quinta-feira, 31 de julho de 2008

Ministra da Saúde desorientada


Que Governo é este?

No dia 29 lemos que o Governo exige exclusividade dos médicos que trabalhem para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

No dia seguinte, 30, antes de se iniciarem quaisquer negociações, nem queremos acreditar:

A intenção do Governo de obrigar os médicos a decidirem entre o sector público e o sector privado para trabalhar não vai sair do papel, pelo menos nos próximos anos. A confirmação foi dada ao Diário Económico pela própria ministra da Saúde, Ana Jorge, que explica que “este é o caminho, mas não para já”.


Que está a fazer uma Ministra que muda de opinião de um dia para o outro? Teve receio do confronto com os médicos? Entende-se, mas com um Governo que não prossegue as políticas necessárias com medo dos poderosos não vamos a lado nenhum.

Estamos a falar de uma categoria sócio-profissional no seio da qual o duplo, triplo ou quádruplo emprego se tornaram banais, nunca um tribunal teve coragem de os penalizar mesmo com provas de negligência, o seu emprego sempre foi mais que certo, e conseguem ganhar mais dinheiro quando fazem greve do que em circunstâncias normais, contrariamente a todas as outras profissões! Eu explico já a seguir.

Por exemplo, quando um professor faz greve, recebe menos, porque lhe são descontados os dias no seu vencimento mensal. Se for um médico a fazer greve, faz greve no Hospital, mas envia os doentes para a sua clínica privada! Assim, os descontos da greve acabam por poder ser mais que compensados pelo acréscimo da clínica. Mesmo sem contar esta actividade, a lei da greve obriga-os a assegurar "serviços mínimos", que na prática se traduzem em ficar atento às chamadas de um telemóvel, recebendo efectivamente por horas que podem ser utilizadas em actividades de lazer ;)

A Ministra bem sabe como os seus colegas são privilegiados. Proclamar a revolução num dia e termina-la no dia seguinte retira-lhe toda a credibilidade para iniciar um processo negocial.

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