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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O mérito do modelo de avaliação de desempenho chileno



Se alguém quiser ver o meu portfólio digital, vendo a password de acesso ;)

Ministra da Educação bombardeada com ovos por "formandos" das Novas Oportunidades



Fafe, Braga, 11 Nov (Lusa) - Alunos da Escola Secundária de Fafe atiraram hoje ovos ao carro da ministra da Educação, numa manifestação que levou Maria de Lurdes Rodrigues a desistir de presidir a uma cerimónia de entrega de diplomas, disse fonte policial.

Segundo adiantou à Agência Lusa a mesma fonte, cerca de 250 jovens colocaram-se perto do Estúdio Fénix, a sala de teatro onde iria decorrer a cerimónia, e, além de "gritarem palavras de ordem hostis" à política educativa do Governo, "atiraram ovos" para o carro da governante, que nem sequer chegou a sair da viatura. Continuar...

domingo, 9 de novembro de 2008

8 de Novembro/08 – Uma manifestação de 120.000 professores


Os sindicatos estavam aprisionados a um memorando de entendimento com o ME, que os forçava a irem-se mantendo calados enquanto decorresse a implementação do modelo de avaliação do desempenho, reservando-se a sua intervenção para a avaliação do próprio modelo, e eventual redefinição do seu desenho, para o aperfeiçoarem ;)

A Ministra da Educação recordou que umas das fontes de legitimação do modelo de avaliação resulta precisamente do referido acordo com os sindicatos.



A Ministra da Educação continua a dizer que a implementação do modelo de avaliação do desempenho decorre com normalidade nas escolas porque as lentes que usa não lhe permitem ver as realidades. Não lhe permitem ver a enorme sobrecarga de trabalho, o sofrimento, a desautorização, o esgotamento, a adulteração da missão do professor, os prejuízos para o ensino e as aprendizagens. Prefere acreditar no que relatam as “equipas de apoio às escolas” (bela ironia…), e nas brigadas de emergência, ou mesmo no que dizem ao telefone os conselhos executivos. (Terrear)

Porém os blogues - designadamente Ramiro Marques, Matias Alves, Paulo Guinote e Ilídio Trindade - não estavam aprisionados a qualquer acordo e puderam dar expressão ao descontentamento dos docentes, que teve o seu ponto mais alto com a marcação de uma manifestação pelos movimentos dos blogues (MUP e APEDE) para 15 de Novembro.

Para evitarem ser ultrapassados na sua especialidade – representação dos professores – os sindicatos não tiveram outro remédio senão denunciar o memorando de entendimento com o ME e convocar uma manifestação que esvaziasse de conteúdo a de 15 de Novembro. Assim nasceu a manifestação de dia 8 de Novembro, que os sindicatos organizaram cavalgando a onda dos blogues, para não ficarem desautorizados por estes. Os sindicatos convocaram a manifestação de dia 8 alegando que dia 15 já seria tarde! Apesar de ter nascido torta, terá juntado 120.000 professores, batendo a Marcha da Indignação. Será que no próximo sábado este número voltará a ser batido? A arrogância e ignorância que permitem à Ministra da Educação afirmar que não há mais nenhum modelo de avaliação do desempenho, merecem uma resposta à altura: ultrapassar no próximo dia 15 a manifestação de ontem.



Promotores da Manifestação de professores originalmente marcada e que continua a ser promovida para 15 de Novembro

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Ministra reprovada pelos resultados das escolas públicas


Milu foi claramente reprovada pelos resultados das escolas públicas, uma vez que no no ranking de escolas as privadas tomaram os primeiros lugares em resultado da anomia que se vive nas públicas. Pela primeira vez, desde que que se publicam rankings (2001) é necessário descer até à 17ª posição para encontrar uma escola pública!
Correio da Manhã, 29 de Outubro de 2008.

Avaliando a Ministra pelos seus resultados sobre a escola pública, sem dúvida teria classificação negativa. Submeter-se a tarefas de recuperação não fará parte dos seus planos.

A sobrecarga de trabalho dos docentes com tarefas improdutivas já está a dar resultados.

Que podemos fazer?

Milu e a manif

Um vídeo de 5 estrelas.

sábado, 4 de outubro de 2008

A domesticação dos professores


Manifestações como a de 8 de Março certamente não voltarão a repetir-se, mas isso não significa que os docentes tenham hoje menos motivos, apenas foram domesticados.

De educação a imagem que o Governo tem não pode dissociar-se do perfil académico do Primeiro-Ministro. Pi.

Milu observa a educação do ponto de vista da Sociologia barata interessando-se pelas estatísticas. Até concordo consigo quando à não obrigatoriedade do 12º ano, nas não devido ao sucesso das Novas Oportunidades criadas ao estilo socratiano. Como socióloga deveria levar em consideração os estudos sociológicos, designadamente de Basil Bernstein, que demonstram que o investimento do Estado seria mais produtivo se apostasse na entrada das crianças do ensino infantil antecipando a sua entrada na escolaridade obrigatória em dois anos. Nas nenhum político pega neste tema porque em termos de marketing político o 12º ano é muito mais vistoso para a generalidade dos eleitores.

Milu conseguiu domesticar os professores com uma espécie de sociologia orçamental assente em suas premissas fundamentais: (1) dar cada vez mais trabalho aos docentes independente da sua utilidade pedagógica, pois o objectivo é o massacre; (2) criar condições excepcionais de reforma aplicáveis a quem se encontra perto da meta.

Tenho que elogiar a Ministra da Educação que com a invenção do 11º escalão retirou argumentos a quem estava no 10º para não ser avaliado. Entretanto também lhes criou um quadro legal mais favorável à antecipação da reforma como escapatória de fuga. Esta via será a escolhida pela brigada do reumático, que já iniciou a sua contagem decrescente para abandonar as escolas e portanto não adianta manifestar-se porque o pior ficará para os colegas. Os mais novos até vão beneficiar dos lugares que assim irão ficar abertos… E os ensanduichados entre os que os saem e os que entram têm oportunidade para ficar relativamente melhor posicionados na escolha do seu horário. Bem vistas as coisas até foram distribuídos rebuçados a todos, e ME assegurará o mesmo serviço gastando menos dinheiro! Ganharam os contribuintes à custa da sobrecarga de trabalho dos professores, mas pelos motivos que expliquei a manifestação de 8 de Março não se repetirá.

Para a semana tenho marcada uma reunião para segunda-feira, outra para terça, outra para quarta... Não é nenhuma semana especial. Tem sido e vai continuar assim. Apetece-me gritar DEIXEM-ME TRABALHAR!

Quando é que começam a utilizar a Internet como ferramenta de trabalho colaborativo na escola? Já sei que os Velhos do Restelo ficaram a rir-se com esta pergunta, mas não desistirei.

Como contribuinte, até apreciaria as poupanças orçamentais de Milu com os professores, se não se desse o caso de o Governo ter desbaratado muito mais recursos com os políticos. Motivos de descontentamento não faltam ao aos professores.


Escrevi isto a propósito de um artigo publicado na Visão que vale a pena ler.

sábado, 13 de setembro de 2008

Fantasias estatísticas da educação e do sucesso escolar


O que medem os números? Querem impor-me realidades com as séries estatísticas? Escrevo este post para registar que o que sinto no terreno difere muito do mundo maravilhoso que os números do ME sugerem.

  • Os resultados escolares de 2007/2008 apresentam uma melhoria acentuada em todos os ciclos de ensino, consolidando o patamar já alcançado no ano lectivo anterior, indicam os dados provisórios apurados pelo Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação relativos às taxas de retenção e de desistência. Os valores divulgados são os mais baixos dos últimos 12 anos. www.mim-edu.pt


Se houvesse uma melhoria acentuada do nível cognitivo em todos os ciclos de ensino, eu não poderia contar historietas, como a que decorreu esta semana numa turma do ensino secundário:

- Quanto dá 500 a dividir por 1.000?
- ... 100
- ... 500
- ... 1.000
- Na máquina dá 0,5!
- OK. A máquina está certa!

Naturalmente, todos os alunos desta turma contribuíram para o sucesso estatístico que o ME contabilizou!

sábado, 23 de agosto de 2008

Basta ficar aprovado a Educação Física para passar de ano!


Não estou a inventar. Vou copiar o início do artigo do EXPRESSO.

  • Luís, 15 anos, já mudou várias vezes de escola e chumbou a oito das nove disciplinas curriculares do 6º ano de escolaridade. Só passou a educação física. Apesar deste resultado, passou para o 7º ano e está inscrito noutra escola vizinha. Aconteceu na EBI 2,3 Vasco Santana, em Odivelas, e não é caso único no país.
    EXPRESSO/Assinatura


Este aluno só ficou aprovado em Educação Física e mesmo assim transitou de ano. Que excelente exemplo!

Há justificações para tudo! Naturalmente que não são consensuais.


Como se compatibilizam exemplos destes com o discurso do trabalho?

Recordo a lei de ouro do trabalho escolar: MAIS TRABALHO deverá traduzir-se sempre por uma MAIOR CLASSIFICAÇÃO.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Rigor???

  • A treta educativa de que somos todos iguais e temos todos os mesmos direitos

    Bristol. Inglaterra, cidade de médias dimensões, chuva, uma escola cheia de miúdos, cerca de mil, e quatro escolas estrangeiras de visita: Espanha, Portugal, Noruega e Lituânia. Seria mais uma experiência profissional, uma das muitas que já integrei, e não mereceria lugar no jornal se não tivesse vivido momentos que me fazem pensar para além do profissional.
    Fiquei impressionada com o rigor, com a formalidade, da escola que visitei. Os alunos, miúdos entre os dez e os dezassete anos, usam uniforme, cumprem horário - não há campainha -, são castigados e premiados, cumprem regras e são educados para o reconhecimento da autoridade e o respeito pela hierarquia. aqueles miúdos não precisam de toques estridentes de campainha para saberem que devem dirigir-se para as aulas, não arrumam os seus materiais em algazarra, ao som irritante da dita cuja. Desde pequenos aprendem a regular-se pelos seus relógios e, para eles, é normal e correcto que assim seja. Estes miúdos e professores têm aulas apenas de 60 minutos, entram às 8h30m e saem sempre às 14h40m. Estes alunos e professores têm tempo para viver para além da escola: para ler, brincar, estudar, conviver, fazer desporto, etc. No entanto, estes miúdos não têm mais insucesso que os portugueses e, pelo contrário, de forma geral, mostram muito maior domínio das competências básicas! Então, parece-me, está provado que o sistema português, que abusa do tempo passado na sala de aula e minimiza o rigor, está completamente errado! Um professor inglês, surpreso face ao tempo que os nossos alunos passam na escola e face à duração das aulas, mostrou-se um artigo científico onde se prova que, para além dos 60 minutos, a capacidade de concentração e trabalho de qualquer criança e/ ou jovem é nula!! Perante esta situação, eu, que há muito desconfio do sistema português, fiquei angustiada. será que a equipa ministerial, as várias desde há muitos anos, não conhecem outras realidades, não fazem estudos, não comparam metodologias e sucessos, não lêem revistas científicas, não estudam as mais recentes filosofias e psicologias da aprendizagem?!! E, para além disso, como pode a UE, a tal União de proximidades, de objectivos comuns, aceitar regras tão profundamente diferentes entre os diferentes estados-membros? Porque dos cinco países presentes Portugal é o único com aulas de 90 minutos (e 135! BARBARIDADE!), o único em que os alunos passam tantas horas na escola, o único em que ainda vigora a treta educativa de que somos todos iguais e temos todos os mesmos direitos! Em Inglaterra, os miúdos crescem aprendendo e compreendendo que o Professor é detentor de sabedoria, de poder conferido por um estatuto profissional, que deve ser respeitado e obedecido. Os mais pequenos, miúdos de onze anos, com o seu uniforme de calças pretas e azul-turquesa, respeitam até o seu delegado de turma que, para se distinguir do todo da turma, usa... gravata! Quando me contaram, sorri. Achei que era mais uma loucura exagerada dos ingleses. Mas, agora, vivi a experiência, observei os miúdos e, sinceramente, lamentei a triste realidade do meu país...
    Um país sem regras, um lugar onde vale tudo, um espaço onde os limites são confusos, não pode funcionar! Mais uma vez, como já outras vezes me aconteceu, dei comigo a pensar o que é que, de facto e com efeitos visíveis, foi feito, em termos de educação cívica e cultural, desde 1974 até hoje. A resposta, para não ser pessimista e porque acabei de chegar cheia de esperanças, é que quase nada. Porque não se pode educar sem regras, sem impor limites, sem definir hierarquias e sem fomentar a autonomia!
    Bom, eu não queria viver nada em Inglaterra. Não gosto da chuva contínua, dos edifícios tristes nem da língua grosseira. Mas invejo o modelo educativo que eles praticam! Invejo um povo que não tem medo de dizer que é diferente ser-se professor ou aluno, que não receia ser apelidado de fascista, apenas por estabelecer e fazer cumprir regras. esta gente, os ingleses de hoje, descendem de quem viveu a guerra e reconstruiu um país. Será que a nós nos falta, ainda, a experiência da guerra? Terror, já nós conhecemos...

    Maria Luísa Moreira
    Professora


O texto foi publicado dia 24 de Janeiro de 2008. Chegou-me num .jpg por mail, mas não é possível identificar o respectivo Jornal, embora uma pesquisa na Internet tenha revelado que este artigo já esteve nos servidores da VEJA. Mantive os sublinhados da autora.
Agradeço o trabalho de digitação do Cantinho da Educação.

Nos países com sistemas educativos que funcionam bem, todos se vão rir do prémio dos 500 euros inventado pelo ME. Os bons estudantes consideram a sua educação como um investimento a longo prazo, mas um Ministério sem perspectivas de futuro só poderia criar jackpots anuais. Portugal deixou de ser o "bom aluno" da União Europeia, para se tornar a anedota da União.

Prémio de mérito socrático: 5.000 euros


Depois de ler a notícia do Público, fiquei com vontade de instituir também um prémio de mérito escolar socrático. Para o efeito já constitui uma reserva no montante do prémio, de 5.000 euros, que será atribuído ao aluno do ensino secundário que comprove ter terminado o 12º ano cumulativamente nas seguintes circunstâncias:

  • 1 - Iniciou todos os exames 10 minutos depois da hora;
  • 2 - Abandonou sempre a sala 10 minutos antes do toque de saída;
  • 3 - Não conhece os colegas;
  • 4 - Não conhece os professores;
  • 5 - Tem certificado de habitações passado num domingo;
  • 6 - Encerrou a escola.

Caso se apresentem vários candidatos, o desempate realizar-se-á por entrevista, que avaliará a verosimilhança da encenação.



As escolas secundárias já têm instituídos mecanismos para destacar os alunos com melhores resultados escolares,
através dos Quadros de Honra. Ao nível do ensino superior, diversas instituições reconhecem o mérito escolar através de bolsas de estudo. Os trabalhadores-estudantes sabem como o êxito escolar é importante para continuarem a usufruir das mesmas regalias. O reconhecimento pela família e pelos amigos também tem um valor incalculável. Mesmo assim a investigação tem mostrado que a fonte de motivação mais consistente com o investimento a longo prazo é o puro interesse intelectual.

O prémio proposto pelo ME é uma medida errada porque:
1. Privilegia a componente instrumental em detrimento da intelectual;
2. Nem ao nível da componente instrumental chega a ter efeito, porque numa escola com 1.000 alunos só dois serão premiados;
3. Socialmente é injusta, porque provavelmente premiará quem menos necessita;
4. O dinheiro que não custa a ganhar, também não custa a gastar, abrindo aos jovens as janelas dos vícios... Seria muito mais inteligente conceder-lhes uma bolsa de estudo que lhes fosse pagando propinas, livros, etc. no curso superior.

sábado, 12 de julho de 2008

Para ensinar é necessário saber


Há coisas que me parecem tão simples, que nem perco tempo a pensar nelas. Para mim, é óbvio, que não se poderá ser um bom professor numa área disciplinar onde não se tenha formação académica de base.

O conhecimento encontra-se “arrumado” por ciências, que na escola dão lugar a disciplinas: Economia, Sociologia, Direito, etc. Não é por acaso que o conhecimento científico se encontra hoje compartimentado, fora da escola. O crescimento exponencial do conhecimento científico forçou à sua especialização em áreas bem definidas. Os autores são conhecidos na respectiva temática, as teorias e modelos explicativos dependem da abordagem científica. Os profissionais podem ser excelentes num ramo do saber, mas nulidades noutros aspectos. Por exemplo, nenhuma companhia seguradora se lembrará de contratar um excelente advogado para calcular o valor do prémios a solicitar aos segurados, pois isso seria a sua ruína.

Nas escolas temos um mundo à parte, onde todas as barbaridades são possíveis, porque as escolas não vão à falência. Eu próprio já dei aulas de Matemática e de Direito e de muito mais coisas que não devia ter dado. Estou farto de preparar programas, porque sou dos docentes relativamente mais jovens, isto é, pertenço ao grupo que fica com o que sobra depois dos colegas terem indicado as suas preferências por disciplinas, por anos, por turnos, etc. Até compreendo que o serviço docente seja distribuído exclusivamente tendo em consideração o tempo de serviço, apesar de dar origem a uma hierarquia acomodatícia em função da qual são escolhidas disciplinas. Tem a vantagem de ser um critério prático em termos administrativos, mas quando se pensa em avaliação do desempenho é de uma injustiça atroz.

A avaliação de desempenho deveria garantir a todos idênticas oportunidades para ser justa. Ora, um professor com muitos anos de serviço, que escolheu horário primeiro, e vai fazer o que sempre fez, teria obrigação de evidenciar um melhor desempenho que o seu colega mais novo, que fica com o que sobra, e por isso anda sempre a preparar níveis diferentes.

Especialmente para quem está for a do ensino, e não percebe tão bem as regras do “baile” a que me refiro acima, posso adiantar que até hoje, a Licenciatura em Economia já me permitiu leccionar o seguinte: Área Interdisciplinar, Comércio e Distribuição, Contabilidade, Direito, Economia Política, Introdução à Actividade Económica, Introdução à Economia, Introdução à Política, Introdução ao Desenvolvimento Económico e Social, Introdução ao Marketing, Introdução às Tecnologias da Informação, Matemática, Métodos Quantitativos, Noções de Administração Pública, Organização e Métodos, Psicossociologia, Relações Públicas e Sociologia.

Se eu pudesse teria leccionado sempre Economia. Nas outras disciplinas fico como que castrado, por não poder levar as últimas novidades, nem poder utilizar a linguagem que é própria da Economia, mas posso garantir que independentemente da disciplina, o quadro de referência e organização continua a ser o pensamento económico. O meu repertório de exemplos está centrado na Economia, portanto outras disciplinas nunca saem tão bem. Por maior que seja a preparação de uma disciplina em que não tenha formação, as aulas nunca têm o brilhantismo do improviso como nas de Economia.

Não caso único certamente. Estou absolutamente convencido desta regra geral: para ensinar é necessário saber. Ao longo da minha carreira tive várias vezes turmas do 11º ano de Economia. Quando as turmas tinham tido o 10º ano com colegas de Economia o meu trabalho prosseguia tranquilamente. Quando os alunos tinham apanhado alguém de Direito no 10º ano, era uma catástrofe: não sabiam Economia, tinham obtido classificações elevadíssimas e fazendo a média do 10º com 11º já estavam passados!

Entendo que criticar a falta de formação científica é fácil demais. E como entretanto comecei a leccionar Sociologia, entendi que deveria fazer um Mestrado em Sociologia para me justificar como professor da disciplina.

Escrevi este post porque não entendo como o ME quer implementar o modelo de avaliação do desempenho assim. O meu grupo disciplinar (antigo 7º grupo), incluía economistas e advogados quando comecei a dar aulas (1984/85). Posteriormente entraram alguns sociólogos. O ano passado foi alargado aos contabilistas. Certamente não foi feita nenhuma avaliação do impacto desta alteração sobre a qualidade do ensino, mas este ano o ME alargou novamente o grupo. Agora inclui economistas, advogados, sociólogos, contabilistas, historiadores, filósofos, geógrafos, técnicos de sectariado, professores de moral e religião.

Isto quer dizer que de acordo com a lei, eu poderei adicionalmente vir a dar aulas de história, filosofia, geografia, etc. e todos estes meus colegas poderão leccionar Economia!



Que avaliação do desempenho quer o Ministério se não cria condições para que cada qual possa mostrar o que sabe?
Pior, quando cria situações que colocam à partida os professores mais jovens em circunstâncias muito mais desvantajosas. A criação deste mega-grupo foi apenas um atentado contra a avaliação do desempenho a que ME não se cansa de fazer propaganda. E neste caso a culpa não foi dos professores, nem das escolas, nem dos sindicatos, nem de mais ninguém. Mas se o ME quer o caos completo, sugiro que para o ano alargue o grupo disciplinar a todos os departamentos, pois seria mais simples recrutar os docentes para um DEPARTAMENTO ÚNICO. Então, independentemente da formação académica, qualquer professor poderia leccionar português, francês, inglês, alemão, latim, grego, história, filosofia, geografia, matemática, economia, sociologia, direito, contabilidade, etc.

Entenda senhora Ministra que esta proposta é para ser levada a sério. Os alunos poderiam não aprender quase nada, mas teriam certamente classificações mais elevadas! Não é isso que se pretende?

Adenda
Faltei a esta reunião. Nunca falto durante o ano lectivo, mas durante o período de semi-férias... Afinal a reunião de distribuição de horários não foi tão confusa quanto tinha imaginado. Participei apenas na reunião do 430 (economia, contabilidade, sociologia, direito). O mega-grupo a que me refiro acima funcionou "apenas" para efeito de recrutamento de professores. Mas mantenho as críticas, porque se é indiferente recrutar docentes de grupos tão díspares, certamente se entende que o seu perfil se adequa às mesmas necessidades...

terça-feira, 8 de julho de 2008

Ministra da Educação reprovada com 8


Chega-se precisamente à classificação de 8,0 valores, se se converterem na escala de 0 a 20, as percentagens obtidas para a educação no estudo de opinião efectuado pela Eurosondagem, S.A. para o Expresso, SIC e Rádio Renascença, de 26 de Junho a 01 de Julho de 2008.

Parece legítimo concluir-se que a população sabe distinguir os resultados escolares fabricados para as estatísticas, da educação que é necessária.

NOTA
Calculou-se a média ponderada, utilizando os seguintes pesos: 20 - Muito Bom; 15 - Bom; 10 - Razoável; 5 - Mau; e 0 - Muito Mau.

sábado, 5 de julho de 2008

A lógica do trabalho escolar na interpretação das estatísticas de exames


A explicação unanimemente partilhada pelo ME e pelos professores pode designar-se lei de ouro do trabalho: “só uma alteração de atitudes, métodos de trabalho, etc., garantiriam melhores resultados” (versão resumida das actas dos conselhos de turma no segundo período). Do seu ponto de vista MAIS TRABALHO deverá traduzir-se sempre por uma MAIOR CLASSIFICAÇÃO, e é esta gramática simplista que é utilizada na interpretação dos resultados escolares. Dá jeito utilizá-la, até porque se exclui à partida um trabalho diferenciado, de base mais formativa para corresponder às necessidades reais dos alunos.

A lei de ouro do trabalho é o quadro de referência geral para a interpretação de quaisquer resultados. Se a “lei” falhar inventam-se explicações alternativas.

Independentemente da polémica acerca das próprias provas, como o que conta são os resultados, não os meios, o Ministério da Educação enaltece a "melhoria" nos resultados da Matemática, "que se verifica pelo terceiro ano consecutivo", para elogiar o trabalho realizado, como se adivinhava. Lá está o Plano de Acção para a Matemática! Que o PMA apenas tenha contemplado alunos dos 7º, 8º e 9º anos, e os resultados em discussão se refiram ao 12º ano é um pormenor sem importância ;) que interessa omitir para não estragar a lógica da "lei de ouro" ;)

A aplicação desta lógica ao Português, cuja média desceu, resultou na extensão ao Ensino Secundário das dinâmicas do Plano Nacional de Leitura", porque médias a descer significam menos trabalho! Precisam de novos “contratos de leitura”!!

Pelos vistos os alunos do 12º ano “trabalharam” a Matemática, mas “não trabalharam” a Português, o que não tem muito sentido quando são os mesmos. E aqui o ME inventou uma justificação trapalhona: o exame de Português "é o que abrange o maior número de alunos, sendo realizado pela quase totalidade dos que terminam o ensino secundário em cursos científico-humanísticos", como se isto fosse alguma novidade. Foi exactamente com esse conjunto alargado de alunos que se calculou a média do ano anterior!

Alguém irá fazer rankings com estes números, que reduzirão as estórias e as polémicas do ano às seriações estatísticas.

Uma questão final. O ME fez batota nos exames?
Recorda-se apenas a publicação da Portaria 1322/2007 de 4 de Outubro, (Backup) em resultado da qual a matéria dos exames de Português e Matemática, em vez de englobar o 10º, 11º e 12º anos, foi reduzida apenas à leccionada no 12º.



Os Planos fazem parte da retórica para mandar estudar, por demais evidente face às "autorizações para esquecer".


Adenda
No parágrafo que transcrevo abaixo a Ministra da Educação referia-se aos resultados do 4º e do 6º ano, em Matemática, mas independentemente do nível de escolaridade, a validade da lei de ouro é irrefutável.

  • Nós acreditamos que com mais trabalho os alunos recuperam. Há milhares de alunos que começam com negativa e recuperam ao longo do ano. As explicações eram a forma como as famílias resolviam as aprendizagens: escola pública de manhã e privada à tarde. No caso específico da matemática, pedimos às escolas que organizassem a recuperação dos alunos no interior da própria escola. E não podemos desvalorizar o que as escolas fizeram nestes últimos dois anos sob o risco de desacreditar o próprio processo de aprendizagem. Eu acredito que trabalhando se aprende. Por isso, é preciso trabalhar mais.
    Maria de Lurdes Rodrigues ao EXPRESSO (Assinantes), em 05/Julho/2008


Também destaco o seguinte:




Adenda

Desde que inventaram a avaliação externa no 12º ano, em 1996/97, a minha escola sempre tem feito estatísticas de exames. Este ano entendeu que não valia a pena. Acho que a fabricação das classificações foi tão evidente que até dispensou a análise estatística.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Os professorzecos não te esquecerão


Milu já excedeu largamente o tempo médio de permanência na direcção do ministério conhecido por torradeira, por razões óbvias.

Os professorzecos não sofrem de amnésia, e já que o ME continua com dificuldades orçamentais, sugiro que cobrem bilhetes à entrada do átrio.

Também podem vender um login de acesso ao Museu Virtual da Educação.


Declaração

Prescindo de quaisquer direitos referentes às sugestões acima apresentadas.


A sua lógica passou/passa por impor a professores e alunos um modelo de “escola tempo inteiro” que transforma as escolas em depósitos de crianças, “libertadores” dos pais. Entre outras anormalidades inventou o conceito de “aulas de substituição” que impede os adolescentes de saborearem o prazer de um furo. O financiamento desta sobrecarga de trabalho dos docentes foi inventado na revisão do ECD, onde estas aulas foram consideradas componente não lectiva!

Amor com amor se paga. Conseguem imaginar as actividades desenvolvidas pelos papás - CONFAP - para receberem tanto dinheiro do Gabinete da Ministra?

Fonte: Despacho nº 16872/2008, de 23 de Junho, que aprova as fichas de avaliação do desempenho.

domingo, 4 de maio de 2008

MFL planeia aliviar o Estado da Saúde e da Educação

Extracto da entrevista de Manuela Ferreira Leite (MFL) ao EXPRESSO:

  • Como é que aliviaria o peso do Estado?
    Ideologicamente não tenho nada contra que certos sectores, desde que devidamente regulados e fiscalizados pelo Estado, possam estar no sector privado. Por exemplo, não há nenhum motivo para que o sector privado não tenha um papel decisivo na Saúde e na Educação. EXPRESSO/Assinatura, 03/MAIO/2008


Sem dúvida que o PS tem promovido nas áreas da Saúde e da Educação políticas que o PSD poderá desenvolver... No caso de Maria de Lurdes Rodrigues, até seria inteligente invocar a procura de consensos alargados na sociedade e propor-lhe a continuidade como Ministra da Educação do PSD, de MFL. Não existem quaisquer barreiras ideológicas entre o PS e o PSD para que Milu seja impedida de continuar a sua obra: a destruição da escola pública, muito bem exposta no artigo "agenda oculta para a educação". O programa liberal do PSD, deixa logo à margem aqueles que não puderem pagar o acesso à saúde e à educação, dispensando o palavreado das "novas oportunidades" socialistas.

A propósito, recorda-se uma célebre afirmação de Cavaco Silva, o seu líder, sobre os funcionários públicos, que MFL certamente subscreverá:

  • "Como nos vamos livrar deles? Reformá-los não resolve, porque deixam de descontar para a Caixa Geral de Aposentações e diminui as receitas de IRS. Só resta esperar que acabem por morrer".


Portanto, aliviar o Estado dos funcionários (ditos) excedentários certamente que não será uma tarefa fácil.



Post-Scriptum

A memória foi-me avivada por um mail que transcrevo abaixo.

"O Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP) emitiu ontem uma nota de imprensa em que considera "impróprias e injuriosas" as afirmações de Cavaco Silva, ao abordar a necessidade de diminuição de funcionários públicos, numa conferência proferida na passada quarta-feira, na Faculdade de Economia do Porto. "Como nos vamos livrar deles? Reformá-los não resolve, porque deixam de descontar para a Caixa Geral de Aposentações e diminui as receitas de IRS. Só resta esperar que acabem por morrer", afirmou o antigo líder do PSD."

- publicado no Público, "Sindicato da Administração Pública Contesta Declarações de Cavaco" - no dia 2 de Março de 2002.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Bardamerda para o entendimento!

Os professores não mudam de opinião de um dia para o outro. Os sindicalistas é que devem estar com vontade de ir passar as férias às Caraíbas, e por este ano querem dar o seu “trabalho” como cumprido.

É significativo que numa amostra tão pequena já se refiram tantas escolas a votar contra. Reparem que não estão a votar contra o procedimento simplificado adoptado este ano lectivo, mas contra o modelo chileno que o ME teima em impor em 2008/09. Portanto é abusivo afirmar que os



  • Professores aprovam por "esmagadora maioria" acordo com Ministério da Educação



Teve razão Ana Benavente quando classificou este entendimento de "chantagem". Efectivamente...


  • ...“quando escolas afirmam que não têm condições para fazer a avaliação este ano”, dizer aos professores contratados que “no próximo ano não serão colocados”, é “ameaçar com o desemprego”. “Isto é uma forma de chantagem”.



Posso mesmo afirmar que na minha escola, o sentimento generalizado entre os colegas com os quais falei era de espanto. Ninguém esperava que os Sindicatos chegassem a um compromisso com ME neste momento do calendário escolar. Aliviar a Milu da avaliação de 7.000 professores este ano, para recomeçar em Setembro com o modelo que parametriza todo o processo educativo, para tornar cada docente num valor comparável através de escalas de equivalência previamente concebidas para a redução despesa pública com a educação, só porque é considerado excessivo o défice orçamental, no quadro da União Europeia... bardamerda para o entendimento! Porque não uma Assembleia da República apenas com 100 deputados (como propôs António José Saraiva) e com menos mordomias?

domingo, 13 de abril de 2008

Memorando de Entendimento

Fica aqui arquivado o documento - Backup do Documento - assinado entre o ME e a FENPROF, que inventou o procedimento simplificado para a avaliação de professores, reduzido aos seguintes elementos: (1) ficha de auto-avaliação; (2) assiduidade; (3) serviço distribuído; e (4) acções de formação, quando obrigatória e desde que existisse oferta financiada nos termos legais.

ME e Sindicatos clamaram vitória, como se tivessem chegado a alguma coisa. Apenas compreendo que ambos os lados precisassem de salvar a face. O nome que deram ao documento indica bem que apenas se trata de uma declaração de princípios sobre banalidades.



Tendo em consideração esta "simplificação", o trabalho que eu tinha no tempo das "progressões automáticas" era estupidamente excessivo. Ver Relatório Crítico de Actividades - Julho de 1997.

É incrível como as pessoas mudam em função das situações e dos papéis que são chamados a desempenhar. Durão Barroso, passou de jovem maoísta eme-erre-pum-pum a servidor dos interesses americanos, e até descobriu a "utilidade" da Guerra contra o Iraque ;)



Milu, também passou pela escola eme-ele, tendo-se tornado recentemente o expoente máximo da defesa do neoliberalismo na educação. Ver testemunho do professor Raul Iturra e artigo sobre a agenda oculta para a educação.

O texto não representa nenhum acordo, porque o ME continua com a sua agenda, e os Sindicatos voltarão a exigir novas simplificações do DR nº 2/2008. Recorda-se que o Memorando o prevê a abertura de diversos "processos negociais". Neste sentido entenderam-se para uma breve trégua...

Portanto, neste caso, o título do PÚBLICO é enganador:



Paradoxalmente, a imagem transmitida para a opinião pública por ambas as partes é de satisfação com o "trabalho realizado". Só que as posições estavam (e continuam) extremadas... Seria a mesma coisa que no final de um jogo de futebol ganharam ambas as equipas ;)

Os Sindicatos já deixaram o aviso:

quarta-feira, 26 de março de 2008

O critério da avaliação de professores

O critério da avaliação de professores consiste na redução de despesa pública independentemente da forma como venha a ser realizada a dita "avaliação de desempenho".

  • Maria de Lurdes Rodrigues assegura que «tudo se resolverá» e que «a avaliação não está adiada e não está suspensa». A ministra admite, porém que haja uma «simplificação do processo», que pode passar, em algumas escolas, por não haver aulas observadas e por uma alteração dos prazos.
    SOL


Portanto cada escola poderá continuar à sua maneira, porque o que realmente interessa é justificar o congelamento da larga maioria que não progredirá, porque a convergência com a União Europeia obriga o Estado português a ser menos generoso para com os seus funcionários.

Fonte: http://www.portugal.gov.pt/NR/rdonlyres/3499C15E-A66E-4BE2-B7BD-326060082699/0/Produtividade_quadros.pdf

Os professores têm o azar de ser muitos, e daí o seu peso na factura do Estado. Os políticos não são tantos, mas têm um peso relativo muito maior. Será possível continuar a proletarizar os professores enquanto se garantem maiores privilégios aos políticos? (Ver assistentes individuais)

domingo, 23 de março de 2008

segunda-feira, 17 de março de 2008

A distribuição Normal e conflito entre o ME e os sindicatos

Naturalmente que há interesses conflituantes, mas sobre esses não me quero aqui referir. Gostaria apenas de enfatizar neste post que o conflito entre o ME e os sindicatos poderá resultar em parte das próprias ferramentas cognitivas que utilizam, designadamente da curva normal. A curva normal padrão, com média 0 (zero) e desvio padrão 1 (um) apresenta a seguinte configuração.


Na sua caracterização apresentam-se geralmente as percentagens definidas pelos valores:
- a média mais ou menos 1 desvio padrão


- a média mais ou menos 2 desvios padrões


- a média mais ou menos 3 desvios padrões



Recordando as suas aulas de Estatística elementar os sindicatos argumentarão que a generalidade dos professores (99,7%) têm um desempenho mediano, não fazendo sentido implementar mecanismos de avaliação que apenas satisfariam o ego de conjunto reduzidíssimo de profissionais.
Por seu lado, o ME recordará igualmente a sua Estatística elementar, mas incluirá apenas na classe mediana 68% dos docentes, justificando assim a sua persistência em implementar um modelo de avaliação dos professores.

  • "Em qualquer grupo [profissional], se todos puderem ser excelentes o que está errado é a própria definição de excelência", disse Jorge Pedreira na abertura do seminário 'A escola face à diversidade: percepções, práticas e perspectivas' que decorre hoje no Conselho Nacional de Educação, em Lisboa.
    PÚBLICO, 29.05.2008


  • A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) manifestou hoje a sua “completa rejeição” do despacho que estipula as quotas para as classificações mais elevadas no âmbito da avaliação dos professores, por não permitir uma “avaliação correcta” dos docentes.
    PÚBLICO, 29.05.2008



Qualquer das partes envolvidas teria interesse em observar o que se passa noutros países desenvolvidos, como a Finlândia, para se libertar desta linguagem de debate e de pensamento introduzida pela Estatística.
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