domingo, 11 de outubro de 2009

Tecnologia Sócrates


  • A Balança Tecnológica portuguesa tornou-se persistentemente positiva. Quer dizer, Portugal passou a integrar o conjunto de países que exportam mais bens e serviços tecnológicos do que aqueles que importam.

  • José Sócrates
    http://www.portugaltecnologico.fil.pt/


Sigo com interesse as novidades na área da tecnologia, mas esta propaganda do Portugal Tecnológico 2009 também suscitou outro tipo de interesses. Os indicadores estatísticos acabam por ser uma fonte de construção das mensagens, e de criação de realidades, que não resistem ao mínimo confronto com o real.

Como pode um país exportar tecnologia sem nunca ter desenvolvido a sua indústria? (*)
Como é possível elogiar uma Balança Tecnológica portuguesa tornou-se persistentemente positiva, quando se sabe que a Balança Comercial apresenta um défice estrutural que é talvez o indicador que melhor retrata as debilidades da economia portuguesa face ao exterior?

Visitei a feira ao encontro das vitoriosas empresas portuguesas exportadoras de bens e serviços tecnológicos... A administração pública estava lá em peso: portal das escolas, plano tecnológico, ministério da saúde, segurança social, ministério da administração interna, portal do cidadão, loja do cidadão, cartão do cidadão, SEF, PSP, GNR, Protecção Civil, Universidades, Comissões Coordenadoras Regionais... empresas certamente que contavam pelos dedos, e nenhuma delas tinha dimensão suficiente para reconhecer a sua marca.

Que tecnologia é esta que se faz sem empresas? É a tecnologia Sócrates: basta carregar no botão simplificador.

Consultando os documentos do Banco de Portugal podemos ler que Portugal revela uma clara e sustentada vantagem comparativa no sector de baixa-tecnologia. Os subsectores de “Têxteis, vestuário, couros e calçado” e de “Madeira, pasta, papel e publicações” apresentam índices Balassa muito elevados (...)
Fonte: Banco de Portugal. Backup




Tudo como antes. Só propaganda! Apetece-me carregar noutro botão:



(*) Portugal é o único país europeu onde o sector secundário nunca foi mais importante no conjunto da economia, quer em termos do contributo da produção para o PIB, quer em termos do emprego da população activa. A alergia de Salazar à industrialização (fonte de revolta dos operários...) compreende-se... mas esse "S" já morreu em 1968!

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