sexta-feira, 29 de junho de 2012

Se Passos Coelho e a imprensa trocarem o défice orçamental pelo crescimento das exportações alguém dá por isso?

O Jornal de Negócios refere que no dia em que dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) apontam que o défice orçamental no primeiro trimestre se agravou para 7,9% do PIB, ficando acima da meta de 4,5% prevista para o final do ano, Pedro Passos Coelho comentou que "não há novidades quanto a perdas" e considerou que as contas nacionais até trazem a "boa notícia": o processo de transformação da economia portuguesa, mais direccionada para as exportações, em marcha, e de as necessidade de financiamento externo do país já não serem tão pronunciadas.

Quem se der ao trabalho de confirmar os dados no site do INE observará que o défice orçamental estimado em percentagem no PIB para o primeiro trimestre de 2012 foi de 4,3%, uma redução brutal visto que em 2011 era de 9,4%.


Fonte: Necessidade de financiamento da economia diminui. Poupança das famílias aumenta. - 1.º Trimestre de 2012, p. 4, 29/Junho/2012, INE. --- Backup

Presumivelmente o Primeiro-Ministro e Jornal de Negócios foram buscar o 7,9 ao crescimento em volume das exportações de bens e serviços que constam do Boletim Mensal de Estatística - Maio de 2012. Fazendo essa troca o Primeiro-Ministro terá ganho inspiração para as “boas notícias” que refere no jornal.


Fonte: Boletim Mensal de Estatística - Maio de 2012, p. 14, INE. --- Backup

Se lerem os valores com maior atenção, concluirão que já foi atingido um défice orçamental de 4,3% do PIB, isto é, melhor do que os 4,5% impostos pela Troika na quarta avaliação... Portanto é tempo de deixar o país respirar. Por favor, deixem as pessoas e as empresas trabalhar, em vez de persistirem na loucura da austeridade!

O mais interessante é que toda imprensa foi enrolada. Ouvem-se uns aos outros!



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