sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A crise financeira de 2008



Segundo a Newsletter do ActivoBank7 a crise financeira iniciada no Verão de 2007 nos EUA, com origem no mercado de crédito imobiliário de alto risco (subprime), transformou-se em 2008 na maior crise económica mundial das últimas décadas, colocando um ponto final numa era pautada por excessos na concessão de crédito e pela reduzida intervenção dos Governos nos mercados financeiros.

As cotações nos mercados accionistas não pareciam caras no início do ano, tendo presente que nos 5 anos anteriores se haviam limitado a acompanhar a subida dos resultados das empresas, não se verificando a euforia habitualmente associada a “picos” de mercado, como a do final dos anos 90 com as acções tecnológicas do Nasdaq.

Depois de dois “sustos” no início de 2008, em Janeiro e em Março, o último dos quais associado à possível falência do banco de investimento Bear Stearns, a qual foi evitada pela intervenção da Reserva Federal norte-americana (Fed), os investidores interiorizaram que as instituições mais importantes para o sistema financeiro internacional seriam “demasiado grandes para falir”, e essa confiança renovada foi suficiente para que, em meados de Maio de 2008, os principais mercados accionistas estivessem muito próximos dos valores do início do ano.

Ainda que durante o Verão tivessem surgido crescentes preocupações quanto à sustentabilidade do crescimento económico global (o que implicou o início da quebra do preço da generalidade das matérias-primas), o momento chave do ano foi vivido no dia 15 de Setembro, data da falência do banco de investimento Lehman Brothers, a qual foi decisiva para eliminar por completo a confiança que os agentes económicos ainda tinham, com efeitos negativos imediatos nos níveis de consumo, investimento e produção.

O aumento exponencial da aversão ao risco levou a um processo sem precedentes de desalavancagem (venda de activos para liquidação de operações de crédito), tendo os mercados accionistas perdido cerca de um terço do seu valor em apenas 2 meses, com níveis de volatilidade sem precedentes. Os mercados de obrigações de empresas foram ainda mais afectados: aos preços actuais, os investidores antecipam uma recessão económica com uma magnitude apenas comparável à da Grande Depressão de 1929 a 1933.


Fonte: Bloomberg; ActivoBank7; data mais recente: 26 de Dezembro de 2008
Nota: MSCI World (mercados desenvolvidos), MSCI Emerging Markets (mercados emergentes)

Observando o gráfico, ainda não é certo que se tenha atingido o ponto mais baixo da recessão, não havendo qualquer consenso entre os analistas quanto ao possível momento de início de retoma de um novo ciclo de crescimento.


Referimos igualmente no início do ano que se esperava uma maior resiliência dos mercados emergentes face a anteriores crises económicas, uma vez que os mesmos estão actualmente menos dependentes das exportações para os países desenvolvidos e apresentam mesmo reservas cambiais de valor superior ao daqueles países.

Como podemos ver no gráfico acima representado, a performance dos mercados accionistas emergentes mostrou-se resiliente até meados de Julho, face aos seus congéneres desenvolvidos, mas tornou-se mais frágil a partir de então, num contexto de forte quebra dos preços das matérias-primas (das quais muitos são exportadores), de agravamento da crise económica global e sobretudo de extrema aversão ao risco e de fuga dos investidores estrangeiros, penalizando todos os mercados, sem grandes diferenças.

Afirmámos também que «o principal obstáculo à acção dos Bancos Centrais, pressionados pela necessidade de adoptar uma política monetária mais expansionista (redução de taxas de juro) é o ressurgimento de pressões inflacionistas, em especial devido ao aumento significativo dos preços da energia e dos bens alimentares.». Com efeito, o aumento dos preços das matérias-primas até Julho (quando o petróleo atingiu um máximo histórico nos 147 dólares) condicionou a actuação das autoridades monetárias. O Banco Central Europeu (BCE) optou mesmo por subir a sua taxa de referência em 0,25% no dia 9 de Julho, num cenário de abrandamento económico.

Desde o início de Outubro de 2008, temos assistido a uma intervenção coordenada dos Governos a nível global, nomeadamente através de medidas de recapitalização de instituições bancárias, de injecções massivas de liquidez nos mercados monetários e de garantia de empréstimos interbancários que, acompanhada da redução das taxas de juro de referência, permitiu já uma significativa descida das taxas de juro no mercado interbancário: as taxas Euribor a 3 e a 6 meses (as mais utilizadas nos contratos de crédito à habitação) desceram já cerca de 2,40% em relação aos máximos de Outubro, o que permitirá aliviar de forma significativa as prestações a partir do início de 2009.



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