quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Transformações profundas no papel da escola subordinadas à agenda eleitoral do PS

O objectivo dos políticos quando estão na oposição é alcançarem o Governo. Quando estão no Governo pretendem manter-se em funções. É conhecida a forma como são geridos os ciclos de quatro anos: nos primeiros dois anos deverão ser feitas as reformas necessárias, apesar de dolorosas e impopulares, podendo mesmo entrar em confronto com os governados; nos dois anos seguintes distribuem-se “rebuçados”.

Sócrates desafiou em simultâneo amplos sectores da sociedade portuguesa, para dar uma falsa imagem de independência e eficácia. Uma falsa imagem porque o seu alvo nunca foi além da classe média: atacou pensionistas, funcionários públicos, professores, médicos e juízes. Não tocou nem tocará nos políticos, nem nos dirigentes da administração pública, nem no poder financeiro. Quando começou a governar a Socratelândia o país já era aquele que tinha salários mais baixos na Europa dos 15. Com as suas orientações para a função pública, que são tomadas como referencial pelo sector privado, a Socratelândia foi mais ao fundo ainda:



A educação é uma pasta conhecida como a “torradeira” porque os ministros se vão sucedendo na pasta sem que seja possível realizar alterações de fundo respeitando os ciclos eleitorais. Desde 1970, só seis ministros se mantiveram por um período superior a 2 anos: Veiga Simão (70/74), Vítor Crespo (80/82), Roberto Carneiro (87/91), Marçal Grilo (95/99), David Justino (02/04) e Maria de Lurdes Rodrigues (05/??). Esta é uma área onde os resultados das políticas de fundo nunca são observáveis a curto prazo. Mas a Ministra não se importa de fazer os seus planos e as suas regras independentemente dos professores até com batota à mistura para mostrar resultados dum ano para o outro, e a verdade é que a humilhação dos professores lhe tem servido para conquistar simpatizantes noutras franjas da população. Por exemplo, gostaria de a ter visto num carro do corso de Carnaval, tal como vi o Sócrates com o nariz do Pinóquio ou o Ministro das Finanças a segurar mealheiros/porcos/portugueses que tentavam escapar-lhe da quinta, etc....(Carnaval de Torres Vedras). Ao contrário da restante população, os professores estabelecem facilmente a relação entre os “despachos pela Internet” e a agenda e eleitoral do PS:



O pior é que já passaram os primeiros dois anos sem que se tenham realizado as verdadeiras alterações estruturais que a sociedade portuguesa exigiria. Por exemplo, independentemente dos despachos, os recursos mais utilizados no interior das salas de aula continuam a ser o quadro/giz e o manual escolar. Esta é a realidade do quotidiano escolar desde que eu era criança... Entretanto o país já passou por uma Revolução (PREC, 11/MAR/75 a 25/NOV/75), já se extinguiu a URSS, o Mundo passou a ter novas preocupações: alterações climáticas, terrorismo, subdesenvolvimento, SIDA,... Mas a escola parece viver à parte do Mundo, com uma inércia muito maior, e por maior que seja a velocidade dos despachos nada indica que seja alterada a situação nas salas de aula, mas apenas que seja criada mais burocracia.

Lembram-se da lição da banca? Há uns anos também viviam atulhados em papéis, sem computadores. O “problema” dos bancos é que têm mesmo que apresentar resultados! Como fizeram? Modernizaram-se. Reformaram compulsivamente os quadros que não lhes interessavam. Esta Ministra está a fazer o oposto na educação, transformando as escolas em hospícios, precisamente porque nunca será responsabilizada por não obter os “resultados” a que tanto se refere. Lamentavelmente, depois de perdidos os dois primeiros anos, nem haverá “rebuçados” para distribuir na Socratelândia onde a jangada continua a ser conduzida em direcção ao precipício. E as consequências desta política não são um azar do Sócrates nem da Ministra! Eles sabem que correm o risco de não renovar o contrato!

Mas que azar poderá ter um professor que não precisa de quadro/giz nem de manual escolar na sala de aula? Eu prefiro gastar o tempo a criar materiais para os alunos a fazer planificações que são copy/paste dos programas. Corro o risco de dar mau resultado, mas mantenho-me à margem desta paranóia colectiva.

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