quinta-feira, 12 de junho de 2008

É inadmissível que não se procure a convergência de preços com Espanha nos combustíveis

O poder caiu na rua, já que o conteúdo das medidas que estão em cima da mesa e que serão agora apresentadas aos piquetes de greve.

O Governo ganhou este round visto que os camionistas desmobilizaram, mas Sócrates não pode continuar a afirmar que “não poremos em causa o interesse geral por qualquer interesse específico” porque a lei dos camiões permitiu ganhos relevantes para os manifestantes.

Numa economia de mercado os preços estabelecem-se na concorrência, e não resultam de nenhum conjunto complexo de regras como as estabelecidas. Por exemplo, não é por terem acordado que "o preço do transporte de mercadorias vai passar a estar indexado ao combustível" que isso sucederá. Se houver excesso de oferta dos transportadores, o mais provável é que estes não consigam fazer repercutir na totalidade o acréscimo dos custos sobre os clientes.

Se é verdade que a lei do camião rendeu as benesses descritas na imprensa económica, não é menos verdade que alguém irá suportar os seus custos.

Para já Sócrates livrou-se deste aperto, mas o cancro continua. O cancro continua porque é inadmissível que não se procure a convergência de preços com Espanha nos combustíveis, particularmente depois do estudo oficial que revela que o diferencial de preços da gasolina entre Portugal e Espanha é nulo, se forem considerados os preços sem os impostos. Chegar a esta convergência é que seria governar para os portugueses. Assim, Sócrates ofereceu uns doces aos transportadores à custa dos portugueses.

Um comentário:

Alma lunar disse...

Venho agradecer o teu comentári, que adorei.

É inadmissivel que o Governo, que a maioria do país seja autista em relação aos últimos acontecimentos.

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