a gente tem direito de expressar a sua opinião. Assim, a imagem simplista que ficou dos docentes na opinião pública foi a de uma reles corporação que está a defender os seus actores medíocres.

  • Nesta altura do campeonato já toda a gente percebeu que o problema não está em Maria de Lurdes Rodrigues, como também não estava no sacrificado ministro da Saúde Correia de Campos. O problema é mais fundo, mais antigo e mais complicado de enfrentar: Portugal é, de há muito, um país mental e estruturalmente corporativo e qualquer reforma que qualquer governo intente esbarra sempre contra uma feroz resistência da corporação atingida. E para que serve uma corporação? Para proteger os medíocres, não os bons. Acontece com os professores, com os médicos, com os magistrados, com os agentes culturais, com os empresários encostados ao Estado.
    Miguel Sousa Tavares (EXPRESSO/Assinatura)


Certamente que José Sócrates também lê o artigo deste opinion maker do EXPRESSO. Recordo-lhe que a justiça é sempre concebida em termos relativos. Sem dúvida que é injusto continuar a sobrecarregar os professores com novas tarefas, retirando-lhes os outrora “direitos adquiridos”, sem ter coragem para tocar nos outros servidores do Estado, designadamente nos magistrados e nos políticos. Dói muito dar um clique até ao site da CGA e ver que os professores são os únicos licenciados que contribuem para a redução do défice orçamental. Se José Sócrates tivesse coragem para enfrentar todos os grupos sócio-profissionais com a mesma determinação teria certamente o meu voto, apesar das inúmeras horas de sono que me tem roubado. E para cúmulo, a Ministra é tão habilidosa, que nem terei direito a ser avaliado!

segunda-feira, 3 de março de 2008

União Nacional contra Maria de Lurdes Rodrigues


Não vou perder-me nos motivos que os professores têm para se mostrar indignados com a actuação da Ministra da Educação, apesar de pessoalmente ter até motivos adicionais aos que têm sido apontados. Não vale a pena bater mais numa senhora que já está a cair. Porém, importa reflectir sobre os motivos que terão levado à formação desta estranha “União Nacional” contra a Ministra, que inclui todos os sindicatos e partidos – incluindo sectores do PS – bem como uma serie de movimentos “espontâneos”. Como explicar esta unanimidade dos docentes que agora despertou, e que antes estava adormecida? Que bicho lhes mordeu que os pôs a mexer? Estão a maltratar o Deixa-Andar?

Evidentemente que o motivo que desencadeou a cadeia de manifestações que actualmente se vive foi o Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro, que estipula como deverá decorrer o processo de avaliação dos professores. Em muitos pontos a Ministra falhou ou não foi hábil num processo delicado, onde as novidades iam surgindo de dia para dia, num trabalho feito em cima do joelho e ao sabor da inspiração de cada dia, oferecendo pretexto a uma assinalável indignação legítima dos professores. Eu tomo a liberdade de me incluir neste conjunto.

Agora quando vejo nos TeleJornais a “União Nacional” contra a Ministra, lembro-me de muitas coisas, ainda de forma desestruturada, mas que gostaria de deixar aqui registadas:

1. Cavaco Silva, enquanto professor de Economia Pública explicava no início dos anos 80 que os professores não precisavam de ser bem remunerados porque eram “professoras”, e se ganhassem melhor poriam em causa o poder dos maridos;

2. Os Licenciados foram aceitando salários mais baixos enquanto docentes, relativamente a outras profissões, porque dispunham de outras regalias, designadamente a ausência de um chefe para aturar e um horário de 22 horas lectivas semanais.

3. As escolas aceitaram todos os Licenciados desempregues até ao dia em que ficaram com as suas vagas preenchidas. A partir do momento em que ficaram "cheias", a sociedade portuguesa começou a conhecer o fenómeno de desemprego entre os Licenciados. A geração que encheu as escolas nunca conheceu o desemprego, mas isso não significa que seja mais competente, apenas teve a vantagem de viver noutra conjuntura económica e social, mas não o reconhece, e luta por direitos adquiridos que são uma miragem para os jovens.

4. Muitos professores colocados nas escolas, conseguem ter tempo para uma segunda actividade, o que é plenamente aceite pelos colegas por “a escola pagar mal”. Evidentemente que nunca têm tempo para ler um mal nem a Web. Alguns terão tido a primeira experiência com a Internet no Concurso para Professores Titulares...

5. A Ministra inventou a estupidez das aulas de substituição, nas quais se transformam os professores em cães de guarda para evitar que o rebanho se tresmalhe. Compreendo que queira segurança nas escolas e poupar dinheiro ao Ministério. Não compreendo que roube aos jovens tempo de convívio e que deixe subtilizados os centros de recursos que actualmente equipam as escolas.
A escola a tempo inteiro agrada às famílias que querem ter os filhos à guarda dos professores, mas traduz-se na sobrecarga destes, sem proveitos para os alunos.

6. A Ministra impôs uma sobrecarga de trabalho a todos, provavelmente na esperança de que aqueles que têm duplo ou triplo emprego abandonassem a escola. Não teve coragem para impedir as acumulações pelo simples controlo das declarações de IRS, e agora ouvirá os seus assobios no momento da saída.

7. A Ministra provavelmente mudou mais a escola em 3 anos que os seus colegas em 30. Tinha ideias fortes e incontestáveis: 1) a necessidade de criação de uma hierarquia; 2) a necessidade de avaliação dos docentes. Estes dois pontos podem parecer pouco, mas representam uma alteração radical da vida das escolas.
Recordo-me no primeiro ano em me foram distribuídas tarefas na escola, as despachei o mais rapidamente que pude. Então deram-me mais trabalho, e fui avisado que se fosse demasiado rápido levaria uma nova dose. Assim me ensinaram que o trabalho na escola “não é para ser feito, é para ir fazendo”. Foi assim que me socializaram no funcionalismo, que nivela todos os professores e obviamente detesta a avaliação. É este espírito que eu vejo na “União Nacional”.

8. A Ministra precisava de um Primeiro-Ministro que a apoiasse contra as corporações profissionais, mas Sócrates não tem legitimidade para isso. Afinal ele nem concluiu a Licenciatura, e pelo menos do ponto de vista académico, importantíssimo para os professores, Sócrates está uns pontos abaixo deles. E como o seu objectivo prioritário é manter-se na chefia do Governo, certamente que sacrificará Maria de Lurdes Rodrigues, (2005-2008).

9. Um aspecto positivo da indignação manifestada é a comparação que os professores fazem entre os seus vencimentos e os de outros servidores de Estado muito melhor remunerados, como os políticos e os juízes. A Internet possibilita hoje o acesso à lista mensal dos aposentados e reformados, logo à entrada do site da Caixa Geral de Aposentações, tornando as desigualdades na repartição do rendimento ilegítimas mais difíceis de suportar, mais intoleráveis. E Portugal tem indicadores vergonhosos segundo os parâmetros europeus quando se observa a distribuição do rendimento, problema que não é acessório quando se debate a educação. As questões andam certamente correlacionadas, porque maior rendimento significa sempre maior liberdade de escolha, e procura-se sempre a qualidade, também na educação.

sábado, 1 de março de 2008

O problema de fundo e o ruído na avaliação dos professores

As manifestações são apenas ruído gerado pelo problema de fundo: a avaliação dos professores. Em termos teóricos são concebíveis dois modelos: a) avaliação interna; b) avaliação externa.

O regime proposto assemelha-se a uma avaliação interna, visto que cada professor será avaliado pelos seus pares. Evidentemente que neste caso a proximidade entre o avaliador e o avaliado pode ser grande. Geralmente este aspecto é apontado como inconveniente porque se crê na avaliação “objectiva” e “imparcial” que exige que o avaliador esteja a milhas do avaliado… Preferencialmente, seria como nos exames, o anonimato asseguraria a independência! Pensamos assim porque estamos viciados neste padrão de pensamento.

A alternativa a este modelo é o ME designar um júri externo – imaginemos professores universitários – que cai de pára-quedas um dia na escola para avaliar os professores, faz o seu trabalho e desaparece. Por nos desconhecerem é que seriam “objectivos” e “independentes”? Creio que não. O seu poder seria certamente mais arbitrário porque não responderiam perante ninguém.

No modelo proposto ainda tenho algum controlo sobre os avaliadores, porque os conheço, e eles não podem tomar decisões arbitrárias porque vão continuar nas escolas, precisam de manter a sua consciência tranquila e quererão usufruir do reconhecimento da comunidade escolar, o que apenas conseguirão com decisões justas.

Foram cometidos muitos atropelos, e estão a ser impostas muitas coisas que não fazem sentido, mas convém que na base do modelo de avaliação dos professores continuem os seus pares, contrariamente a muita opinião publicada.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Decreto Regulamentar nº 2/2008

Segue-se um esquema com a indicação das fases e do que importa considerar na avaliação individual dos docentes, segundo o Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A Ministra da Educação pode ser avaliada pelo seu desempenho?

A Ministra da Educação pode ser avaliada pelo seu desempenho? Pelos vistos não. Atente-se na sua "brilhante" afirmação, com a qual começa a reconhecer o seu falhanço na implementação de um sistema de avaliação dos professores:


  • A avaliação será aquilo que os professores e as escolas quiserem que sejam. Ela é um mero instrumento indicativo para as escolas. Se o utilizarem bem, se o colocarem ao serviço da distinção e do reconhecimento do mérito poderá servir para isso. Se tiver reacções críticas, se as pessoas não quiserem ser avaliadas e não quiserem que os outros sejam avaliados não há nada a fazer: esta avaliação será igual à que anteriormente tínhamos. PÚBLICO, 12/FEV/08


Vale a pena ler a entrevista completa, porque está recheada de anedotas. Segundo a Ministra a exclusão dos professores da presidência do Conselho Geral "foi uma solicitação das escolas para que não haja duas caras e dois rostos a representar a escola na sua dimensão mais pedagógica".

Mais uma. Alguém entende o que é um despacho da tutela "que nem sequer tinha carácter vinculativo forte"?

Se a deixassem eternamente culpabilizar os outros pelos seus insucessos, e continuar a inventar explicações completamente lunáticas, esta senhora bem poderia continuar a ser Ministra até cair da cadeira... Felizmente vivemos num país democrático, e o PS tem de começar a pensar no seu eleitorado...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Desafio lançado a Sócrates

Até Paulo Portas consegue ter razão no debate sobre educação:


  • "O senhor primeiro-ministro imagine que é professor, tem uma turma de 30 alunos, uma parte não sabe a matéria e não tem conhecimentos para passar. O que é que faz o senhor primeiro-ministro? Dá notas artificialmente ou defende a verdade escolar e pode ficar prejudicado?" Paulo Portas


Pedir a Sócrates para dar uma resposta honesta foi evidentemente uma rasteira não inocente, mas tem mérito proporcional à incapacidade de resposta do primeiro-ministro.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Transformações profundas no papel da escola subordinadas à agenda eleitoral do PS

O objectivo dos políticos quando estão na oposição é alcançarem o Governo. Quando estão no Governo pretendem manter-se em funções. É conhecida a forma como são geridos os ciclos de quatro anos: nos primeiros dois anos deverão ser feitas as reformas necessárias, apesar de dolorosas e impopulares, podendo mesmo entrar em confronto com os governados; nos dois anos seguintes distribuem-se “rebuçados”.

Sócrates desafiou em simultâneo amplos sectores da sociedade portuguesa, para dar uma falsa imagem de independência e eficácia. Uma falsa imagem porque o seu alvo nunca foi além da classe média: atacou pensionistas, funcionários públicos, professores, médicos e juízes. Não tocou nem tocará nos políticos, nem nos dirigentes da administração pública, nem no poder financeiro. Quando começou a governar a Socratelândia o país já era aquele que tinha salários mais baixos na Europa dos 15. Com as suas orientações para a função pública, que são tomadas como referencial pelo sector privado, a Socratelândia foi mais ao fundo ainda:



A educação é uma pasta conhecida como a “torradeira” porque os ministros se vão sucedendo na pasta sem que seja possível realizar alterações de fundo respeitando os ciclos eleitorais. Desde 1970, só seis ministros se mantiveram por um período superior a 2 anos: Veiga Simão (70/74), Vítor Crespo (80/82), Roberto Carneiro (87/91), Marçal Grilo (95/99), David Justino (02/04) e Maria de Lurdes Rodrigues (05/??). Esta é uma área onde os resultados das políticas de fundo nunca são observáveis a curto prazo. Mas a Ministra não se importa de fazer os seus planos e as suas regras independentemente dos professores até com batota à mistura para mostrar resultados dum ano para o outro, e a verdade é que a humilhação dos professores lhe tem servido para conquistar simpatizantes noutras franjas da população. Por exemplo, gostaria de a ter visto num carro do corso de Carnaval, tal como vi o Sócrates com o nariz do Pinóquio ou o Ministro das Finanças a segurar mealheiros/porcos/portugueses que tentavam escapar-lhe da quinta, etc....(Carnaval de Torres Vedras). Ao contrário da restante população, os professores estabelecem facilmente a relação entre os “despachos pela Internet” e a agenda e eleitoral do PS:



O pior é que já passaram os primeiros dois anos sem que se tenham realizado as verdadeiras alterações estruturais que a sociedade portuguesa exigiria. Por exemplo, independentemente dos despachos, os recursos mais utilizados no interior das salas de aula continuam a ser o quadro/giz e o manual escolar. Esta é a realidade do quotidiano escolar desde que eu era criança... Entretanto o país já passou por uma Revolução (PREC, 11/MAR/75 a 25/NOV/75), já se extinguiu a URSS, o Mundo passou a ter novas preocupações: alterações climáticas, terrorismo, subdesenvolvimento, SIDA,... Mas a escola parece viver à parte do Mundo, com uma inércia muito maior, e por maior que seja a velocidade dos despachos nada indica que seja alterada a situação nas salas de aula, mas apenas que seja criada mais burocracia.

Lembram-se da lição da banca? Há uns anos também viviam atulhados em papéis, sem computadores. O “problema” dos bancos é que têm mesmo que apresentar resultados! Como fizeram? Modernizaram-se. Reformaram compulsivamente os quadros que não lhes interessavam. Esta Ministra está a fazer o oposto na educação, transformando as escolas em hospícios, precisamente porque nunca será responsabilizada por não obter os “resultados” a que tanto se refere. Lamentavelmente, depois de perdidos os dois primeiros anos, nem haverá “rebuçados” para distribuir na Socratelândia onde a jangada continua a ser conduzida em direcção ao precipício. E as consequências desta política não são um azar do Sócrates nem da Ministra! Eles sabem que correm o risco de não renovar o contrato!

Mas que azar poderá ter um professor que não precisa de quadro/giz nem de manual escolar na sala de aula? Eu prefiro gastar o tempo a criar materiais para os alunos a fazer planificações que são copy/paste dos programas. Corro o risco de dar mau resultado, mas mantenho-me à margem desta paranóia colectiva.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Os professores na blogoesfera

Para um Movimento Cívico Independente.

  • Aconteceu ontem, na Margem Sul, este encontro informal de professores e bloguistas que se revelam independentes de qualquer afiliação partidária e de qualquer sindicato, enquanto mentores deste movimento. A uni-los uma vontade comum: dar voz formal aos seus desencantos quanto aos atropelos cometidos no processo conhecido como Avaliação de Desempenho na carreira docente (AD) e apresentar medidas alternativas viáveis e conducentes a uma dignificação da carreira e a um verdadeiro sucesso educativo para os alunos.

    Segundo o manifesto distribuído na sessão, os professores estão a atravessar o momento mais negro da sua vida profissional desde o 25 de Abril... A um sentimento de enorme frustração soma-se hoje a insegurança quanto ao futuro profissional, uma insegurança decorrente de todos os mecanismos de fragilização da carreira e de instabilidade de emprego que o governo actual tem vindo a introduzir.

    O clima começa a ser favorável a opiniões como as que se debateram: os órgãos de comunicação social parecem estar a acordar para os problemas que a classe tem vindo a enfrentar. E, na verdade, os problemas e as ilegalidades constantes em todo este processo são tantos, que urge chamar a atenção da opinião pública, já que é uma escola pública que defendemos. Não podemos aceitar o regresso ao velho far-west, em que a lei que prevalecia era a lei da bala, balas essas sob a forma de mails, e de despachos, e de normativos que se sobrepõem aos Decretos-Lei, que os contradizem (muitas vezes) e que os violam (outras tantas).
    http://talvezpeninsula.blogspot.com/2008/01/para-um-movimento-civico-independente.html



Tomando como referência João Barroso, perante a mudança os professores têm três atitudes possíveis:


  • Uns (1) constroem muralhas porque vêem nesses ventos uma ameaça à sua situação; (2) outros constroem moinhos porque vêem nas mudanças o vento que alimenta as pás do moinho e que permite fabricar qualquer coisa; e há sempre aqueles que se limitam a (3) esconder a cabeça na areia. Ora eu acho que nos tempos de hoje os professores têm de fazer as três coisas ao mesmo tempo. JOÃO BARROSO


Talvez estes professores/blogueres estejam em circunstâncias para dignificar o estatuto social dos professores, que entretanto passaram a ser mesquinhos funcionários públicos, cumpridores zelosos das letrinhas publicadas no Diário da República, e agora nos sites da Internet! Evidentemente que a sua afirmação, a sua dignificação enquanto professores passa hoje por demonstrarem que a utilidade da blogoesfera e da web não se limita a um instrumento de mobilização num momento difícil das suas carreiras profissionais, mas deveriam fazer parte integrante do seu quotidiano escolar. Gostaria que mostrassem isso. Se fosse tão fácil como assinar uma petição ;) Eu já subscrevi o APELO PARA UMA DISCUSSÃO PÚBLICA ALARGADA DO MODELO DE GESTÃO DAS ESCOLAS PÚBLICAS.

Qualidade do ensino

Como orientação central da sua filosofia educativa para assegurar a "qualidade de ensino", o ME condiciona a avaliação do desempenho dos professores ao sucesso escolar dos educandos. Qualquer pessoa com dois dedos de testa conclui facilmente do efeito perverso desta política. A curto prazo poderá melhorar rapidamente os índices de literacia, mas a longo prazo acentua o nivelamento por baixo.

Gostaria de observar que se cansam os professores a fazer planificações, registos e toda a espécie de trabalho improdutivo, tendo como exclusiva finalidade a sua própria avaliação, como refere Fátima Inácio Gomes:



Entretanto, o que seria importante, colocar os professores a produzir materiais adequados aos seus alunos, não faz parte das grelhas! Que avaliação é esta?

Porque não aproveita o ME a oportunidade para pedir aos professores que coloquem online os recursos para uma unidade lectiva? E também seria necessário abandonar a filosofia do secretismo - actualmente cada vez que se visita um Moodle só dá para ler os títulos, porque todos os pretensos conteúdos se encontram "protegidos" por password - para a da partilha livre e aberta. Isso seria fazer trabalho de professor, adaptado às novas exigências tecnológicas, e ainda mais, seria mudar uma cultura profissional no sentido certo: impor a partilha e o diálogo no trabalho com os colegas.
Pois é! Lá ficava o negócio das editoras abalado ;) A Ministra não tem qualquer respeito pelos "professorzecos", mas não tem coragem para enfrentar os lobbys das Editoras, cujo negócio não poderá ser beliscado.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Na Socratelândia 21=1

O ECD prevê que o processo de avaliação dos professores seja coordenado por Conselho Científico para Avaliação composto por 21 individualidades, mas como estamos numa conjuntura difícil, para reduzir o défice orçamental, em Socratelândia os poderes do Conselho foram delegados num super-presidente:



Estamos entregues à bicharada.
A tia Milu faz leis que não se digna cumprir, e foi poupada pela remodelação.
Sabe-se que Sócrates assinou projectos realizados por colegas, mas isso até é "natural".
Falta a presidente do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores perceber o esquema, e começar a atribuir projectos em regime de out-sourcing. Desde modo conseguirá realizar sozinha as tarefas dos 21 membros inicialmente previstos, demonstrando que 1=21!

sábado, 26 de janeiro de 2008

Autonomia das escolas na Socratelândia

Na quarta-feira tive uma reunião de Grupo para discutir a avaliação de desempenho dos docentes. Ficou como trabalho de casa fazer propostas à ficha de avaliação que o Coordenador utilizará para preencher aquando da observação das aulas, a discutir numa próxima reunião. Entretanto o Ministério anulou o debate publicando na Internet a referida grelha, num pacote de PDF's.



Autonomia das escolas para o Ministério é isto: Impor a todas os mesmos modelos, com uma opção "outro", a definir pela escola.


Simplex!
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