terça-feira, 1 de setembro de 2009

Risco moral: O "dilema" do banqueiro


  • Qual é a vantagem de aprender a fazer correctamente, quando fazer correctamente é complicado mas fazer errado não é nada complicado, e o salário é precisamente o mesmo?
    The adventures of Huckleberry Finn, Mark Twain (1884)


A expressão risco moral é originária da indústria seguradora. Os fornecedores de seguros de incêndio, em especial, constataram que os proprietários que estavam cobertos contra todos os riscos apresentavam uma tendência curiosa para sofrer incêndios graves - sobretudo quando, devido a alterações circunstanciais, o valor provável do seu imóvel diminuíra no mercado para um valor inferior ao coberto pelo seguro. Refere Krugman que em meados da década de 80, a cidade de Nova Iorque foi palco para uma série de proprietários "incendiários", que compravam edifícios a preço inflacionado a empresas fictícias detidas pelos próprios, recorrendo a esse preço para fazer um seguro avultado, e depois, por "casualidade", sofriam um incêndio.

Risco moral. Começou a utilizar-se esta expressão para referir qualquer situação em que uma pessoa toma uma decisão quanto aos riscos que está disposta a correr, enquanto outra assume esses mesmos riscos caso as coisas corram mal.

O dinheiro emprestado encerra em si mesmo a probabilidade de risco moral. O devedor pode amortizar os juros e o capital em divida dentro do prazo estipulado, ou pode falhar. Quando as pessoas depositam dinheiro num banco não pensam nisto, qualquer buraco lhes serve. Esta negligência oferece uma oportunidade tentadora a homens de negócios desprovidos de escrúpulos: basta abria um banco, assegurando-se que tenha um edifício impressionante e um nome apelativo; atrair avultados depósitos, remunerando-os com boas taxas de juro; depois, emprestar esse mesmo dinheiro a especuladores de alto risco, de preferência do seu círculo de amizades, ou talvez até a si próprio, por detrás de uma fachada diferente. Os depositantes não lhe irão fazer perguntas a respeito da qualidade dos seus investimentos, visto que sabem que estão sempre protegidos. O banqueiro tem um "dilema": se os investimentos lhe correrem bem fica rico; se correrem mal pode simplesmente virar costas e deixar que seja o Governo a reparar os estrados.

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